Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1071
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CULTURA > Chargistas

A guerra virtual: fake news x memes, o humor contra o ódio, a vida contra a morte

Por Ricardo Kotscho em 14/01/2020 na edição 1070

(Foto: Flickr)

Publicado originalmente no site Balaio do Kotscho

O desenho é bem simples: mostra o prédio-sede do Ministério da Educação, em Brasília, com a fachada alterada para “Miniztério da Educassão”.

Precisa dizer mais? Quem assina é o chargista Zé Dassilva, que eu ainda não conhecia. Bombou em todos os grupos das redes.

Saem os comentaristas políticos e entram os humoristas, que estão tomando conta das redes sociais na guerra contra as fake news e do ódio desse governo de mentira.

A luta é desigual porque os novos chargistas e humoristas da internet são amadores e enfrentam uma milícia bem armada, movida por robôs e muito dinheiro, para propagar as fake news do capitão e inventar outras.

Com poucas palavras e muita criatividade, vejo com alegria o surgimento dessa nova geração que enfrenta com estilingue a tropa de choque do boçalnarismo em marcha.

Por uma feliz coincidência, estamos comemorando estes dias os cinquenta anos do Pasquim, o semanário humorístico que, mesmo sob censura, mais azucrinou os poderosos da época da ditadura militar.

Nenhum editorial ou colunista político tem a força dos traços de Aroeira e Miguel Paiva, dois remanescentes daquela época, que voltaram com a corda toda no Brasil 247, onde fazem parte do grupo Jornalistas pela Democracia, ao qual também pertenço.

Levo horas para escrever um texto que eles resumem num quadrinho para detonar os poderosos e ridículos neofascistas do atual governo.

A ofensiva contra o Porta dos Fundos mostra como os humoristas do traço ou do vídeo estão incomodando essa súcia de imbecis que agridem a democracia e o vernáculo.

O personagem da semana nos memes foi essa aberração chamada Abraham Weintraub, o “imprecionante” analfabeto funcional, sem caráter e sem noção, que está destruindo a educação brasileira.

Parafraseando Nelson Rodrigues, os cretinos fundamentalistas escolheram o grande Paulo Freire, um dos maiores educadores do século passado no mundo, como alvo principal, sem saber a importância da “Pedagogia do Oprimido” na formação de gerações de brasileiros.

Ou exatamente por isso ele foi preso e exilado pela ditadura de 1964, e continua sendo combatido mesmo depois de morto por esses completos idiotas que assumiram o poder pelo voto.

Piores que eles são os que votaram nessa canalha, porque vão continuar infernizando o país mesmo depois que Bolsonaro se for.

Não sei como ainda não bateram em Darcy Ribeiro, outro educador mundialmente admirado que foi cassado pelos militares e lutou contra eles até o último sopro de vida.

Vai ver que nem sabem de quem se trata, porque eles não têm o hábito da leitura e odeiam o conhecimento.

Os mais antigos já diziam que rir é o melhor remédio. Em seu site O Nocaute, o jornalista e escritor Fernando Morais, ex-secretário da Educação de São Paulo, também se deu conta disso e abre cada vez mais espaço para o humor.

Outro grande jornalista e escritor, Humberto Werneck, dono de uma imperdível coluna no Estadão, agora se comunica por memes fantásticos que recolhe nas redes sociais e escreve cada vez menos no nosso grupo da Academia Perdiziana de Litros (não confundir com Letras…), criada por iniciativa do professor Pasquale Cipro Neto e batizada por Frei Betto, com uma turma que vive das palavras escritas, tão vilipendiadas pelo capitão presidente.

Quando as palavras perdem a força e o sentido, desenhar pode ser uma saída para que eles nos entendam.

Enfim, não adianta chorar o leite derramado.

Fustigar o poder com humor ainda é a melhor forma de não enlouquecer de vez neste grande hospício em que o país foi transformado.

Viva o humor, viva os humoristas, abaixo a censura!

Vida a vida, abaixo a morte!

Vida que segue.

***

Ricardo Kotscho é jornalista.

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