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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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YouTube, a tribuna política globalizada

Por Carlos Castilho em 27/02/2008 | comentários

Depois de ficar famoso como um site de vídeos bizarros e filmetes do tipo vídeo-cacetada, o YouTube entrou agora para a categoria de grande palanque político.  Só nos últimos sete dias, vídeos envolvendo cinco personalidades e crises políticas mundiais atraíram milhões de visitantes à pagina web que é a pioneira na publicação gratuita de material postado por amadores.


 


O filme onde o presidente francês Nikolas Sarkhozy ofende um senhor idoso foi o campeão absoluto de acessos durante o último fim de semana de fevereiro, com mais de meio milhão de visualizações. Detalhe: quatro outros internautas postaram a mesma cena que, no total teve quase 900 mil acesso. Dos 20 vídeos mais vistos no período, cinco eram sobre a explosão de raiva do presidente francês.


 


No Paquistão, o governo decidiu proibir o acesso ao YouTube pelos internautas locais para impedir a divulgação de charges satíricas produzidas na Holanda sobre o profeta Maomé e acabou promovendo uma gigantesca trapalhada técnica que dificultou o acesso ao site durante várias horas.


 


Na Sérvia, os vídeos de jovens nacionalistas saqueando lojas num protesto contra a independência do Kosovo acabaram provocando um debate entre políticos europeus sobre o uso de saques como expressão de patriotismo. O governo sérvio tem feito vistas grossas para os protestos de grupos ultranacionalistas contra a formação de mais uma república autônoma, na antiga Iugoslávia.


 


Pouco antes, o YoutTube já tinha atraído as atenções mundiais ao divulgar imagens da rede de televisão CNN onde Osama bin Laden aparece numa fotografia inserida junto a do pré-candidato à sucessão de George W. Bush, Barack Obama, numa reportagem sobre o suposto autor dos atentados contra as Torres Gêmeas. A imagem de Obama vestido de guerreiro somali também bateu recordes de visualização, mesmo sendo uma fotografia estática.


 


No dia 27/2 foi a vez da campanha eleitoral soviética entrar na primeira página do YouTube com cenas de pugilato entre candidatos. O material foi suprimido na televisão, mas acabou no Youtube, como já virou rotina em quase todos os incidentes envolvendo censura de imagens ou áudio.


 


O site é hoje uma espécie de território livre em matéria de imagens polêmicas. Tudo começou há quase um ano e meio, quando milhares de pessoas em todo mundo acompanharam os bombardeios israelenses no Líbano pelos vídeos amadores publicados no YouTube, em vez do material exibido nos telejornais.


 


Hoje, os movimentos de contestação política já elegeram o site como uma referência obrigatória em matéria de relações públicas e propaganda. Um estudo de 112 páginas produzido por Margot Turkheimer, uma das principais responsáveis pelo marketing da Disney, mostra com números que o efeito YoutTube já é evidente nas campanhas eleitorais norte-americanas desde 2005, quando o site estreou na Web.


 


A primeira constatação do paper é a de que os eleitores prestam mais atenção na forma como os candidatos fazem suas promessas, e em menos no que é dito. Além, disso, especialmente nas eleições regionais e legislativas, as estatísticas recolhidas por Margot Turkheimer indicam que os candidatos, considerados azarões, duplicaram as suas chances eleitorais depois que passaram a usar o YouTube como ferramenta de campanha.

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/03/2008 Gersier Lima

    Faltou falar sobre aquele em que mostra o conchavo entre empresários, a RCTV e seus asseclas comentando como agiram no golpe frustrado na tentativa de derrubar o Chaves. Esquecimento ou proposital?

  2. Comentou em 29/02/2008 Chico Motta

    Concordo com aquele que ressalta as dificuldades de se saber a idoneidade de um conteúdo no Youtube.Porém antes de tudo vale ressaltar que é um processo sem volta. Não vamos voltar a ter as mass medias como único meio de informação.Em segundo lugar é bom ver que apesar da dificuldade, ou impossibilidade de reconhecer quem divulgou o vídeo, como vc mesmo disse, hoje em dia qualquer criança de 13 anos faz um vídeo e coloca no youtube.A propagação da informação é universalizada, qualquer um que deseje,com más ou boas intenções pode publicar o seu vídeo na internet e ter uma repercussão colossal, para quem brada liberdade de imprensa, não há nada mais livre que isso. O ambiente anárquico da internet que possibilita essa liberdade, acaba também desconcentrando a produção de informação, trazendo simultaneamente interesses os mais diversificados e divergentes, criando assim muito mais pluralidade do que num meio de mídias de massa que concentram interesses comuns e monopolizam a produção de informação.No fim nos meios da internet o Leitor crítico acaba tento muito mais trabalho para poder separar joio e trigo, fato.Mas do mesmo modo a divulgação de informações como um todo ganha muito mais pluralidade e por consequência, com a existência de contraditórios,a apuração do leitor cresce, o que fomenta também o surgimento de mais Leitores Críticos,acredito que acabamos com saldo positivo

  3. Comentou em 29/02/2008 ailton filho

    Concordo com o Alexandre quando ele diz que o desafio é grande para os educadores (e não somente os professores), que tem como missão desenvolver e formar uma massa crítica. Mas Alexandre, talvez o simples fato de sabermos que a verdade absoluta já não existe mais, seja, de fato, o gerador dos conteúdos duvidosos, digamos assim. A internet apenas carrega o conteúdo nela depositado. Acho que isso pode inclusive ajudar na formação da opinião crítica, visto que não ficamos restritos a apenas uma ou duas idéias, mas sim a milhares de idéias possíveis.

  4. Comentou em 29/02/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    Um dos prinicpais papéis dos educadores daqui pra frente será formar massa crítica que intereja com essas mídias e as faça levantar debates com o que vêm, ouvem ou lêem. É bom se ressaltar que tais canais de informações não oferecem conteúdo crível, assim como também o Wikipédia, que tem se tornado referência até em papers acadêmicos. Qualquer loja de eletro-eletrônicos vende câmeras e gravadores ultramodernos, capazes de captar o cotidiano como nunca se imaginou na cultura humana. E com uma câmera e uma idéia na cabeça (salve Glauber!), a disseminação da rebeldia midiática torna-se incontrolável. Filmes como Cloverfiled mostram-nos o que será possível fazer daqui em diante.

  5. Comentou em 29/02/2008 ailton filho

    O modelo unilateral de informação, onde as notícias correm de cima pra baixo está com seus dias contados. O receptor também vem amadurecendo e já está muito mais consciente de seu papel, já não acredita mais em qualquer coisa que se publica por ai. Viva a nova sociedade de informação, que distribui ao invés de concentrar. O caminho está aberto para a evolucação social e cultural dos povos atuais.

  6. Comentou em 28/02/2008 Marco Freitas

    Se já é difícil acreditar nos mass media, imagine acreditar num vídeo que veio sabe-se lá de onde. Qualquer criança pode aprender a editar vídeos num programinha desses intuitivos. Assim, fica cada vez mais difícil acreditar no que se vê. Por mais cinematográfico e paranóico que isso seja, o You Tube é mais perigoso que qualquer interesse das redes de TV, por um motivo: não sabemos a que interesses estamos satisfazendo quando acreditamos em algo que vimos lá. Sim, porque quantos por cento das pessoas que veêm um vídeo do You Tube procuram saber quem o postou?

  7. Comentou em 28/02/2008 Ivan Moraes

    ‘novo vídeo do alemão orientando a tropa petista sobre o uso do cartão corporativo’: e mais interessante ainda eh procurar ‘revista veja’ no youtube. http://www.youtube.com/results?search_query=revista+veja&search_type=

  8. Comentou em 28/02/2008 Thomaz Magalhães

    Temos agora o novo vídeo do alemão orientando a tropa petista sobre o uso do cartão corporativo, que inclui também o controle da imprensa, citando o Paulo Henrique Amorim e o Reinaldo Azevedo. É muito engraçado, está entre outros no blog do Reinaldo Azevedo, com opções para clicar direto na imagem ou no link.

  9. Comentou em 28/02/2008 Jackson Matuoka

    Esse artigo deixa bem claro que está praticamente impossível controlar o fluxo da mídia, uma vez censurado um conteúdo na TV, a primeira reação de um telespectador é procurá-lo no You Tube.
    Estamos no ápice da democracia depois da criação do You Tube, afinal não da mais pra esconder as ‘entrelinhas’ da polítca. O público esta se tornando consciente das qualidades e defeitos de seus canditados, e isso vale para o mundo todo.

  10. Comentou em 28/02/2008 Jackson Douglas

    De fato o You Tube não serve apenas para postar vídeos caseiros de cacetadas, ele passou para um estágio mais adulto, uma nova forma de mídia dentro da Internet.
    Ele já esta sendo usado para mostrar ideais ou não de campanhas políticas, principalmente as dos E.U.A., onde as atenções são do mundo todo. Isso que ta acontecendo com o You Tube é bom para a democracia mundial, pois já não estamos a mercê dos telejornais.

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