Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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YouTube e blogs substituem a mídia convencional em campanhas eleitorais

Por Carlos Castilho em 29/01/2007 | comentários


Os primeiros movimentos estratégicos da campanha para as eleições presidenciais de 2008 nos Estados Unidos dão o tom do que poderá marcar uma mudança radical no papel que a mídia ocupa na política contemporânea.


Pelo que se viu até agora, os pré-candidatos democratas Hillary Clinton, Barack Obama e John Edwards, bem como o republicano Sam Brownback, vão apostar tudo no contato direto com os eleitores através da internet, deixando de lado o chamado ‘circo da mídia‘ formado pelos correspondentes e comentaristas de jornais, rádios, revistas e emissoras de televisão.


A senadora Hillary Clinton é a mais ousada nesta estratégia que se apoia prioritariamente nos weblogs e nos vídeos do YouTube. Muitos blogueiros norte-americanos, como Jeff Jarvis,  já chamam a próxima votação presidencial de ‘eleição YouTube‘.


Ao deslocar o eixo da campanha eleitoral da mídia convencional para a mídia digital, os políticos abrem uma verdadeira caixa de surpresas, porque até agora o processo eleitoral era filtrado pela intermediação da imprensa, que impunha os seus padrões éticos e comportamentais na hora de publicar reações mais agressivas do público.


A senhora Hillary apropriou-se do chamativo slogan Let the Conversation Begin (Vamos começar a conversa) introduzindo num vídeo que foi publicado primeiro no You Tube e só depois distribuido para a imprensa convencional.


A opção pela campanha direta está levando os candidatos, priorizar a transmissão de mensagens por meio de sites muito populares em vez de utilizar o site oficial da campanha. Hillary Clinton, por exemplo, usou o site do site Yahoo Answers para perguntar aos americanos o que eles acham da previdência social no país deles. Em cinco dias, pouco mais de 37 mil pessoas mandaram respostas. Todos os demais pré-candidatos norte-americanos estão seguindo os passos da mulher do ex-presidente Bill Clinton.


O recurso à conversa direta com os eleitores vai causar  prejuizos à imprensa que tradicionalmente aumenta tiragens e audiência em períodos eleitorais. E terá uma outra consequência política não menos importante.


Os candidatos passam a construir sua imagem de forma independente da mídia convencional, usando os próprios sites e principalmente o que os marqueteiros chamam de mídia distributiva, ou seja, sites como YouTube, Yahoo Answers, Meet Up, Move On e outros. A busca de corações e mentes começa a passar ao largo dos jornais, revistas, radios e televisão para concentrar na ‘grande conversa‘ com os eleitores por meio da internet.


Os especialistas dizem que o processo é irreversivel nos Estados Unidos. Aqui no Brasil a perda de influência eleitoral da mídia convencional não deve ser tão intensa porque a penetração da internet ainda se limita a 30% da população. Mas tudo indica que é uma questão de tempo a webificação de nossas campanhas eleitorais.


Conversa com os leitores


Nos últimos posts, especialmente no sobre leitura crítica, surgiram alguns comentários agressivos entre leitores deste blog. Achamos que o espaço dos comentários deve ser o mais livre possível porque eles são uma das formas dos leitores participarem do processo da comunicação. Procuro não interferir, ciente de que meu papel é de um mero facilitador. Também estou ciente de que, quando se abre um espaço para conversação num ambiente de grande diversidade de leitores, tudo pode acontecer, como se diz na gíria.É um risco de corro deliberadamente mas é também uma responsabilidade que assumo de forma igualmente consciente. A responsabilidade de procurar manter o espírito de grande conversa, o que implica obrigatoriamente o respeito de um pelo outro. Neste ponto vou ser instransigente, porque o respeito mútuo é a base para o diálogo, sem o qual não há troca de informações e conhecimentos. Sem diálogo, conversa, o Código Aberto não tem razão de ser. Por isto, caso continuem as agressões pessoais entre comentaristas, não há outra alternativa senão mostrar o cartão vermelho para os envolvidos.

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