Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Usuários publicam cada vez mais na Web e começam a mudar padrões informativos

Por Carlos Castilho em 14/07/2007 | comentários

O que antes era um exercício de imaginação de gurus e futurólogos da Web começa agora ganhar uma base real em números. Os últimos dados sobre o fenômeno UGC (User Generated Content – Conteúdo Produzido por Usuários) revelam que 136,5 milhões de pessoas em todo o mundo devem publicar, em 2007, textos, gravações, filmes ou fotos na Web.


 


No ano passado, a participação total de usuários era de 118 milhões e as projeções indicam que se este ritmo de crescimento for mantido, em 2011, já serão mais de 238 milhões de pessoas usando a Web como ferramenta para divulgação de conteúdos informativos produzidos por elas mesmas.


 


O número dos criadores online é 10% menor do que os usuários que só consomem conteúdos produzidos por amadores ou pessoas comuns. O total de internautas que apenas visitam sites de criadores online foi estimado em 147,5 milhões em 2007, com uma projeção de 253,6 milhões dentro de quatro anos.


 


Os números consolidam a tendência de aumento da participação dos usuários em todos os segmentos da Web, o que assinala um fenômeno capaz de mudar significativamente vários conceitos, rotinas e valores da comunicação contemporânea.


 


Os números recolhidos pela eMarketer, uma empresa norte-americana de pesquisas de mercado com muitos negócios na área de marketing, podem estar muito influenciados pelo chamado “wishfull thinking” ( desejo de que algo aconteça). Também não se sabe até que ponto a pesquisa foi sugerida por algum cliente.


 


Mas mesmo que tudo isto seja verdadeiro, os dados mostram uma tendência irreversível à consolidação da Web 2.0 , cuja principal característica é a participação dos internautas na produção de conteúdos.


 


Metade, tanto dos que vêem como dos que produzem material produzido por pessoas comuns, vive nos Estados Unidos e a esmagadora maioria dos textos, fotos, desenhos, áudios e vídeos publicados na Web por pessoas comuns é formada por confidências, fofocas, fotos e vídeos de animais de estimação e de amigos.


 


Não há dados confiáveis sobre qual o percentual de usuários que publicam informações de interesse público na Web. O site Technorati, que monitora os weblogs na Internet chegou a estimar, há dois anos,  em mais ou menos 15 milhões o total de páginas pessoais no mundo inteiro que publicam conteúdos que podem ser considerados informativos.


 


Os sites mais famosos e mais visitados no universo da Web 2.0 são o YouTube (publicação de vídeos amadores), o Flickr (fotos), MySpace e FaceBook (comunidades), usam conteúdos produzidos por amadores para atrair milhões de visitantes e com isto chegar a um faturamento global previsto para um bilhão de dólares até dezembro. A mesma eMarketer antecipa uma receita publicitária de US$ 4,3 bilhões em 2011.


 


É muito dinheiro com o trabalho dos outros. Mas não deixa de ser uma vitrine importantíssima, e além de tudo grátis, para quem deseja visibilidade por motivos profissionais ou simplesmente por egolatria.


 


O certo é que não dá mais para ocultar o fato de que a participação do público no processo da comunicação está ganhando dimensões inéditas na história da humanidade.


 


Estamos assistindo o início do fim de um sistema e a emergência de outro, o que vai implicar um período confusão e incerteza, como acontece em toda grande transição econômica e social.


 


Aos jornalistas e comunicadores caberá um papel crucial neste processo. Em vez de defender a velha ordem, eles podem usar seus conhecimentos e experiência para atuar como orientadores, treinadores ou consultores dos novos atores na arena informativa. O primeiro desafio seria desarmar os preconceitos mútuos entre profissionais e amadores em matéria de publicação de conteúdos online.


 


Conversa com o leitor


Viajo neste domingo para Lima, no Peru, para participar das discussões sobre e a criação de uma Rede Latino-americana de Observatórios da Imprensa. Regresso no final da semana. Por este motivo, o próximo post talvez seja publicado somente no próximo sábado.

Todos os comentários

  1. Comentou em 17/07/2007 Roelton Maciel

    De fato, os jornalistas devem assumir a ponta dessa tendência e guiar da melhor forma possível a criação de conteúdo independente na esfera virtual. Hoje, certamente a proporção de navegação em blogs já superou os grandes portais de informação que, aliás, também estão se munindo de blogs em seus domínios – o que nos leva a questionar a real independência dos jornalistas blogueiros. Tome-se, por exemplo, o caso de colunistas da Veja, Estadão e Folha.
    Como internauta compulsivo por informação, noto que esse ‘lixão’ de conteúdo que é publicado diariamente na rede, não tem força de competição contra os conteúdos realmente informativos e de interesse público. Cria-se uma falsa idéia de que, por ser democrática o sucesso e a visibilidade na internet estão ao alcance de todos. Para se criar um espaço de boa audiência é preciso investir (tempo e, às vezes, dinheiro) e se atualizar, ou seja, nem tudo o que é publicado coloca em risco os meios de comunicação mais tradicionais.

  2. Comentou em 16/07/2007 Newton Monteiro

    A Internet permitiu como nunca a oferta de conteúdos fora da mainstrem media. Mas é enganosa a suposição de democratização das comunicações, já que nem todos tem realmente acesso aos recursos técnicos e ao conhecimento para atuar, ou mesmo utilizar, a rede. Para os inclusos, porém, não existe garantia da superação do anonimato, visto que estar presente na rede é acompanhado do risco do anonimato em meio ao grande fluxo de informações, com conseqüências sérias nas relações de autoria. Quanto ao papel dos profissinais da comunicação, é improvável que sejam os novos árbitros das mudanças. Por que os jornalistas e profissionais da comunicação? Por que não outros profissionais ocupados com as diversas manifestações de linguagem, com a educação e com o uso da tecnologia? Ou ainda, por que qualquer profissional? Uma possibilidade da internet é exatamente o uso não profissional da comunicação, lugar para experimentos e improvisos. Nesse contexto, a realização e a expressão, em vez da informação, talvez sejam o mais importante. Do paradigma do consumo, passamos ao paradigma da produção e da participação, sem que isso seja necessariamente acompanhado de pretensões informativas, ofertadas profissionalmente.
    O desafio para os profissionais é captar e reter o interesse de setores da sociedade por informação de qualidade, sendo críticos sem ser monopolizadores.

  3. Comentou em 16/07/2007 Marco da Costa

    A internet esta virando uma lata de lixo.

  4. Comentou em 16/07/2007 cláudia monteiro

    Esse fenômeno chama-se egolatria mesmo. Pouco se aproveita do que se põe gratuitamente na net, que está cada vez mais vazia de novidades. Ou será que as novidades é que estão cada dia mais descartáveis?

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