Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Valor protesta por uso indevido de reportagem no horário político

Por Alceu Nader em 31/05/2006 | comentários

A citação de reportagens no horário político gratuito é hábito comum e surrado, assim como é comum o uso enviesado dessas reportagens pelos partidos políticos. Não raro, certos da impunidade, os marqueteiros eleitorais tentam vender gato por lebre aos telespectadores com referências e citações da mídia impressa, excluindo, é claro, qualquer conotação crítica ou negativa que a reportagem exponha.

Anteontem, no horário político do PSDB, o programa dedicou atenção especial à (in)Segurança Pública evidenciada pelo cerco do PCC ao governo de São Paulo. Entre os vários argumentos apresentados, pinçou uma reportagem do Valor Econômico, limitando-se, entre uma realização e outra da administração do PSDB em São Paulo, à reprodução do título de uma reportagem do Valor Econômico.

Pegou mal. Hoje, o jornal estrila, com razão, na reportagem ‘Tucanos fazem uso indevido de reportagem na TV’, assinada por Caio Junqueira. Segundo o texto, que ocupa quase ¼ da página A11 da edição de hoje, ‘a propaganda eleitoral do PSDB citou indevidamente uma reportagem publicada no Valor no dia 22 de maio de 2006, intitulada ‘Orçamento da Segurança Pública cresceu 70% na gestão Alckmin’.

Na seqüência, o protesto do jornal resume:

‘No programa, uma voz afirma que iria mostrar a verdade sobre a segurança em São Paulo e estampou o título da matéria. Muito embora isso esteja no começo da reportagem, devidamente comprovado pelos dados obtidos pela reportagem no Sistema de Gerenciamento Orçamentário do Estado de São Paulo (Sigeo), o restante -e maior parte- não foi mencionado pelo partido: as prioridades de investimentos entre os anos de 2001 e 2005 -período em que Geraldo Alckmin esteve no comando do governo do Estado’.

‘A reportagem’, continua o Valor, ‘revelou que a política de segurança pública na era Alckmin focou o policiamento repreensivo em detrimento dos policiamentos investigativo e técnico-científico. Isso foi comprovado pelos valores investidos nas polícias responsáveis por cada uma dessas áreas. Na Polícia Militar (prevenção), foram R$ 285,7 milhões; na Civil (investigação), R$ 8,5 milhões; e na Superintendência Técnico-Científica, R$ 1,9 milhão.’
‘A reportagem mostrou ainda que a maior concentração de investimentos em segurança foi em 2002, quando Alckmin foi candidato à reeleição. Naquele ano, os investimentos feitos na PM alcançaram R$ 102 milhões, dos quais R$ 83,5 milhões só para a compra de carros. No mesmo ano, foram investidos na Polícia Civil R$ 1 milhão e, na científica, R$ 89 mil. Esses dados também não foram citados no programa.’

‘O PSDB também não mencionou as conclusões do especialista ouvido pela reportagem, Guaracy Mingardi, diretor científico do Instituto Latino Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente – organização não-governamental vinculada à ONU. Sobre os dados apresentados, Mingardi afirmou: ‘O resultado disso afeta a qualidade da investigação. (…) Priorizar a PM significa deixar de focar a investigação. E a investigação é central no combate ao crime organizado, que, geralmente, não comete crimes que a PM possa evitar. Por exemplo, o tráfico de drogas. A polícia militar consegue pegar mais pequenos e médios traficantes. Para se chegar aos grandes, é necessário investigar. Mas para isso precisa dar qualidade a essa investigação. E essa qualidade é dada reforçando a polícia civil e, especialmente, a técnica’.’

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/06/2006 Marcos Ferreira

    Só uma correção ao comentário do Sr. José Ayres Lopes: o PSDB não deixará de ser social-democrata. Eles nunca foram.

  2. Comentou em 02/06/2006 Hélcio Lunes

    O Presidente lulla esta em campanha desde que foi eleito, e no último ano particularmente, cumpre uma agenda de exposição à mídia vergonhosa, ilegal e conta com o beneplácito dos jornalistas e orgãos de imprensa.
    Utilizando-se de recursos públicos, imensos aparatos de propaganda e segurança, passeia pelo país inaugurando ponto de ônibus, conserto de buraco, banheiro em escola, e ‘pedra inaugural’ do que segundo ele sera feito. Enguanto isso o país esta parando, as exportações caindo fortemente, a agricultura e pecuária estão quebradas, empresas multinacionais preparam demissões em massa pela queda na renda da população, aposentados enganados pelo tal ‘emprestimo consignado em folha’, passam fome e deixam de comprar remédios. O funco´nalismo público tem uma greve atraz da outra, desrespeitando a população que paga seus salários. Isso tudo o ‘isento jornalista’ não vê, preferindo procurar pelo em ovo em uma manchete de jornal que foi com justeza, utilizado na propagando do PSDB. Quanto à mentirada jogada todos os dias em cima da população nehuma palavra, pois aí a mentira é do PT, partido da total simpatia do jornalista habitante deste espaço.

  3. Comentou em 02/06/2006 francisco latorre

    Dr.(?) Chat :
    por falar em ‘seita religiosa’ (ou facção criminosa):
    essa tal OPUS DEI que foi criada como linha
    auxiliar do fascismo franquista.
    depois da suspeita morte (execução?)
    de joão paulo I, emplacaram o candidato americano-polones joão paulo II,
    que reorganizou a curia romana, infestando-a com seus asseclas da tal OPUS
    DEI, nomeando dezenas de cardeais e bispos alinhados, desmontando a
    teologia da libertação.
    culmina com a eleição desse ratz benedito nazista.
    pois bem:
    nosso país pode ter um candidato patrocinado por organização criminosa
    estrangeira que tem por objetivo a dominação mundial?
    COM A PALAVRA O MINISTERIO PUBLICO!
    enfim, seu mesmo comentário maldosinho admite que seu candidato GERALDO
    é sim OPUS DEI.

  4. Comentou em 01/06/2006 Ivan Moraes

    >>O segundo é o comportamento comum nos grandes jornalões de publicar uma manchete que não tem nada a ver com o texto.<< Nao eh so os jornaloes pois o melhor que a Veja fez foi alguma coisa parecida com 'Lula teria conta no exterior'. Nao que a Veja jamais deixaria passar uma chance de tirar uma casquinha de Lula mas esse foi um erro grosseiro pelo qual a Veja pagou carissimo sem a menor necessidade. O editor que deixou passar aquela chamada de capa deveria ser despedido mesmo que todos reconhecamos que 'Banqueiro Changageia Brasilia Atravez Da Imprensa Com Ajuda Paga De AGencia De Espionagem Norte Americana, E Brasilia Recua' seja um tanto logoreico...

  5. Comentou em 01/06/2006 Fábio Carvalho

    O PSDB está correto ao utilizar o título do Valor na TV. O jornal tem todo o direito – aliás, tem o dever – de estrilar e relativizar as ‘verdades’ vendidas no horário político. Mas por que não informa que irá processar o partido que, supostamente, confia na impunidade e manobrou informações?

    Se a execução orçamentária melhorou, o ex-governador tem o direito de reivindicar méritos de sua gestão. Se escolheu exibi-los através do título do Valor, e não através das incompreensíveis telas do Sigeo, trata-se de opção legítima dos marqueteiros, ora!

    Se o ex-governador não teve foco ou aplicou mal os recursos, compete à imprensa e à oposição fazer a crítica. Não se vai querer que o horário político tucano traga crítica contra si, please. O Valor não tem o direito de ser ingênuo. Por outro lado, é preciso demonstrar a irresponsável tentativa dos tucanos de transferir responsabilidades para o governo federal, pois a Constituição estabelece, no artigo 144, que segurança pública é ‘dever dos Estados’. Da mesma forma, é preciso revelar que Lula aplicou, segundo a Folha de hoje, apenas 0,27% do orçamento de 2005 nessa área, que também é ‘responsabilidade de todos’. No ano passado, houve o maior contingenciamento da história do Fundo Nacional de Segurança Pública.

  6. Comentou em 01/06/2006 ubirajara sousa

    Meu Caro Dr. Rafael Chat.
    O texto (comentário) por mim escrito foi o seguinte: ‘Com a devida vênia, gostaria de comentar o comentário do Sr. José Ayres Lopes: brilhante! Análise perfeita. À midia cabem as providências.’
    Quem escreveu sobre opus dei foi o Sr. JP Ferreira e não eu.
    Assim, não sei o porquê de sua crítica ao meu escrito. Restou-me, então, concluir que: ou o senhor está precisando estudar um pouco mais (para aprender a ler melhor); ou precisa de um psicólogo (melhorar o foco, a atenção); ou o senhor precisa de um médico, oftalmologista, ou psiquiatra.
    A decisão é sua.

  7. Comentou em 01/06/2006 Rafael Chat

    Caro ubirajara sousa, qual o problema de uma pessoa ser de uma ou outra seita ou grupo religioso? Isto nem está em discussão. É preconceito puro. Porque tanto ódio? Deverias conversar com alguém sobre isso, talvez um psicólogo.
    Quanto ao post, só chove no molhado; todos os partidos fazem isso.

  8. Comentou em 01/06/2006 Roberto Dala Barba Filho

    Eu não vi o problema ainda. A propaganada usa o título da matéria. E o título, conforme a própria revista o reconhece, é verdadeiro. Não se discutia no programa político como ficou a compartimentalização do financiamento, e sim o investimento. E essa informação é verdadeira. Não há nada de mentiroso ou antiético nisso. Antiético e mentiroso é fazer propaganda governamental mostrando beneficiários de programas do governo que não o foram, como o Ministério da Agricultura fez ao menos duas vezes no governo Lula. Acredito que os partidários de certos candidatos já estão ficando tão acostumados a testemunharem práticas antiéticas em seu próprio meio, que procuram factóides para imputar aos adversários. Deve existir muita coisa a ser criticada em Alckmin, assim como em qualquer candidato a presidente, não precisam para isso recorrer a esse tipo de argumentação equivocada.

  9. Comentou em 01/06/2006 JP Ferreira

    já que o responsável final pela campanha de um candidato é ele próprio, gostaria de saber o q o
    sr. alckmin acha dessas táticas para tentar se eleger… será que ele age com a anuência do opus
    dei ou pelo menos para isso a seita não é consultada? difícil…

  10. Comentou em 01/06/2006 ubirajara sousa

    Com a devida vênia, gostaria de comentar o comentário do Sr. José Ayres Lopes: brilhante! Análise perfeita. À midia cabem as providências.

  11. Comentou em 31/05/2006 José Ayres Lopes

    O seu artigo levanta dois problemas. O primeiro é que os tucanos perderam qualquer resquício de ética e na direção que vão, deixarão de ser um partido socialdemocrata, para se tornar um partido fascista. O segundo é o comportamento comum nos grandes jornalões de publicar uma manchete que não tem nada a ver com o texto. Se o Valor se pautasse pela objetividade, pela imparcialidade, jamais a manchete daquele texto seria a que foi publicada. Talvez seria esta a manchete: ‘Gestão Alckmin investe em Segurança, mas investe pouco em Inteligência.’
    Parabens pelos seus textos, Alceu. Leio-os sempre.

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