Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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DILEMAS CONTEMPORâNEOS > Redes sociais

O jornalismo digital na era da desinformação

Por Wellington Johann em 11/09/2018 na edição 1004

O jornalismo online ou ciberjornalismo talvez seja a fonte de notícias mais consumida com a popularização da internet. O volume de informações disponibilizadas em portais, blogs e por formadores de opinião é quase incalculável. Por mais que a construção e a técnica jornalística utilizadas sejam diferentes do jornalismo tradicional impresso, o fim é o mesmo: informar.

A proposta de construção em blocos desenvolve no leitor a capacidade de construir a sua própria leitura da informação. Resultado do abandono da “tradicional” pirâmide invertida. Isso não significa que o jornalismo digital tenha como consequência a distorção da informação. O nome disso é fake news.

Interessante imaginar como uma fonte de conteúdo verdadeiro e de qualidade — que pode ser tão rica em informação com a combinação de texto, vídeo, infográfico, hiperlinks e tantas outras estratégias de fornecimento da informação — consiga ser confundida com conteúdo que se passasse por um senso crítico sincero jamais seria levado como verdade.

Em tempos de redes sociais que formam opiniões com o compartilhamento de notícias — verdadeiras ou falsas — o senso crítico do leitor ganha ainda mais importância para combater a desinformação. A desinformação pode ser resumida em uma palavra: confusão. Suprimir uma informação ou tentar minimizar o seu efeito é um conceito um tanto ultrapassado. Hoje, a melhor definição da desinformação, especialmente na política, é fazer que as pessoas acreditem em falsas informações ou esconder a verdade para uma mudança de opinião ou reforço de uma ideia.

Não à toa a imprensa mundial — na figura dos veículos com mais credibilidade — está combatendo ferozmente e em conjunto os estragos causados pelas fake news.

O historiador britânico e autor do livro “Séculos de Transformações”, Ian Mortimer, disse recentemente em entrevista para a BBC News Brasil. “O perigo de notícias falsas e mentiras é maior hoje do que era no passado. Acho que a verdade vai se tornar muito mais importante à medida que o século 21 avança.”

Já o pesquisador americano Jason Reifler, também em entrevista para a BBC News Brasil, comentou sobre o comportamento das pessoas ao se depararem com notícias falsas. “O que descobrimos é que, em uma pequena parcela da nossa amostra (de entrevistados), as pessoas que recebiam informações contraintuitivas das quais elas não gostavam acabavam apenas fortalecendo sua posição inicial. As novas informações somente as faziam refletir sobre argumentos favoráveis a sua própria convicção.”

Pensa que a questão é educacional e que por isso países de terceiro mundo como o Brasil estão ainda mais à mercê? Pois está enganado. Uma pesquisa da Universidade de Stanford apontou, em julho deste ano, que estudantes americanos tiveram problema para checar a credibilidade das informações divulgadas na internet. Dentre 7.804 alunos dos ensinos fundamental, médio e superior, 40% não conseguiram detectar fake news.

Por isso essa ofensiva contra fake news iniciada pelos mais tradicionais grupos de comunicação dependem da boa vontade, bom senso e capacidade crítica dos leitores. Construir um conteúdo didático, acompanhar cada nova desinformação que ganha força e desmentir ela com fatos, produzir notícias que tragam o leitor para a construção da sua própria leitura — característica principal do jornalismo digital — é apenas uma das etapas. A educação virtual começa por aí. Mas não acaba aqui.

Não há outro caminho para as pessoas que não contribuírem com esse combate. Desconfiar e checar é a melhor prática. O melhor é pesquisar no Google se aquela notícia está sendo comentada em veículos com credibilidade. Não? É bom ligar o alerta. Busque se informar com quem produz informação com credibilidade. O trabalho do jornalismo digital em parceria com a sociedade será de médio a longo prazo. Não há dois lados certos quando o assunto é fake news. Aqui o resultado final é objetivo: ou todos ganham ou todos perdem. Não há meio termo.

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Wellington Johann é especialista em estratégias de comunicação e marketing, jornalista especializado em marketing na internet pela Universidade de Aveiro, em Portugal.

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