Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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DIRETóRIO ACADêMICO >

A média da mídia

Por Ricardo Faria em 23/06/2009 na edição 543

A exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão foi eliminada pelo Supremo Tribunal Federal. Resta saber quem irá comunicar os fatos à população.

Faz-me rir que serão o Estadão, a Folha de S.Paulo, o Globo, a Veja, a IstoÉ, a Jovem Pan, a CBN, outras rádios ou canais de televisão.

Nenhum deles noticiará sobre a mortífera qualidade ar que a população respira na capital paulista e nas cidades do interior, muito menos que a água que sai das torneiras contém produtos químicos, metais pesados, fármacos, hormônios sexuais e desregularizadores endócrinos. E a greve da USP?

As verbas da Petrobrás, da Sabesp, do governo Serra, do Kassab, do Lula e outros calam os jornalões, revistonas et caterva.

Rezas e roubos

Enormes espaços são vendidos aos ‘representantes divinos’ – basta ligar o rádio ou a TV, é um picareta atrás do outro, todos mentindo descaradamente, pedindo grana nos veículos oficiais, concessão pública.

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Safados ou incautos, comparecem às igrejas e de lá saem com uma cruz no pescoço, uma bíblia debaixo do braço, prontos para atrair novos otários. ‘Esse carro pertence ao Senhor’, ‘Deus é fiel’, ‘Sou de Jesus’ – as frases multiplicam-se. Quem da mídia vai dizer que Deus é que nem chifre, não existe, que é coisa que colocam na cabeça da gente?

Nas manhãs de domingo tem missa na TV Globo e na estatal TV Cultura. E não pára por aí a encenação católica. Crucifixos estão por toda parte: nos fóruns, nas câmaras, nas prefeituras, até no gabinete presidencial. Estado laico… Pára com isso!

O menino quer ser jogador de futebol, a menina modelo famoso, imaginam ganhar dinheiro fácil vendendo habilidades ou o próprio corpo, sugestionados pela mídia que transforma algodão em veludo. Mente, aliena e quando o cidadão acorda e verifica que não existe país e cidadania, se revolta. E não é para menos.

Em Heliópolis e outras favelas o canto é de revolta, de incentivo ao uso do tresoitão, com muita razão. O dinheiro do social escorre pelo ralo, amanhã será o sangue nas sarjetas. Se o time da mídia não sabe disso? Certamente que sim. Ainda assim, continuam recebendo as verbas oficiais para eleger e reeleger políticos reconhecidamente psicopatas.

Essa é a média da mídia, desacreditada e recheada de pilantras. Pior, disfarçados de jornalistas.

O palavrão fica por sua conta, leitor.

******

Jornalista, São José dos Campos, SP

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