Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Wikileaks coloca jornalistas diante de dilema complicado

Por Carlos Castilho em 03/12/2010 | comentários

A mais recente leva de documentos secretos divulgados pelo site Wikileaks acabou respingando também no Brasil, com as revelações que colocaram o ministro da Defesa, Nelson Jobim, numa tremenda saia justa.  Mas nosso envolvimento não passa de fofocas envolvendo egos e ciúmes entre ministros do governo Lula.


Muito mais importante é o debate que está ganhando força e que já colocou a imprensa mundial diante de um dilema bem complicado. Ou ela pega a deixa do Wikileaks e passa a investigar a autenticidade e os detalhes dos documentos publicados, ou vai se acomodar tornando-se cúmplice de uma eventual ação de governos impondo a censura ao site criado pelo australiano Julian Assange.


Enquanto os governos buscam formulas legais para acabar com a sequência de documentos secretos trazidos à luz do dia pelo Wikileaks, entre os jornalistas surge um debate que, embora ainda encabulado, já começa a provocar uma aguda divisão em campos opostos.


A maioria dos jornais e dos jornalistas não está discutindo a autenticidade ou as conseqüências dos documentos revelados, mas sim as motivações de Assange. Se é um ególatra em busca de fama, se é um terrorista disfarçado de ativista social, se é um estuprador, e por aí vai.


Os norte-americanos Robert Niles, do Instituto Poynter, e Jay Rosen, na Universidade de Nova York (NYU) *, ambos professores de jornalismo,  defendem a tese de que o Wikileaks pode ter lá seus motivos ocultos, mas uma coisa é real:  o site fez aquilo que a imprensa mundial deveria ter feito para expor à luz pública o que corre pelos bastidores da política mundial e que o cidadão comum nunca toma conhecimento.


O fenômeno Wikileaks está dividindo os jornalistas em duas correntes, segundo Niles. De  um lado estão os que defendem a tese de que a informação deve chegar até o publico, não importa os meios e formas, para que o cidadão possa exercer o seu direito de decidir sobre os rumos do país; e do outro, os profissionais que desejam controlar o fluxo da informação para manter os seus empregos.


Há também os que acreditam como Jay Rosen, que “se a imprensa realmente patrulhasse os governos, políticos e empresários, a existência do site Wikileaks se tornaria desnecessária”. Talvez esteja aí a chave para recolocar o debate sobre o vazamento de documento secretos no seu verdadeiro contexto. 


Outro elemento importante para entender a polêmica é a leitura de um texto de Julian Assange, publicado pelo blog Zunguzungu, no qual o criador do Wikileaks diz que se inspira nas idéias do presidente norte-americano Theodor Roosevelt sobre a necessidade da transparência universal  e prega uma “conspiração de computacional para acabar com o governo invisível“ globalizado.


Na sexta-feira (3/12), começou uma guerrilha cibernética em torno da hospedagem do Wikileaks. O site perdeu seu endereço nos Estados Unidos, porque foi retirado do ar pela empresa que o hospedava, e a partir daí teve que migrar sucessivamente para  a Suíça, Alemanha, Finlândia e Dinamarca. Tanto o site como Assange estão a um passo se transformarem em párias mundiais no meio da polêmica sobre liberdade dos fluxos informativos.
* Texto corrigido em 6/12. O original equivocado Universidade Municipal de Nova Iorque, foi alterado para a Universidade de Nova Iorque.

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