Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Wikileaks: tiro no pé?

Por Carlos Castilho em 08/12/2010 | comentários

A reação de vários governos e de parte da imprensa mundial contra o site Wikileaks e seu criador, Julian Assange, corre o risco de se transformar num tiro no pé, caso os desafetos do polêmico ativista australiano não se dêem conta dos rumos que o caso está tomando.Logo do Wikileaks


O debate mundial deflagrado pela divulgação de quase 250 mil documentos secretos da diplomacia norte-americana acabou transformando Assange numa personalidade mundial e, ao que tudo indica, num ícone da polêmica sobre o livre fluxo de informações na internet. É o diz o sociólogo Manuel Castells, num artigo [1]sobre o caso Wikileaks,  talvez o melhor texto já publicado sobre o caso nas últimas semanas.   


As acusações ao fundador do Wikileaks começam a se mostrar frágeis e controvertidas. A principal delas é a de que ele pôs em risco a segurança norte-americana ao divulgar documentos secretos acumulados ao longo de quase 10 anos. 


A acusação feita por autoridades de Washington, e referendadas por parte da imprensa  norte-americana, esbarram na informação de militar do exército dos EUA, Bradley Manning, que está sendo investigado sob a suspeita de ter baixado ilegalmente 150 mil documentos do Departamento de Estado. Manning seria a fonte original dos documentos  divulgados pelo Wikileaks.


Esta informação foi endossada pelo ministro de Relações Exteriores, e ex-primeiro ministro da Austrália,  Kevin Rudd, para quem a culpa do vazamento das informações é dos Estados Unidos.  Mas o debate sobre a autenticidade dos documentos e da identidade dos autores pelo vazamento acabou sendo ofuscado por dois outros fatos.


O primeiro é a controvertida acusação de estupro feita por duas mulheres suecas, segundo as quais Assange não teria interrompido um ato sexual consensual mesmo depois do rompimento da camisinha que ele usava. Na Suécia, o tema pode ser sério e justificar uma ação judicial, mas noutros países pode facilmente ser associado a fatores bem menos graves do ponto de vista penal e policial.


Mas como Assange está no meio de uma polêmica mundial envolvendo interesses muito fortes, a acusação de estupro foi rapidamente endossada pela Interpol, que lançou uma ordem mundial de captura. Esta semana, em Londres,  ele se entregou à Scotland Yard e ganhou o status de personalidade mundial.  Seus “15 minutos” de fama podem acabar se estendendo para mais de uma semana.


A outra conseqüência é o inicio de uma guerrilha cibernética de dimensões nunca vistas na internet. A pressão norte-americana levou os sites Amazon e PayPal a suspender as operações comerciais com o Wikileaks, mas em compensação o Facebook resolveu manter a página da organização em sua rede social. Além disso começaram a pipocar pelo mundo “espelhos” do site da Wikileaks com o objetivo de ampliar a divulgação dos documentos secretos.  Em questão de dias surgiram mais de 700 “espelhos”.


Assange disse, pouco antes de ser preso, que ele ainda tem cinco gibabytes de documentos secretos e que vai divulgá-los em breve. Isto equivale mais ou menos a uma pilha de documentos em folhas de papel com 45 metros de altura[2].  A ameaça tanto pode ser um blefe como pode ser real, o que certamente elevará a temperatura do debate em torno da figura deste australiano de 39 anos, que está sendo chamado de jornalista, mas que na verdade é um programador autodidata, porque nunca concluiu o curso de física e matemática, em seu país .


Ao focar na personalidade do fundador do Wikileaks, os desafetos de Assange procuram desviar o rumo do debate para um espaço que lhes parece mais favorável.  Segundo pessoas que convivem com Assange, ele não é nenhum santo ou modelo de comportamento sexual, e portanto é mais vulnerável perante a opinião pública mundial do que o princípio da liberdade no fluxo de informações do qual o Wikileaks é hoje um paradigma mundial.


A batalha está migrando para o terreno complexo das percepções onde vale mais a versão do que o fato.  Para alguns  isto equivale a um desvio  grave, mas, para quem lida com a opinião pública, a versão pode  passar a fato a ser levado em conta na análise contextual, independente da ausência de sua correlação com o que se poderia chamar de verdade.  


As acusações de estupro certamente irão alimentar um debate picante sobre o comportamento de Assange, que ficará em evidência tanto pela sua performance na cama quanto pelo seu projeto na web. E a multiplicação de espelhos do Wikileaks pode ampliar a polêmica mundial sobre a liberdade no fluxo de informações na web, muito além do que esperam e desejam as autoridades norte-americanas.

[1] Artigo publicado no jornal espanhol La Vanguardia, no dia 30/11




[2] Um gigabyte equivale a uma pilha de papel com 9,1 metros de altura.

Todos os comentários

  1. Comentou em 18/12/2010 Ricardo Jardim

    Parabéns, excelentes abordagens. Bate diretamente com o que venho pensando sobre os caminhos que o mundo está tomando e poucos estão se dando conta. Além de aspectos políticos existem questões civilizatórias a se considerar. O sr. Dunas, apesar do esforço que faz, realmente não diz ao que veio e parece ter caído aqui de paraquedas. Perdoe-me, mas acho que você só quer criar polêmicas e acaba gastando espaço e fazendo pessoas mais interessadas perder seu tempo. Inclusive eu. É simplesmente um exercício de retórica vazio e gasto. E, pior, muito chato.

  2. Comentou em 12/12/2010 Marcelo Ramos

    Prof. Edison, o senhor resumiu bem o camarada das areias na frase
    ‘suas próprias palavras medem seu cérebro’. O camarada só vê
    comunista em todo o lugar. E se você tiver opinião diferente dele,
    será classificado como petista, já que faltam argumentos. Mudando
    de assunto, o artigo do Castells é bom, mas o do Umberto Eco
    detonou. Vejam no link.
    http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/umberto-eco-o-
    contragolpe-no-grande-irmao.html

  3. Comentou em 12/12/2010 Boris E. Dunas

    De fato não há como negar o talento, capacidade, paciência e refinamento do Professor Furioso para travar debates de alto nível com elevadas estima e cordialidade, sempre em busca de – como é mesmo? – “coerência e objetividade, amor à verdade e respeito ao outro, como forma de aprimorar-se a cada dia”, enfim, essas coisas que ele gosta tanto de fazer (e nem se inibe em provar). Também não se contesta sua imensa tolerância e admiração pelas “opiniões contrárias e pensamentos divergentes” que tanto enriquecem os debates educados, nem suas reiteradas demonstrações de “equilíbrio, bom senso e boa fé” a ponto de analisar com a precisão de especialista que é “os sonhos mais perversos dos labirintos do (meu) fígado”, o que, devo confessar, me envergonha profundamente. Quem sabe, sabe… E os posts abaixo dão provas acima de qualquer dúvida razoável de que a única “criatura patológica” e colérica aqui, sou eu! Chego até a lamentar que o espírito deste espaço – uma tribuna livre de OPINIÕES – não obedeça ao desejo do Mestre da Elegância e do Estilo e não se transforme num Tribunal Permanente de Condenação aos “caluniadores” da esquerda, do PT, do PM da Austrália, da Nova Ordem Mundial, do Lula, do Chávez e do Assange, onde a honestidade verdadeira e a cultura genuína sejam apenas aquelas aprovadas pelo Magnífico do Houaiss, do Aurélio e do Caldas Aulete, que não por acaso, é ele mesmo.

  4. Comentou em 12/12/2010 Edison Lozano

    PS – Não pretendo eliminar a crítica e a opinião dissidente não, sr
    Dunas. Muito pelo contrário, eu as louvo. Mas louvo acima de tudo o
    respeito, a boa fé e o bom senso, atributos que infelizmente o sr. não
    tem. Não tenho paciência com quem usa espaços públicos de
    discussão para fazer panfletagem, e menos ainda quando resolvem
    ofender a inteligência alheia. Eu li todos os comentários aqui e o sr foi
    o primeiro e único a fugir completamente do tema em debate para
    professar slogans, sem apresentar um único argumento sequer,
    apenas rotulando a todos os que manifestaram apoio ao Wikileaks.
    Isso revela falta de respeito aos comentaristas, falta de boa fé do sr
    (não veio aqui para discutir nada mas para falar sobre a “esquerda”,
    sua tara pessoal) e também de bom senso (pois envergonha aqueles
    que defendem a criminalização do Wikileaks, mas agora não
    comentarão aqui para não serem associados às bobageiras do sr).
    Rotular é o máximo que o sr consegue fazer, pois falta-lhe poder,
    coragem e coerência para levar suas convicções ideológicas e
    obtusidades menores até as últimas consequências, exterminado
    literalmente o pensamento divergente. Seja honesto sr Dunas, pare
    de acusar os outros daquilo que o sr pratica – ou ambiciona
    inutilmente, nos sonhos mais perversos dos labirintos do seu fígado

  5. Comentou em 12/12/2010 Edison Lozano

    Sr Dunas, a culpa não é minha se o sr entra num espaço de discussão
    de forma tão despreparada (sequer leu o artigo do sr Castilho),
    desconhece o significado das palavras ‘censura’ e ‘chantagem’
    (algo tão imperdoável num debate sobre mídia quanto discutir física
    sem saber o conceito de força e energia) e pior, na falta de conteúdo,
    recheia o discurso com diatribes inúteis contra Lula, o PM da
    Austrália, universidades, jornais e instituições de defesa da liberdade
    que manifestaram apoio a Assange e ao Wikileaks, todos
    convenientemente rotulados como ‘esquerdistas’ só porque
    discordam do sr (dê um martelo a uma criança e ela tratará tudo como
    prego, dê um slogan a um sujeito sem idéias próprias mas com muita
    bile e ele rotulará meio mundo). O sr Dunas não tem argumento, só
    sabe rotular com slogans toscos e vazios típicos de militontos. Até
    agora não foi capaz de apontar o ‘crime’ de Assange, mas se calou
    sobre todos os crimes que seu site denunciou. Acusou-o boçalmente
    de chantagista, ignorando o significado a palavra e o fato de que é
    crime imputar falsamente a alguém delitos – o nome disso é calúnia,
    com a qual o sr já demonstrou estar bem familiarizado. Faça um favor
    a si mesmo sr Dunas: leia. Comece pelo dicionário: chantagem.
    Depois vá prum livro de história pra ver que censura é algo muito
    mais amplo e sutil do que lei.

  6. Comentou em 11/12/2010 Boris E. Dunas

    Ao postar a resposta anterior, vi que o professor Edison lamenta muito, e com razão, que pessoas como eu venham gastar seu tempo ocioso neste espaço que seria melhor ocupado se apenas contivesse respeitosos e elegantes debates de alto nível. Concordo inteiramente. Mas vejamos de que maneira, então, este senhor que “jamais coloca a ideologia acima de nada”, “nem pretende que a sua visão de mundo seja a única correta a priori”, enfim, esse amante da “verdade, da coerência e da objetividade” se dirigiu à minha pessoa APENAS EM SEU PRIMEIRO POST, ou seja, “pra começo de conversa”.Vai aqui a listinha dos adjetivos com que fui brindado por este defensor intransigente do “pragmatismo, do bom senso e da boa fé”: preconceituoso, falastrão (pois falo bobagens), obtuso, incapaz, despreparado, mentiroso (já que “me digo” o que não sou), desrespeitoso e caricatural (tá tudo aí embaixo!!!). Nada mau para quem cultiva o objetivo sincero de “respeitar o outro como forma de se aprimorar a cada dia”, hein? Ora, depois disso, quem haveria de acreditar que alma tão elevada e afeita ao bom debate um dia se revelasse outra coisa e passasse a pretender, sei lá, “eliminar a crítica e a opinião dissidente”?

  7. Comentou em 11/12/2010 Boris E. Dunas

    Edison, além de “luminoso”, vejo que vc é também um esteta da lógica. Da lógica petista, claro! Na ânsia de imputar em mim alguma coisa muito feia (qquer coisa serve!) me associa com práticas do PCC e pena de morte e ainda aproveita p/ ratificar seu julgamento de manual duzzamericânus, mas se indigna qdo uso o santo nome do Chavez em vão… Não, meu mestre! Quem gosta do PCC é o PT, e é recíproco: basta ver como votam os presídios. E onde foi que eu disse que criminoso é aquele que DENUNCIA crimes? Disse que é quem o PRATICA. E o Assange praticou. E quem defende o Assange é vc. Não percebe que dessa forma É VOCÊ quem está justificando o crime essencial, caro professôu? Outra: por que eu “convenientemente” me calaria? Ora, vc “pauta” essa bobagem por desespero de causa e ainda pretende que este se torne ponto central daquilo que eu NÃO DISSE? Visão tosca do mundo, além de pensamento tortuoso e perturbado tem vc, que, de novo, “dá de migué”, desvia o foco e inverte tudo para não perder todas: eu sempre disse que É PRECISAMENTE pelos ATOS do Lulopetismo que se evidencia a criação de 1, 2, 3, 1000 Conselhos de Censura nezztepaízz. Mais ainda: aquele que “promete mostrar as PROVAS ROUBADAS de um crime” já está confessando um crime no mesmo ato. E se o Assange leva ou já levou vantagem com a venda dos “vazamentos” ainda é cedo pra saber, a não ser pra vc, que é imune à realidade.

  8. Comentou em 11/12/2010 Wendel Anastacio

    … ‘Quanto a transmitir a verdade, trata-se, sem sombra de dúvida, de um empreendimento de risco. Todos os que são providos de coragem para revelá-la e assumi-la perante os homens certamente se sujeitam a perder desde uma amizade até a própria vida. A História está repleta de exemplos de perseguições e injustiças cometidas contra os que ousaram prega-la aos seus contemporâneos, não tendo faltado, ao longo dos séculos, instrumentos contundentes para punir os audaciosos, como pedras, cruzes, forcas, fogueiras, guilhotinas, venenos, prisões, torturas, fuzilamentos, além de conluios, conspirações, pressões econômicas, difamações públicas, ações judiciais e outros meios. Vãs tentativas! Enganam-se redondamente os que pensam que podem escondê-la ou impedi-la de vir a tona!… ‘
    Sr. Edison, este texto foi extraído da Revista Humanus, com o título ‘Quem tem medo da Verdade, e tendo em vista os documentos atualmente expostos pelo Wikileaks, achei oportuno aquí trancrever, parte dele, na esperança de que possamos refletir sobre…….
    Sugiro ler na íntegra, pois é de grande profundidade!

  9. Comentou em 11/12/2010 Edison lo

    Caro Wendel, obrigado pela resposta. De fato, a maior parte dos
    comentários que se vê por aqui é de gente que coloca a ideologia
    acima de tudo, inclusive e especialmente da verdade. Para o sujeito
    que considera sua visão de mundo a única correta a priori, a verdade
    acaba sendo um mero apêndice a ser distorcido, esquecido e
    tripudiado até que afinal se encaixe em sua vesga ‘realidade’. Penso
    que não é crime professar qualquer ideologia, desde que se mantenha
    um mínimo de coerência e objetividade, de amor à verdade e respeito
    ao outro, como forma de aprimorar-se a cada dia. Pragmatismo, bom
    senso e boa fé. Requisitos mínimos à civilidade e à discussão em
    nível elevado, coisa que os esquerdopatas, direitopatas e outras
    criaturas patológicas não sabem o que significa, pois não a possuem
    mesmo. Seu sonho é eliminar a crítica e a opinião dissidente. Só
    podemos lamentar por isso, mas francamente, mais lamentável é que
    tenham tanto tempo ocioso para poluir espaços como esse, que
    deveriam se prestar ao debate de alto nível.

  10. Comentou em 11/12/2010 Edison Lozano

    Sr Dunas, finalmente um argumento – e, sem surpresa, uma sucessão
    de bobagens. O sr chama de crime o vazamento – muito digno da sua
    parte chamar de criminoso aquele que denuncia os crimes (‘danos
    colaterais não reconhecidos oficialmente’) dos EUA nas suas
    guerras, além de ações igualmente criminosas de diplomatas,
    empresas, etc. Sobre esses crimes o sr convenientemente se cala. O
    PCC também considera ‘crime’ alguém vazar por aí o que eles fazem
    e a pena é a morte, então o sr não está sozinho em sua visão tosca de
    mundo afinal. Diz que os documentos já circulam a vontade – besteira,
    o site tem sido banido mundo afora antes da maior parte dos
    documentos ser publicada – e entra em contradição consigo mesmo
    ao criticar a perseguição frenética, cega e obsessiva do governo Lula
    à mídia e considerar legítimo o mesmo ato dos EUA contra o
    Wikileaks, o que mostra que seu conceito de ‘censura’ não depende
    dos atos, mas da pessoa que os pratica. Pior: chama de
    ‘chantagista’ alguém que promete denunciar um crime. Demonstra
    não saber sequer o que é chantagem-ameaça visando vantagem.
    Assange não extorquiu ninguém, ele prometeu a verdade e cumpriu.
    Tudo o que os EUA e o sr gostariam é que ele fosse chantagista, para
    poder comprar seu silêncio. Mas infelizmente pra vcs, ele só quer a
    verdade. E por isso ela já venceu.

  11. Comentou em 10/12/2010 Luciano Prado

    Ou seja, o Império contra-ataca… Tardiamente. A ruína já vai longe. Mas o bandido da camisinha rasgada vai ser lembrado historicamente como o desencadeador da ruína do Império.

  12. Comentou em 10/12/2010 Wendel Anastacio

    Professor Edison, meus cumprimentos!
    Seja bem vindo neste bate-papo, pois suas opiniões colocam alguma luz neste ‘galinheiro’, que ultimamente anda infestado de ‘pseudos-esquerdistas’, ‘pseudos-direitistas’, ‘pseudos-centristas’ ou sei lá o quê!
    Na realidade, não importa a ideologia, o que importa são idéias claras que mostrem o que realmente somos, sem malabarismos e mediocridades!
    No mais, venha sempre postar, pois seus comentários serão sempre lidos por mim, com o respeito que merece!

  13. Comentou em 10/12/2010 Boris E. Dunas

    Não, Edison. As palavras em si não “medem” nada. Quando muito elas “dão a medida” de alguma coisa. Mas para isso é preciso saber ler. E se você soubesse, teria percebido que o ponto que destaquei, desde o início, foi outro. Releia lá. Ou não; pouco me importa. O fato é que você só se faz de desentendido – fingindo imenso desprezo ao mesmo tempo em que me cobra enfurecido um “sim ou não” – por julgar que neste caso eu seria “obrigado a reconhecer” que uzzamericanus praticaram censura! Ah, que delícia seria, não é? Pois vamos lá: neste caso o CRIME (roubo de documentos) veio antes da divulgação. Então, não se trata de censura, não senhor! Contra criminoso não há censura; há a aplicação da LEI. Ademais, que cazzo de censura poderia ser exercida DEPOIS de tudo já ter circulado e continuar circulando à vontade pelo mundo? E quanto ao que ele ameaça divulgar, é exploração de chantagem, coisa de seqüestrador e, pois, delinqüência também. Espero ter sido de uma clareza à altura da sua capacidade de percepção, bem como de seus elegantes e refinados “interlocutores direitistas” de boa cepa e de boa fé que você julga honestos e capazes e coerentes e livres dessas pragas de preconceitos não por “serem” de direita, mas porque você “quer e precisa” que sejam. Entendeu? Duvido um tanto.

  14. Comentou em 10/12/2010 Edison Lozano

    Suas próprias palavras medem seu cérebro, sr Dunas. O sr. não consegue responder uma questão primária, se foi ou não foi censura a ação contra o Wikileaks. Por falta de argumentos ou alguma outra razão menos inocente, o sr. é incapaz de responder sim ou não a uma pergunta clara, simples e que ‘por acaso’ é o tema do debate. Mas se lhe faltam informação e argumentos para debater sobre o tema, por outro lado não lhe faltam slogans para professar suas próprias obtusidades ideológicas que não têm absolutamente nada que ver com os fatos. Senão vejamos: o sr. não sabe ou não quer saber quem é Julian Assange, mas se preocupa com o que Chavez (?!?) disse dele. O sr. não sabe ou não quer saber do que aconteceu com o site Wikileaks, mas interessa-lhe saber o que a esquerda (?!?) pensa sobre o assunto. E por fim, o sr. não sabe ou não quer saber o que é censura, mas tem certeza de que ela só é praticada por governos esquerdistas e que os EUA são contra. Com tantos preconceitos e slogans pueris e tão pouca afeição pela realidade, não é de admirar que o sr. seja incapaz de formular um único argumento coerente para negar (ou pelo menos justificar) o fato que o Wikileaks sofreu censura dos EUA. Não importa o que o sr, Lula, Chavez e esquerda pensam sobre o tema, isso não muda os fatos. E pessoas honestas e de boa fé medem o mundo por fatos, não por réguas ideológicas tortas como a sua.

  15. Comentou em 10/12/2010 Boris E. Dunas

    Censura nunca foi a praia duzzamericânus, caro Edison. Em compensação é precisamente essa a tara brutal de quase todos os que, de repente, deram de cair de amores pelo novo herói da resistência progressista. O que houve, creio, poderia ser claramente configurado crime mas, sabe, “aqueles estadunidenses truculentos-fascistas-racistas” morrem de medo de dizer, pois sabem que o mundo viria abaixo. Mas o problema é que o mundo desabará sobre a cabeça deles de um jeito ou de outro. Ou, como disse Churchill quando da assinatura do Tratado de Munique pelos franceses e britanicos: “Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra. E terão a guerra”. De todo modo, agradeço a sua sincera preocupação (dá pra perceber!) com a minha periclitante reputação entre a esquerda brazuca, mas, ao contrário do que você supõe, eu jamais ME DISSE crítico: eu critico o que vejo, e sei como apenas isso já é insuportável para as almas democráticas e tolerantes. No mais, nunca tive qualquer pretensão em representar o conservadorismo ou o que quer que seja, ao contrário, mais uma vez, das práticas grupais esquerdofrênicas. Por fim, se não sou digno do seu “pensar civilizado”, não perca tempo comigo; vá discutir com a “sua direita civilizada e cordata”. Não meça o cérebro alheio com a sua própria (e única) régua. E quanto às caricaturas, quem se alinha com um Chávez não tem moral para criticar um Chapolin.

  16. Comentou em 09/12/2010 Edison Lozano

    Sr Dunas, preconceitos e bobagens filosóficas a parte, o sr. tem
    alguma coisa a dizer sobre a censura ao Wikileaks ou, como tantos
    outros antes do sr., não está nem aí para os fatos e só ocupa este
    espaço público para fazer panfletagem de suas visões obtusas
    particulares? Digo isso porque é tão embaraçosa sua incapacidade de
    formular um único argumento concreto contra ou a favor a
    perseguição o Wikileaks que um leitor desavisado do seu texto
    certamente concluiria que se trata de um troll esquerdista buscando
    denegrir o pensamento conservador. Conheço e dialogo em bom nível
    com indivíduos de pensamento direitista, gente perfeitamente capaz
    de formular e explicitar idéias coerentes, e confesso que nunca vi
    tamanho despreparo em um comentarista que se diz crítico de
    esquerda. Não sei o que o sr. pensa (e provavelmente nem o sr.
    sabe), mas uma coisa lhe peço: se o sr. tenta ser mesmo sério, então
    tenha um pouco mais de respeito pelo pensamento conservador.
    Argumente com idéias, não com slogans. Use o cérebro ao invés do
    fígado, se não quiser se tornar uma caricatura ainda pior daquelas que
    o sr. em sua vã ambição ‘critica’.

  17. Comentou em 09/12/2010 Wendel Anastacio

    Olá Ibsem Marques, cadê vc?
    Estamos vivendo uma etapa interessante na eb e vc ainda não marcou presença com seus comentários sobre o Wikileaks!
    Estamos sentindo sua falta! Apareça!
    Qto a outros, qdo postam ou deixam de postar, não fazem a menor diferença!
    Até……………

  18. Comentou em 09/12/2010 Boris E. Dunas

    Dou de barato a esquizofrenia ideológica esquerdopata de defender a liberdade de expressão – desde que antiamericana, ou anti-estadunidense, como eles adoram dizer – ao mesmo tempo em que se encerram numa frenética, cega e obsessiva campanha interna para vigiar, controlar e punir a “noçça imprença” já pra lá de manca e quase totalmente entregue ao oficialismo mais boçal com reiteradas tentativas de coerção e censura disfarçadas nos mais elevados e castos princípios morais: isso parece não espantar nem despertar interesse, ainda que antropológico, em mais ninguém. Só quero agora atentar ao fato de que esse Julian Assange já garantiu sua vaga no panteão dos queridinhos das esquerdas totalitárias do mundo, e sua foto e sua história de Paladino da Transparência Jornalística (e quiçá da ‘justiça achada no éter’ da www) figurará, até segunda ordem, ao lado dos retratos de Osama Bin Laden, padre Olivério Medina, padre Batisti, Irmã Doroty e tantos quantos eles julgarem úteis e oportunos em seu incessante proselitismo palanqueiro e militonto. Nasce assim mais um ícone a ser espetado na ponta de um bambu e exibido como troféu da luta do “bem contra o mal”. Haja paciência!

  19. Comentou em 09/12/2010 Wendel Anastacio

    Jornalista ou não, a verdade é que o agora inventado ‘jornalismo científico’ de Julian, veio mostrar o quanto a dita ‘imprensa mundial’, é conivente e tão corrupta com o sistema quanto poucos pensavam e/ou imaginavam!
    O fato é que muitos jornalistas, venderam suas almas ao Sistema, e hj estão presos em suas próprias armadilhas, pois manipularam e se arvoraram em donos da verdade, querendo nos impor seus pontos de vistas e defendendo o indenfensável! Deu no que deu, e agora Inês é morta, pois a história fara justiça aos que, mesmo sem serem jornalistas, honraram esta nobre profissão!

  20. Comentou em 09/12/2010 Marcelo Silvestre

    Discordo do Sr. Tamiazo. Justamente por estarem fora do contexto e
    do ‘calor do momento’ é que esses documentos podem ser
    analisados mais friamente. Os documentos vazados pelo Wikileaks
    sobre o golpe em Honduras é emblemático. A utilidade é óbvia:
    confrontar o que é dito por governantes e estruturas do Estado à
    sociedade com os fatos e o que realmente é praticado em seu nome.
    Como diz a sabedoria popular, o melhor desinfetante é o Sol.

  21. Comentou em 09/12/2010 Paulo Tamiazo

    Não há utilidade nenhuma em divulgar documentos ‘vazados’, que são
    lidos fora do contexto de produção e da cadeia de acontecimentos que os
    geraram. Só serve pra dar mídia e criar factoides.

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