Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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DILEMAS CONTEMPORâNEOS >

Pensar as Mídias Alternativas

Por Wilton Garcia em 17/07/2018 na edição 996

Este texto é parte da pesquisa:
“Imagem, cultura e diversidade: estudos contemporâneos” desenvolvida
no Mestrado em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba (Uniso)

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Hoje, a eficiência de uma informação na internet – entre fake news e pós-verdade – depende da verificação da produção de conteúdo. Do fato à notícia, surgem simulações, simulacros, tendências e ausência de imparcialidades de quem posta essa informação.

Então, como investigar as dinâmicas atuais da informação na internet? O objetivo é trazer à tona uma discussão sobre mídias alternativas, em razão das modificações provocadas por noções como: alteridade, diferença e diversidade.

Das alternativas

Alternar pede novo olhar, nova abordagem. Para subsistir as coisas no mundo, uma alteração da informação desarruma qualquer lógica ordinária, atordoa a convencionalidade da sociedade e solicita nova leitura.

Não seria adulterar um sistema, mas sim insubordinar, visto que um discurso alternativo traz estrategicamente outras características (Giannetti, 2016). Logo, a informação potencializa a mensagem – como impulso para projetar e/ou identificar o sujeito em sua subjetividade: o sentir.

O cotidiano, agora, eleva-se como informação, ao aproximar comunicação e cultura. E multiplica uma pluralidade de formatos no processo comunicacional, para que as pessoas possam se manifestar à vontade.

Tal dinâmica comunicacional articula diferentes posições críticas, reflexivas, políticas etc. Seria registrar uma informação de maneira mais coerente com as transversalidades entre o virtual, o real e o atual.

O discurso alternativo, aqui, oferece flexibilidade para proliferar ajustes necessários na informação. Qualquer tipo de desvio em um sistema hegemônico provoca “novos/outros” resultados, cujas alternativas podem surpreender a sociedade.

Das mídias

As mídias alternativas geram novos parâmetros e diretrizes na informação, na expectativa de atingir o interesse coletivo. Opostas às grandes mídias – ou seja, as mídias tradicionais do sistema hegemônico – as mídias alternativas evitam a manipulação capitalista por parte de governo ou empresa privada.

Portanto, as mídias alternativas não têm interesse comercial diretamente, nem visam o lucro como modelo de negócio, mas precisam de recursos para se desenvolver, por exemplo com o financiamento coletivo online (crowdfunding). Isso garante autonomia, emancipação e independência em suas ações criativas, permitindo experimentar uma dimensão mais concreta da sociedade, conforme necessidade.

As mídias alternativas representam a voz da margem que visam o empoderamento da população desfavorecida pelo capitalismo, ao tentar prever resoluções mais fluídas com a realidade popular, mais simples. Assim, seu escopo empenha-se nas artimanhas discursivas, capazes de promover possibilidades emergentes, as quais atendem melhor aos interesses da população. São modelos de informação contra hegemônica que entrecruzam a cultura massiva, a popular, bem como a cultura local e/ou a regional, entre outras (Downing, 2002).

Nesse conjunto, as variantes de mediação da informação fortalecem as mídias alternativas, dos movimentos sociais à cultura de periferia, como: grafite, hip-hop, TVs e rádios comunitárias, teatro de rua e popular etc. Ou ainda, as iniciativas hipermidiáticas da cultura digital (computadores, tablets, internet, redes sociais, telefone celular entre outros).

Do digital

Desse recorte do dia-a-dia, a novidade chega pela internet e se torna instigante com as alternativas que impactam as pessoas. Sobre as tecnologias emergentes como dinâmica das mídias alternativas, vale editar o olhar para experiências cotidianas, pois a sociedade contemporânea (Gumbrecht, 2015) recorre ao espaço virtual para consolidar o consumo (Canclini, 2016).

Ao (re)combinar a transmissão ágil de informação, a internet permite cada vez mais a distribuição de dados em uma esfera pública global. Isso destaca a agilidade na circulação da informação, a partir da interconexão (Garcia, 2005). Isto é, oferece a chance do sujeito comunicar-se com sua própria voz, de forma independente, como lugar de fala (Ribeiro, 2017).

No mercadológico-midiática, tais proposições contaminam-se das chamadas mídias alternativas para otimizar os deslocamentos pertinente à alteridade, ainda mais com a internet oferecendo produtos culturais globalizados. Logo, as mídias alternativas desdobram um universo de oportunidades atualmente para ampliar o debate a respeito da dignidade humana.

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Wilton Garcia é artista visual, doutor em Comunicação pela USP, pós-doutor em Multimeios pela Unicamp, professor da Fatec Itaquá/SP e do Mestrado em Comunicação e Cultura da Uniso. (88wgarcia@gmail.com)

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Referências

CANCLINI, N. G. O mundo inteiro como lugar estranho. São Paulo: Edusp, 2016.
DOWNING, J. D. H. Mídia radical. São Paulo: Senac, 2002.
GIANNETTI, E. Trópicos utópicos. São Paulo: Cia das Letras, 2016.
GARCIA, W. Corpo, mídia e representação: estudos contemporâneos. São Paulo: Thomson, 2005.
GUMBRECHT, H. U. Nosso amplo presente: o tempo e a cultura contemporânea. São Paulo: Unesp editora, 2015.
RIBEIRO, D. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento, 2017.

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