Domingo, 18 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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CONJUNTURA NACIONAL >

A teoria do pêndulo na versão Brasil 2015

Por Carlos Castilho em 11/08/2015 na edição 863

O noticiário brasiliense parece confirmar uma nova reedição da teoria do pêndulo segundo a qual o ambiente politico tende a oscilar entre dois opostos com uma periodicidade variável. Depois de 13 anos de governos de tendência renovadora, preocupados com a distribuição de renda e eliminação de desigualdades sociais, os fatos sinalizam um movimento em direção a um novo período de politicas conservadoras, onde as metas básicas são o ordenamento financeiro, a ênfase na moralidade administrativa, segurança publica e liberdade empresarial.

A mística inovadora do Partido dos Trabalhadores está sumindo no ar alimentada pelas divergências internas na agremiação e pela incapacidade de um grande número de seus quadros de resistir à sedução do poder, seja pela aceitação de propinas, seja pelo usufruto das benesses governamentais. O governo Dilma perde consistência e a grande dúvida é saber quanto tempo ele vai durar, pois tudo depende do tipo de transição que teremos pela frente. Mais do que o ímpeto propagandístico do noticiário da TV Globo, do caráter espetaculoso das operações da Polícia Federal , da militância do Ministério Publico Federal e do rolo compressor jurídico posto em movimento pelo juiz Sergio Moro, há um processo em curso que avança independente dos acertos e trapalhadas dos protagonistas envolvidos.

A Teoria do Pêndulo, popularizada pelo historiador Arthur Schlesinger, diz que a história política da maioria dos países é formada por dois extremos, um reformador e outro conservador, intermediados por um período de transição onde predominam os compromissos. É uma metáfora que, de alguma forma, explica como acontece o processo de erro e acerto na formulação de projetos de governo. A história não se desenvolve em linha reta porque isto pressuporia que alguém, ou algum grupo, teria a fórmula para a utopia do progresso ininterrupto. Seria a negação do processo de descoberta da realidade e de aprendizado social, onde erros e acertos se alternam.

O pendulo político versão Brasil 2015 se materializa mais no desgaste do governo Dilma e na desorientação da cúpula do PT do que na certeza de que o país sairá menos corrupto de toda a novelística serie de etapas da operação Lava Jato. Há muitas dúvidas ainda no ar sobre o fim definitivo do sistema ilegal de financiamento de campanhas eleitorais a partir da rotina do superfaturamento e das propinas. Também há poucas certezas sobre se a política nacional sairá menos desprezível de todo este episódio, se o Ministério Publico voltará a ser uma instituição preocupada com a defesa do interesse público e se a Polícia Federal perderá o visual de força militar uniformizada para inspirar medo em vez de confiança.

O deslocamento do pêndulo politico é a visualização de um processo onde os protagonistas buscam entender e interpretar a realidade segundo princípios incorporados ao seu universo mental. A capacidade de interpretar sempre é limitada porque somos humanos. Assim há momentos históricos onde as circunstâncias permitem que uns interpretem melhor que outros, a realidade que nos cerca. Mas esta interpretação e transformação em ações práticas têm limites determinados pelo nossa incapacidade inata de compreender tudo que nos cerca. Assim, estamos inevitavelmente condicionados pela possibilidade de interpretações errôneas geradas por informações unidirecionadas e quando iste ocorre, nos distanciamos da realidade, dando chance a que outros a interpretem melhor.

Nossa maior dúvida no Brasil 2015 é como será o deslocamento do pêndulo de uma posição para outra. Ele pode ser tranquilo, caso ocorra por absoluta exaustão e desilusão da militância petista com uma presidente que ficou longe das promessas eleitorais feitas em 2014. Ou a transição poderá ser traumática, com um grau variável de perdas humanas e materiais de ambos os lados. Caso seja violenta, os vencedores cobrarão um preço alto materializado em repressão, perseguições e punições. Tudo vai depender de como os dois lados lidarão com a radicalização e polarização na conjuntura atual. Quem começar a jogar bombas e promover atentados, seguramente enfrentará uma contrapartida e aí o processo pode escapar do controle de quem pretendia controla-lo.

O pêndulo politico brasileiro está em movimento, da mesma fora que mudou de posição quando Jânio Quadros ganhou a eleição presidencial de 1960, quando João Goulart foi derrubado por um golpe militar em 1964 e o quando país voltou à democracia em 1985. Ele foi para a esquerda e agora estão movendo-se para a direita. A questão não é lamentar ou glorificar a repetição dos ciclos políticos, mas aprender com os erros de cada um deles.

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