Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

DIRETóRIO ACADêMICO > QUINTA-FEIRA, 14/2

Acaba greve dos roteiristas nos EUA

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 14/02/2008 na edição 472

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


************


Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008


HOLLYWOOD
Folha de S. Paulo


Roteiristas votam pelo fim da greve e voltam a trabalhar hoje


‘A greve dos roteiristas de cinema e TV dos EUA terminou formalmente na noite de anteontem, quando o sindicato da categoria anunciou que 93% de seus filiados votaram pelo fim da paralisação e a favor da proposta negociada com a associação dos estúdios de Hollywood. Iniciada em 5 de novembro, com duração de 14 semanas, esta foi a maior greve da categoria em 20 anos -mais de 10 mil profissionais cruzaram os braços. A volta ao trabalho deve ocorrer hoje.


O acordo que levou ao fim da greve prevê um contrato de três anos, que garante pagamento aos roteiristas por trabalhos transmitidos pela internet e dobra seus ganhos por filmes e programas televisivos revendidos por meio de ‘download’ na rede.


‘Esses termos nos colocam agora com um pé na era digital’, disse Patrick Verrone, presidente do sindicato para a Costa Oeste dos EUA.


Na TV, um dos primeiros programas previstos para voltar ao ar é o ‘Saturday Night Live’ (já no dia 23). Novos episódios de ‘Two and a Half Men’ devem ser exibidos em março. A maioria dos seriados prevê retorno para meados de abril.


Estima-se que a greve tenha causado perda de mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 3,5 bilhões) somente na área da Los Angeles. O movimento parou séries televisivas, atrasou filmes e inviabilizou a festa do Globo de Ouro.


Sid Ganis, presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que promove a cerimônia do Oscar, expressou alívio pelo fim da greve. ‘Estou empolgado que a apresentação do 80º Oscar agora poderá acontecer sem hesitação ou desconforto para os indicados’, disse Ganis.


A última greve da classe ocorreu em 1988 e durou 153 dias, com perdas estimadas em US$ 500 milhões (cerca de R$ 874 milhões).


Com agências internacionais’


 


CARTÕES CORPORATIVOS
Carlos Heitor Cony


Panfleto a favor


‘RIO DE JANEIRO – Durante os dois governos de FHC, surgiram uns espécimes estranhos, sobretudo na mídia, que se transformaram em panfletários a favor de tudo o que acontecia naqueles tempos não muito diferentes dos atuais. A diferença é simples: eram escondidos -ou blindados, como hoje se diz.


Uma CPI de iniciativa do governo, como a que se pretende instalar para apurar o escândalo dos cartões corporativos, será um órgão natimorto, além de inútil em termos de moralidade pública. Um panfleto a favor do governo, que teria recursos legais para apurar e para punir os culpados.


Foi brilhante -mas cínica- a decisão da base governista no Congresso de melar a CPI que a oposição tardou em propor. Afinal, em que consiste uma apuração em nível de CPI? Ela pedirá informações, ouvirá depoimentos, levantará um painel de irregularidades cometidas por quem? Pelo próprio governo, que tem todos os elementos funcionais e legais para saber o que se passa nas entranhas da administração pública.


O próprio governo será o informante principal, na verdade, o único, que tentará esclarecer os abusos dos cartões corporativos. Entregará à sanha de seus adversários aqueles que, por um motivo ou por outro, não mais merecem ser defendidos. Mas o núcleo do escândalo permanecerá inatingível. Não estou me referindo à pessoa do presidente da República, que, mais uma vez, fará a declaração de que não sabia de nada. E, neste caso, talvez esteja dizendo a verdade.


O erro, ou melhor, o crime, é fruto de uma mentalidade perversa que faz dos detentores eventuais do poder uma classe à qual nada poderá ser negado. Todo o escândalo dos cartões pode ser revelado e castigado pelos próprios órgãos do Executivo, que dispõem de todos os elementos para isso.’


 


RESPOSTA
Daniela Pinheiro


José Dirceu


‘No texto ‘Os sonhos estão mais vivos do que nunca’ (‘Tendências/ Debates’, 13/2), José Dirceu afirma que cometi um erro numa reportagem publicada na revista ‘Piauí’.


No artigo, Dirceu sustenta que, quando falou de ‘Lulinha’, ele se referiu a um jornalista, e não ao empresário Fábio Luiz da Silva, filho do presidente da República. Pelo contexto em que foram feitas, porém, as declarações do ex-ministro não davam margem a ambigüidades. Cheguei a lhe perguntar: ‘O senhor está falando do Lulinha da Gamecorp?’. E José Dirceu respondeu: ‘É’. Ele se referiu mesmo ao filho do presidente, e não ao jornalista Luís Costa Pinto, que, aliás, nunca foi conhecido pelo apelido de ‘Lulinha’ por seus colegas e fontes do mundo político.


O próprio Costa Pinto, numa entrevista à Folha (5/1/2008), disse que já não trabalhava na imprensa antes mesmo de o presidente Lula iniciar o seu primeiro mandato. Logo, era impossível que José Dirceu se referisse a ele, ou a uma reportagem de sua autoria, quando falou de ‘Lulinha’.’


DANIELA PINHEIRO, repórter da revista ‘Piauí’ (Rio de Janeiro, RJ)’


 



TV PÚBLICA
Jorge da Cunha Lima


TV pública: os méritos de uma MP


‘O JURISTA Fernando Fortes, no ultimo encontro da Abepec (Associação Brasileira de Emissoras Públicas e Educativas), realizado em Sergipe, teceu considerações oportunas sobre a medida provisória 398, de 10 de outubro de 2007.


Diz o professor de direito constitucional da PUC que, se aprovada, a medida provisória se transformará na primeira lei a estabelecer os princípios da TV pública educativa no Brasil. Até hoje, só uma lei trata diretamente do assunto, o decreto-lei 236 de 1967, baixado pelo regime militar para complementar e modificar o Código Brasileiro de Televisão, de 1962. Esse vazio legislativo, visto que a lei de 67 caducou com o advento da Constituição, dificulta a consolidação da TV pública no Brasil.


A MP funcionará como uma regulamentação da própria Constituição, e a ela submeterá toda a criação de TVs públicas pelo Estado. Dessas normas nenhuma delas poderá se afastar. Incumbirá à sociedade fiscalizar o seu cumprimento, independentemente de o instrumento, MP, ter sido o mais adequado ou não.


Essas virtudes não decorreram do acaso, nem da pressa do Executivo em criar uma nova televisão. Decorreram de muitos fatores: o aperfeiçoamento ético e profissional ocorrido na Radiobrás na gestão de Eugenio Bucci; as melhorias na administração e nas instalações da TVE durante o mandato de Beth Carmona; a luta da TV Cultura de São Paulo para manter uma programação de alto nível e sua independência política e intelectual em quase todas as administrações. E mais, o esforço de 21 emissoras estaduais em superar suas precárias condições técnicas e financeiras, associado à ação da Abepec. E, além disso, o trabalho conjunto realizado pelas associações representativas do campo público da televisão.


Se essa é a gênese da MP, o DNA foi fixado no Fórum Nacional das Televisões Públicas. Por nove meses, essas associações, em conjunto com intelectuais e técnicos convidados, reuniram-se em grupos de trabalho com representantes de quatro importantes ministérios, Cultura, Comunicação, Secom e Casa Civil, produzindo o ‘Manifesto pela TV Pública Independente e Democrática’.


Esse manifesto foi lido pelo presidente da Abepec e entregue pessoalmente ao presidente Lula, em cerimônia pública na qual o presidente falou da magnitude do seu conteúdo e no compromisso de fazer uma TV Brasil fiel aos seus preceitos.


Mais importante do que avaliações políticas sobre as intenções do governo ao criar uma TV pública é fazer uma avaliação sem qualquer pré-julgamento dos efeitos positivos da MP. Além de obrigar o governo a criar televisões dentro de uma regra democrática, proposta pela sociedade, a lei constrangerá os Estados a fazerem o mesmo. São Paulo já tem uma lei adequada, que comemora 40 anos, inspirando as outras TVs, mas trata-se de uma lei estadual sem alcance federal.


Nos outros Estados, fora o Rio Grande do Sul, as televisões públicas educativas são em verdade estatais.


A recente crise com a emissora estatal do Paraná estaria resolvida se aquela televisão observasse os preceitos da MP, que em síntese são os seguintes: ‘Complementaridade entre os sistemas privado, público e estatal; promoção do acesso à informação por meio da pluralidade de fontes de produção e distribuição do conteúdo; produção e programação com finalidades artísticas, culturais, científicas e informativas; promoção da cultura nacional, estímulo à produção regional e à produção independente; autonomia em relação ao governo federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo no sistema público de radiodifusão e participação da sociedade civil no controle da aplicação dos princípios do sistema público de radiodifusão, respeitando-se a pluralidade da sociedade’.


Qualquer que seja a natureza jurídica da instituição criada para abrigar a concessão da TV pública, ela deverá ser controlada por um conselho representativo da sociedade, cujos membros, em sua primeira renovação deverão ser escolhidos pela sociedade e não pelo Executivo. Além desses princípios, a lei enuncia a grande missão de desenvolver a consciência crítica do cidadão, em lugar do estímulo consumista que preside a programação da TV privada.


Recomendo aos congressistas que prestem muita atenção às observações que faço, pois me sinto isento ao fazê-las, na condição de representante do campo público da televisão, pois não estou nem sou deste governo nem dos partidos que o apóiam. Apenas acho que se trata de um passo importante e decisivo. É claro que a MP pode ser aperfeiçoada, com a clara definição de recursos e um conselho escolhido pela sociedade.


Se a MP não for aprovada, a tentação será a de se fazer uma TV estatal, com alguma aparência de pública, sem um instrumento regulador que dê à sociedade o poder de controlá-la.


JORGE DA CUNHA LIMA, 76, jornalista e escritor, é presidente do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta.’


 


TELECOMUNICAÇÕES
Janio de Freitas


Da maracutaia à tramóia


‘A TRAMA para levar à compra, proibida por lei, da Brasil Telecom pela Oi/Telemar aprimorou-se com o achado de uma fórmula que, além de atrair a concordância lucrativa da Telefonica também contra a lei, proporciona o disfarce técnico conveniente ao governo para mudar a lei em benefício do negócio acertado por antecipação. Mas, como efeito paralelo, a fórmula elimina o que se mostra como a última diferença entre Lula e Fernando Henrique: em negócios também com telefônicas, a tramóia de agora será imoralmente idêntica ao que Lula chamou de maracutaia patrocinada por Fernando Henrique na privatização das telefônicas.


O ardil ‘técnico’ consiste na proposta, cujas alegações não conseguiram encher mais de quatro folhas, para que a Agência Nacional de Telecomunicações, para que a Anatel, assuma o pedido ao governo de alterações na legislação da telefonia. Como pretexto, novas condições de mercado e de possibilidades de negócio, criadas desde a privatização. A Anatel, que se mantinha à margem da transação entre a Oi/Telemar e a Brasil Telecom, para não se comprometer com a evidente transgressão à lei do setor de que é fiscalizadora, diante do pedido concluiu com presteza que ‘a escala das operações está aumentando’ e, por isso, ‘tem que fazer uma revisão das regras’ -como disse seu presidente, Ronaldo Sardenberg.


Basta, então, um pedido de mudança de uma lei, feito por interessados em negócios, para que se inicie o processo de mudá-la. Se outros empresários tiverem os mesmos recursos, digamos, de convencimento, será muito divertido. Mas como tais recursos têm direção muito precisa, aqui fora não se dá o convencimento. Aqui não se esquece que, quando a ‘escala de operações’ aumenta, as empresas investem para aumentar sua capacidade, em vez de buscar a derrubada de leis apenas para estenderem a sua área geográfica de ação, sem fazer o investimento para atender à crescente ‘escala de operações’ na área em que já atuam.


Mais uma observação: as leis vigentes da telefonia não impedem que o aumento da ‘escala de operações’ leve à criação de novas empresas e, de quebra, promova a concorrência ainda tão necessária no Brasil.


A trama para mudar a legislação é, porém, concentracionária, entregando todo o país à Oi/Telemar com exceção, apenas, de São Paulo incompleto.


À Telefonica a fórmula ‘da Anatel ao Planalto’ oferece a quebra da legislação vigente para que a Vivo, da qual tem 50%, possa fundir suas operações às da TIM, o que foi impedido também pelo Conselho de Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. E ainda há no jogo vários interesses em TV paga.


O comprometimento do governo e, acima de tudo, da Presidência da República fica evidenciado na ocorrência de uma negociação entre Oi/ Telemar e Brasil Telecom, em torno de R$ 5 bilhões, que só teria sentido com a concordância prévia de Lula para modificar a lei em benefício dos dois grupos. A peculiaridade negativa dessa evidência agravou-se por ser a Oi/Telemar a sócia e financiadora da Gamecorp que tem um filho de Lula como sócio e dirigente. Agora amplia-se e desvendam-se a trama e o ardil para proporcionar uma alegação técnica, falsamente técnica, como cobertura para a modificação da lei anunciada por José Dirceu, em artigo na Folha de ontem, já para os próximos dias.’


 


Humberto Medina


Governo propõe liberalizar setor de teles


‘O governo enviou à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) documento propondo o fim das restrições legais que impedem que uma concessionária de telefonia fixa compre outra. A medida é o primeiro passo concreto para permitir a compra da Brasil Telecom pela Oi (ex-Telemar).


No documento, o governo fez duas recomendações à agência: 1) que sejam suprimidos do PGO (Plano Geral de Outorgas, decreto que divide o país em áreas de atuação entre as empresas) os artigos que não permitem que uma concessionária de telefonia fixa compre outra; 2) que sejam revistas todas as ‘restrições regulatórias’ que impedem que uma mesma empresa ofereça pacotes ‘convergentes’, ou de múltiplos serviços (voz fixa, voz móvel, dados e TV paga, entre outros).


A mudança proposta atende, em parte, os pedidos feitos pelas operadoras na sexta-feira, em carta enviada à Anatel. O governo entendeu que a liberdade para transmissão de conteúdo audiovisual, também solicitada pelas teles, já está sendo debatida no Congresso, onde as discussões deverão continuar. No documento, porém, o governo promete analisar a questão em outro momento.


Caso o PGO seja alterado, a operação de compra da Brasil Telecom pela Oi deixaria de ter impeditivos regulatórios no setor de telecomunicações. A operação, porém, se confirmada, ainda terá de ser analisada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).


Com a medida, o governo amarra as últimas arestas para consolidar a criação do que vem sendo chamado de ‘supertele’ nacional. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) já montou o esquema de financiamento da operação, que vai repetir a fórmula de crédito usada no descruzamento das participações acionárias da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e da Companhia Vale do Rio Doce, em 2001.


O banco estatal deverá liberar financiamento de R$ 2,5 bilhões para a reestruturação societária da Telemar Participações, que ocorrerá paralelamente à compra do controle acionário da BrT pela Oi.


Regulamentação


O PGO é determinado por um decreto presidencial (2.534/98). O decreto definiu o país em áreas de operação, que depois foram vendidas na privatização de 1998. Após a venda, a Brasil Telecom ficou com as regiões Sul, Centro-Oeste e com os Estados de Tocantins, Rondônia e Acre; a Telefônica ficou com São Paulo, e a Oi (então Telemar) ficou com o resto do país. O decreto também vedou a transferência de controle entre empresas que atuam em áreas diferentes.


Já a Lei Geral de Telecomunicações determina que as transferências de concessões têm que estar compatibilizadas com o PGO.


Cabe à Anatel analisar a validade do PGO e propor ao presidente da República mudanças, se achar necessário. Com a manifestação do Ministério das Comunicações, a agência reguladora vai iniciar um processo, que inclui consultas públicas. As alterações no PGO ficarão expostas para que a agência possa recolher opiniões da sociedade e depois propor alterações ao presidente, que, se aceitá-las, edita novo decreto.


Em relação à transmissão de conteúdo audiovisual, as operadoras pedem uma revisão da Lei do Cabo, para que possam usar sua rede de infra-estrutura (fios de cobre instalados) para ofertar TV por assinatura. Hoje, as teles só podem oferecer TV por assinatura por meio de satélite (DTH) ou microondas (MMDS).


Em carta encaminhada à Anatel na sexta-feira, as concessionárias de telefonia fixa pediram liberdade para transmissão de conteúdo audiovisual, o fim do impedimento de que uma mesma empresa atue em áreas diferentes do país e propõem antecipar a revisão dos contratos de concessão.’


 


Documento aponta regras ‘anacrônicas’ no setor


‘No documento enviado ontem à Anatel, cujos integrantes são indicados pelo governo, o Ministério das Comunicações fez duas recomendações à agência reguladora:


a) ‘a supressão da vedação, constante dos artigos 7º e 14 do PGO [Plano Geral de Outorgas], que impede a transferência de controle ou de concessão que resulte no controle, direto ou indireto, por um mesmo acionista, de concessionárias atuantes em regiões distintas do PGO, possibilitando a integração da rede de STFC [serviço de telefonia fixa] e a consolidação geográfica de regiões’;


b) ‘revisão de restrições regulatórias constantes em outros atos normativos, conforme avaliação a ser feita pela Anatel, de modo a permitir a consolidação da operação de múltiplos serviços, viabilizando a plena integração de diferentes infra-estruturas de rede e a convergência digital em voz, vídeo e dados’.


As recomendações são precedidas de ampla argumentação, na qual o ministério considera que houve ‘modificação no perfil da concorrência’ e reconhece que, na prática, não existe hoje uma competição no serviço de telefonia fixa a ser preservada.


Ou seja, no entendimento do ministério, a competição no setor de telecomunicações atualmente se dá na oferta de pacotes com vários serviços.


Para o ministério, as mudanças são necessárias para garantir novos investimentos. ‘O estímulo a investimentos no setor deve estar vinculado à necessidade da ampliação da infra-estrutura de rede, que viabilize amplo acesso a pacotes de serviços’.


A argumentação do ministério menciona a carta da Abrafix (associação que reúne as concessionárias), enviada na semana passada à Anatel.


Para o ministério, é preciso o ‘aperfeiçoamento’ do PGO, que se tornou, segundo o texto do governo, ‘anacrônico’. Ainda de acordo com o texto do documento, outros pedidos da Abrafix ficaram para ‘posterior análise’.’


 


Simone Cunha


Empresas de TV paga vêem avanço de teles


‘Uma mudança na legislação para permitir a compra da Brasil Telecom pela Oi pode reduzir o número de empresas de televisão por assinatura. A avaliação é do presidente da ABTA (associação de TVs por assinatura), Alexandre Annenberg.


‘A lei proíbe o oferecimento de outros serviços pelas concessionárias justamente para evitar que acabem com toda e qualquer concorrência.’


O mercado de TV paga é pulverizado entre 155 operadoras, segundo a Anatel, a maioria em regiões pequenas, o que pode facilitar a aquisição.


Para Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, a tendência é que as empresas menores sejam adquiridas. A Net adquiriu a Vivax e a BigTV, e a Telefônica, parte da TVA. A Sky tem pacotes de TV paga, internet e telefonia com BrT e Oi.


A Abrafix (associação das empresas de telefonia fixa) diz que tem interesse ‘em entrar no mercado, e o cabo seria o meio mais óbvio’.


 


INTERNET
Folha de S. Paulo


Yahoo! negocia acordo com empresa de Murdoch, diz ‘WSJ’


‘O Yahoo! está negociando um acordo com a News Corp., empresa do bilionário Rupert Murdoch, em uma tentativa de se defender da oferta hostil da Microsoft, de acordo com o ‘Wall Street Journal’.


Caso a aliança seja efetivada, a News Corp. teria uma participação no Yahoo! que poderia superar os 20%, afirmou o jornal -que recentemente foi adquirido por Murdoch. As negociações envolvem um pagamento em dinheiro por parte da empresa do bilionário e uma combinação do Yahoo! com os ativos de internet da News Corp., entre eles o site de relacionamentos MySpace.


Não é a primeira vez que as duas companhias discutem uma aliança. Das outras vezes, o acordo não foi adiante especialmente porque elas não chegaram a um acordo sobre o valor do MySpace, que afeta o tamanho da participação que a News Corp. terá no Yahoo!. Segundo o ‘Wall Street Journal’, Murdoch deve avaliar o site de relacionamentos mais popular da internet entre US$ 6 bilhões e US$ 10 bilhões.


Mas, de acordo ainda com o jornal, a negociação com a Microsoft continua sendo o cenário mais provável para o Yahoo!. O Google, que aparecia como uma alternativa, teria diminuído o interesse em compartilhar o seu sistema de publicidade on-line com a concorrente.


No início desta semana, o Yahoo! recusou a oferta hostil de US$ 44,6 bilhões feita pela Microsoft no último dia 1º, mas deixou aberta a possibilidade de novas negociações. A empresa de Bill Gates reiterou que ‘se reserva o direito de seguir todos os passos necessários para garantir que os acionistas do Yahoo! tenham a oportunidade de constatar o valor de nossa proposta’.


De acordo com pessoas próximas às negociações, o Yahoo! quer uma oferta de pelo menos US$ 40 por ação, o que elevaria em cerca de US$ 12 bilhões o valor oferecido pela Microsoft no dia 1º. A proposta da Microsoft era de US$ 31 por papel da rival -62% superior ao preço das ações no dia anterior.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Boom’?


‘Na manchete da Band, ‘Indústria bate recorde de empregos, está faltando mão-de-obra em tecnologia’.


Em primeiro lugar na busca de Brasil no Yahoo!, ‘Boom do crédito de consumo transforma Brasil’. No despacho da McClatchy, o Banco do Brasil e outros contam como cresceu a confiança no consumidor de uma nova classe média. No perfil, ‘Maria do Carmo’.


E continua sendo publicada nos EUA outra longa reportagem, da Associated Press, ‘Brazil’s booming’, Brasil está bombando. Quer dizer, ‘Até consumidores pobres estão comprando muito’. No perfil do texto, ‘Maria Nazaré’, que comprou até casa em Heliópolis.


DESCOLOU


O ‘Financial Times’ deu a reportagem ‘É o crédito de sempre nos mercados brasileiros’ -que estão ‘calmos’ e ‘dando de ombros aos efeitos’ da crise nos EUA. Seria ‘outro sinal de que os emergentes, dizem analistas, se descolam dos desenvolvidos’.


O mesmo ‘FT’, desde a fronteira do México com os EUA, deu que as indústrias ‘maquiadoras’ agora ‘buscam novos mercados’. Por exemplo, o Brasil, o Chile.


NÃO DESCOLOU


Já o francês diretor-gerente do FMI declarou para Reuters, France Presse e outras, desde a Índia, que ‘nenhuma região vai escapar ilesa da crise financeira’. Ou melhor, ‘não acho que os emergentes estão imunes’ e ‘há um papel que podem desempenhar’ nesta hora de crise ‘mundial’.


De outra parte, pesquisa da Merril Lynch com ‘gerentes de fundos emergentes’ apontou pessimismo. Dos Brics, só Brasil e Rússia seguem bem.


SÓ O COMEÇO


O site Energy Tribune destacou a longa análise ‘Tupi: só o começo da história do Brasil sob a camada de sal’. Dá mapa geral da costa (dir.) e foca o Pão de Açúcar, campo que poderia ser maior que o célebre Kashagan, do Cazaquistão. E tem como concessionárias, nota o site, além da Petrobras, as ‘irmãs’ Exxon e Shell.


Já ‘El País’ e outros deram o relatório da agência de energia, dizendo que o suprimento mundial cresceu ‘com nova produção do Brasil e recuperação em outros’ países.


POTÊNCIA MILITAR


No título do espanhol ‘El País’ sobre Lula e Nicholas Sarkozy, ‘França fará do Brasil uma potência militar’. No argentino ‘Clarín’, ‘vai fabricar submarinos e aviões de caça no Brasil’. No ‘La Nación’, ‘acordaram associação estratégica’ que abrange ‘entrega de tecnologia militar’.


Noutro texto do ‘La Nación’, agora ‘a política exterior ganha espaço na agenda’ da presidente Cristina Kirchner.


NA COLÔNIA


A viagem de Sarkozy foi ‘calvário’ de perguntas sobre problemas na França, notou o ‘Libération’. Até ao tratar da Guiana Francesa, o que ‘Le Monde’ e outros destacaram foi o envio de mais soldados à fronteira com o Brasil, contra mineradores ‘clandestinos’.


CONTRA OS EUA


A França entrou na disputa entre Exxon e Hugo Chávez. O ‘El Universal’, de Caracas, trazia como destaques, ontem no site, o respaldo dado pelos EUA à Exxon, mas também o aviso da petroleira francesa Total, de que não vai seguir pelo caminho da americana.


NEOCOLONIALISMO


O ‘Guardian’ retornou à Amazônia e outras florestas sob risco com reportagem sobre o ‘ecocolonialismo’ da compra de terras por ONGs e bilionários ambientalistas. Diz que não é o ‘caminho para salvá-las’, pelo contrário, e cita como, da África à Argentina, o histórico é desastroso.


ACAMPAMENTO


Do ‘Jornal Nacional’ ao BlogBlogs, o Campus Party no Ibirapuera tomou a cobertura toda. Na ironia do blogueiro Alexandre Inagaki, também por lá, trata-se da ‘maior lan house da América Latina’.


PORNOGRAFIA


Enquanto isso, BBC, ‘Wall Street Journal’ e outros dão uma nova pesquisa Symantec sobre o comportamento dos internautas no mundo. Os brasileiros são ‘os que mais acessam sites pornográficos’.’


 


CHINA
Folha de S. Paulo


Para Pequim, politização da Olimpíada é injusta


‘Um dia após o cineasta Steven Spielberg anunciar a saída do posto de assessor artístico dos Jogos de Pequim, a China apelou a ativistas que associam sua ligação com o Sudão à Olimpíada para que façam ‘jogo limpo’, numa tentativa de despolitizar a competição.


O país asiático é aliado do Sudão, que enfrenta conflitos na região de Darfur desde 2003. Estimativas não oficiais dão conta de que 200 mil pessoas tenham morrido nos ataques na região oeste sudanesa.


A China é acusada de não ajudar na resolução do embate -o governo do Sudão, parceiro chinês, apóia uma das forças no conflito do país.


Spielberg pediu afastamento com a justificativa de que o governo chinês nada fazia para apaziguar a situação no Sudão.


A embaixada chinesa em Washington emitiu comunicado, sem citar a saída do diretor norte-americano do projeto, destacando ‘o papel positivo da China na questão de Darfur’.


A nota ainda frisou que ‘Darfur não é assunto interno da China’ e ‘não foi causado pela China’. ‘É totalmente sem sentido e injusto por parte de certas organizações fazer uma relação direta entre as duas coisas’, disse a embaixada.


No mesmo dia da desistência de Spielberg, uma carta foi enviada ao presidente da China, Hu Jintao, condenando o apoio ao Sudão. O documento tinha a assinatura de oito ganhadores do prêmio Nobel, 13 atletas e 46 parlamentares, além de personalidades como a atriz Mia Farrow, crítica da participação do cineasta na Olimpíada.


Grupos rebeldes de Darfur, em oposição ao governo do Sudão, pediram o boicote à Olimpíada. ‘Estamos fazendo um apelo a todas as nações para boicotarmos os Jogos Olímpicos, assim como a todos os atletas’, disse o porta-voz do Movimento Justiça e Igualdade, Ahmed Hussein Adam.


O comitê organizador dos Jogos não se pronunciou.


O Comitê Olímpico Internacional limitou-se a dizer que a saída de Spielberg foi uma ‘decisão pessoal’. ‘O COI não intermediou a relação entre Pequim e Steven Spielberg. Não cabe à entidade fazer qualquer comentário’, informou o comitê, em comunicado.


A crise veio à tona na mesma semana em que países sinalizaram censura a seus atletas em Pequim. O comitê da Grã-Bretanha anunciou que seus esportistas seriam proibidos de falar em política, sob pena de afastamento da Olimpíada.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Futebol na Globo é bom e ruim, diz governo


‘Ficará pronto em março o relatório da Secretaria de Direito Econômico (SDE) concluindo as investigações de supostas práticas anticoncorrenciais por parte da Globo e do Clube dos 13 nas negociações do Campeonato Brasileiro na TV.


A informação é de Mariana Tavares de Araújo, secretária de direito econômico. À Folha ela falou pela primeira vez sobre o caso: ‘As práticas da Globo e do Clube dos 13 são tanto boas quanto ruins, mas não são ilegais. A exclusividade tem valor e isso significa mais dinheiro para o Clube dos 13 e melhor saúde financeira para os clubes, o que é bom para o consumidor. Por outro lado, é ruim para o consumidor, que só vê os jogos em um canal aberto’.


A declaração indica para um parecer ambíguo, mas suficientemente negativo para a Globo, tanto que Mariana Tavares de Araújo já prevê ação contra ela. O relatório, a ser enviado ao (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão que julgará o caso, poderá prejudicar a negociação da Globo para o Brasileirão a partir de 2009.


A secretária nega que tenha sido pressionada para reabrir as investigações. ‘O presidente Lula nunca me perguntou desse caso, e não me reuni com nenhum deputado ligado à Igreja Universal’, diz. Ela afirma também que o processo ‘nunca parou’. Segundo Araújo, a SDE não enviou ofícios às TVs entre 2004 e 2006 porque ‘estava estudando outros países’.


PARCERIA 1 Antes de viajar para a Grécia, para gravar ‘O Aprendiz’, Roberto Justus acertou com a Band o primeiro negócio da Brainers, produtora de conteúdo em que o publicitário tem como sócios Hélio Vargas (ex-diretor artístico da Record).


PARCERIA 2 A Brainers fará para a Band um programa diário de variedades, voltado para o público masculino que não gosta de novela. O programa, previsto para estrear em 7 de abril, poderá entrar às 21h, deslocando o evangélico R.R. Soares. Brainers e Band dividirão receitas.


PARCERIA 3 O programa seria apresentado por Milton Neves, mas, ontem à tarde, o jornalista informou à Brainers que não foi liberado pela Record.


FAMÍLIA FAMA Filha de Zezé Di Camargo, Camila Camargo, 22, vai estrear como atriz. A ex-aluna da escola de Wolf Maia será filha de um ex-hippie francês e de uma mulher que usa roupas de ginástica em ‘A Revelação’, próxima novela do SBT, escrita por Íris Abravanel.


BATALHA Revelado pela TV Gazeta, o jornalista Antônio Guerreiro será o colunista de televisão e celebridades do ‘Aqui Agora’, que retorna dia 3 no SBT.


FESTA A TV Brasil, a rede pública federal, está em festa: o ‘Repórter Brasil’, seu primeiro telejornal, conseguiu três pontos no Ibope de Salvador, no Carnaval, mostrando o que chamou de ‘lado B’ da folia. O canal ainda está sem sinal em SP.’


 


CINEMA
Lucas Neves


O avesso do Oscar


‘Hollywood respira aliviada: o fim da greve dos roteiristas, confirmado ontem, é a senha para voltar a estender os tapetes vermelhos, apertar-se em modelitos desenhados pela elite da moda e exibir os sorrisos amarelos de ‘perdedor fair play’. Mas, mesmo em tempos de racionamento de estatuetas -o Globo de Ouro, o WGA Awards e o People’s Choice Awards deste ano foram cancelados-, há uma festa para a qual ninguém em Los Angeles faz questão de ser convidado: a da entrega dos Golden Razzies (ou Framboesas de Ouro), que acontece no próximo dia 23.


É que a fruta dourada é entregue anualmente, na véspera do Oscar, aos piores trabalhos em 11 categorias: filme, diretor, roteiro, atriz, ator, ator e atriz coadjuvantes, casal, remake ou cópia descarada, desculpa para um filme de terror e ‘prequel’ (espécie de prólogo para uma história desenvolvida em outro filme) ou seqüência.


A gaiatice chega neste ano à 28ª edição, tendo ‘Eu Sei Quem me Matou’, estrelado por Lindsay Lohan, como franco favorito (com nove indicações).


O criador e mestre-de-cerimônias do Framboesa, John Wilson, conta à Folha, por telefone, que teve a idéia de laurear os desempenhos mais pífios do showbiz no fim do verão de 1980, depois de se aventurar -para seu eterno arrependimento- numa sessão dupla de ‘Xanadu’ (com Olivia Newton-John, de ‘Grease – Nos Tempos da Brilhantina’) e ‘Can’t Stop the Music’ (com a trupe do Village People). ‘Mesmo só tendo pago US$ 0,99 pelo ingresso, quis meu dinheiro de volta. O dono do cinema não topou devolver, então pensei: ‘Esses filmes são tão ruins que merecem um prêmio’.’


E levaram: em 31 de março de 1981, na sala de estar da casa de Wilson, ‘Can’t Stop…’ faturou os primeiros Framboesas de pior filme e roteiro, e ‘Xanadu’ inaugurou a categoria de pior diretor. Votaram os cerca de 40 convidados da festa que o anfitrião organizara para assistir à transmissão do Oscar.


‘Se você vai fazer sátira ou paródia, precisa partir de algo com que as pessoas estejam familiarizadas. O Oscar é pomposo, autocentrado e irrelevante. Com milhões de americanos atualmente sem saber se conseguirão pagar por suas casas, não acho que estejamos preocupados com um homenzinho de ouro que uma estrela de cinema que ganha US$ 20 milhões possa vir a receber’, avalia Wilson, que se gaba de ter 44 Estados americanos e 18 países representados pelos 750 membros de sua ‘academia’.


Halle Berry


Cinéfilos, montadores, compositores e jornalistas constituem o grosso do eleitorado, segundo o criador dos Razzies. John Waters (diretor do primeiro ‘Hairspray’ e da fita B ‘Pink Flamingos’) é o membro mais célebre. Para entrar para o grupo, é preciso pagar uma taxa de US$ 25 (R$ 43,6).


Os ‘vencedores’, obviamente, não costumam aparecer para receber seus troféus. Mas, três anos depois de receber o Oscar por ‘A Última Ceia’, a atriz Halle Berry topou ir à festa de 2005, quando foi reconhecida por seus remelexos em ‘Mulher-Gato’.


‘Com o Razzie numa mão e o Oscar na outra, ela deu uma bronca ‘de mentirinha’ em seu empresário por não ter lido o script, admitiu que não entendia o que o diretor [o francês Pitof] falava e agradeceu à sua preparadora’, lembra Wilson.


‘Gera tanta boa vontade quando alguém da estatura de uma Halle diz: ‘Errei neste filme, tentarei melhorar’… É cativante e brilhante em termos de estratégia de carreira.’


Wilson acha que Lindsay Lohan, a jovem atriz que anda rendendo mais manchetes por seus porres e suas internações em clínicas de reabilitação do que por seu trabalho (e tem duas indicações ao Framboesa 2008), poderia se valer do expediente. ‘Se ela aparecesse -sóbria, obviamente- e fizesse um discurso engraçado, poderia reconquistar boa parte da simpatia que despertava antes das besteiras que fez.’


Framboesa no eBay


Quem dificilmente mudará a má impressão deixada na ‘academia’ do Framboesa é o ator Ben Affleck. Em 2004, ao ser indicado por ‘Contato de Risco’, ele disse a uma publicação européia que iria à cerimônia. Com o resultado em mãos, Wilson ligou para o assessor do ator e oficializou o convite. Ele não apareceu e, dias depois, numa entrevista coletiva, disse que não fora chamado.


Wilson decidiu então levar o prêmio até o seu dono, que daria uma entrevista no talk-show de Larry King. ‘Quando ele recebeu o Framboesa, a estatueta simplesmente quebrou em sua mão. Ele reclamou que era vagabunda, que não estava no nível dele. Recuperei-a, coloquei-a à venda no [site de leilões] eBay e, com o dinheiro, paguei o aluguel do salão para a cerimônia do ano seguinte.’’


 


‘Festa do Oscar não muda nunca’


‘Antes de comentar o Oscar, John Wilson entrega: ‘Não assisto torcendo para dar certo. Anseio pelos erros. Sempre quis que caísse uma tempestade na hora em que as estrelas de cabelo plástico estivessem descendo das limusines.’


Deixando a galhofa de lado, ele diz que faltam sucessos de bilheteria entre os indicados da Academia neste ano. ‘Os anos em que a transmissão do Oscar alcançou as maiores audiências foram aqueles em que blockbusters concorriam. Atualmente, parece que não entendem o que o público quer ou não se importam com isso.’


Quais foram então os injustiçados da vez? ‘Na categoria de música original, não acredito que não tenham indicado nada de ‘Hairspray’, cujo elenco tem o garoto do [telefilme] ‘High School Musical’ [Zac Efron], que atrairia uma platéia jovem. E como pode uma animação sobre pingüins surfistas [‘Tá Dando Onda’] ser considerada melhor do que ‘Os Simpsons – O Filme’?’


Nem Cate Blanchett escapa. ‘Ela está ridícula em ‘Elizabeth – A Era de Ouro’. Queria entender por que não indicaram a Angelina Jolie. A performance dela [em ‘O Preço da Coragem’] é contemporânea, emocionante, relevante.’’


 


Silvana Arantes


Moretti estrela drama sobre a perda e o luto


‘O candidato da Itália ao Urso de Ouro no Festival de Berlim, exibido ontem, traz Nanni Moretti, o mais renomado diretor italiano da atualidade, trabalhando na frente das câmeras.


Moretti é o protagonista de ‘Caos Calmo’, dirigido por Antonello Grimaldi, e também assina o longa-metragem como um de seus roteiristas, adaptado do livro homônimo de Sandro Veronesi, sobre um homem em luto.


Com a morte de sua mulher, Pietro Paladini (Moretti) perde o interesse em fazer qualquer coisa. Um dia, depois de levar a filha Claudia (Blu Yoshimi) à escola, ele se deixa ficar num banco de praça em frente ao colégio, até que as aulas terminem, e a menina o reencontre no portão.


Os dias de tormento emocional e imobilidade física -o caos calmo de que fala o título- passam a ser uma rotina na vida de Pietro, ou o seu método particular de elaborar o luto e de, aos poucos, retomar o convívio social.


‘O luto é um pretexto para o protagonista poder parar, o que me parece ser o verdadeiro tema do filme’, disse Antonello, ontem, em Berlim.


Sexo e protestos


Na entrevista coletiva sobre o filme, Moretti se irritou quando um jornalista italiano mencionou os protestos de um bispo italiano à extensa cena de sexo de seu personagem em ‘Caos Calmo’.


‘Esse tipo de reação da igreja não é novidade na Itália. A novidade é que, agora, isso ganhe tanta proporção na imprensa’, disse Moretti.


Antonello afirmou que todas as escolhas que fez sobre a maneira de filmar a cena levaram em conta o fato de que se trata de um momento fundamental no percurso do personagem -daí sua extensão- e é ‘uma cena de sexo, não de amor’ -daí seu realismo.


Comédia de Mike Leigh


Embora a maior parte dos 21 longas em competição nesta 58ª edição do Festival de Berlim tenha tramas dramáticas, o filme que mais movimentou a disputa foi uma comédia, exibida anteontem.


‘Happy-Go-Lucky’ (desencanado), do britânico Mike Leigh, acompanha a invariavelmente otimista e sorridente professora primária Poppy (Sally Hawkins) dividindo o trabalho e a alegria com as amigas e, ao mesmo tempo, lidando com os problemas, o pessimismo e o mau-humor alheios.


Esses últimos são encarnados sobretudo por Scott (Eddie Marsan), o professor de auto-escola com quem Poppy tenta aprender a dirigir e que, a cada aula, despeja sobre ela um turbilhão de ressentimentos -contra o sistema educacional do país, os cidadãos de esquerda, em particular, e os outros motoristas em geral.


A Coréia do Sul também já apresentou seu candidato no festival. ‘Bam gua Nat’ (noite e dia), de Hong Sang-soo, trata, em duas horas e 25 minutos, dos embaraços amorosos de um homem com sua mulher, a ex-namorada e a amante.


O francês de origem armênia Robert Guédiguian (de ‘A Cidade Está Tranqüila’) exibiu ontem seu concorrente, ‘Lady Jane’, um filme noir sobre o tema da vingança.


Hoje, haverá a exibição dos últimos filmes da competição. A premiação acontece neste sábado.’


 


 


************


O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008


TV PÚBLICA
Eugênio Bucci


Uma Radiobrás sem ‘eira’?


‘A Medida Provisória (MP) nº 398, de 9/10/2007, que autorizou o governo federal a criar a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela TV Brasil, está prestes a perder a eficácia. Prorrogada por 60 dias em dezembro, ela agora bate no prazo fatal: ou é aprovada, mesmo que com modificações ou substituição, ou morre. Se morrer, levará junto a EBC, que já começou a operar com funcionários próprios. Mas, atenção, não arrastará consigo a TV Brasil.


A explicação é simples. Na hipótese de naufrágio da EBC, a TV Brasil poderá continuar suas transmissões abrigada pela velha Radiobrás – esta deveria ser extinta para dar lugar à nova empresa, mas se manteve em atividade. Assim, os que pretendiam derrotar a MP para forçar o fechamento da TV Brasil caíram do cavalo. Isso não significa que a matéria se tenha tornado irrelevante. Ao contrário. A sobrevivência ou não de mais um canal de TV da administração pública é o de menos (já há dezenas de emissoras desse tipo no País, tanto no âmbito estadual como no federal). O debate central tem que ver, isto sim, com a estrutura que deve ter uma instituição moderna de comunicação pública, agenda que merece a melhor atenção dos representantes do povo. É a primeira vez, em décadas, que o tema entra para valer na pauta do Congresso.


Se a questão se resumisse a lançar mais uma estação de TV, o governo federal não teria de inventar empresa alguma. A ele bastariam as entidades que já existem: a Radiobrás, cujos diretores e conselheiros são nomeados e demitidos pela Presidência da República a qualquer tempo; e a TVE do Rio de Janeiro, que, embora tenha a forma de organização social e não de empresa pública, também tem seus conselheiros e dirigentes feitos e desfeitos pelo Palácio do Planalto. Juntas, as duas somam aproximadamente 2. 500 empregados e contam com emissoras de rádio e TV em Brasília, no Rio de Janeiro e no Maranhão.


Além disso, essas velhas estruturas guardam a cultura de promoção pessoal das autoridades, coisa que alguns expoentes do Executivo, de variados matizes partidários, apreciam em silêncio. Nos canais oficiais e (supostamente) públicos do Brasil inteiro, a chapa branca é a regra, ressalvadas as honrosas exceções – que existem, ou existiram, ajudando a demonstrar a natureza antidemocrática da velha comunicação governista. Portanto, mais grave do que o risco de a TV Brasil passar a bajular governantes – um risco real, mas um risco futuro – é a cultura de subserviência cristalizada do presente.


Em resumo, a MP 398 não surgiu porque o governo precisa de autorização para abrir um canal de TV, mas porque ele precisa propor mudanças no modelo sabidamente ultrapassado, se quiser conquistar legitimidade para a sua iniciativa. De poucos anos para cá, a opinião pública despertou para a gravidade da usurpação que vitima emissoras públicas e reclama por uma renovação. A MP veio prometer uma resposta a isso. Seu problema é que promete, mas não entrega.


Há mais debilidades que acertos na MP, a começar por sua natureza de medida provisória, que não deixa muito espaço para a elaboração legislativa – um projeto de lei seria mais adequado. Quanto aos acertos, registre-se o principal: fundir a Radiobrás e a TVE do Rio numa nova instituição, que centralize operações hoje dispersas, por vezes superpostas e redundantes, constitui um passo de racionalidade administrativa. No mais, a EBC tem o semblante – e a nomenclatura – de uma Radiobrás recauchutada. A velha estatal nasceu nos anos 70 com o nome de Empresa Brasileira de Comunicação. A estatal nova se chama Empresa Brasil de Comunicação e, em muitos aspectos, é isso mesmo: uma Radiobrás sem o sufixo ‘eira’. Vejamos mais de perto a sua constituição.


A exposição de motivos assinada pelos ministros Franklin Martins, Dilma Rousseff e Paulo Bernardo fala em ‘preocupação presente de garantir a autonomia da nova empresa, por meio da criação de mecanismos institucionais protetores dos dois flancos que poderiam se constituir em ameaças: a subordinação às diretrizes do governo e o condicionamento às regras estritas de mercado’. Muito bem. Ocorre que tanto a MP como o Estatuto da EBC, apresentado pelo Decreto Presidencial nº 6.246, de 24/10/2007, não dão conseqüência àquela ‘preocupação’. Em relação à falta de independência do modelo antigo, o avanço é quase nulo. Basta ver como se compõe o ‘órgão de orientação e de direção superior da EBC’, o Conselho de Administração (ver artigos 14 e 15 do Estatuto e artigos 12 e 13 da MP). São cinco membros. O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República indica dois deles. O terceiro é o diretor-presidente da empresa. Os outros dois vêm do Ministério do Planejamento e do Ministério das Comunicações. A esse conselho cabe eleger e destituir os diretores da EBC, à exceção de dois, o diretor-presidente e o diretor-geral, nomeados diretamente pelo presidente da República. Ora, pode haver estrutura mais passível de ‘subordinação às diretrizes do governo’? Pode haver algo de mais semelhante à antiga Radiobrás?


A novidade se resume à presença de outro conselho, o Curador, que tem um representante eleito pelos funcionários e ‘representantes da sociedade civil’ – designados, note o leitor, também pelo presidente da República. O Conselho Curador é vistoso, mas não manda. Embora esteja autorizado a, por maioria absoluta, imputar voto de desconfiança aos diretores, tem funções mais consultivas que deliberativas.


Agora, o Congresso pode transformar essas tímidas adaptações em uma renovação de verdade. Recusar sumariamente a MP não seria um gesto sábio. Os parlamentares têm nas mãos a chance de criar – ou abrir caminho para que seja criada – uma instituição de comunicação pública que seja de fato independente do governo.


Eugênio Bucci, jornalista, membro eletivo do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura de São Paulo), professor do Instituto de Estudos Avançados da USP, foi presidente da Radiobrás entre 2003 e 2007′


 


TV CÂMARA
O Estado de S. Paulo


Palanque eletrônico


‘Criada para transmitir as atividades do Legislativo do Município de São Paulo, especialmente os debates em plenário, a TV Câmara vai gastar este ano R$ 13,9 milhões, cerca de 36% a mais do que em 2007. A emissora pretende ampliar sua programação de 7 para 12 horas diárias e, a pretexto de ‘aproximar a Câmara da população’, estuda a possibilidade de comprar um espaço diário de 60 minutos em canal aberto.


Além disso, no final do ano a Mesa Diretora da Câmara abriu licitação para a contratação de uma nova administradora do canal. Atualmente, a programação e a transmissão estão sob responsabilidade da Fundação Padre Anchieta, que recebe R$ 640 mil mensais pelo serviço. Contudo, o contrato venceu há um mês e meio. A estimativa é de que o valor do novo contrato seja reajustado em até 50%.


Como haverá eleições municipais dentro de oito meses e dos 55 vereadores paulistanos até agora somente 1 – Soninha (PPS), pré-candidata à Prefeitura – declarou que não tentará um novo mandato, a expansão das atividades televisivas do Legislativo Municipal deixa a impressão de que os parlamentares pretendem utilizar a TV Câmara como palanque eletrônico.


A impressão foi reforçada pela recente decisão do diretor do canal, Fernando Lancha, de ampliar a equipe de jornalistas de 30 para 45 e de reformular o conteúdo da programação, dedicando mais tempo para a descrição da ‘atuação’ de cada vereador do que para os debates parlamentares. ‘A idéia é mostrar cada vez mais os trabalhos dos vereadores que têm impacto direto na vida da população e menos discussões de plenário’, diz Lancha. ‘Outro objetivo da reformulação é mostrar a posição dos parlamentares sobre temas polêmicos, com a participação da sociedade civil nos programas’, conclui.


O PSDB e o PT – as duas maiores bancadas da Casa – deixaram de lado suas divergências e estão apoiando a expansão das atividades televisivas do Legislativo municipal. ‘Quanto mais tempo para a TV Câmara, melhor para a população’, diz o vereador José Police Neto (PSDB), enfatizando o caráter ‘educativo’ da iniciativa. ‘Não existe nenhum cunho eleitoral na ampliação e reformulação da grade de programação da TV Câmara só porque estamos em ano de eleições’, afirma o primeiro-secretário Antonio Donato (PT).


A nova programação da TV Câmara deverá ir para o ar em abril. E esse é o mês em que os candidatos ao pleito municipal de 5 de outubro deverão colocar suas campanhas nas ruas. A ‘coincidência’ não passou despercebida. ‘Espero que o clientelismo que vigora na Casa há mais de uma década não contamine o canal’, diz o professor de ciência política da Fundação Getúlio Vargas, Marco Antonio Carvalho Teixeira. O mesmo temor é expresso pelo professor Rui Tavares, da Fundação Escola de Sociologia e Política.


A criação de canais de televisão para transmitir as atividades do Legislativo e do Judiciário federais começou na década de 90. Em alguns momentos da história política do País, como o impeachment do presidente Fernando Collor, a CPI dos ‘Anões do Orçamento’, as decisões do Supremo Tribunal Federal em matéria de legislação eleitoral e a crise do ‘mensalão’, esses canais alcançaram enorme audiência.


A experiência depois se espalhou por alguns Estados e municípios e, justiça seja feita, até agora essas tevês dos Três Poderes primaram por evitar a partidarização do noticiário. Várias delas, além disso, transmitem programas políticos e culturais de boa qualidade, sob a forma de documentários, debates sobre temas da atualidade, depoimentos históricos, filmes e música clássica e popular. Ou seja, além de suas atividades noticiosas, elas também vêm apresentando uma importante programação educativa.


Por isso, causa preocupação a decisão da TV Câmara de ampliar e mudar sua programação num ano eleitoral. A substituição dos debates em plenário por programas de divulgação dos trabalhos de vereadores que são candidatos à reeleição, em outubro, abre um perigoso precedente que pode culminar no desvirtuamento dos chamados ‘canais institucionais’.’


 


TELECOMUNICAÇÕES
Gerusa Marques


Governo tenta liberar união de teles


‘O governo oficializou ontem a intenção de promover mudanças na legislação brasileira de telefonia fixa para permitir a compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi. O Ministério das Comunicações enviou documento à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em que solicita explicitamente que o órgão regulador elabore uma proposta de alteração no Plano Geral de Outorgas (PGO), que determina a região de atuação de cada empresa de telefonia fixa.


Na exposição de motivos do Ministério, à qual o Estado teve acesso, o ministro Hélio Costa recomenda à Anatel que retire do PGO as restrições contidas nos artigos 7º e 14º, que impedem que um mesmo grupo controle mais de uma concessionária de telefonia fixa. A proposta a ser elaborada pela Anatel, segundo o documento, deve ser submetida à consulta pública e encaminhada para ‘posterior aprovação do Presidente da República’. O texto não fala especificamente de nenhuma empresa, mas as mudanças, se aprovadas, permitirão a compra da BrT pela Oi.


‘As alterações aqui propostas não constituem autorização prévia a iniciativas de consolidação entre empresas, mas apenas a abertura da possibilidade de movimentos de reorganização no setor’, diz o texto, ressaltando a necessidade de respeitar as normas de defesa da concorrência.


O ministério considera que a preservação das restrições existentes hoje pode limitar benefícios que poderão vir com a economia de escala resultante da integração de redes e da consolidação de regiões. A legislação atual, com base no PGO, proíbe que as concessionárias – como a Oi, BrT e Telefônica – realizem, entre elas, fusões e operações de compra e venda.


O documento diz que o modelo atual, baseado em companhias regionais, está superado. A avaliação é de que alguns objetivos desse modelo já foram alcançados, mas o ministério admite que a esperada competição na telefonia local não foi alcançada. Antes de serem encaminhadas à agência, as recomendações foram discutidas em reunião na Casa Civil da Presidência da República.


O documento do ministério é uma resposta ao ofício encaminhado pela Anatel na segunda-feira, questionando se era de interesse do governo alterar as regras do setor de telecomunicações, conforme foi pleiteado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix).


Hélio Costa afirmou ontem que, como as empresas pediram mudanças não só no setor de telefonia fixa, mas também nas regras de telefonia celular e de TV por assinatura, o ministério fará sua análise caso a caso. ‘Não temos condições de abordar todos os assuntos ao mesmo tempo. Estamos analisando item por item, e cada um que formos resolvendo do ponto de vista de políticas públicas do Ministério das Comunicações, nós encaminharemos para a Anatel’, afirmou Costa, que esteve ontem em cerimônia em São Paulo com o presidente do Senado, Garibaldi Alves.


O ministério concorda com o argumento da Abrafix que as restrições da legislação são ‘prejudiciais’ à convergência dos serviços de telefonia, TV por assinatura e banda larga. A exposição de motivos recomenda que seja feita a revisão de ‘restrições regulatórias’, para permitir a consolidação de operação de múltiplos serviços.


A revisão é defendida sob o argumento de que o marco regulatório das telecomunicações no Brasil ‘seja adequado ao atual estágio de desenvolvimento do setor, tendo por referência melhores práticas internacionais em matéria de regulação da concorrência e o objetivo de garantir benefícios ao consumidor e o desenvolvimento social e econômico do País’.’


 


INTERNET
Renato Cruz


Yahoo muda para enfrentar a crise


‘O Yahoo enfrenta uma crise e a oferta de compra de US$ 44,6 bilhões que recebeu da Microsoft no começo do mês, e posteriormente recusou, pode ser vista como somente uma das conseqüências dos problemas que a empresa de internet enfrenta. De 2001 a meados do ano passado, a companhia foi comandada por Terry Semel, ex-executivo da Warner Bros, que tentou dar ao Yahoo uma feição de empresa tradicional de comunicação, que produz e distribui conteúdo. Não deu certo.


Quando Semel assumiu, o Yahoo ocupava uma posição de liderança na internet. Durante sua gestão, a empresa foi ultrapassada pelo Google, enfrentando dificuldades para crescer no mercado de links patrocinados, pequenos anúncios de texto que aparecem ao lado de resultados de busca e de páginas de conteúdo. Mais de 90% da receita do Google vêm dos links patrocinados.


‘O Yahoo tinha uma visão muito tradicional de mídia’, reconheceu Guilherme Ribenboim, presidente do Yahoo Brasil. ‘Estamos num mercado dos mais competitivos, onde o diferencial não vai ser o conteúdo produzido internamente. Queremos nos tornar uma plataforma de mídia mais social.’ A idéia é oferecer serviços, no lugar do conteúdo exclusivo.


O Yahoo quer voltar às origens de empresa de tecnologia. Ter menos redatores e mais programadores. A mudança começou quando Jerry Yang, co-fundador do Yahoo, assumiu o lugar de Semel no ano passado. O processo tem sido difícil. A empresa vai cortar cerca de 1 mil postos de trabalho em todo o mundo.


‘Os cortes não afetam o Brasil’, afirmou Ribenboim, que garantiu que, por aqui, a empresa cresce mais que a média de mercado. ‘Nossa previsão é aumentar em 25% o total de funcionários este ano. As mudanças anunciadas lá fora servem para alinhar a empresa para investir em áreas de crescimento, como o Brasil.’ O Yahoo não divulga quantos funcionários possui no Brasil. Segundo informações de mercado, são pouco mais de 100.


Enquanto a maior empresa de software do mundo não faz outra proposta, e o Yahoo não encontra uma alternativa, a empresa de internet anuncia novos produtos e até aquisições. Na terça-feira, a empresa comprou a Maven Networks, que distribui vídeo pela internet, por US$ 160 milhões. No mesmo dia, anunciou a tecnologia OneConnect, que agrega serviços de rede social e mensagem no celular.


A internet no celular é uma das grandes apostas do Yahoo. Esta semana, a subsidiária brasileira vai começar a vender publicidade para aparelhos móveis, como parte de uma parceria com a Vivo. ‘A percepção é que a demanda é maior que a oferta’, disse o vice-presidente da empresa, André Izay.’


 


Murdoch também quer o Yahoo


‘A News Corp. e o Yahoo estão discutindo uma possível combinação do MySpace com outros domínios online das duas empresas, disseram pessoas familiarizadas com o assunto ao The Wall Street Journal.


As discussões têm por objetivo ajudar o Yahoo a escapar da oferta não solicitada feita pela Microsoft, de US$ 44,6 bilhões. Sob o acordo em discussão, a News Corp. teria uma participação no Yahoo que poderia chegar a mais de 20%.


O acordo, que também incluiria uma contribuição em dinheiro da News Corp. e de uma empresa de private equity, é uma variação do que foi considerado pelas duas companhias várias vezes nos últimos 18 meses.


Mas as negociações tinham anteriormente sido interrompidas pela discordância acerca do valor do MySpace, que afeta o tamanho da participação que a News Corp. poderia ter no Yahoo. A News Corp deve avaliar o MySpace entre US$ 6 bilhões e US$ 10 bilhões, segundo fontes ligadas às empresas.


A operação permitiria que o Yahoo continuasse independente, mas daria à News Corp. um controle substancial sobre um grande conjunto de domínios da internet e de oportunidades de anúncios.


Uma venda para a Microsoft ainda parece ser o cenário mais provável para o Yahoo. A Microsoft provavelmente está disposta a elevar sua oferta. A companhia disse que se dispõe a ‘seguir todos os passos necessários’ para consumar a operação, o que pode significar dirigir-se diretamente aos acionistas do Yahoo.


Ontem, o segundo maior investidor do Yahoo encorajou a Microsoft a elevar sua oferta de US$ 42 bilhões. O acionista alertou que o Yahoo tem poucas opções, aumentando a pressão para que uma venda aconteça.


Em carta a investidores, Bill Miller, da administradora de ativos norte-americana Legg Mason, estima que o valor justo do Yahoo seria de cerca de US$ 40 por ação, contra a oferta de US$ 31 por ação da Microsoft.’


 


CINEMA
Luiz Carlos Merten


Day-Lewis: ‘O set é coisa sagrada’


‘Para criar seu personagem de Sangue Negro, que estréia amanhã nos cinemas brasileiros, muita gente pode pensar que Daniel Day-Lewis tomou como referência para o manipulador e destruitivo Daniel Plainview ninguém menos do que o lendário Charles Foster Kane, criado por Orson Welles em seu clássico Cidadão Kane. O próprio Daniel descarta essa possibilidade: ‘Em geral, toda a informação de que necessito está sempre no próprio roteiro, e o de Sangue Negro era particularmente bem escrito’ (pelo diretor Paul Thomas Anderson). A surpresa está em que, mesmo assim, o ator admite haver-se inspirado, ligeiramente, na voz de John Huston.


‘Não é que eu tenha querido falar como ele. Simplesmente parti do princípio de que sua voz seria interessante para um personagem como o meu Daniel. John tinha essa voz muito particular e, ao mesmo tempo, tinha uma relação de curiosidade com a língua. Procurei criar o personagem por inteiro, usando sua voz, mas sem dissociá-la do conjunto, no qual a voz é tão importante quanto o corpo.’


Daniel Day-Lewis fez essas revelações – confissões – num encontro com jornalistas do Regente Hotel, aqui em Berlim, no fim de semana. Virada a página dos Rolling Stones no 58º Festival de Berlim, Sangue Negro foi um dos primeiros filmes da competição a ser exibidos para a imprensa e o público. Houve a grande coletiva e, depois, o que seriam pequenos grupos viraram duas mini-coletivas. Felizmente, não havia tanta gente e o tempo do encontro foi bem razoável – uma hora de conversa com o diretor Anderson e os atores Day-Lewis e Paul Dano.


Daniel, por sua persona, concentrou o maior número de perguntas. Ele faz o gênero rebelde, de quem não curte o circo do cinemão. Mas há qualquer coisa de posado na sua rebeldia. Daniel não gosta do jogo. Aceita-o, mas tenta jogar do seu jeito.


‘Quem trabalha neste negócio sabe que o set é uma coisa sagrada, muito diferente dessa agitação mundana.’ O filme conta a história desse homem que, dos anos 1820 aos 1900, dedica-se a procurar o ouro negro, disposto a tudo para se tornar um magnata do petróleo. Sangue Negro conta a a ascensão de Daniel Plainview, que também é um pouco sua descida ao inferno. Possuído pela ambição, pela raiva e pelo ódio de si mesmo, Daniel Plainview vai renegar o próprio filho e se destruir no processo insano de destruir os outros.


‘Assim que Paul (o diretor Anderson) me mostrou o roteiro, fiquei atraído pela história e pelo personagem. É um universo que me parecia estranho e a obsessão de Daniel (Plainview) me pareceu um mistério que gostaria de decifrar como ator.’ Quando ele fala em decifrar o mistério, você pode pensar que Daniel Day-Lewis aplica todo seu racionalismo à arte de interpretar. ‘Tenho cada vez menos interesse em falar sobre o meu método, mas a verdade é que quando uma filmagem se desenrola bem – e esta desenrolou-se maravilhosamente bem -, o trabalho vira um processo coletivo no qual todo mundo está em sintonia. Você pode se soltar e ser o personagem.’ Foi o que ele fez. O esforço já foi recompensado com um Globo de Ouro e com a indicação para o Oscar de melhor ator, uma das oito que Sangue Negro obteve, incluindo também melhor filme e diretor.’


 


LUTO
O Estado de S. Paulo


Morre o editor Geraldo Jordão Pereira


Filho de José Olympio, um dos maiores editores brasileiros, Geraldo Jordão Pereira morreu na terça-feira, de derrame. Ele estava com 69 anos e estava à espera de um transplante de fígado. Comandava, ao lado dos dois filhos, a editora Sextante, criada em 1998 e responsável pela edição brasileira de O Código Da Vinci, que vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares no País – o título foi descoberto por ele, durante a leitura de uma matéria sobre Dan Brown e sua história que envolvia Cristo e Da Vinci. Pagou US$ 12 mil pelos direitos. Estudou sociologia e administração e também dirigiu durante 20 anos a editora criada pelo pai.


 


TELEVISÃO
Etienne Jacintho


Sem merchandising Faustão perde inserções comerciais


‘Desde o início deste ano, o Domingão do Faustão está sem merchandising algum. Segundo levantamento do Controle da Concorrência, empresa que monitora inserções comerciais para o mercado, o programa global teve, durante o mês de dezembro, ações de oito produtos diferentes e fechou o ano com apenas um anunciante. Este ano, a merchandete Adriana Colin ainda não pisou no palco da atração. Já a caminho de seu sétimo programa em 2008, o Domingão ainda não emplacou nenhum merchandising.


A perda de inserções comerciais pode ser reflexo da audiência, que não vai bem. No último domingo, o programa marcou 16 pontos de média de audiência, enquanto Record obteve 12 e SBT, 11 pontos. Apesar de ter ficado em primeiro lugar, o Domingão fez a Globo perder 10 pontos de audiência, uma vez que o futebol, atração que antecede o Domingão, alcançou 26 pontos de média.


A situação provocou uma reunião da produção do Domingão com Fausto Silva, em São Paulo, esta semana. Dizem que a equipe está insatisfeita com a promoção insistente dos mesmos artistas e com a aparição escassa de celebridades populares.’


 


O Estado de S. Paulo


Roteiristas voltam ao trabalho


‘A greve dos roteiristas de Hollywood terminou oficialmente na última terça-feira, com 92,5% de votos a favor da volta ao trabalho. Agora, estúdios de televisão e cinema vão acertar a agenda para reiniciar suas produções. Segundo informações do The New York Times, os roteiristas de séries de sucesso como Grey’s Anatomy, da ABC, e Two and a Half Men, da CBS, já voltaram ontem ao trabalho para dar seqüência às atuais temporadas, que devem ter todos os seus capítulos finalizados este ano, diferentemente de 24 Horas, que voltará só em 2009.’


 


 


************

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem