Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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YouTube, a tribuna política globalizada

Por Carlos Castilho em 27/02/2008 | comentários

Depois de ficar famoso como um site de vídeos bizarros e filmetes do tipo vídeo-cacetada, o YouTube entrou agora para a categoria de grande palanque político.  Só nos últimos sete dias, vídeos envolvendo cinco personalidades e crises políticas mundiais atraíram milhões de visitantes à pagina web que é a pioneira na publicação gratuita de material postado por amadores.


 


O filme onde o presidente francês Nikolas Sarkhozy ofende um senhor idoso foi o campeão absoluto de acessos durante o último fim de semana de fevereiro, com mais de meio milhão de visualizações. Detalhe: quatro outros internautas postaram a mesma cena que, no total teve quase 900 mil acesso. Dos 20 vídeos mais vistos no período, cinco eram sobre a explosão de raiva do presidente francês.


 


No Paquistão, o governo decidiu proibir o acesso ao YouTube pelos internautas locais para impedir a divulgação de charges satíricas produzidas na Holanda sobre o profeta Maomé e acabou promovendo uma gigantesca trapalhada técnica que dificultou o acesso ao site durante várias horas.


 


Na Sérvia, os vídeos de jovens nacionalistas saqueando lojas num protesto contra a independência do Kosovo acabaram provocando um debate entre políticos europeus sobre o uso de saques como expressão de patriotismo. O governo sérvio tem feito vistas grossas para os protestos de grupos ultranacionalistas contra a formação de mais uma república autônoma, na antiga Iugoslávia.


 


Pouco antes, o YoutTube já tinha atraído as atenções mundiais ao divulgar imagens da rede de televisão CNN onde Osama bin Laden aparece numa fotografia inserida junto a do pré-candidato à sucessão de George W. Bush, Barack Obama, numa reportagem sobre o suposto autor dos atentados contra as Torres Gêmeas. A imagem de Obama vestido de guerreiro somali também bateu recordes de visualização, mesmo sendo uma fotografia estática.


 


No dia 27/2 foi a vez da campanha eleitoral soviética entrar na primeira página do YouTube com cenas de pugilato entre candidatos. O material foi suprimido na televisão, mas acabou no Youtube, como já virou rotina em quase todos os incidentes envolvendo censura de imagens ou áudio.


 


O site é hoje uma espécie de território livre em matéria de imagens polêmicas. Tudo começou há quase um ano e meio, quando milhares de pessoas em todo mundo acompanharam os bombardeios israelenses no Líbano pelos vídeos amadores publicados no YouTube, em vez do material exibido nos telejornais.


 


Hoje, os movimentos de contestação política já elegeram o site como uma referência obrigatória em matéria de relações públicas e propaganda. Um estudo de 112 páginas produzido por Margot Turkheimer, uma das principais responsáveis pelo marketing da Disney, mostra com números que o efeito YoutTube já é evidente nas campanhas eleitorais norte-americanas desde 2005, quando o site estreou na Web.


 


A primeira constatação do paper é a de que os eleitores prestam mais atenção na forma como os candidatos fazem suas promessas, e em menos no que é dito. Além, disso, especialmente nas eleições regionais e legislativas, as estatísticas recolhidas por Margot Turkheimer indicam que os candidatos, considerados azarões, duplicaram as suas chances eleitorais depois que passaram a usar o YouTube como ferramenta de campanha.

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