Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

YouTube e blogs substituem a mídia convencional em campanhas eleitorais

Por Carlos Castilho em 29/01/2007 | comentários


Os primeiros movimentos estratégicos da campanha para as eleições presidenciais de 2008 nos Estados Unidos dão o tom do que poderá marcar uma mudança radical no papel que a mídia ocupa na política contemporânea.


Pelo que se viu até agora, os pré-candidatos democratas Hillary Clinton, Barack Obama e John Edwards, bem como o republicano Sam Brownback, vão apostar tudo no contato direto com os eleitores através da internet, deixando de lado o chamado ‘circo da mídia‘ formado pelos correspondentes e comentaristas de jornais, rádios, revistas e emissoras de televisão.


A senadora Hillary Clinton é a mais ousada nesta estratégia que se apoia prioritariamente nos weblogs e nos vídeos do YouTube. Muitos blogueiros norte-americanos, como Jeff Jarvis,  já chamam a próxima votação presidencial de ‘eleição YouTube‘.


Ao deslocar o eixo da campanha eleitoral da mídia convencional para a mídia digital, os políticos abrem uma verdadeira caixa de surpresas, porque até agora o processo eleitoral era filtrado pela intermediação da imprensa, que impunha os seus padrões éticos e comportamentais na hora de publicar reações mais agressivas do público.


A senhora Hillary apropriou-se do chamativo slogan Let the Conversation Begin (Vamos começar a conversa) introduzindo num vídeo que foi publicado primeiro no You Tube e só depois distribuido para a imprensa convencional.


A opção pela campanha direta está levando os candidatos, priorizar a transmissão de mensagens por meio de sites muito populares em vez de utilizar o site oficial da campanha. Hillary Clinton, por exemplo, usou o site do site Yahoo Answers para perguntar aos americanos o que eles acham da previdência social no país deles. Em cinco dias, pouco mais de 37 mil pessoas mandaram respostas. Todos os demais pré-candidatos norte-americanos estão seguindo os passos da mulher do ex-presidente Bill Clinton.


O recurso à conversa direta com os eleitores vai causar  prejuizos à imprensa que tradicionalmente aumenta tiragens e audiência em períodos eleitorais. E terá uma outra consequência política não menos importante.


Os candidatos passam a construir sua imagem de forma independente da mídia convencional, usando os próprios sites e principalmente o que os marqueteiros chamam de mídia distributiva, ou seja, sites como YouTube, Yahoo Answers, Meet Up, Move On e outros. A busca de corações e mentes começa a passar ao largo dos jornais, revistas, radios e televisão para concentrar na ‘grande conversa‘ com os eleitores por meio da internet.


Os especialistas dizem que o processo é irreversivel nos Estados Unidos. Aqui no Brasil a perda de influência eleitoral da mídia convencional não deve ser tão intensa porque a penetração da internet ainda se limita a 30% da população. Mas tudo indica que é uma questão de tempo a webificação de nossas campanhas eleitorais.


Conversa com os leitores


Nos últimos posts, especialmente no sobre leitura crítica, surgiram alguns comentários agressivos entre leitores deste blog. Achamos que o espaço dos comentários deve ser o mais livre possível porque eles são uma das formas dos leitores participarem do processo da comunicação. Procuro não interferir, ciente de que meu papel é de um mero facilitador. Também estou ciente de que, quando se abre um espaço para conversação num ambiente de grande diversidade de leitores, tudo pode acontecer, como se diz na gíria.É um risco de corro deliberadamente mas é também uma responsabilidade que assumo de forma igualmente consciente. A responsabilidade de procurar manter o espírito de grande conversa, o que implica obrigatoriamente o respeito de um pelo outro. Neste ponto vou ser instransigente, porque o respeito mútuo é a base para o diálogo, sem o qual não há troca de informações e conhecimentos. Sem diálogo, conversa, o Código Aberto não tem razão de ser. Por isto, caso continuem as agressões pessoais entre comentaristas, não há outra alternativa senão mostrar o cartão vermelho para os envolvidos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 31/01/2007 Ivan Moraes

    ‘nome do Jean Charles não aparece ligado a grupos extremistas… apenas cita o fato dele estar trabalhando como office boy para uma jornalista que estaria sendo alvo de investigação por ser de esquerda…’: em outras palavras, o nome de Jean Charles esta sendo usado por extremistas! O extremismo tem que ser irrespondivel ou funciona capenga. Recomendo ha varios anos a leitura de ‘As veias abertas da America Latina’, que eh o perfeito exemplo do extremismo, mas que eh totalmente irrespondivel. A ‘bolha midiática que me envolve e sufoca meus neurônios’ eh a media brasileira, e eu me vingo com uma vinganca excessivamente vingativa dos que sufocam os meus 3 neuronios bons. (‘ficando doido’ era gracejo!)

  2. Comentou em 31/01/2007 Marnei Fernando

    Ivan… É MUITO GRAVE O QUE ESTÁ ESCRITO NESSE LINK SIM… Não vejo fantasia nenhuma no que está disposto naquele texto… Explica muito bem como, onde e porque começou a onda de denunsismos contra o governo Lula por parte da grande imprensa, além de explicar o porque da blindagem da oposição por parte dessa mesma mídia… Quanto ao caso Jean Charles, reconheço que é complicado de acreditar na totalidade das afirmações existentes no texto… Mas tem de ser investigado e não desprezado… Mas ao contrário que que você afirma, no texto, o nome do Jean Charles não aparece ligado a grupos extremistas… apenas cita o fato dele estar trabalhando como office boy para uma jornalista que estaria sendo alvo de investigação por ser de esquerda… E mais ao contrário ainda do que você diz, eu não estou ficando doido não… Estou ficando é esclarecido… Você por acaso assistiu o documentário que completou mais de 10 anos chamado ‘Além do Cidadão Kene’? Assistiu ‘ A revolução não será televisionada’?.. Assistiu o video do José Serra entregando ambulâncias aos deputados psdebistas sanguessugas sob apláusos e agradecimentos? Não né? A grande mídia financiada pelos EUA não te deixam ver a verdade… Tente sair dessa bolha midiática que te envolve e sufoca seus neurônios… Você vai passar a ver o mundo menos cor de rosa, sem listras vermelhas e brancas… Mas não imagina o bem que isto faz!

  3. Comentou em 31/01/2007 Ivan Moraes

    ‘É MUITO GRAVE O QUE ESTÁ ESCRITO NESSE LINK’: fantasia e agitacao eh grave sim! A familia de Jean Charles ja foi informada de como o nome dele esta sendo usado por extremistas? (Po, Marnei, ce ta ficando doido?!)

  4. Comentou em 31/01/2007 Marnei Fernando

    É MUITO GRAVE O QUE ESTÁ ESCRITO NESSE LINK… Recomendo que todos leiam e divulguem imediatamente… http://lists.indymedia.org/pipermail/cmi-goiania/2006-April/0408-h0.html

  5. Comentou em 30/01/2007 Fabio de Oliveira Ribeiro

    É excepcional o que está a ocorrer nos EUA. A mídia perderá poder e influência, à medida que o candidato de um partido se concentrar na Internet e obrigar seu oponente a migrar para este canal de comunicação horizontal. Isto provocará uma transformação substancial na democracia americana em razão de um maior contato entre os eleitores e seus candidatos. O risco de populismo é evidente. A de criação de novos partidos, também. De qualquer maneira, as duas grandes estruturas partidárias podem sair deste processo de virtualização da política substancialmente esvaziadas em razão da horizontalidade da comunicação e do livre acesso do eleitor ao candidato. O espaço para outros partidos se tornará uma realidade. Do mundo virtual para o real movimentos não controlados ou tangenciados pelo Partido Democrata e Partido Republicano encontrarão expressão através de alianças inusitadas. Colocada de lado como instrumento de proparanda política a mídia tradicional (jornal, rádio e TV) terá que fiscalizar mais o poder público. Talvez ocorra um renascimento do jornalismo crítico nos EUA, de maneira a compensar o populismo nascente. Veremos. No Brasil a campanha do voto nulo ganhou a Internet antes dos partidos tradicionais. Nas próximas aleições municiais certamente irá ganhar mais volume e espaço. Assim espero.

  6. Comentou em 30/01/2007 Clovis Segundo

    Excelente texto, só faria uma ressalva: A Internet também influenciou nas eleições brasileiras de forma significativa.

    Sobre o Cartão Vermelho, concordo plenamente. O Código Aberto é, na minha opinião, o melhor e mais Democrático (sem censura) espaço dentro do OI. Logo é importante que a confiança entre Observador-Leitor seja preservada.

    Para finalizar, ainda acredito que os Donos da Mídia conservadora irão tentar bloquear o Youtube, blogs e Orkuts…

  7. Comentou em 30/01/2007 Isis Biondi

    É muito importante estarmos sempre atualizados das inovações tecnológicas que possam beneficiar sobretudo o cidadão e suas formas de comunicação. Manter o público em contato direto com seus futuros governantes é sem dúvida um processo evolutivo constante da democracia.

  8. Comentou em 30/01/2007 João Marcos Rocha Marques

    Graças a Fox News e demais conglomerados da mídia americana (que tomaram de assalto a grande mídia pra convencer o eleitor de ir a guerra do Iraque, baseando em mentiras com cara de verdade) , os políticos democratas estão vendo novos meios de chegar ao eleitorado, afinal a credibilidade dos grandes meios de comunicação nunca esteve sobre tamanho check. Graças ao Bush (pugilista de ponta de faca), os youtubes da vida, blogs, colunas e mídia independente, estão saindo do anonimato e entrando na casa das pessoas. Mais um mandato e o Bush iria fazer o Estados Unidos sumir do mapa.

    Aqui também na República das Bananas, anda crescendo a busca por mídias alternativas, inclusive blogueiros estão se unindo para constestar o Pensamento Único da Mídia. Exemplo: Sivuca.

    Entre os primeiros itens da pauta dessa Associação é levar o Alberto Dines para conhecer a Venezuela, mas não pra tomar cafezinho nas grandes Redes de Tv Privatizadas, mas para fazer algumas entrevistas com a população de baixa renda.

  9. Comentou em 30/01/2007 Lica Cintra

    A internet provoca uma mudança irreversível na mídia e quanto mais gente estiver ‘online’, maior a mudança. Ainda somos poucos ‘online’ no Brasil, mas chegamos lá.

  10. Comentou em 30/01/2007 Marnei Fernando

    Perfeito seu comentário Nelson Perez de Oliveira Junior, bancario de MG…

  11. Comentou em 30/01/2007 Hugo Werle

    Carlos Castilho, a menos de uma semana escreveste artigo com referências ao tema. Na oportunidade enviei comentário que apontava que a mídia alternativa (blogs, mails, chats…) havia contribuído decisivamente para a reeleição do Lula, visto que, foi atravéz dela que puderam ser derrubadas diversas versões fantasiosas e inverdades sobre o governo Lula, propaladas pelos grandes jornalões e TVs.
    Salutar foi a sua iniciativa de retornar ao tema, aliás havia sugerido tal atitude, mesmo que reportando-se a ações de candidatos nos EUA.
    Pelo que aconteceu no Brasil e o que ocorre nas eleições americanas, atrevo-me a afirmar que nos próximos anos teremos um forte avanço no sentido de controlar a mídia e as comunicações eletrônicas, visto que seu conteúdo foge quase que completamente ao contrôle do poder das elites estabelecidas.
    Diferentemente da sua opinião, subvalorizando esses meios de comunicação, conforme palavras suas ‘ Aqui no Brasil a perda de influência eleitoral da mídia convencional não deve ser tão intensa porque a penetração da internet ainda se limita a 30% da população.’ entendo que esse processo foi decisivo para a perda do poder de manipulação dos grandes grupos de mídia, graças a Deus.
    Espero que universalização de acesso a mídia aletrônica ocorra de fato e que não surjam mecanismos de contrôle capazes de impedir-nos de emitir nossas opiniões.
    atenciosamente

  12. Comentou em 29/01/2007 Rosa Sart

    É, no mínimo, desinteressante e patético comentário de pessoa ilustrada referir-se a outro ser humano que comunga das mesmas idéias neste OI, embora nossas opiniões divergentes possam significar algo inusitado. Cada palavra escolhida corresponde a sentimentos intencionais, muito claro isso. Se temos acesso a palavras vãs, por que não se buscar outro conteúdo mais ameno? Significados e significâncias aparentemente vocábulos semelhantes não requerem a mesma coisa. Ajudem a salvar a língua portuguesa!

  13. Comentou em 29/01/2007 nelson perez de oliveira junior

    A INTERNET já derrubou a industria fonografica, invade a cinematografica e é a mídia que vai escapar e ficar ilesa ainda mais quando vende ilusão que não educa, diverte ou convence ninguém. As viúvas do PSDB, VEJA, GLOBO, ESTADÃO E FOLHA ainda vão seguir esta carreira alucinógena por ciume, raiva ou despeito. Agora é a hora da vingança, LULA para o TERCEIRO TURNO, AGORA É LULA DE NOVO, DE NOVO, DE NOVO. Até o CAETANO tá querendo cantar a pedra. O circo da midia está montado, e há palhaços em profusão para
    dar palpites inteligentes sobre o que eles acham que o BRASIL PENSA OU DEVE PENSAR. A GLOBO se deu mal, quis criticar CHAVES e tomou um direto no queixo que está tonta até agora. Quem fala ou escreve o que quer tem de ouvir o que não quer, para ódio do DINES
    e seus HETERONIMOS que esbravejam contra os brasileiros que não concordam com suas opiniões. Há uma revolução nos meios e modos de comunicação que só mesmo GUTTEMBERG entenderia e aplaudiria,
    pois, foi este o intento de sua invenção: ABRIR O CAMINHO PARA TODOS SE MANIFESTAREM E DIVULGAREM SEU PENSAMENTO. ABAIXO A CASTA ARCAICA DOS JORNALISTAS INFALÍVEIS, OS
    PAPA DINES.

  14. Comentou em 29/01/2007 ubirajara sousa

    Para mim esse processo é irreversível. Quanto ao cartão vermelho, uma seugestão: uma conversa entre os articulistas, sobre a necessidade de maiores cuidados com a utilização de verbetes, frases, sentenças etc capazes de gerarem a discórdia, no seu sentido mais amplo, entre os seus leitores. Afinal, pontos de vista divergentes não precisam significar desentimentos malévolos. Por isso, todo cuidado é pouco. Ás vezes, erramos por indução.

  15. Comentou em 29/01/2007 Jorge Valentim

    Ainda acho que a internet ameaça mais o controle estatal sobre a midia do que a midia e seus grandes grupos emrpesariais.

  16. Comentou em 29/01/2007 Kleber Carvalho

    Castilho bastante oportuno seu artigo, a inserçaõ das campanhas eleitorais na internet causa arrepios na mídia corporativa brasileira tão acostumada a tomar partido de A ou B de maneira sutil. Porém as últimas eleições causaram um estrago contundente nos grandes grupos de comunicação do país, seja no campo ideológico, quanto no campo político, no aspecto econômico acredito que ainda seja prematuro fazer uma avaliação , contudo a perda de credibilidade destes grupos é um fato que com certeza vai ter reflexos negativos no faturamento e na audiência dos mesmos.

  17. Comentou em 29/01/2007 Samuel Lima

    Seu texto é oportuno e assaz provocante, mestre Castilho. No entanto, com a devida vênia, penso que é muito cedo para determinadas conclusões. Que é crescente a importância da web (blogs, YouTube etc.) no jogo político, não há dúvida. A mudança tende a ser radical, mas penso que é um equívoco afirmar que a migração da estratégia inicial da corrida presindencial nos EUA para a internet não significa que os candidatos ‘deixarão de lado’ a mídia tradicional. Afinal, no macro jogo político de disputa da ‘opinião pública’ (à bênção, Pierre Bourdieu) todos os espaços de convivência, midiáticos e localizados, sempre são acionados, à exaustão. Ademais, os dados disponíveis sobre a inclusão digital nos EUA, até o final de 2005 pelo menos, tornariam temerário centrar toda a estratégia de mídia no espaço virtual da www.
    Quanto ao ‘cartão vermelho’ assino embaixo. Pessoalmente, dei um tempo do OI porque percebi esse furor, misto de estupidez e burrice, que passou a tomar conta do espaço de comentários. Paulo Freire nos ensinou que o diálogo é um pressuposto fundamental da convivência humana. Sem isso, o caminho do fracasso das relações está dado. É plenamente possível dialogar, divergir a fundo no campo das idéias e manter, em alta conta e zelo, a figura de nossos ‘debatedores’.

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