Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

DIRETóRIO ACADêMICO > MÍDIA & TECNOLOGIA

Uma sociedade em vias de midiatização

Por Rafael Francisco Hiller em 06/05/2014 na edição 797

É notório na contemporaneidade o surgimento de inúmeras necessidades fomentadas pelos ideais capitalistas. Tais necessidades surgem a partir do fenômeno da globalização que, como o seu amplo grau de desenvolvimento, fez com que houvesse uma vasta e profunda ascensão dos processos de maturação e convergência das tecnologias de informação e comunicação.

É neste contexto em que os chamados meios de comunicação tradicionais (denominados campo midiático), se redirecionaram no que tange à sua forma de atuação e passaram a se utilizar, de forma constante, dos dispositivos tecnológicos, especialmente os sistemas digitais, como a internet. No que concerne aos atores sociais individuais e coletivos (entendidos enquanto parte de um campo social não midiático), tornaram-se ativos também no uso das tecnologias midiáticas como dispositivos mediadores de suas práticas do dia-a-dia e das relações intrapessoais, as quais se encontram agora subsumidas à lógica midiática.

O contexto referido acima se caracteriza enquanto um novo cenário no que tange aos fenômenos sociais e tecnológicos. Este novo cenário desafia pesquisadores da área da comunicação que nutrem enquanto objetivo o entendimento das referidas mudanças. (O fenômeno em questão é denominado por pesquisadores da área como “processo de midiatização”.) Os efeitos deste processo são passíveis de verificação, pois são notórias as mudanças que estão ocorrendo de forma ascendente no âmago dos fenômenos sociais e tecnológicos.

“Sociedade midiatizada”

De modo a apresentar uma ideia sucinta para uma introdução, a “midiatização” pode ser entendida enquanto um processo em que as tecnologias midiáticas, técnicas, lógicas, estratégicas, de linguagem, operações sóciotécnicas e demais protocolos das mídias, até então exclusivos do campo das mídias, campo midiático ou campo dos media (RODRIGUES, 1997), tornam-se parte das lógicas de funcionamento da malha social. De outra forma, a “midiatização” pode ser entendida como inúmeros entrecruzamentos entre dispositivos técnicos midiáticos, campos e atores sociais, meios de comunicação social e sociedade.

É mister afirmar que a “midiatização” causa modificações na teia social contemporânea, bem como afeta a mesma de modo intensivo. Tais mudanças alteram drasticamente a malha social, gerando um quadro ímpar de heterogeneidades. Os pesquisadores referem-se a este tecido social peculiar o chamando-o de “sociedade midiatizada” Segundo Verón (2001) uma sociedade em vias de midiatização é aquela aonde as instituições, as práticas, dos conflitos, das culturas, começam a estruturar-se de forma direta com as mídias. A lógica e a cultura das mídias passam a reger esta grande orquestra, a vida em sociedade.

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Rafael Francisco Hiller é filósofo e mestrando em Ciências da Comunicação

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