Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
Menu

DIRETóRIO ACADêMICO >

A quem cabe o desafio?

Por Lisa Elkaim em 11/08/2009 na edição 550

A crise econômica mundial que afeta o mundo desde setembro de 2008 é entendida por Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel da Economia em 2001, como conseqüência de anos de políticas econômicas equivocadas. A revista Época também tratou do tema no mês de abril, afirmando que houve uso indevido de recursos finitos – o dinheiro.

Por outro lado, a questão da sustentabilidade também tem sido assunto recorrente nas discussões internacionais, na mídia e, por que não, na economia.

O século 21 parece viver grandes dilemas e incertezas. No entanto, qual seria o paralelo entre as questões do meio ambiente e da economia?

Para a crise financeira global, a economia propõe algumas soluções: reformar o sistema econômico, reestruturar a ordem mundial e dar novo papel aos países emergentes, reformar instituições e criar um tipo de organização financeira supranacional. O meio ambiente também propõe suas alternativas, como o uso de energias limpas e renováveis, redução de gases poluentes, tratamento do lixo e da água, preservação dos ecossistemas etc.

Cada um estabeleceu suas prerrogativas e o mundo parece não saber responder a quem cabe o desafio. Antes de responder a esta pergunta, porém, pensemos qual é o ponto em comum para resolver as duas situações de crise.

Uma equação simples

Para a professora Joelma Cavalcante de Souza, de Políticas de Meio Ambiente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as duas crises se deram por um fator em comum: o uso desenfreado de recursos finitos. ‘Para o caso da crise financeira, falamos em dinheiro; e no caso do meio ambiente, em recursos naturais. Em ambos os casos, o problema remete, portanto, ao consumo’, diz.

Sob o ponto de vista ambiental, a crise econômica teve efeitos positivos sobre o meio ambiente na medida em que a população demandou menos energia. Fábricas cuja energia estava baseada no carvão (um dos maiores poluentes do planeta) fecharam suas portas na China; e nos Estados Unidos, a população desempregada gastou menos combustível (símbolo da economia suja). Isso representou simultaneamente algum alívio para o planeta e uma redução na atividade econômica.

Isso não significa, no entanto, que as políticas climáticas defendem a pobreza. A idéia é que as questões globais devem ser pensadas em conjunto. Cometemos um erro ao considerar que a economia e o meio ambiente têm interesses opostos. E isso tem sido levado cada vez mais em conta nos debates e acordos internacionais. O mundo parece estar aderindo à idéia de que há uma relação direta entre economia, alternativas de crescimento e o meio ambiente. E a equação é simples: quanto mais tecnologias o homem desenvolve, mais recursos naturais (sujos e baratos) precisa consumir.

Além da conscientização

A discussão acerca do uso de energias renováveis, lançada por ambientalistas e retomada por economistas, parece ser uma boa saída. Estes recursos, no entanto, representam uma alternativa de alto custo. É preciso criar formas de crescer e aumentar as riquezas sem agredir o planeta. Para tal, o uso desses recursos precisa ser pensado de forma ampla, e não apenas do ponto de vista econômico. Assim, o colapso financeiro poderia revelar uma oportunidade de crescimento econômico movido a energia limpa.

Outro exemplo de como a economia e o meio ambiente podem trabalhar juntos é o planejamento de uma economia verde, através do recálculo do Produto Interno Bruto (PIB), levando-se em conta fatores como a qualidade de vida, a saúde, os serviços ambientais e a degradação do meio ambiente (diminuição de recursos naturais). Para Joelma Cavalcante de Souza, se estes fatores ‘verdes’ forem contabilizados no novo cálculo, grande parte dos desacordos entre economia e meio ambiente se minimizam. ‘Sobre a questão das emissões, se incitarmos sua diminuição, o ar seria de melhor qualidade e a esperança de vida poderia aumentar, bem como a qualidade de vida da população do planeta. Tudo isso deveria fazer parte das preocupações, bem como dos novos índices econômicos’, afirma a professora da FGV.

O desafio de hoje é ter medidas melhores que atraiam nossa atenção para o que é importante – o bem-estar comum. Isso é o desenvolvimento sustentável, uma resposta que vai além da conscientização.

Não deixar o debate morrer

Neste contexto, o comunicador exerce um papel fundamental, pois não se limita a transmitir informações. Ele deve discuti-las, problematizá-las e, eventualmente, colocar-se na função de denunciador. O gerente de projetos sociais da rede Globo diz que a emissora já cumpre essa tarefa através de programas e reportagens especiais que visam a dar a devida importância ao tema, informar e denunciar práticas criminosas contra o meio ambiente.

Já para o jornalista ambiental André Trigueiro, o esforço a se fazer vai muito além. ‘É preciso educar a população para que ela possa entender de fato a relevância em se discutir o tema. Do contrário, não será possível atingir uma mudança de hábitos (domésticos) satisfatória.’

Assim, chegamos à primeira pergunta levantada: a quem cabe a responsabilidade, o desafio? Ora, aos líderes mundiais, à própria sociedade, às empresas, às escolas… E o dever de nunca deixar morrer o debate, ao comunicador, livre de quaisquer interesses econômicos ou políticos.

******

Estudante de Jornalismo e redatora de LePetitJournal.com (edição de São Paulo), um jornal online dirigido ao público francófono, São Paulo, SP

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem