Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Weblogs ocupam espaços na informação eleitoral às custas da imprensa

Por Carlos Castilho em 28/10/2008 | comentários

Os weblogs dedicados à questões político-eleitorais cresceram até 500% na audiência, passando a ocupar o terceiro lugar nas preferências dos norte-americanos, depois da televisão e chegando perto dos jornais.


Os dados divulgados pela empresa Comscore representam um enorme salto em relação aos índices de setembro do ano passado. Alguns blogs como o Huffington Post produzido pela jornalista Arianna Huffington chegaram a ter 4,5 milhões de visitantes únicos1, no mês passado. O recém-lançado Politico, produzido por um grupo de jornalistas políticos, teve surpreendentes 2,5 milhões de visitantes únicos no mesmo período.


Até um blog que se especializou em pesquisas eleitorais, o Realclearpolitics, também registrou um recorde de audiência ao ser acessado por 1,2 milhões de visitantes únicos nos últimos 30 dias.

Mas muito mais do que estatísticas, o fenômeno mostra uma mudança nos hábitos informativos do eleitorado — o que, segundo pesquisadores da comunicação, terá profundas conseqüências na situação da imprensa convencional e na forma como os jornalistas encaram a sua atividade.


Os blogs rompem com uma velha exclusividade dos jornais no fornecimento de informações aos leitores. Era a conhecida teoria do cidadão informado, segundo a qual a imprensa cumpre um papel-chave na democracia porque fornece as notícias que as pessoas precisam para tomar decisões. Como não havia muitas fontes disponíveis de informação, o leitor não tinha muitas alternativas fora da confiança cega no jornal, rádio ou telejornal de sua cidade.


Hoje o contexto mudou. A internet gerou um avalancha informativa e o cidadão deixou de ser um receptor passivo de informação. Ele passou a observar os diferentes veículos de comunicação, numa atitude que o famoso sociólogo da imprensa Michael Schudson chamou de monitoramento-cidadão, ou seja, o cidadão escolhe as informações e não mais os jornalistas. As fronteiras geográficas também desapareceram e consultamos hoje os índices da bolsa de Wall Street com o mesmo número de cliques no mouse necessários para acessar a Bovespa, em São Paulo.


Neste sentido, o consumo de notícias começa a ter várias semelhanças com os hábitos de um consumidor exigente em matéria de alimentos ou artigos eletrônicos, por exemplo. Antes de se decidir, o comprador faz o maior número possível de consultas para não adquirir o produto errado. O mesmo acontece agora com a informação, pois as pessoas passam a comparar e conferir cada vez mais as notícias usando as mais diversas referências.


O caso dos weblogs políticos é claro. Em vez de confiar apenas nos jornais convencionais, o publico consulta cada vez mais os blogs para comparar versões e dados antes de tomar uma decisão. Isto significa que a nova relação do jornalista com os leitores já não passa mais pela noticia, mas pela interatividade.


Até agora o público precisava da notícia vendida pelos jornais porque não tinha outra forma de obtê-la. Nessas condições, os jornalistas e os donos de jornais eram pessoas importantíssimas no processo politico. Mas à medida que a notícia está disponível em milhões de weblogs, os profissionais e os veículos de comunicação perderam o status de referência informativa obrigatória.


Por não terem se dado conta deste processo é que jornais e jornalistas correm o risco de perderem o contato com o leitor.





1  Visitante único é uma unidade de medida de audiência onde cada visitante de um site na Web é contado uma única vez durante o período de tempo monitorado.

Todos os comentários

  1. Comentou em 31/10/2008 Carlos Henrique

    Perderam leitores porque estão amarrados a interesses comerciais e só repercutem o ‘pensamento único’. Quer ouvir o outro lado? Só na internet.

  2. Comentou em 30/10/2008 Lucas Silva

    Lembrando que em alguns casos de blogs políticos aqui no Brasil com grande número de audiência, deve-se a crediblidade que alguns jornalistas, já conhecidos dos vepculos impressos ou das Tv´s tê perante o seu público. Crediilidade consqitada quando então da exclusividade que detinha de fornecer a notícia. processo que começa a se alterar na medida em que surgem, assim como foi citado no artigo, outras fontes de informação. É uma outra forma de noticiar, feita nem sempre por jornalistas…

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