Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Uma voz contra a treva – na Veja

Por Luiz Weis em 27/05/2006 | comentários

Diz um aforismo religioso que há mais júbilo no Céu por um pecador que se arrepende do que por cem homens justos que nunca pecaram.


Lembrei-me disso por causa da Veja que foi hoje para as bancas. Nela, na página 48, sob o título ‘Eles não passarão’ – reminiscente da resistência antifascista na Guerra Civil Espanhola de 1936 a 1939 – o colunista André Petry escreveu um texto fora de série.


As suas palavras merecem ser lidas em voz alta de todos os púlpitos e tribunas, laicos e religiosos, onde o compromisso elementar com a decência humana ainda resiste ao assalto continuado da barbárie dos dias de hoje.


O artigo:


A Comissão de Direitos Humanos da prefeitura de São Paulo, nos dias que se seguiram à saraivada de atentados do crime organizado, recebeu mais de 200 e-mails e mais de 100 telefonemas com ameaças, desaforos e xingamentos. O presidente da comissão, o ex-ministro José Gregori, chegou a receber ligação em sua residência. No insulto mais leve, chamaram-no de ‘defensor de bandido’. Sua assessora, Celia Whitaker, também recebeu ofensas e ameaças na comissão, na sua casa e até em seu celular. Em alguns telefonemas, houve promessas de perseguição, com a sugestão velada de que coisas piores poderiam acontecer. E tudo porque eles – como defensores dos direitos humanos – estariam entre os culpados pela onda de atentados que parou São Paulo.


É uma estupidez himalaica culpar defensores dos direitos humanos pelos atentados. É uma soma de estupidez e burrice, porque acontece exatamente o contrário: atentados, rebeliões e revoltas, ameaças de matança e chacinas, comandadas ou executadas por presos, acontecem exatamente porque, entre outros motivos, falta respeito aos direitos humanos. Porque falta, e não porque há excesso. Porque, entre outras coisas, essa gente bandida vive como bicho enjaulado.


O espantoso é que uma parcela ponderável da sociedade – a mesma que se calou diante do massacre de 111 presos no Carandiru – ainda não conseguiu entender que bicho enjaulado age e reage como bicho enjaulado, e não como preso disciplinado. O espantoso é que essa parte da sociedade – a mesma que acha lindo o deputado paulista Conte Lopes bradar seus assassinatos de bandidos – ainda se pergunte: por que respeitar os direitos humanos do homicida se ele não respeitou os direitos humanos de sua vítima? A resposta é simples: o homicida viola os direitos humanos porque é bandido, criminoso, mas o Estado respeita os direitos humanos porque não é (ou não deveria ser) nada disso.


Os covardes que ameaçam e insultam anonimamente os membros da Comissão de Direitos Humanos de São Paulo precisam entender que o que realmente ajuda a combater a criminalidade não é tratar os criminosos como lixo humano. É dar-lhes a certeza da punição. Não é preciso torturá-los, arrancar-lhes os olhos, deixá-los dormir entre excrementos… Basta puni-los, com justiça e com rigor. Só isso. Esses covardes são os mesmos que, diante de um assassinato de maior repercussão ou coisa parecida, saem logo pedindo para ampliar a lista de crimes hediondos, aumentar as penas de prisão, aprovar a cadeira elétrica… É tudo enganação. Pena maior não resolve nada, pena de morte não resolve nada. O que resolve é a certeza da punição, rigorosa, justa e humanamente decente.


Os defensores dos direitos humanos – de negros, de mulheres, de crianças, de todos, inclusive de presidiários – são a consciência civilizatória do homem. Eles nos dão a esperança de um horizonte moral. De minha parte, meus aplausos ao ex-ministro Gregori e sua assessora Whitaker, que não se intimidam diante da estupidez, da burrice e dos bandidos. Eles não passarão.’


De minha parte, meus aplausos comovidos ao jornalista André Petry. Ele nos dá a esperança de um horizonte moral – mesmo neste país onde mal chega a 3 em 10, segundo as enquetes, a proporção de pessoas que não aplaudem a polícia pela eliminação sumária de dezenas de ‘suspeitos’ de ligações com o PCC.


***


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Todos os comentários

  1. Comentou em 26/04/2007 Vania Favaro

    Apenas perguntar: Ser politico, virou profissão? se virou tambem os ladroes, são, porque?, Nunca vi tanta bandidagem no Governo, Seroa que o povo não percebeu ainda que por muito menos tiraram o Presidente Collor do poder?

  2. Comentou em 29/05/2006 Silas Leite da Silva

    É sempre bom descobrir vozes contra as trevas, mesmo que seja nos locais menos esperados.
    Como não tenho visto, nem no OI nem em outros ´sites´ qualquer referência a um tema que considero importante, vou-me desviar um pouco do artigo. Em seu terceiro parágrafo há referência ao ‘Deputado paulista Conte Lopes’, mas não há indicação quanto ao Partido ao qual o Deputado está filiado.
    Fala-se muito na inconsistência ideológica e até moral do sistema partidário brasileiro, mas noto que quase todos os meios de comunicação omitem o Partido Político do qual fazem ou fizeram parte Vereadores, Deputados e Senadores envolvidos nos mais diversos acontecimentos (tanto bons quanto negativos). A sociedade brasileira precisa estar sempre sendo informada e, quando leio notícia sobre político sem menção a seu Partido, sinto-me enganado, pois fico privado de informação que me ajudaria a formar opinião mais precisa sobre um determinado Partido Político. Nos últmos meses saíram manchetes sobre ‘corrupção do PT’, ‘turma do PT’, o que mostra a manipulação interessada de grupos contrários ao Governo, e nada tem a ver com o que se pode chamar de informação.
    Em respeito aos leitores e, com vistas a fortalecer os Partidos Políticos, qualquer referência a político deveria ser SEMPRE seguida da sigla do Partido a que pertence ou pertenceu.

  3. Comentou em 29/05/2006 Leandro Labre

    Quando penso em direitos humanos, penso em respeito às leis e à dignidade humana. Por pior que seja o castigo, há que se manter uma postura de respeito à dignidade humana. Por exemplo, uma execução de um condenado à pena de morte nos EUA, de a cordo com o que é retratado nos filmes, segue uma série de rituais de extremo respeito ao condenado. Ele tem o direito a uma última refeição, a uma visita de um religioso. Ele não vai até a cadeira elétrica debaixo de vaias ou de safanões. E sim escoltado por guardas fardados em postura digna e correta. Embora seja contra a pena de morte, entendo que esta seja a maneira correta de aplicar tal pena. Claro, isso sem falar no amplo direito de defesa do condenado.

    Temos, por outro lado, aqui no Brasil, toda esta lógica da pena de morte virada pelo avesso. Ela é feita sistematicamente, à margem da lei, de maneira sumária, por policiais corrúptos e mal-remunerados. Aonde a vítima-condenado, não tem direito de se defender.

    É isso.

  4. Comentou em 29/05/2006 Tatiana Diniz

    Realmente impressiona saber que pessoas supostamente esclarecidas ainda acreditam que barbárie se combate com bárbarie. Lamentável…
    Parabéns ao André Petry pelo artigo (surpreendentemente publicado num veículo com perfil da Veja).

  5. Comentou em 29/05/2006 Luciana Covolan

    Infelizmente, para toda a sociedade brasileira, nem aqui no site do Observatório, um lugar onde pouquissíms privilegiados tem acesso, o artigo encontra apoio. Se essas pessoas, na sua maioria pessoas com maior poder aquisitivo e principalmente com maior grau de instrução, não conseguem ver a situação com a clareza necessária, seria pedir DEMAIS, que os mais simples, desinformados e sem estudo analisassem situação. O problema do Brasil não está simplesmente na falta de escola, é cultural. Não é simplesmente português e matemática (como é ensinado no Ensino Fundamental) falta História VERDADEIRA, filosofia, interpretação. É preciso que as famílias discutam os problemas do país, se interessem pelo país, é preciso nascer o hábito da cidadania nas famílias, nas comunidades. No brasil as pessoas se juntam para fazer churrasco e assistir jogo de futebol. Ninguém se junta para ler poesia, falar sobre filosofia, discutir uma notícia importante. Isso é crescimento, cultura, informação. Enquanto a sociedade naõ se desenvolver dificilmente esse país melhora. Infelizmente.

  6. Comentou em 29/05/2006 ecivaldo souza dos santos

    como explicar casos como;SUZANE Richthofen,GIL RUGAI,PIMENTA NEVES ?
    Quando nascemos trazemos/desenvolvemos várias tendecias patologicas.
    Principios sobre os que levam pessoas a preferir o verde ao azul , norteiam também a predisposição à violência em detrimento da não violencia. ‘como explicar casos como;SUZANE Richthofen,GIL RUGAI,PIMENTA NEVES ?’

  7. Comentou em 29/05/2006 Apolonio Silva

    Não há como não registrar aqui alguns comentários sobre a noção de direitos humanos. Petry coloca muito bem que esta noção nos dá um horizonte moral em que possamos balizar nossas atitudes e etc. Indiscutível observação que coloca vários problemas com a noção. A primeira é a impressão que se tem quando se depara com a noção, que é a de se estar diante de conceitos que não são culturalmente identificáveis, isto é, como se um Deus – acima de todos os ‘Deuses’, de todos os povos no mundo, de todas as referências, de todas as morais de dos bons costumes, fornecesse a um Moisés da vez regras para que seguíssemos no cotidiano. É evidente uma pretensão hegemônica por trás da noção (não entro no mérito). Ela pretende colocar abaixo de si, os direitos civis (que estes sim, são expressões culturalmente referenciadas), ou a opinião de uma sociedade. Aí então pode haver o conflito. Uma sociedade pode encarar um crime como um pecado, e puní-lo de forma terrível do ponto de vista de direitos humanos. São desumanos? Afinal, a pergunta da população é: Quem são os humanos? Pessoalmente acredito que a noção de diretos humanos cumpre uma função de ‘imperativo categórico gramsciniano’ numa direção civilizatória. Mas seu uso em determinadas situações – desbalanceadas pode levar a noção ao desgaste e a perda de significado concreto para o vulgo, seja ele burro, estúpido, ou outro nome feio qualquer.

  8. Comentou em 29/05/2006 Apolonio Silva

    É fácil fechar os olhos, chamar a população de idiota e ignorante: fica bem e a gente fica com aquele ar inteligente, ‘intelequitual’. O que a população sinaliza, sintetizando da melhor forma que pode, é que a sociedade está de fato exibindo uma assimetria no tratamento de suas mazelas. Na falta que faz o Estado, quando controla a criminalidade, seja por uma legislação ineficaz, seja por uma polícia ineficiente, seja por presídios tomados pela corrupção endêmica, que afetam muito a população de baixa renda – mais exposta a violência de todos os tipos , e no espaço preenchido por ONGs e penduricalhos desse próprio Estado na defesa dos direitos humanos, a assimetria é evidente. A população não é idiota, apenas sinaliza uma percepção da realidade, que deve ser analisada pelos formadores de opinião sem pretensões paternalistas (pelo menos não a priori). Como o Estado não cumpre sua lição de casa, mas os grupos ligados a direitos humanos a fazem com desenvoltura impressionante, a população identifica esse movimento como aliado dos ‘inimigos’. Boa parte do ocorre no Estado de São Paulo hoje decorre da invenção tupiniquim que foi colocar um defensor dos direitos humanos para tomar conta da segurança pública (no governo Covas). É como por o vegetariano para tomar conta do abatedouro (Eu, particularmente, gosto de comer carne!). O Estado precisa ser rebalanceado.

  9. Comentou em 29/05/2006 Edinea Moreira da Silva

    – Felizmente algo sensato foi escrito ! Os defensores dos direitos humanos tém que ser respeitado!. A imprensa infelizmente não faz o que deveria fazer, que é dar informação com serenidade, imparcialidade e não glamorizar a violência. É preciso lembrar que quando o representante da lei usa os métodos dos contraventores ele agride a constituição e ao povo assinando atestado de imcompetência profissional e constitucional. Seria oportuno lembrar essa pequena burguesia que a linha que separa a racionalidade da irracionalidade é muito tênua, quando rompida nos tornamos mais perigosos, porque somos capazes de premeditar!. Portanto não por questões de sensibilidade, fraternidade, blá, blá blá…. , mais sim, por questão de inteligência é bom que os defensores da violência para combater violência, repensem! Pois, carro blindado, câmeras ,coletes ,etc. etc…não repôem vidas ! Os marginalizados tém a perder o quê? -vida! que vida?. Já vi mães rezando para que Deus levasse seu filho para levrá-los,a ambos, do sofrimento !

    Cordialmente,
    Edinéa

  10. Comentou em 29/05/2006 Lucas Andrade

    Sim, a mídia é repetitiva, como vemos em pouco tempo nas últimas publicações do Observatório, o ego jornalístico é algo ‘magnético’ pois é atraido pela mínima picuinha, picula de ibope que a mídia massiva promove, reducionismo. Então, onde estão as teorias… compreenção acadêmica e tudo o mais, que não é o mais inteligente nem o melhor para compreender um raciocínio, diga-se de passagem. Novamente, sim, estão ae carimbadas na notícia por nossa profissão, que brinca de picula e ‘pique esconde’, pra achar o reducionismo, sempre.
    Talvez minha poética tenha sobresaido uma linha de raciocinio linear, tudo bem, sem pretenção alguma. Foi só um regogito de enjôo.
    Tenhamos todos uma boa semana ‘redutiva’, de formigas ‘edônicas’, infelizmente.

  11. Comentou em 29/05/2006 Sergio Murilo Fiamengui

    Prezados Senhores,

    É certo que não devemos sentir orgulho em matar criminosos e precisamos repudiar ameaças covardes e anônimas que somente servem para aumentar ainda mais o sentimento de medo e de insegurança que acometem os cidadãos brasileiros.
    No quarto parágrafo do artigo, o jornalista relata que é necessário punição justa e rigorosa. Mas o que é justo e rigoroso? O que está ai?
    Minha casa tem muros altos, cerca elétrica, alarme, pago vigilância noturna e tenho medo de sair às ruas. Quem está enjaulado?
    Na minha opinião, a parte do artigo que diz ‘arrancar-lhes os olhos, deixá-los dormir entre excrementos’ é profundamente pedante. Se lhes arrancam os olhos, são seus próprios parceiros que o fazem e se dormem sobre excrementos, de quem serão esses excrementos?
    Não sou a favor de tortura nem de justiça com as próprias mãos. Isso seria realmente inaceitável. Todos temos direitos à vida e ela deve ser preservada a todo custo.
    As pessoas que lutam pelos direitos humanos realmente têm que ser aplaudidas, pois mesmo nesse cenário de guerra urbana que assola nosso país, preocupam-se com o bem estar do próximo, principalmente daquelas classes menos favorecidas. Mas às vezes me dá a impressão de que estão passando a mão na cabeça de criminoso (tadinho, ele tá preso).
    Me desculpem se minha visão está distorcida (deve estar), mas minha revolta é a de muitos.

  12. Comentou em 29/05/2006 Vladimir Nunes de Oliveira

    O artigo de André Petry está perfeito. Alíás, Petry parece ser um oásis no deserto intelectual e ético de Veja. Lamento, aliás, que ele não tenha tido a coragem, à época, de defender o ‘sim’ no plebiscito do desarmamento, porque, como todos sabem, Veja defendeu com ardor o voto pelo ‘não’.

  13. Comentou em 29/05/2006 jayme guedes

    acho inacreditável que alguém afirme, como afirmou o articulista,que ‘pena de morte não resolve nada’. Resolve sim, e resolve um dos mais danosos aspectos da criminalidade, o da REINCIDENCIA. Criminoso, exeutado por crime hediondo, não volta a delinquir. Não basta? Uma simples estatistica entre primeiro crime e crimes subsequentes mostraria as vantagens da pena de morte ou perpétua.A legislação penal precisa separar os dois tipos de crime: o eventual, por descontrole, e o empresarial ou ‘crime organizado’, e para este último criar um estatuto próprio, extremamente rígido, semelhante ao que se adotaria para um país em guerra. O argumento de que o Estado não pode igualar-se é uma bobagem. O Estado não só deve igualar como superar as ações do crime pois seu compromisso é com a sociedade e não com a ‘recuperação ‘ de criminosos. O crminoso não pode renunciar ao estatuto pelo qual se regem as pessoas de bem e, uma vez, capturado, invocá-lo. Enquanto não entendermos que estamos em guerra, que fomos invadidos, não acharemos o caminho. Uma vida de um inocente, para a sociedade, deve valer mais do que cem vidas de bandidos.

  14. Comentou em 29/05/2006 Davi Sampaio(D)

    Realmente a reportagem está de parabéns. Infelizmente, nosso país foi moldado à moda estadunidense, na qual algumas reportagens conseguem inflamar grande parte da população, incitando muitas vezes à guerra. Podemos lembrar do caso do juíz( grande Belo Horizonte) que libertou alguns presos em função da rede carcerária desrespeitar os direitos humanos, assegurados pela nossa constituição a todos, inclusive presidiários. Aliás, qualquer juíz no país precisa fazer uma séria decisão ao condenar alguém: cumprir a lei, mandando o delinquente para a prisão, na qual ele terá seus direitos desrespeitados- o que implica num não cumprimento da mesma ordem normativa-, ou não cumprir a lei. Na minha opinião, a maioria dos juízes são fracos e complacentes, deixando a cargo do poder executivo o não cumprimento da norma, tal qual Pilatos.

  15. Comentou em 29/05/2006 meiriluce Santos santos

    Francamente, não imaginava que leria com prazer algo publicado pela revista VEJA. Suas linhas têm sido lastimáveis. Entre mortos e feridos, André Petry fez o que a revista não conseguia há muito: produzir algo sensato, justo e agradável de ler que, com certeza, levará muitos à reflexão.

  16. Comentou em 28/05/2006 Henrique Milen

    Só um adendo: com todo respeito a quem diz que ‘não viu nenhum defensor ds direitos humanos se solidarizar com os policiais mortos’… Eu vi um monte. Mas tem gente que só enxerga o que quer, mesmo. E quando discute só escuta o som da própria voz.

  17. Comentou em 28/05/2006 Henrique Milen

    Um artigo exato e urgente de Petry, e Weis também acerta ao reconhecer na Veja esta surpreendente fagulha de lucidez. Quem dera fosse sempre assim…

  18. Comentou em 28/05/2006 Mara Barreto

    Entender o importante papel dos Direitos Humanos é imprescindível para qualquer sociedade democrática. . Tenho certeza que se tivéssemos justiça social, e um sistema judiciário ético, justo e ágil não existiria tanta gente aplaudindo execuções sumárias, tenho certeza que se os culpados de qualquer crime, inclusive políticos, realmente fossem punidos todos aplaudiriam qualquer defensor de Direitos Humanos como guardiões da justiça. Mas não é isto que acontece porque o cidadão que vive temeroso e frustrado no seu dia a dia, em sua grande maioria não tem condição nem paciência e nem conhecimento para aprofundar o papel tão importante da comissão dos Direitos humanos, que tem como papel defender incondicionalmente a dignidade da pessoa humana em qualquer lugar do mundo até mesmo nas prisões.

  19. Comentou em 28/05/2006 Marcos Adriano Rodrigues da Silva

    Existe bandido esfarrapado e existe bandido engravatado.
    Como diz o refrão de uma música de uma dupla daqui, ‘Quem é que vive mais, o ladrão besta ou o sabido?’

  20. Comentou em 28/05/2006 Alberto SILVA

    Tenho que discordar de André Petry e Luis Weis,pois,penso que essa coluna poderia ter sido feita em outro momento ,mas não agora,porque a mesma só alimenta mais a bandidagem com essa visão simplista de basta dar balé,esmola,etc..que está tudo resolvido.
    Então me pergunto como explicar casos como;SUZANE Richthofen,GIL RUGAI,PIMENTA NEVES ?

  21. Comentou em 28/05/2006 Dulce Helena Felisbina

    Também gostei do que publicou Andre Petry. No entanto tenho que fazer um comentário: as pessoas que atacam as Comissões de Direitos Humanos o fazem porque se dá vários direitos que as pessoas trabalhadoras em liberdade não têm. Os presidiários devem sim ter tratamento adequado, que possibilite a sua reintegração na sociedade. Poderiam os governos construírem penitenciárias rurais nas quais os presos pudessem plantar e colher para a sociedade. Aliás, é justamente a ociosidade ( que nem os libertos aguentam) dos presos que aumenta o poder de articulação do crime. Proporcionar, paralelamente a eles, o entretenimento.
    No entanto, nós aqui de fora dos presídios precisamos ter também a atenção dessa Comissão e é preciso sempre que se perguntem se os nossos direitos de cidadão não estão sendo subtrídos para favorecer facções criminosas.

  22. Comentou em 28/05/2006 Marco Antônio Leite Costa

    A Comissão de Direitos Humanos existe para defender o que é justo. Esta Comissão em momento algum defende ou faz apologia de bandidos. O que ocorre de fato, é que a imprensa da gritaria que depende de cadaveres para sobreviver, para dar satisfação às famílias que perdem pessoas amadas, procuram culpar e desacreditar os Direitor Humanos junto a opinião públicao pela onda de crimes que ocorre em todo o território nacional. Vale dizer, essa imprensa pequena não tem moral para estar responsabilizando instituições sérias. Marco

  23. Comentou em 28/05/2006 francisco latorre

    quanto ao sr. gregory, foi um ministro inoperante.
    tem mais, o tal artigo da tal ‘revista’ é pretexto pra elogiar o tucano esse,
    que vem liderando os neo-indignados golpistas tucanistas.
    aliás o retorno do esquadrão-da-morte tem que ser combatido e esclarecido.
    sai o equilibrado furukawa e fica o assustador saulo vingador.

  24. Comentou em 28/05/2006 francisco latorre

    a inexplicável falta de defensoria pública no estado mais rico da união é um
    escândalo, denunciado por defensores públicos de outros estados.
    o defensor público de carreira ganha experiência e tem interesse genuíno em
    absolver e libertar presos com penas vencidas.
    estima-se que até 30% dos presos no estado poderiam e deveriam estar
    livres.
    a conivência da OAB deixa o preso sem recursos nas mãos dos “porta-de-
    cadeia” por razões de política corporativa. vergonhoso.
    a falta desse serviço público contribui para aumentar o exército de infelizes e
    vítimas que são obrigados a se alistar nesse pcc, queiram ou não.
    só o jornalismo pode levantar a questão públicamente, pois essa OAB
    corporativa não se importa. ao contrário, oculta o problema.
    acrescento que nesse abandono pelo estado aos presos miseráveis está a
    gênese da tal organização nos anos 90.

  25. Comentou em 28/05/2006 Jaqueline Ruza

    Boa parte da imprensa, principalmente a televisiva (não sei se existe essa palavra), dedicou-se a horas de transmissões ao vivo mostrando imagens que bombardeavam nossas mentes com um quadro no mínimo dantesco de verdadeira calamidade pública. Após desencadear quase que uma espécie de ´sindrome do pânico coletiva´ (desculpem os terapeutas), temos agora no rescaldo dessa situação dramática que SP viveu, as matérias (muitas) que fazem apologia ao ´atira primeiro e pergunta depois´. Alguns políticos e representantes de classe (de plantão), não têm perdido a oportunidade de nos enfastiar com suas participações e declarações arrogantes e afirmações do tipo: ´Sabia que isso iria acontecer.´,´Eu bem que avisei.´, ´O povo tem que saber…’, etc, etc. A imprensa foi, é e sempre será , um valioso instrumento de cidadania e também, um poderoso gerador ou fomentador de opiniões. Portanto, textos como esse publicado na Veja esta semana nos permitem refletir o quão é importante sermos cidadãos. Deixarmos de lado esses chavões reacionários que valor algum agregam ao nosso cotidiano. Cidadania é uma via de mão dupla, caminho de ida e volta. Temos que nos instrumentalizar´, através da imprensa ética para definirmos nosso foco principal, ou seja, aquilo que realmente transformará nossa sociedade.

  26. Comentou em 28/05/2006 Maurício Lima

    Com todo respeito, discordo frontalmente com ambos, pois apesar de achar que nossos presídios são até desumanos, não vi em algum momento, ninguém ligado aos direitos humanos, se solidarizar com os parentes dos policiais mortos. A grande verdade é que a segurança pública, em especial em São Paulo começou a se deteriorar, depois do episódio Carandiru e com a entrada do PSDB no governo. Depois do Carandiru a pressão sobre a polícia ficou muito grande e os policiais lavaram as mãos e deixaram a coisa correr solta. Os líderes do PSDB, foram todos perseguidos pela ditadura e obviamente queriam dar o troco em quem os atormentou por muitos anos. Nossa memória e muito curta e nos faz esquecer o que foi feito para desmoralizar nossos policiais, pelo time do sr. Covas. Em recente carta publicada no Fórum do ‘Estadão’, lembrei que o governo foi alertado da formação do PCC e eles entenderam, na época, num ato de arrogância, que era impossível acontecer isto aqui. Dois dias depois, de minha carta, em reportagem o mesmo jornal reproduziu os fatos com personagens da época, mostrando que isto realmente aconteceu. Como disse um comentarista o sr. Gregori não fez nada de útil para a segurança pública, enquanto ministro e não era para fazer nada mesmo ou vcs já esqueceram como o sr. FHC sucateou nossas forças armadas, livrando o PT desse grande mico. Lamentavelmente a bandidagem só cresceu.

  27. Comentou em 28/05/2006 JOÃO RICARDO FRANCO

    Até que enfim uma coluna que se salva na Veja. Muito pertinente os comentários do colunista, ajuda a desmistificar essa história de que os defensores dos direitos humanos são defensorres do crime e da impunidade. A luta em defesa dos direitos do ser humano, para ser eficiente e encontrar eco na sociedade jamais poderia compartilhar idéias tão absurdas como a de dar salvo conduto para o crime e o criminoso (pseudo-argumentos com os quais freqüentemente se costuma caluniar os defensores dos DH), entretanto, por outro lado, jamais poderia achar normal e se calar diante da prática de tortura, de penas degradantes e/ou cruéis, da pena de morte e da execução sumária e outras atrocidades imaginadas pela ‘elite branca’ e projetadas para toda a sociedade como a ‘solução final’. ‘O que resolve é a certeza da punição, rigorosa, justa e humanamente decente.’ Somando-se a isso um olhar mais generoso e menos vacilante em relação às questões sociais (saúde, educação, acesso à justiça etc.) por parte dos governos e da sociedade civil estaríamos contribuindo em muito para a diminuição da violência e da sua face mais cruel: o crime. Parabéns para o colunista André Petry da Veja e para o Luiz Weis do Observatório da Imprensa pelos comentários.

  28. Comentou em 28/05/2006 RICARDO MINZE MNINZÉ

    A SOCIEDADE BRASILEIRA NÃO PODE SE CALAR DIANTE DOS FATOS QUE
    VEM OCORRENDO NO PAÍS.QUEM CALA CONSENTE. PRECISAMOS MANIFESTAR
    DE FORMA CONTUNDENTE,ATRAVÉS DO VOTO,DE PASSEATAS,DE PARALIZAÇÕES
    LIZAÇÕES OU DE OUTROS INSTRUMENTOS LEGAIS, A NOSSA INSATISFAÇÃO
    A TUDO DE RUIM NESSE BRASIL. SEJA POR AUSÊNCIA, NEGLIGÊNCIA OU
    OMISSÃO DO ESTADO,NO QUE SE REFERE A CORRUPÇÃO,SEGURANÇA PÚBLICA,
    SAÚDE,EXPLORAÇÃO INFANTIL,TRABALHO ESCRAVO,TRÁFICO, MÍDIA E TUDO
    AQUILO QUE VEM DEGRADANDO A NOSSA NAÇÃO.ALÉM DISSO, É FUNDAMENTAL
    QUE CADA UM, NA SUA INDIVIDUALIDADE,NÃO COMPACTUE E NEM SE DEIXE
    CONTAMINAR POR PRÁTICAS DESTRUTIVAS DA DIGNIDADE HUMANA.

  29. Comentou em 28/05/2006 hamilton damato

    textos como este do sr. Weis nós da esperança de que nem tudo está perido

  30. Comentou em 28/05/2006 Leão Machado

    O Petry é muito bom,mas ‘Veja’ tem tambem o excelente Roberto Pompeu de Toledo. Quanto ao texto do Petry, creio que a expressão ‘direitos humanos’, causa uma certa ojeriza em alguns, óbviamente por pura ignorância. O que aconteceu em SP, após os atentados do PCC, leva a crer que um novo esquadrão da morte pode estar surgindo. O exterminio de inocentes e pobres-cujo único patrimônio talvez fosse a honra- é tão duro de aceitar, quanto a morte dos policiais.
    Agora, gostaria de lembrar um detalhe: José Gregori foi ministro da justiça e não fez rigorosamente nada pela segurança em sua gestão. Alias, a impressão que tenho é que Gregori foi ministro apenas e tão somente por ser amigo fraternal de FHC

  31. Comentou em 27/05/2006 ronaldo ferreira da silva

    Equivocado é o papel da Comissão dos Direitos Humanos, vínculado nos programas senssacionalista que ocupam o horário nobre da televisão brasileira, usando este momento para colacar a população contra qualquer assunto que envolva as palavras: direitos humanos. Perde-se assim a referência desta comissão que é de suma importância para qualquer sociedade democrática atual, onde várias injustiça são cometidas todos os dias, além de outros tipos corriqueiros de violência. Em minhas aulas sempre tento ressaltar o papel dos orgãos que defendem os direitos do cidadão, mas confeço que é difícil, pois já é um senso comum dizer que: ‘direitos humanos é para defender bandido’. Mas devemos fazer nossa parte e não cair nesta jogada articulistas de algumas pessoas que defende o fim dos nosso direitos e pregam de forma descarada a volta de uma ditadura. Obrigado.

  32. Comentou em 27/05/2006 pIDDI pIDDI

    Também achei muito boa a defesa à Comissão. Emocionante. Queria …Acho que o termo direitos humanos esta gasto e mal compreendido. Está na declaração dos humanos que o tal tem direito, entre outras coisas, à dignidade.
    Na favela, ou no bairro periférico, onde trabalhadores brasileiros vivem, tem sempre alguém prá defender os dos homicidas, dos estrupadores, traficantes, ladrões. E não se vê alguém defendendo os dos moradores, reféns do crime. Isso acontece à anos. É obvio que um espertalhão mal intensionado consegue facilmente deturpar o conceito e transformá-lo em algo prá defender bandido vagabundo. O resultado é o desgaste do termo. Vamos inventar outro nome, direitos humanos tá batido, e soa como passar a mão na cabeça de bandido, o que eu deploro.

  33. Comentou em 27/05/2006 Jose de Almeida Bispo

    A ira; sagrada ira de André Petry (é o que se depreende de sua escrita) merece, precisa, carece, TEM QUE SER REVERBERADA. Não podemos assistir à barbárie e seu engrandecimento por que meia dúzia de gente da classe média egoísta e metida à besta resolveu retornar aos tempos da donzela de ferro. Logo esse pessoal que, supostamente, por estar em posição privilegiada tem tanta obrigação quanto os políticos de consertar o país. São eles que são advogados, juizes, professores, médicos, jornalistas, delegados, presidentes de clubes de serviços, microempresários… Logo, são eles os responsáveis. Pregar a barbárie como fuga é no mínimo covardia como apregoa Petry.

  34. Comentou em 27/05/2006 josé Nogueira

    Embora as comissões de direitos humanos tenham um papel importante, quase ninguém compreende a sua função. Acho que isto é uma falha de todos nós. A começar pelas próprias comissões, que deveriam prestar solidariedade às vítimas dos criminosos para mostrar que é contra a violência. Mas a responsabilidade maior é dos meios de comunicação, que não informam que os direitos humanos têm como finalidade proteger o cidadão das irregularidades do Estado. Muitos programas policiais até reforçam a idéia equivocada de que a função dos direitos humanos seja defender o crime como um direito do criminoso. E, por fim, a culpa também é nossa, como sociedade, por fazermos nossas análises sob forte emoção, sem nos dar o trabalho de buscar informações que fundamentem os assuntos que discutimos.

  35. Comentou em 27/05/2006 C. Cruz

    Orgulho-me de estar entre a minoria de 3. Acredito que estou em muito boa companhia.

  36. Comentou em 27/05/2006 José Carlos dos Santos

    Estou surpreso, pois nunca pensei que um dia fosse concordar com algo publicado na Veja, mas desta vez tenho que concordar que André Petry produziu um texto excelente, que sobressai no meio de tantas vozes truculentas e com sede de sangue, mostra que o caminho é o inverso a violência deve ser respondida com inteligência e trabalho e não com mais violência, pois violência não anula a violência, ao contrário somam-se e multiplicam os efeitos.

  37. Comentou em 27/05/2006 José Carlos dos Santos

    Mauro, concordo com você texto muito bom, e muito oportuno em meio a tantas palavras de ordem de truculência e intolerância q

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