Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Wikileaks coloca jornalistas diante de dilema complicado

Por Carlos Castilho em 03/12/2010 | comentários

A mais recente leva de documentos secretos divulgados pelo site Wikileaks acabou respingando também no Brasil, com as revelações que colocaram o ministro da Defesa, Nelson Jobim, numa tremenda saia justa.  Mas nosso envolvimento não passa de fofocas envolvendo egos e ciúmes entre ministros do governo Lula.


Muito mais importante é o debate que está ganhando força e que já colocou a imprensa mundial diante de um dilema bem complicado. Ou ela pega a deixa do Wikileaks e passa a investigar a autenticidade e os detalhes dos documentos publicados, ou vai se acomodar tornando-se cúmplice de uma eventual ação de governos impondo a censura ao site criado pelo australiano Julian Assange.


Enquanto os governos buscam formulas legais para acabar com a sequência de documentos secretos trazidos à luz do dia pelo Wikileaks, entre os jornalistas surge um debate que, embora ainda encabulado, já começa a provocar uma aguda divisão em campos opostos.


A maioria dos jornais e dos jornalistas não está discutindo a autenticidade ou as conseqüências dos documentos revelados, mas sim as motivações de Assange. Se é um ególatra em busca de fama, se é um terrorista disfarçado de ativista social, se é um estuprador, e por aí vai.


Os norte-americanos Robert Niles, do Instituto Poynter, e Jay Rosen, na Universidade de Nova York (NYU) *, ambos professores de jornalismo,  defendem a tese de que o Wikileaks pode ter lá seus motivos ocultos, mas uma coisa é real:  o site fez aquilo que a imprensa mundial deveria ter feito para expor à luz pública o que corre pelos bastidores da política mundial e que o cidadão comum nunca toma conhecimento.


O fenômeno Wikileaks está dividindo os jornalistas em duas correntes, segundo Niles. De  um lado estão os que defendem a tese de que a informação deve chegar até o publico, não importa os meios e formas, para que o cidadão possa exercer o seu direito de decidir sobre os rumos do país; e do outro, os profissionais que desejam controlar o fluxo da informação para manter os seus empregos.


Há também os que acreditam como Jay Rosen, que “se a imprensa realmente patrulhasse os governos, políticos e empresários, a existência do site Wikileaks se tornaria desnecessária”. Talvez esteja aí a chave para recolocar o debate sobre o vazamento de documento secretos no seu verdadeiro contexto. 


Outro elemento importante para entender a polêmica é a leitura de um texto de Julian Assange, publicado pelo blog Zunguzungu, no qual o criador do Wikileaks diz que se inspira nas idéias do presidente norte-americano Theodor Roosevelt sobre a necessidade da transparência universal  e prega uma “conspiração de computacional para acabar com o governo invisível“ globalizado.


Na sexta-feira (3/12), começou uma guerrilha cibernética em torno da hospedagem do Wikileaks. O site perdeu seu endereço nos Estados Unidos, porque foi retirado do ar pela empresa que o hospedava, e a partir daí teve que migrar sucessivamente para  a Suíça, Alemanha, Finlândia e Dinamarca. Tanto o site como Assange estão a um passo se transformarem em párias mundiais no meio da polêmica sobre liberdade dos fluxos informativos.
* Texto corrigido em 6/12. O original equivocado Universidade Municipal de Nova Iorque, foi alterado para a Universidade de Nova Iorque.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/12/2010 Francisco Ferraz

    interessante artigo do senhor C.Castilho, imagino que ele seja um brasileiro, apesar dos pesares ele foi brilhante na escolha do assunto que hoje se verifica tratar do ´site-cigano´ que, diz mostrar toda a verdade daqueles que queira postar. Então para aqueles que acreditam que o jornalismo brasileiro não faz jus ao seu desempenho, espero que possam viver sem o mesmo, e que, porfavor se embrenhem nas escuridões da desinformação, pois, queira ou não queira, ainda é o único e melhor veículo de informação pública a dona MIDIA, claro a brasileira, para os brasileiros.
    Enquanto isso em alguma bate-caverna …os morcêgos dão seus vôos e algo mais! rs raciocinem sras e srs ..e viva o Jornalismo secular brasileiro!!!

  2. Comentou em 08/12/2010 rogerio cardozo

    Na China não existe democracia porque seria impossivel comprar 1 bilhão de votos.

  3. Comentou em 07/12/2010 Marcio Luiz Hipólito

    Você ‘matou’ a razão do porquê do jornalismo que campeia no Brasil
    2010 é uma PORCARIA;o jornalismo brasileiro, notadamente o
    jornalismo da chamada GRANDE MÍDIA, seja ela eletrônica ou papel,
    que só serve para DESINFORMAR e TANGIVERSAR.
    Nossos jornalecões não desejam LIBERDADE DE EXPRESSÃO;
    querem LIBERDADE DE DESINFORMAÇÃO.
    Será que outros ‘jornalistas’ desse OBSERVATÓRIO também
    observaram isso?
    Duvideodó…
    Abraço
    MLH

  4. Comentou em 05/12/2010 Ju Ron

    “se a imprensa realmente patrulhasse os governos, políticos e
    empresários, a existência do site Wikileaks se tornaria desnecessária”

    Ou Seja, wikileaks só oficializa o que todos já sabem. A imprensa , os
    governos, os políticos, e empresários trabalham em quadrilha.

  5. Comentou em 05/12/2010 C. Brayton

    Ora, o NYU é longe de ser a ‘Universidade Municipal de Nova York.’ Tira o municipal e tá tudo certo. É uma faculdade privada de elite. Oferece um ótimo program de educação continuada para profissionais da imprensa onde eu, por exemplo, fiz curso com a jornalista russa Anya Politskaya — depois assanida em Moscou.

  6. Comentou em 05/12/2010 Lenin Araujo

    O mundo sem o governo invisivel seria outro mundo e certamente muito
    melhor.

  7. Comentou em 04/12/2010 Richard Jakubaszko

    Castilho, a julgar pela bronca dos poderosos, e argumentos contrários postulados, ou ainda das acusações dos colegas injuriados, tudo me parece contaminado pelo ‘ciúme de homem’. Qualquer coleguinha, de posse das informações hoje divulgadas pelo Wikileaks, daria manchete aos mesmos, sem dó nem piedade. Fico com a sabedoria de Mário Mazzei Guimarães, ao qual, um dia, anos atrás, submeti a leitura de textos meus de uma série de artigos que pretendia publicar, e que depois viraram livro, sob o questionamento e veredito acusatório de colegas que leram os mesmo textos e vaticinaram serem os mesmo ‘muito agressivos’, pois Mazzei encerrou a questão com uma pérola: ‘agressividade em jornalismo só quando xinga a mãe, pois ela não tem nada a ver com o dito’, portanto, vale também quando coloca em risco vidas humanas. Fora isso, não é importante, é colunismo social.

  8. Comentou em 04/12/2010 Elcio Machado

    Anteontem, ou ontem, que isso não é tão importante assim, o brasileiro autor do bordão ‘isto é uma vergonha’ já emitiu sua doutoral opinião, prenunciando o debate: algo assim como a linha de corte ‘pode-se divulgar tudo, desde que não coloque vidas humanas em risco’, coonestando as palavras da Clinton, a Hillary. Compreensível, sabendo-se a formação familiar, religiosa, política e profissional do autor. Será, possívelmente, nesse nível de pires raso a profundidade do debate aqui, nas nossas terras tupiniquins, apesar do tom elevado proposto pelo Castilho.

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