Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

DIRETóRIO ACADêMICO > INFORMAÇÃO & FORMAÇÃO

A realidade do jornalismo contemporâneo

Por Daniel Ferreira em 08/12/2009 na edição 567

A profissão de jornalista é muito importante para nossa sociedade, sobretudo para sua formação, pois formamos opinião. O jornalismo, mesmo sem querer, acaba cumprindo um papel que caberia à escola, e não a ele. A nossa responsabilidade, portanto, é muito grande, e por isso muito valiosa. Infelizmente, nem todos têm esta compreensão. E hoje, num contexto adverso, assistimos à espetacularização da notícia. Isto é, em muitos casos não há respeito à informação e ao cidadão.

Não podemos fugir a uma realidade factual; o capitalismo está no DNA do jornalismo. Informação é poder, logo um produto à venda. Então, o jornalista tem que ter equilíbrio, mas, sobretudo, compromisso com a informação, o cidadão e a verdade dos fatos, sempre escutando duas, se possível três, quatro, cinco versões do fato. Contextualizando o fato, aprofundando, investigando e narrando para a audiência. É possível dar a informação, atender ao interesse público e garantir a audiência sem fazer da notícia um espetáculo. Este é o grande dilema do jornalismo contemporâneo, no qual os jornalistas estão inseridos. É preciso compromisso com os fatos, com a informação, a investigação e o cidadão.

E, a bem da verdade, infelizmente nem sempre vemos isso no jornalismo tupiniquim. Há, muitas vezes, desencontro de informações, os dados não batem, narrações superficiais, textos mal escritos, inverdades tratadas como pura verdade factual. Isso não é bom para a credibilidade e própria existência dos veículos de imprensa, sobretudo no mundo contemporâneo.

Paciência, equilíbrio e persistência

O professor Sergio Mattos costumava dizer, na Unibahia, que a qualidade da televisão brasileira estava acima dos programas oferecidos na mídia eletrônica (TV) do chamado primeiro mundo. Talvez até esteja, a depender do ponto de vista e da circunstância. Particularmente, acho a televisão baiana muito pobre em termos de conteúdo. Em sua maioria, os programas são sensacionalistas, não têm compromisso com o cidadão, com a verdade, mas sim, com a espetacularização da notícia. Portanto, ao ter em vista a audiência enquanto retorno financeiro imediato, não estão cumprindo seu papel social, que é informar e formar cidadãos. São de muita má qualidade. A televisão baiana é promíscua e, em alguns casos, desrespeitosa com a família baiana. Não retrata a realidade com a dignidade, a seriedade e o diagnóstico que ela merece. Para alguns especialistas, isto é característico do veículo. Para mim, uma pena.

Os futuros jornalistas – me refiro aos colegas de formação – precisam ter muita paciência, equilíbrio, sabedoria e persistência para encarar a profissão no chamado mercado. Nele, há muitas adversidades a serem enfrentadas. Além disso, é necessário flexibilidade. O profissional deste novo século precisa ser flexível, conhecer as novas mídias e a elas estar aberto. Ter compromisso com a verdade, com a informação e o cidadão. E, claro, se manter, sempre, informado e bem formado.

Originalmente, a entrevista foi concedida para um blog administrado, a partir da faculdade, por estudantes de Comunicação e Jornalismo – Link para o Blog Sinco Pautas.

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Jornalista, especialista em Gestão da Informação pela Universidade Salvador, Lauro de Freitas, BA

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