Sábado, 25 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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DIRETóRIO ACADêMICO >

A vida viceja entre barracos e vielas enlameadas

Por Eden Nilo em 14/04/2009 na edição 533

Vida longa aos jornalistas que amam ou estão magoados com a profissão. Desejo a todos que se dedicam para levar ao público, da melhor forma possível, o bem precioso da informação: longevidade e persistência sempre. Jornalismo, como assinalou Cláudio Abramo, falecido em 1987, não é profissão, é carreira, e exige doses generosas de ceticismo e paixão. É atuar num papel social de indiscutível relevância para garantia do direito à liberdade de expressão de cada segmento da sociedade, função indispensável à prevenção do abuso de poder e imprescindível à manutenção da democracia. O verdadeiro jornalista funciona como sistema nervoso periférico do ser coletivo: conduzindo e reconduzindo impulsos entre cada célula que compõe esse organismo social, defendendo os tecidos sociais contra o câncer do totalitarismo.

No Dia do Jornalista (7/4), pedi a Deus que as mentes lúcidas deste nosso país despertassem para a importância do aprimoramento, fortalecimento e valorização do profissional de jornalismo, defendendo a regulamentação da profissão e a manutenção da obrigatoriedade da formação de nível superior para exercício da função. Por entender que o exercício do jornalismo, por excelência, prescinde de uma boa formação teórica, técnica, sólida o suficiente para surtir resultados inclusivos, acessíveis, edificantes, justos, éticos e respeitosos.

Da experiência acadêmica com professores, mestres e doutores, o profissional não só aprende técnicas específicas do ofício, mas, acima de tudo, a oportunidade de ampliar horizontes de possibilidades e conhecimento. A amplitude de visão é fundamental para a disseminação da informação precisa, isenta e capaz de contribuir para a formação do pensamento mais crítico, acrescentando ao público novos valores, revisando conceitos.

A contramão da história

Através do ensino superior, da pesquisa, do ensino e das atividades de extensão, o profissional adquire ferramentas sem as quais o jornalista não terá como defender os interesses coletivos contra as vontades individuais.

Foi na Facom – faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia – e pelas redações por onde passei que aprendi que a vida, assim como a notícia, viceja entre barracos e vielas enlameadas, muito mais do que nos gabinetes oficiais ou em vernissage de lançamentos de medalhões, por exemplo. E mantenho tal consciência em grande parte porque tive a oportunidade de estudar numa excelente unidade de ensino superior, a UFBA.

Defender a regulamentação desta profissão é estar, por fim, a defender a própria humanidade. Com o bom exercício do jornalismo, fruto de uma formação consistente, o conhecimento dissemina, flui, multiplica, e toda a sociedade cresce. Para tanto, a profissão do jornalista deve ser valorizada e respeitada, munida de oportunidade de educação continuada e de vacinas para garantir ao cidadão a informação correta, tratada como bem social, e não como mercadoria ou moeda de barganha a serviço de interesses privados e até adverso aos interesses coletivos.

O fim da exigência do diploma é a contramão dessa história.

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Jornalista, Salvador, BA

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