Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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DESENHOS FALADOS > DESEMPENHO ESCOLAR

O nome e o aprendizado

04/07/2005 na edição 336






Um estudo realizado pelo economista David Figlio,
da Universidade da Flórida, aponta que o desempenho de um estudante pode estar
ligado a seu nome de batismo, à medida em que seus professores percebem que ele
foi dado por uma família de baixo nível socioeconômico.


O estudo analisou mais de 50 mil casos de 1996 a
2001 em um distrito escolar da Flórida,e percebeu que os professores esperam
menos de alunos

com nomes que parecem ter sido dados por pais
de pouca instrução. Para o acadêmico, estas baixas perspectivas alimentam o
fraco desempenho do estudante.


Segundo Figlio, nomes ingleses comuns escritos de forma incomum, como
‘Jazzmyn’, em vez de ‘Jasmine’; nomes com apóstrofes ou hífens; e nomes com
consoantes pouco usadas na língua inglesa, como ‘q’, ‘x’ e ‘z’, são os mais
observados. Os professores, por exemplo, costumam esperar um desempenho maior de
‘Charles’ do que de ‘LeCharles’.


No estudo, Figlio mostra que um nome ‘branco’, como ‘Drew’, tem melhores
classificações em exames de leitura e matemática do que um nome ‘negro’, como
‘Dwayne’. Mas ‘Dwayne’ gera mais expectativas que ‘D´Wayne’ e outros nomes
‘negros’, como ‘Da´Quan’. A diferença é a apóstrofe, percebida como sinal de
pouca instrução e baixo nível socioeconômico.


‘Estas expectativas menores levam a um desempenho mais baixo do estudante’,
indica o pesquisador, acrescentando que nomes asiáticos costumam ser associados
a sucesso, e que há menos expectativas em torno de crianças asiáticas com nomes
ingleses.


Outros cientistas fizeram estudos semelhantes sobre nomes e seus atributos
étnicos e socioeconômicos. Um trabalho de pesquisadores da Universidade de
Chicago e do Instituto de Tecnologia de Massachussetts, afirma que pessoas com
nomes percebidos como ‘negros’ têm a metade das chances de conseguirem um
emprego do que pessoas com nomes ‘brancos’.


Um outro estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Chicago e do
Instituto Nacional de Pesquisas Econômicas, acompanhou pessoas nascidas nos anos
70 e seu desempenho socioeconômico, e constatou que um nome ‘negro’ não tem,
necessariamente, uma carga negativa.


Figlio sugere que os professores sejam treinados para não terem preconceitos
que possam afetar os estudantes. ‘O fator educacional é o maior setor da
economia americana. Se nos importamos com o crescimento nacional e o bem-estar
nacional, devemos nos preocupar com a educação’. (Da AFP)

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