Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Vlado, ‘agente britânico’: pura fantasia

Por Luiz Weis em 29/01/2007 | comentários

O empresário José Mindlin, secretário de Cultura do governo paulista quando da morte, sob tortura, do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, comentou ontem com uma pessoa de suas relações a versão do ex-governador Paulo Egydio – divulgada pela Folha de S.Paulo no último dia 14 – de que Herzog teria trabalhado para o serviço secreto britânico.

Mindlin ouviu essa versão de Egydio, quando o Exército comunicou a patranha do suicídio do jornalista. O governandor atribuiu a história ao então cônsul britânico em São Paulo, George Hall [já falecido].

Quis o acaso que, dias depois, o cônsul fosse ao secretário para lhe apresentar o novo diretor de uma escola inglesa em São Paulo.

Mindlin aproveitou para checar com ele a versão de Egydio. Ouviu um vigoroso desmentido. Segundo o diplomata, o governador interpretou de maneira completamente errada o que tivesse sido dito sobre Herzog, que trabalhara no Serviço Brasileiro da BBC de Londres.

Nesse caso, é de se perguntar por que Egydio perpetuou a inverdade no depoimento de 600 páginas ao CEPEDOC, do Rio, de que resultou uma auto-biografia a ser lançada mês que vem.

O cônsul não o teria procurado para desfazer a má interpretação?

Isso Mindlin não sabe. Ele acha, em todo caso, que Egydio se aferrou ao que imaginou ter ouvido – e que reproduziria depois a mais de um interlocutor –, criando uma fantasia da qual não quis se desvencilhar.

Resta saber por que não quis – e torcer para que, de agora em diante, deixem em paz de uma vez por todas a memória de Vlado Herzog.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 29/01/2007 Harrysson Higa

    Bem que desconfiava…
    JM também serviu a Ditadura!

  2. Comentou em 29/01/2007 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Esta invenção de que o Herzog era espião demonstra claramente como o regime militar ainda está bem vivo na cabeça de alguns sádicos. Não satisfeitos em matar o jornalistas, querem agora matar sua memória. Só que eles não perceberam que já não controlam nem os corpos nem a memória dos brasileiros. A cada contra-informação desta fica mais próximo o dia em que colocaremos em pratos limpos toda as merdas que os milicos fizeram e que ainda acobertam com o auxílio de seus ajudantes de ordens. Postei um texto no Orkut com um projeto de Lei visando a abertura dos arquivos militares e o debate em torno da questão está pegando fogo, proque lá os militares e seus simpatizantes se manifestam da maneira mais brutal e cruel. Se estiver interessado vá até o seguinte endereço: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=4249&tid=2512510032278698928&na=2&nst=84

  3. Comentou em 29/01/2007 Antonio Carlos Alves Pereira

    Não acredito na versão veiculada pelo ex-governador Paulo Egydio.

    De todo modo, uma insinuação assim infamante só poderia ser levantada novamente após tanto tempo se o ex-governador pudesse sustentá-la com outros testemunhos.

    Não podendo fazê-lo, deveria ficar calado.

    A ninguém cabe o direito de ser leviano a este ponto. E não há outro nome para quem levanta tão grave insinuação sem qualquer respaldo testemunhal ou documentalo: é leviandade mesmo.

    Registro meu inconformismo contra mais este atentado contra a memória de Vladimir Herzog. A ninguém assistia o direito de torturá-lo, ainda que integrasse o serviço secreto da Tasmânia ou do diabo que fosse.

  4. Comentou em 29/01/2007 Ivan Moraes

    ‘Vlado, ‘agente britânico’: pura fantasia’: sem mais! (penultimo grafo: foi o que eu pensei)

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