Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

CRISE NA IMPRENSA > Mudança de paradigma nos jornais

Receita de banca supera a da publicidade

Por Jorge Salhani em 14/08/2015 na edição 863
Publicado originalmente em Plural - Observatório de Comunicação e Cidadania, 30/7/2015

A circulação dos jornais impressos passou a ser, pela primeira vez, sua principal fonte de receita, superando a publicidade. É o que consta em relatório da World Association of Newspapers and News Publishers (WAN-IFRA). O documento traz informações referentes ao ano de 2014 no que se refere à mídia impressa, digital e a dispositivos móveis. A coleta de dados foi realizada em mais de 70 países, responsáveis por mais de 90% do mercado mundial de jornais.

Enquanto a renda proveniente da circulação de jornais impressos cresceu 0,4% em 2014, totalizando 89,9 bilhões de dólares, a gerada por publicidade impressa somou 77 bilhões, uma queda de 5,2%. Os números referentes à circulação e publicidade digitais ainda consistem somente em uma pequena parcela do mercado de notícias, mas crescem a passo rápido, com aumentos de 45,3% 8,3%, respectivamente.

A ascensão da mídia digital pode ser notada quando comparados os números entre 2010 e 2014. No início da década, a arrecadação total gerada pela circulação digital de jornais era de US$ 165 milhões. Em 2012, o valor já ultrapassava um bilhão, alcançando aproximadamente US$ 2,5 bilhões em 2014.

Durante o mesmo período, 97 milhões de unidades de jornais impressos foram distribuídas a mais que em 2010. Desde então, a todo ano o número de unidades aumenta: a última atualização, apontada no relatório, indica que, em 2014, 686 milhões de jornais foram distribuídos, um aumento de 5,9%.

Apesar de totalizar em números positivos, alguns mercados veem a circulação de jornais impressos diminuir. É o caso da Europa, onde a queda foi de 4,5% em 2014, e da América do Norte, onde houve uma pequena diminuição de 1,3%. Entre os mercados que viram a circulação aumentar estão o asiático, com um grande aumento de quase 10%, o africano e o latino-americano, com respectivos crescimentos de 1,2% e 0,6%. A América Latina representa a única região onde houve aumento nos números da publicidade digital: esse mercado cresceu 27,7% em cinco anos.

O documento também mostra que o alcance do jornal impresso em 2014 foi de 2,7 bilhões de pessoas, o que representa 45% da população adulta mundial. A proporção é semelhante quando se trata da leitura de jornais em formato digital: 42% das pessoas que têm acesso à internet – 800 milhões delas – leem jornais on-line.

Realidade brasileira

A circulação dos cinco maiores jornais impressos brasileiros viu aumento no primeiro quadrimestre de 2015, de acordo com pesquisa do Instituto Verificador de Comunicação (IVC) publicada pela Meio&Mensagem.

A média de circulação da Folha de S. Paulo, jornal de maior circulação do país, foi de mais de 360 mil unidades, um aumento de 6,4% comparado ao mesmo período em 2014. O Globo, Super Notícia e Estadão tiveram aumento de 3,7%, 1,7% e 5,5%, respectivamente. O maior crescimento ficou por conta do gaúcho Zero Hora, com 13%.

Segundo o documento da WAN-IFRA, o relatório sobre notícias no meio digital publicado pelo Reuters Institute em 2014 indica o Brasil como um dos países onde há maior potencial para crescimento desse mercado, já apontando o país como aquele onde mais se paga pelo consumo de notícias on-line.

De acordo com a pesquisa do IVC, grande parcela da circulação dos jornais brasileiros é proveniente da difusão on-line. Na Folha de S. Paulo, 44,6% da circulação total do veículo correspondem à digital e, no Globo, a porcentagem que a representa é 37%.

Novos dados sobre dispositivos móveis

Além de apresentar dados sobre a circulação e publicidade de jornais impressos e digitais, a WAN-IFRA divulgou informações sobre mobilidade. Segundo o relatório, 79% de todas as pessoas que possuem smartphones checam seus aparelhos dentro de 15 minutos após acordarem.

O tempo gasto nesses dispositivos é menor somente que o referente à televisão. A média de tempo gasto utilizando tais aparelhos é de 97 minutos, enquanto, em frente ao televisor, gastam-se, geralmente, 125 minutos. O tempo gasto superaria o da televisão, entretanto, se somássemos a média de smartphones e tablets, totalizando 37% do tempo gasto em mídias. Em relação ao jornal impresso, o número é muito inferior: média de apenas 33 minutos.

Publicação do site da WAN-IFRA relata que, pela primeira vez, o número do público de computadores desktop está decaindo. Em 19 dos 25 maiores sites de jornais dos Estados Unidos, o acesso realizado por dispositivos móveis é pelo menos 10% superior que o de desktops.

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Jorge Salhani é estudante de Comunicação e Jornalismo na Universidade Estadual Paulista (UNESP)

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