Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

DIRETóRIO ACADêMICO > Telejornalismo

A produção de notícia: globalização, novos métodos, novos discursos

Por Tayson Ribeiro Teles em 11/09/2015 na edição 867

O presente trabalho tem o desiderato de analisar de forma profunda como se dá o processo de produção da notícia no telejornalismo hodierno, em que se vive sob constante globalização e uso de tecnologias facilitadoras dos procedimentos de apreensão e divulgação de informações. No que atine à metodologia de pesquisa, optou-se pela tipologia da fonte de pesquisa bibliográfica e pelo método indutivo. Basicamente, a discussão proposta é pertinente a saber quais os novos métodos e os novos discursos têm sido usados pelo telejornalismo do século 21, o qual acontece sob o plasma da globalização, das diásporas e dos hibridismos culturais. A conclusão a que se pode chegar é a de que atualmente a produção da notícia no telejornalismo já não é mais como antigamente, porquanto outras plataformas jornalísticas têm ganhado importância em um contexto mercadológico.

Esclarece Vianna (2003) que foi no início do século 19 que a maioria dos jornais do mundo passou a criar e adotar formatos e estilos parecidos em um movimento que obedecia a padrões. Segundo esta autora, naquela época é que surgiram os aperfeiçoamentos de procedimentos de captação, montagem e divulgação do material produzido pelos correspondentes mantidos em cidades da Europa e das Américas. Diz a autora que, a partir desta época, o engendro da notícia passou a possuir modelo universal, deixando de ser local e, portanto, feito de diferentes formas nas várias regiões do planeta.

Wada, Massuchin e Cervi (2010) afirmam que, na seara do processo de produção da notícia, é indubitável a ideia de que tudo o que é produzido por quem constrói a notícia gera impactos sobre os receptores desta. Para estes autores, a forma e o conteúdo das notícias geram influência, mais ou menos forte ou mais ou menos direta (vai depender da corrente que se segue), no público leitor.

Nesse rumo, dizem estes autores que, atualmente, vendo-se o processo cronológico de modificação e aperfeiçoamento do processo de produção da notícia, as teorias mais recentes têm ofertado menos importância aos produtores no que pertine aos efeitos que estes eliciam nos receptores das informações, ao contrário do período em que se fazia notícia sobre o modelo do ensaísmo prescritivo, no qual se entronava a noção de que as mensagens teriam efeito determinantemente dominante sobre os receptores.

A produção da notícia no decorrer das épocas

Travancas (2007) exala dizeres no sentido de que os meios de comunicação, os quais têm formas padronizadas e convencionais de produção da notícia, possuem critérios imanentes e próprios de noticiabilidade resultantes da grande evolução do jornalismo ao longo das épocas. Nesse foco, a partir destes critérios pré-definidos é que, para esta autora, os editores e jornalistas escolhem assuntos considerados possuidores de relevância para serem publicizados ao público leitor.

Curado (2002) fala que, nos tempos presentes – início do século 21 existe um esforço, por parte da mídia, para ajudar o público a interpretar com maior facilidade seus conteúdos. Porém, os resultados práticos de tal conduta não têm sido positivos. A autora diz isso, porquanto, segundo ela, várias são as pesquisas sobre temas públicos, que aparecem nos noticiários, que relevam elevada desinformação do povo a respeito de tais temas.

Gonçalves (2003) afirma que, atualmente, a produção de notícia caminha para a aceitação de maior participatividade do público-alvo da notícia pronta. Nesse viés, para o autor, é que se destaca o webjornalismo, explicado, pelo autor, como sendo o conjunto de publicações vinculadas na World Wide Web. Sendo que, enfatiza o autor ser o jornalismo de Web diferente do jornalismo online, porquanto aquele se dá em tempo real.

Nesse direcionamento afirma Gillmor (2005: 119) que:

“Tudo se resume a algo de muito simples: os leitores (ou telespectadores, ou ouvintes) sabem mais do que os profissionais da mídia. Uma verdade por definição: eles são muitos e nós (os jornalistas), na maioria das vezes, somos um só. Necessitamos de conhecer o que é óbvio e, no melhor sentido da palavra, valer-nos dos conhecimentos deles. Se não o fizermos […] poderão decidir eles mesmo irem para a cozinha.”

Nessa perspectiva, afirma Levine (2002) que, de um posto de vista da teoria política, o jornalismo atual e seu processo de produção da notícia, por meio de suas ideias e discussões públicas, existe como verdadeiro instrumento de produção e legitimação das decisões políticas.

Assim, fato é que, hodiernamente, “na nova era das comunicações digitais, com múltiplas direções, o público pode tornar-se parte integral do processo [de produção da notícia] – e começa a tornar-se evidente que tem de o ser (GILLMOR, 2005: 118)”.

O telejornalismo e os tempos atuais

Consoante Porcello (2009), o vocábulo televisão foi criado pelo francês Constantin Perskyi, em 25 de agosto de 1900, tendo sido “Televisão” o título da tese lida por este francês no Congresso Internacional de Eletricidade, em Paris. Tese esta que descrevia um equipamento feito com base em propriedades fotocondutoras do Silênio, o qual transmitia imagens mesmo à distância. Este termo – televisão tomou o lugar de anteriores, como: telefoto, radiovisão e teletroscópio.

Nesse sentido, cumpre ver-se o que dizia, ainda no século passado, Johnston (1946: 37):

“Segundo as estimativas mais otimistas, a televisão deve adquirir a maioridade dentro de um ou dois anos, mas os céticos afirmam que ela não sairá jamais deste círculo vicioso: só haverá investimentos quando houver mais parelhos e só haverá mais receptores quando houver mais investimentos em programação. A TV não tem utilidade prática durante o dia, pois as donas de casa raramente poderão sentar-se ao lado de um receptor para contemplar sua tela.”

No contexto das origens do telejornalismo no Brasil, dizem Rixa e Sacchi (2000) que, na pátria canária, a televisão ofertou ao regime militar primorosa ajuda. Bem como, para estes autores, quando do fim da ditadura que ocorreu no Brasil era possível constatar que a TV e o Rádio desempenharam papel relevantíssimo no movimento revolucionário de defesa da democracia.

Nesse rumo, mencionam Ramos e Biz (2007: 9) que:

“Os militares, com o golpe de 1964, conceberam a necessidade de um significante padronizante. A TV foi escolhida, mais especificamente, a Globo, que assumiu a orquestração cultural e ideológica, com uma missão de entregar e padronizar as pluralidades nos melhores tons dos interesses oficiais. A ditadura militar acabou, mas o conservadorismo da Globo parece ter se mantido intacto. Possui uma biografia, pautada pela defesa de teses e causas, com um pecado original. São, em regra gera, anti-populares. Significam um freio ao sentido pleno da autêntica democratização.”

Vianna (2003) consagra que o primeiro telejornal brasileiro nasceu na TV Tupi, em 1950, e era nominado de Imagens do Dia, de Assis Chateaubriand, o qual construiu o maior império de comunicação do Brasil ao criar o grupo de rádio, televisão e jornal impresso Diários Associados. Menciona a autora que o referido telejornal possuía um formato bem simples, porquanto era feito em algumas notas (imagens em filme) em formato preto e branco e ainda não emitia som. Bem como, o telejornal era marcado pelo improviso das programações e notícias e não possuía horário fixo para a exibição.

Rezende (2000) também narra o início do telejornalismo no Brasil, oportunidade em que diz ter o jornalismo desde a época de Chateaubriand até hoje em dia, início do século 21, evoluído em grande escala de crescimento tecnológico. Para este autor, com o chegar dos tempos da globalização, a televisão assume o poder da comunicação, não apenas primeira mídia de lazer e de diversão, mas, também, como a primeira mídia de informação, com a produção de jornais divulgados por esta mídia (telejornais).

Observa Piccinin (2008) que, atualmente, a TV é o centro das atenções, porquanto “está na sala e no lugar mais privilegiado da estante”. Diz a autora que o Brasil conta com 53 milhões de aparelhos de televisão, segundo dados de 1999, o que, segundo ela, representa uma média de um aparelho para cada grupo de três seres humanos brasileiros. Para a autora, o telejornal possui elevado e inefável poder de penetração e inefável referenciação para os seus usuários (telespectadores).

A autora afirma que o telejornal apresenta-se ao público como “porta voz dos acontecimentos do mundo e do Brasil”, bem como para ela este tem o objetivo precípuo de franquear a muitos brasileiros a possibilidade de tomar ciência dos principais fatos e notícias que se sucedem no dia a dia diretamente de suas casas.

Em impressões sobre o uso da TV como ferramenta para a divulgação de notícia (telejornalismo) atualmente, Moretzsohn (2007) afirma que hoje a linguagem predominante na mídia é a espetacularização. Por isso, para esta autora é necessário que o jornalista busque o equilíbrio entre o espetáculo – sem o qual não se tem a atenção do público, e a informação, sem a qual o jornalismo não tem razão de existir.

Assim, para esta autora, o jornalista teria, por conseguinte, a missão de preservar sua capacidade de oferecer resistência e oposição à voracidade e malvadeza da máquina midiática, na qual está incrustado como profissional de telejornalismo. Para isso, tenciona a autora que é imprescindível que os jornalistas enxerguem a redação de um jornal como sendo um campo de luta e de batalha.

Diz ainda esta autora, acerca do acontecer do telejornalismo nos tempos atuais, que:

“Obrigado a lidar com informação imediata, o jornalismo, frequentemente se limita a ela. Mas, é falso dizer que deixa de contextualizá-la, como quem focaliza a árvore e perde a dimensão da floresta: a contextualização está ali, alienada, reiterando o senso comum a partir das interpretações prontas. Pensar contra os fatos significa preservar a relação do jornalismo com o imediato, imprimindo-lhe o duplo movimento de abranger a floresta a partir das árvores para revelá-las em sua conexão singular com o universo a que elas pertencem. Noutras palavras, partir do fenômeno para conectá-lo ao processo” (MORETZSOHN, 2007: 288).

O discurso do jornalista do telejornalismo

Discorrendo também sobre o jornalismo televisionado dos tempos contemporâneos, diz Vizeu (2005) que todo olhar jornalístico no século 21 deve ser um olhar de 360 graus. Nesse passo, para este autor, o jornalista que mostra a notícia por meio da TV tem a obrigação de mostrar a notícia sobre seu melhor ângulo, sendo este ângulo próximo do conjunto das informações que ele reuniu e que mais o aproxime da realidade.

Porém, para o autor essa visão não é uma simples presunção do jornalista de como sejam (ou devam ser) as coisas (notícias). Segundo o autor, o jornalista dá a sua visão, o seu olhar do acontecimento, também baseado no seu conhecimento acumulado sobre o tema.

Prossegue o autor dizendo que:

“Os jornalistas constroem antecipadamente a audiência a partir da cultura profissional, da organização do trabalho, dos processos produtivos, dos códigos particulares (regras de redação), da língua e das regras dos campos das linguagens para, no trabalho da enunciação, produzirem discursos. E o trabalho que os profissionais do jornalismo realizam, ao operar sobre os vários discursos, resulta em construções que, no jargão jornalístico, podem ser chamadas de notícias” (VIZEU, 2005: 94).

Sobre a atual televisão brasileira, Lalo Leal (2007) diz que os diretores e apresentadores de televisão, comprometidos com o atual modelo capitalista descontrolado, chegam a considerar o meio jornalístico neutro. Para tais profissionais a TV seria somente um eletrodoméstico e seu papel dentro da cultura quase insignificante. Segundo tal autor, estes profissionais comparam a TV a uma janela e dizem que o problema não está na janela e sim na paisagem. Seria como se a TV escolhesse, cotidianamente, dentre milhares de paisagens, aquelas que mais dão audiência.

No que atine às concessões de TV, no Brasil, este autor propala que:

“Distribuídas ao sabor de interesses particulares, as concessões outorgadas pelo Estado em nome da sociedade tornaram-se fonte de poder econômico, político e, mais tarde, religioso, numa vertente que funde negócios, política e fé. Ao completar 50 anos no Brasil, a TV alcançou níveis de descompromisso com a qualidade da programação jamais vistos. Afrontou a Constituição, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Código de Defesa do Consumidor, além de ferir compromissos em defesa dos direitos humanos assumidos pelo Brasil com outras nações” (LALO LEAL, 2007: 10).

Nesse caminhar, erigindo comparação entre o peso da notícia impressa e a notícia veiculada via telejornal atualmente, é relevante saber que “o jornal impresso em papel nasce e morre todos os dias. E nasce e morre várias vezes ao dia. Todo dia é um novo jornal, e tudo, cedo ou tarde, é esquecido” (CARIELLO, 2004: 22).

A esse pensamento cumpre colacionar a ideia de que:

“O jornalismo é uma profissão muito bela: pegar o fio do tempo dia após dia, distinguir o importante do secundário, tentar explicá-lo a públicos invisíveis. Mas, é uma profissão mais difícil de se praticar hoje do que ontem em virtude da onipresença da informação. Quanto mais fácil tecnicamente fazer a informação, mais seu conteúdo traz dificuldades. O que se ganha em facilidades técnicas se perde em significação” (WOLTON, 2004: 301).

Dessa forma, como observam Felippi, Piccinin e Soster (2007), embora os critérios para a organização do telejornalismo nos tempos atuais possam aparentar ser abstratos e abertos, durante a rotina diária – os jornalistas automatizam suas atividades e decisões, criando uma ideia de obviedade e evidência do processo de produção telejornalística.

Nessa direção, para estes autores é importantíssimo compreender que, atualmente, os telejornais têm tido grande relevância na alimentação e retroalimentação contínua da notícia, pautando o debate público a ponto de intervir, às vezes, nos destinos do país.

O processo de produção da notícia

Bonásio (2002) afirma que escrever (produzir notícia) para a televisão, atualmente, congloba contar uma história de forma híbrida, aglutinando som e imagem. Diz o autor que um telejornal deve terminar com um senso (ideia) de coisa acabada, bem como uma ideia, mesmo que muito boa, sozinha não traz em si mesma a garantia de uma comunicação de massa efetiva.

Assevera, ainda, este autor que é necessário saber como moldar uma ideia para incidi-la em requerimentos e requisitos técnicos presentes na mídia televisiva. Sendo que este processo de moldagem, conhecido por codificação, pressupões um conhecimento de profundeza sobre as ferramentas de produção, como: câmeras, lentes, iluminação, áudio, cenografia etc.

Lima (2002) diz que a produção de um telejornal e suas notícias começa no dia anterior à exibição deste, com a reunião de pauta, a qual é aberta para a participação de todos da redação.

Todos podem (ou pelo menos deviam poder) dar sugestões sobre temas e formas dos assuntos que vão ser mostrados no sia seguinte. Isso, para este autor, é o que garante um trabalho realizado em equipe e com factibilidade de obter bons rendimentos de audiência.

Castells (2004) tem a concepção de que, atualmente, neste mundo da TV e da virtualização, o processo de produção da notícia é caracterizado pela sociedade da Era da Internet, na qual a relação dos indivíduos com a própria sociedade aparece sob novas formas de sociabilidade.

Afirma o autor que os destinatários da informação têm se apoderado de maior espaço na produção da notícia, oportunidade em que atuam até na escolha do que será publicado.

Nesse tonário, para Porcello (2007: 66):

“A escolha do que é, ou não é, fato jornalístico já pressupõe uma escolha. A neutralidade é falsa. A meta para exercer o bom jornalismo é ter isenção, pois o jornalista é subjetivo até o momento em que escolhe as palavras que irão compor o seu texto. Do jornalista devemos exigir honestidade. O papel social do jornalismo é exercer o espírito crítico e continuamente fiscalizar o poder.”

Desse modo, como assevera Rezende (2000), no processo de produção da notícia, a TV (o telejornalismo) vem se impondo, não somente porque ela apresenta um espetáculo, mas, também porque ela se tornou um meio de informação mais rápido que os outros, visto que, desde o final da década de 80, faz uso de satélites e transmite imagens instantaneamente, à velocidade da luz.

Nesse rumo, para este autor, a TV impõe as outras mídias suas próprias especificidades, como exemplo: o fascínio pela imagem; o que não é visível e não tem imagem não é televisável e, portanto, não é notícia. Talvez seja por isso que, para este autor, até o Webjornalismo e o Jornalismo online fazem uso de imagem. Esta gera ao leitor confiança e credibilidade na notícia quanto a sua veracidade.

Metodologia

No que se refere às fontes de pesquisa, o presente estudo foi desenvolvido preconizando-se a tipologia da fonte bibliográfica, tendo se efetuado cotejo e cruzamento entre pensamentos de vários autores especialistas na área. Optou-se por este método de estudo, pois, como primam Bastos e Keller (1997), neste tipo de pesquisa exploratória, baseada na leitura dados secundários de livros ou outros tipos de documentação escrita (artigos, periódicos, dissertações, teses etc.), é factível obter-se subsídios para a interpretação e compreensão de um fenômeno ou responder a perguntas de pesquisa.

Método

Quanto ao procedimento de pesquisa, basicamente o método utilizado foi o indutivo. Escolheu-se agir assim, porquanto, como dizem Lakatos e Marconi (2011), a indução é um processo intelectivo em que, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universalizável, não integrante dos fragmentos analisados.

Os novos paradigmas de produção da notícia

Rezende (2000) exara que, para o telejornalismo brasileiro, a presença de jornalistas no comando dos programas foi determinante para impor um novo estilo de mostrar as notícias para o público. Diz o autor que os locutores têm perdido força profissional, porquanto o jornal televisionado exige mais que vozes bonitas e fortes. Para o autor, na caminhada (e concorrência) rumo à qualidade, as emissoras investiram (a têm investido cada vez mais) em equipamentos profissionais, criando telejornais e programas jornalísticos que se comparam a “revistas eletrônicas”.

Campos (2005) entrona que, neste início de século, os conteúdos dos telejornais não estão apenas nas telas dos televisores, mas, também, nas páginas da Internet. Diz, ainda, o autor que tal mídia (a Internet) é outra ferramenta de aproximação entre o público e a notícia. Narra o autor que, na trajetória do telejornalismo brasileiro, a estratégia de se colocar o Jornal NacionalJN, entre duas telenovelas do horário nobre da televisão brasileira ofertou à Rede Globo a segurança de um público fiel ao referido jornal.

Marques (2013), erigindo análise da mudança de paradigma na produção da notícia que está em curso atualmente, assevera que o mundo está tendendo a permitir a distribuição da notícia por meio de múltiplas plataformas. Nesse rumo, para a autora, essa mudança que traz novos padrões de transmissão pode mudar também a forma como o telespectador consome o conteúdo.

Aduz a autora que a mídia digital vai mudar tudo, preconizadamente os fluxos de laboro jornalístico. Isto é, todo o procedimento de produzir a notícia, desde a criação até a distribuição.

Preleciona esta autora, ainda, que a grande tendência é que o custo de armazenamento digital se torne zero. Fato que, para ela, fará com que o conteúdo jornalístico dê um salto, porquanto o armazenamento em nuvem vai revolucionar a comunicação. Nesse meandro, tenciona a autora que o maior desafio dos jornalistas hoje é criar um modelo de produção criativa que sintonize as plataformas existentes com o público, que é leitor, espectador, ouvinte e internauta ao mesmo tempo.

Conclusão

Por fim, Silva Jr. (2006), analisando os novos modelos de produção da notícia, diz que, atualmente, o webjornalismo, o jornalismo online, o jornalismo por blogs e tantas outras plataformas jornalísticas têm ganho importância, pois os interesses mercadológicos aparecem como principais motivadores para as empresas de mídias explorarem tais interfaces. Para o autor, este comportamento revela-se uma postura estratégica pela busca da ampliação do público consumidor da informação.

Além do que Recuero (2011) afirma que, nos tempos atuais, a informação, por circular por vários meios e plataformas, espalha-se pode meio de laços mais fracos. Isto é, a informação passa entre vários nós espalhados entre os vários grupos de mídias existentes na rede mundial de computadores e, principalmente, nas redes sociais.

Para esta autora, na internet e nas redes sociais as informações caminham de forma mais marginal, um fato positivo, porquanto a distribuição é maior, mas, por ser genérica, a informação é quase desprovida de laços fortes de pertencimento e identidade. Nessa perspectiva, fica o convite para pensarmos quais devem ser os novos métodos e novos discursos do telejornalismo do século 21?

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Tayson Ribeiro Teles tem mestrado em Letras

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