Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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Brasil tem maior índice de desmatamento do planeta

Por Jorge Arbach em 19/10/2004 na edição 299

O livro dos recordes, Guinness Book, edição de 2005, será publicado em novembro com um dado nada digno de orgulho para o Brasil – o país apresenta o maior índice de desmatamento do planeta. Florestas que ocupavam uma área do tamanho do Estado de Sergipe desapareceram anualmente do território entre 1900 e 2000, segundo registra a publicação. A média anual de perda de florestas foi de 22.264 mil Km² no período.


Pesquisadores brasileiros confirmam a informação. A Amazônia perdeu 17% de cobertura florestal, principalmente nos últimos 50 anos. Juntos, os biomas Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado e a formação florestal Araucária perderam 3,6 milhões de km². O pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Carlos Nobre, admite que o Brasil tem a maior área desmatada em função do tamanho do país.


Nobre reconhece que os dados do Guinness não são dignos de comemoração, mas lembra que o desenvolvimento de países como os Estados Unidos e os países de toda a Europa se deu às custas da devastação ambiental de suas áreas. Os EUA têm muito pouco de sua cobertura vegetal original, muito desmatada no século 19, para dar lugar às plantações agrícolas e, mais tarde, para as indústrias. A Europa perdeu suas florestas desde a Idade Média, devido ao crescimento populacional.


O coordenador do Prodes (Programa Monitoramento do Desmatamento em Formações Florestais na Amazônia Legal) do Inpe, Dalton Valeriano, que acompanha o desmatamento na Amazônia, conta que o destino mais comum das terras desflorestadas na região amazônica é a pecuária. Em segundo lugar, vem a agricultura.


Nobre e Valeriano ressaltam que, apesar de os dados refletirem um ritmo preocupante no processo de desmatamento, o Brasil pode figurar em outra lista de recordes. É praticamente o único país que monitora áreas desmatadas anualmente por imagem de satélite. "O monitoramento começou a ser feito no Inpe em 1977, na escala de 1 para 500 mil. Em 88, ampliamos a escala para 1 para 250 mil", conta o coordenador.


O ritmo de desmatamento na Amazônia se acelerou em escala sempre crescente nos últimos cinco anos. As estatísticas são computadas de outubro a outubro, por isso, os dados se referem ao monitoramento de dois anos correntes. Em 2002/2003, por exemplo, a taxa de desflorestamento na região foi de 23.750 km². A avaliação de 77 a 88 não foi anual, daí o motivo de o Inpe apresentar o índice de desmatamento do conjunto dos 12 anos, que foi de 21.050 km². Ou seja, a pressão pelo uso da terra de uma forma não-florestal tem aumentado a cada ano, tanto que o patamar de desmatamento atual, por ano, é superior ao registrado em toda uma década.


Os dados do Prodes revelam que de 89 a 94 os índices se mantiveram numa média de 14.242 km². Curiosamente, a taxa de deflorestamento de 94/95 foi de 29.059 km². Como fruto de mera especulação, sem comprovação científica, o salto é tido por especialistas como reflexo do Plano Real, que capitalizou agropecuaristas e a sociedade como um todo. Os dois próximos registros (95/96 e 96/97) caem, respectivamente, para 18.161 km² e 13.227 km², para, nas seqüências, apenas subir até chegar ao índice de 23.750, registrado em 2002/2003.


A Amazônia Legal tem hoje 615 mil km² desmatados. Sua área original era de 4,9 milhões de km² e, agora, é de 4 milhões de km². A diferença entre o tamanho atual e o que foi desmatado é que a Amazônia Legal é também constituída de Cerrado e campos inundáveis, e refere-se ainda a espelhos d’água.

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