Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

DIRETóRIO ACADêMICO > FORMAÇÃO PROFISSIONAL

O que redações querem que estudantes aprendam na faculdade de jornalismo

Por Margaret Looney em 01/07/2014 na edição 805
Reproduzido do IJnet, 19/6/2014

O jornalismo está mudando numa velocidade rápida e as universidades estão sofrendo para seguir o ritmo.

O sistema para atualização do conteúdo curricular muitas vezes é tão carregado de burocracia que até uma nova ferramenta de jornalismo ou habilidade chegar na sala de aula, a próxima novidade já é tendência no Twitter há meses.

Em um esforço para diminuir esse atraso, o Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês) está colocando professores de jornalismo de universidades com grandes populações de grupos minoritários de volta em redações para ajudá-los a construir suas habilidades de jornalismo digital. Trata-se do programa Back in the Newsroom (em tradução livre, De Volta na Redação).

Cinco educadores estão passando o verão em importantes veículos de comunicação digitais – Los Angeles Times, CNBC, USA TodayWall Street Journal e Washington Post – para aprender as últimas técnicas necessárias para seus alunos prosperarem depois da graduação.

Em preparação para os seus “estágios”, os professores conversaram com jornalistas profissionais, bem como recém-formados, para descobrir o que está faltando no ensino de jornalismo. Eles resumiram algumas áreas-chave que precisam de atenção na sala de aula:

>> Especialização

Como a definição de jornalismo se expande, é fácil pensar que você precisa ser especialista em foto, vídeo, texto, codificação e mais para ter sucesso. Programas universitários encorajam o aluno a aprender uma série de habilidades e ser o mais versátil possível. Mas isso pode deixar o recém-formado sem uma especialização comercializável.

Corrine Chin, formada pela Medill School of Journalism da Northwestern University, disse que persiste a pressão na escola de ter que saber como fazer tudo, fazendo com que muitos de seus colegas se graduem sem um foco claro.

“Eles sabiam o básico de como fazer tudo, mas não foram muito longe o suficiente em qualquer um desses meios para saber realmente o que queriam seguir”, disse ela. “Você tem que ser bom em escrever, codificação, vídeo, foto, mas ainda tem que ser um especialista em um desses, a fim de entrar no mercado para conseguir um emprego que você goste de fazer.”

Se você está se especializando por meio ou tópico, dominar um nicho pode ajudá-lo a se destacar.

“Ser este grande generalista não mais é tão eficaz”, disse Beryl Love, editor do USA Today. “De um ponto de vista de organização de jornalismo local, houve uma grande mudança no foco em questões que mais importam para essa comunidade e deixando outras fontes fornecer informações gerais. Então, um monte de gente que entra, especialmente vindos de faculdades de jornalismo, não têm uma área de especialização, e isso é o que muitas redações estão procurando agora.”

>> Storytelling

“Com tudo que é esperado aprender hoje em dia, eu não quero que eles se esqueçam de focar no núcleo do que é o jornalismo”, disse Tracy Boucher, diretora de desenvolvimento da notícia no Los Angeles Times. “Estou vendo que muitos desses estudantes que querem ser repórteres se esquecem de aprender a escrever, fazer uma reportagem básica e compreender a ética.”

Agora que narrativas de formato longo e cheias de multimídia são a norma, é vital colocar storytelling em primeiro lugar para tirar o máximo proveito do formato. “Isso requer uma abordagem de storyboards [roteiros desenhados] para transmitir a informação da melhor maneira possível”, disse Love, que não tem encontrado muitos novos contratados com essa habilidade. “A tecnologia saltou além de onde estamos como contadores de histórias.”

>> Não rejeite o mercado pequeno

Não use óculos cor-de-rosa para a graduação. Esteja preparado para subir todos os degraus para uma grande organização de notícias.

“[Os estudantes] entram e acham que vão se tornar uma estrela”, disse o bolsista do programa Jerry Bembry, professor assistente na Morgan State University. “Mas eles não sabem que têm que trabalhar em pequenos mercados [por alguns anos] para chegar a esse nível.”

Isso vem de uma falta de compreensão do que o tamanho do mercado significa, disse a bolsista B. Da’Vida Plummer, professora assistente na Hampton University. “Eles não entendem a plataforma nacional em comparação com uma estação local. Você tem que meio que quebrar [as expectativas]”.

Joshua Hatch, editor sênior da Chronicle of Higher Education e professor adjunto na American University, disse que trabalhar em um mercado menor primeiro não é “cair na realidade”. É realmente uma coisa melhor para você”, já que, como jornalista, você será capaz de fazer mais desde o início.

>> Faça um estágio ou crie algo próprio

A experiência prática é fundamental para arranjar um emprego em redações.

“É difícil botar o pé na porta e começar esse primeiro estágio”, disse Lisa Villalobos, produtora executiva da CNBC. “Eu não necessariamente julgo se alguém é um júnior entrando e não teve um estágio antes, mas quero ver que fizeram trabalho em outros lugares. Eu quero ver que realmente criaram algo por conta própria.”

“Não há nenhuma razão para que você só crie conteúdo como estagiário”, disse Hatch. “As ferramentas estão disponíveis” para criar conteúdo independentemente. Mesmo que seja um blog pessoal ou outro projeto, “ainda é prática, ainda está aprendendo, mostra uma paixão e um espírito empreendedor e pode ser a diferença entre conseguir alguma coisa ou não.”

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Margaret Looney, assistente editorial da IJNet, escreve sobre as últimas tendências de mídia, ferramentas de reportagem e recursos de jornalismo.

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