Terça-feira, 19 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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DIRETóRIO ACADêMICO > TERÇA-FEIRA, 12/8

Agência lançará novas
licenças para a TV paga

Por Luiz Antonio Magalhães (seleção de textos) em 13/08/2008 na edição 498


Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 11 de agosto de 2008


TV POR ASSINATURA
Elvira Lobato


Anatel prepara a venda de novas licenças de TV paga


‘A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) prepara o lançamento de novos editais para a venda de concessões de TV paga. A oferta de licenças é reivindicada pelo mercado, que passa por forte processo de fusão e de concentração de empresas, acirrada pela entrada das teles no setor. A última licitação para licenças aconteceu há oito anos.


Os preparativos para os novos editais foram confirmados pelo superintendente de Comunicação de Massa da Anatel, Ara Minassian, no congresso anual da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura). O planejamento do lançamentos dos editais, de acordo com ele, será submetido à aprovação do conselho diretor da agência até o final deste mês.


Grandes aquisições aconteceram nos últimos anos no setor, e o processo continua. A Net admite interesse na compra da TV Cidade, que tem operações em Recife, Paulista, Olinda e Jaboatão (Pernambuco); em Juiz de Fora (MG); em Cuiabá e Várzea Grande (MT); em Niterói, São Gonçalo e Volta Redonda (RJ); em Gravataí (RS); em Aracaju (SE); e em Salvador e Feira de Santana (BA). A TV Cidade tem 80 mil assinantes de TV a cabo e 40 mil assinantes de banda larga.


A Sky, empresa de TV paga com transmissão direta por satélite, com 1,7 milhão de assinantes, acertou a compra da TV Filme, no final de março, mas a concretização do negócio depende de aprovação da Anatel. Outra aquisição em exame na Anatel é a da operadora paulista Big TV pela Net, acertada no final do ano entre as partes.


A TV Filme tem 40 mil assinantes e usa sistema de transmissão por freqüência de rádio (chamado MMDS). O presidente da Sky Brasil, Luiz Eduardo Baptista, disse que a TV Filme servirá um projeto piloto mundial da Sky para a oferta de acesso à internet por banda larga sem fio (tecnologia WiMax).


Concentração


O processo de concentração na TV paga começou a partir de 2004, com a entrada do grupo mexicano Telmex na Net Serviços, maior empresa de TV a cabo do país. A Net, assim como a TVA, do grupo Abril, vinha de uma longa crise financeira.


Em 2006, a Telefônica acertou a compra de parte da TVA (grupo Abril), e a Oi/Telemar revidou comprando a empresa mineira de cabo Way TV. Naquele mesmo ano, a Net incorporou a Vivax, que era a segunda maior empresa de TV a cabo.


A avaliação dos executivos é que as empresas médias acabarão absorvidas ou pela Net ou pelas teles. O entendimento é que apenas as pequenas empresas, situadas em cidades menores, sobrevirão como operações independentes.


O empresário mineiro Elos Nolli, sócio da Minas Cabo Telecomunicações, confirma a tendência de absorção das empresas médias pelos grandes. ‘Se tivermos uma boa proposta, vamos avaliá-la.’


Licitações


Segundo Ara Minassian, superintendente da Anatel, a demora no lançamento de novos editais deveu-se ao questionamento do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre os critérios para a definição do preço mínimo das licenças.


Em 2003, segundo ele, a Anatel fez uma licitação para a venda de concessões que foi questionada pelo TCU, em razão do grande percentual de ágio ofertado pelos concorrentes. A agência refez seus critérios fixos para definição dos preços mínimos, o que exigiu uma consulta pública em 2006.


Minassian disse que os novos leilões seguirão as regras estabelecidas pela Lei da TV a Cabo, como a obrigatoriedade de maioria de capital nacional. As companhias telefônicas, segundo disse, poderão comprar licenças nas localidades em que não haja outro interessado, como previsto na lei.


A Câmara dos Deputados discute um projeto de lei (PL 29) para eliminar as barreiras de entrada das teles no mercado de TV paga. Segundo Minassian, a agência não vai aguardar o término das discussões no Congresso.’


 


 


***


Net rebate afirmações do presidente da Oi


‘O presidente da Net Serviços, José Antônio Félix, reagiu, ontem, às acusações do presidente da Oi/Telemar, Luiz Eduardo Falco, de que a empresa teria se recusado a permitir o acesso da Oi à sua rede de cabos e, ainda, de que a Net seria só um braço da mexicana Telmex no país.


Irritado, o executivo foi para a sessão de abertura do congresso anual da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) com cópia de carta enviada pela Oi, em fevereiro. Segundo Félix, a tele queria apenas ter acesso a informações comerciais entre a Net e a Embratel em relação ao Net Fone.


Félix também protestou contra as referências feitas pelo presidente da Oi de que Net e a Embratel são um mesmo grupo. Segundo Félix, a Net é uma empresa com interesses independentes da Embratel, que tem a maior parte de seu capital em mãos de pequenos investidores da Bolsa. Disse que a Embratel faz parte do controle acionário da Net, com as Organizações Globo, mas não determina a política da empresa.


Segundo Félix, os investimentos para a expansão da Net vêm de suas receitas operacionais com TV paga e com banda larga, e não do caixa da Embratel.


Falco não aprofundou a polêmica. Segundo a assessoria da Oi, ele considera já ter feito as declarações que considerava devidas.


A vinculação da Net ao grupo Telmex tem sido usada pela Oi/Telemar como justificativa para o governo aprovar a compra da Brasil Telecom pela Oi. O argumento é que só uma grande tele nacional poderia evitar o domínio do mercado pelos grupos Telmex e Telefônica.


O presidente da Net disse ontem que a compra da BrT pela Oi tem de ser precedida da implantação efetiva de medidas para preservar a competição, como a portabilidade numérica (possibilidade de trocar de operadora sem alterar o número do telefone) e preços isonômicos para uso das redes das teles.’


 


 


TELECOMUNICAÇÕES
Marco Maciel


Para avançar mais nas telecomunicações


‘O MUNDO vive uma nova onda globalizadora, cujo núcleo reside na revolução da ciência e da tecnologia, de que a internet -que, certa feita, Millôr Fernandes chamou de ‘infernet’- é bem uma prova. A sensação que temos é que o mundo, de fato, se integrou. Até ficou menor!


Esse é um dos resultados da extensão da cibernética às telecomunicações, prevista por Norbert Wiener, do Instituto Tecnológico de Massachusetts (EUA), desde a década de 1950.


E, nesse contexto, é sempre bom ter presente o avanço obtido pelo Brasil a partir da chamada Lei Geral de Telecomunicações (lei nº 9.472/ 97), de iniciativa do então presidente Fernando Henrique Cardoso, e a conseqüente privatização do Sistema Telebrás, em 29/7/98.


A privatização das telecomunicações brasileiras mudou o país. Do ponto de vista macroeconômico, dobrou a participação das telecomunicações no PIB (Produto Interno Bruto), passando de 3,2% em 1998 para 6,2% no ano passado. Nesse período, as empresas do setor investiram R$ 140,9 bilhões (valor que não inclui o pagamento de licenças nem gastos com a privatização). Isso nos dá uma média R$ 14 bilhões por ano -no período de 1994 a 1997, o investimento médio anual do setor tinha sido de R$ 5,6 bilhões.


Transportados para o dia-a-dia do cidadão, tais números ganham uma dimensão ainda maior. Em dez anos, o celular passou de artigo de luxo à condição de meio de comunicação mais popular entre nós (de 5,5 milhões de aparelhos em serviço em 1998 para 133,1 milhões de celulares atualmente, o que representa um crescimento de 2.300%).


Não existia acesso de banda larga à internet e havia fila para conseguir o telefone fixo. Dispúnhamos apenas de 19 milhões de linhas fixas em 1998, número que hoje atinge 40 milhões, enquanto o total de acessos de banda larga alcançou 8,3 milhões.


Conforme destacou o jornalista Ethevaldo Siqueira em recente artigo, ‘a soma de acessos (telefones) fixos e móveis alcançava 24,5 milhões. Hoje, são 173 milhões. O número de usuários da internet, que era de 1,4 milhão, hoje ultrapassa 40 milhões. O indicador mais significativo do ponto de vista social, a densidade telefônica, saltou de 17 acessos por 100 habitantes para 93 por 100. Em dois anos, o país terá mais telefones do que gente’.


Significa dizer que o país está se comunicando e superando um fosso social que havia. Esse esforço, porém, precisa continuar. É importante salientar que o marco regulatório das telecomunicações precisa ser repensado, atualizado, sobretudo com o fortalecimento da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).


Ademais, como o Brasil ainda não consolidou uma cultura das agências reguladoras, diferentemente do que acontece na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia, o cidadão geralmente não percebe quão estratégico é o papel dessas instituições.


Cito, mais uma vez, Ethevaldo Siqueira: ‘Compare, leitor, a disponibilidade e a qualidade dos serviços de telecomunicações com as de outras áreas -energia, estradas, aeroportos, saúde, educação, previdência ou segurança-, verdadeiros gargalos ou freios ao desenvolvimento nacional’.


A atualização do marco regulatório e o fortalecimento da Anatel, contudo, não podem se dar de forma dissociada da melhoria da qualidade de atendimento aos usuários.


Considero até, e já tive a oportunidade de sugerir isto no Senado Federal, que devemos ter nas agências reguladoras um representante dos usuários. Sem integrar os quadros do órgão, esse representante atuaria como uma espécie de ombudsman, de fiscal, não só apreciando como oxigenando as atividades dessas agências.


Da mesma forma, há necessidade de maior empenho do governo federal para estimular a competição. O que temos observado é que o governo parece estimular a redução do número de concessionárias, em flagrante desencorajamento à competição e, conseqüentemente, à melhor prestação dos serviços nessa área tão vital ao país.


Oxalá continuemos avançando não somente nesse mas em outros setores fundamentais para que o Brasil cresça a taxas mais altas, assegurando a todos o acesso a serviços sociais básicos, indispensáveis a um projeto homogêneo e integrado de nação.


MARCO MACIEL , 68, é senador da República pelo DEM-PE e membro da Academia Brasileira de Letras. Foi vice-presidente da República (1995-1998 e 1999-2002), ministro da Educação (governo Sarney) e governador de Pernambuco (1978-1985).’ 


 


 


OLIMPÍADAS DE PEQUIM
Carlos Heitor Cony


Alegorias de Mao


‘RIO DE JANEIRO – Foi monumental a abertura da Olimpíada de Pequim, na qual não faltaram as nossas conhecidas alegorias de mão, que tanto brilham no Carnaval brasileiro. No entanto, faltaram as alegorias de Mao. Os milenares fastos da China passaram por cima do longo período em que Mao Tsé-tung ameaçava ser maior do que o país que ele governou com mão de ferro, coadjuvado por sua mulher, que também fez das suas na decantada Revolução Cultural, que pretendia mudar não apenas a China mas o mundo todo.


É bem verdade que a situação daquele país, em termos políticos e de direitos humanos, continua naquela base, criando uma discussão paralela: o atual e portentoso desenvolvimento da economia chinesa compensa ou atenua o regime de força?


A obrigação de um Estado é, antes de mais nada, criar condições de liberdade para o povo. O progresso é necessário e bem-vindo, mas o importante é garantir que o cidadão seja livre para inclusive se beneficiar do progresso. Certa vez, Mussolini propôs aos italianos: pão ou canhão. Preferiram o canhão. Deu no que deu.


Os entendidos estão prevendo que o século 21 será o século da China. Ela será a única superpotência mundial nas próximas décadas. Um neto de 12 anos, que nasceu e mora em Washington, freqüenta uma escola onde, entre outras matérias, aprende o mandarim -a língua oficial dos chineses. É um sintoma ao mesmo tempo cultural e pragmático. É bom que as novas gerações se preparem para o futuro. Não o futuro alegórico de mão ou de Mao, mas o futuro real, que aponta para a economia e a ditadura do mercado.


De minha parte, já passei da idade de aprender o mandarim ou qualquer outra coisa de utilidade imediata. Estou mais preocupado em não esquecer o pouco que aprendi.’


 


MEMÓRIA / OCTAVIO FRIAS DE OLIVEIRA
Folha de S. Paulo


Octavio Frias de Oliveira é homenageado


‘Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha morto em 29 de abril de 2007, aos 94 anos, será um dos 20 homenageados hoje pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) em evento às 19h, em Brasília.


Também receberão homenagens póstumas a primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008), o presidente das Organizações Globo Roberto Marinho (1904-2003), o presidente do Grupo Abril Victor Civita (1907-1990) e o cientista Carlos Chagas Filho (1910-2000).


A CNI concederá a Medalha do Mérito Euvaldo Lodi, que leva o nome do primeiro presidente da entidade, a outras 15 personalidades: o arquiteto Oscar Niemeyer; os empresários Antônio Ermírio de Moraes, Jorge Gerdau, Norberto Odebrecht, Luiz Fernando Furlan e Décio da Silva; a ministra do STF Ellen Gracie Northfleet; o senador Cristovam Buarque; os economistas Antonio Delfim Netto e José Pastore; o ex-presidente da Fifa João Havelange; o ex-jogador Pelé; a atriz Fernanda Montenegro; os ex-ministros Jarbas Passarinho e Célio Borja. A medalha, segundo a CNI, homenageia pessoas que se destacaram em áreas como indústria, economia, ciência, cultura e esporte.


O evento também celebrará 70 anos de existência da CNI. Serão lançados um selo e um carimbo comemorativos, além de um livro sobre a indústria no Brasil, de Eduardo Bueno.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


A Petrobras sobe


‘Nas manchetes on-line daqui, ‘Lucro da Petrobras sobe 44%’ no semestre. Também por lá, via Reuters e demais, ‘Petrobras jumps 29pc’ no trimestre.


A Bloomberg, que abriu o dia com longa reportagem destacando as apostas no mercado, de que a estatal brasileira poderia ter lucro 16% maior no trimestre, noticiou depois que o resultado de 29% se deveu à ‘maior produção de petróleo’ e aos preços.


Ao fundo, na blogosfera engajada, questionamentos à informação de que Tupi e outros campos da camada pré-sal devem ser divididos pela Petrobras com uma nova companhia estatal, acompanhando um modelo proposto pelo ministro das Minas e Energia.


CHINA E A FROTA


O chinês ‘Diário do Povo’, órgão do PC, deu que o ‘Brasil vai fortalecer sua força marítima para garantir soberania’. Ecoava declaração de Mangabeira Unger, de que ‘a presença dos EUA em águas internacionais do Cone Sul reitera a importância de se cuidar melhor da defesa’.


COMO ANTES


O site da ‘Veja’ deu manchete para o chileno Arturo Valenzuela, ligado a Bill Clinton e apresentado como ‘consultor de Barack Obama’. Sobre o líder mais influente na América Latina, diz que ‘provavelmente diria que é Lula, mas as lideranças da região não são tão fortes como as de antes’. A saber, FHC.


BRASIL VS. EUA


O prestigioso ‘Observer’ deu a longa reportagem ‘EUA se recusam a relaxar controle sobre o Banco Mundial’ a um mês da reunião anual. Dez emergentes, ‘liderados pelo Brasil’ e incluindo a China, ‘se uniram para cobrar uma mudança radical’.


SEM REAÇÃO


O site da ‘Economist’ segue com o conflito na Geórgia e ontem destacou que a ‘Rússia tem o controle’ (has the upper hand). Diz que ‘o Ocidente vai ter dificuldade para achar resposta’ à ação russa, que ‘estendeu o conflito para uma guerra dentro da Geórgia’. E que a Rússia envia ‘sinal alto e claro a outros países em sua periferia’.


‘CYBER WARS’


Na barafunda de notícias do conflito, ecoa a ‘guerra cibernética’ que derrubou sites do governo georgiano. No fim do dia, a AP noticiou que o site do presidente havia se transferido do ‘país da Geórgia’ para o Estado da Geórgia.


Entre outros, os sites de ‘New York Times’, ‘Telegraph’, ‘Wired’, ‘PC Magazine’ e ZD Net destacaram as páginas georgianas ‘sob ataque’, o presidente ‘sitiado também on-line’ etc. Mas nenhum conseguiu cravar, só indicar, que seriam ‘hackers russos’.


GOOGLE É MÍDIA?


Com a ilustração à dir., que transforma o Google em logotipo de imprensa, o ‘NYT’ se pergunta: ‘Google é uma companhia de mídia?’.


Cita caso do Knol, a recém-lançada versão do gigante para a Wikipedia: uma receita do Knol surge nas buscas do Google acima de igual receita no site de Martha Stewart. Com este e outros ‘assaltos em conteúdo’, diz o jornal, ‘cresce a dúvida sobre sua afirmação de não ser empresa de mídia’. O Knol concorre com o About.com, do ‘NYT’.


CAMPANHA SEM FIM


Agências do Google à Bloomberg seguem destacando que o ‘Rio tem tudo para os Jogos de 2016’, segundo Lula ontem, já em Brasília, no ‘Café com o Presidente’.


ENTRE ESTUDANTES


Se Galvão Bueno deu a seleção por ‘favorita’ após vencer a Nova Zelândia nos Jogos, a Reuters deu em título ‘Ronaldinho emocionado por gols contra estudantes’.’ 


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Record é processada por promover jogatina


‘O procurador da República Márcio Schusterschitz dará entrada hoje na Justiça Federal a uma ação civil pública pedindo a suspensão imediata do Super Leilão, promovido pela Record.


Para o procurador, o Super Leilão ‘nada mais é do que um jogo de azar’ disfarçado de leilão invertido. No ar há quase um ano, o Super Leilão promete prêmios como carros a quem ligar para um telefone de prefixo 0900 e oferecer ‘o menor lance único’. A ligação custa R$ 4,00, mais impostos. Band e Rede TV! têm ações parecidas.


O procurador também entende que o Super Leilão desvirtua os princípios constitucionais da TV e fere os direitos do consumidor, pois o telespectador faz apostas ‘às cegas’.


A Record argumenta que apenas veicula o Super Leilão, como uma publicidade. Diz que seu cliente é uma empresa chamada Total Spin Brasil. Para Schusterschitz, no entanto, o regulamento do Super Leilão, ao prever ‘autorização do uso da imagem dos participantes’ pela Record, ‘prova a absorção da atividade pela emissora’.


Antes de ajuizar a ação, o procurador recomendou à Record a suspensão do Super Leilão, mas não foi atendido.


Procurada, a Record defendeu a legalidade do negócio e informou que só se manifestará na Justiça. A Total Spin afirmou que o Super Leilão ‘é uma modalidade de compra’ que respeita a legislação e ‘não explora a boa-fé do consumidor’.


BOMBA 1


A divulgação, de forma extra-oficial pela Record, de que a TV de Edir Macedo comprou com exclusividade os direitos dos Jogos Pan-Americanos de 2011, em Guadalajara (México), por cerca de US$ 10 milhões, caiu como uma bomba na Globo.


BOMBA 2


A direção de jornalismo esportivo da emissora, responsável por esse tipo de negociação, teria vacilado e entrado tardiamente na concorrência. Ainda tenta reverter a situação.


BOMBA 3


Oficialmente, a Globo informa que ‘realmente’ foi surpreendida pela notícia, ‘pois não recebemos até o momento nenhum comunicado sobre a abertura da disputa dos direitos [do Pan de 2011], procedimento comum nesses casos’.


PADRÃO 1


A Globo anda batendo recordes de problemas técnicos. Ontem, a tela ficou preta durante a exibição de uma reportagem no ‘Mais Você’. A imagem voltou para o estúdio, onde só o Louro José estava a postos. O boneco chamou pela ‘mãe’ (Ana Maria Braga), que não apareceu.


PADRÃO 2


No sábado, o telão high-tech que a Globo estreou nesta Olimpíada travou quando Mylena Ceribelli apresentava agenda do Brasil em Pequim.


BOLADA


A Band está se dando bem com a Olimpíada. Tem mostrado competições a partir das 22h, o que a Globo não faz. No sábado à noite, deu média de dez pontos e ficou em segundo no Ibope. Domingo de manhã, também bateu Record e SBT.’


 


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Golpes em família movem ‘The Riches’


‘‘The Riches’, que a Fox estréia hoje no Brasil, é uma série sobre família, mas uma família de golpistas. O primeiro episódio começa com o pai, Wayne Malloy (Eddie Izzard), se passando por um aluno de uma turma da qual ele nunca fez parte, em um encontro de colegas de colégio. Enquanto o dono da identidade que ele assumiu não chega, Wayne e seus filhos furtam carteiras, arriscando até um discurso para seus ‘colegas’. As carteiras são ‘presentes’ para a mãe, Dahlia Malloy (Minnie Driver), que eles irão buscar na penitenciária onde ela acaba de cumprir pena. Pouco depois, eles presenciarão um acidente automobilístico no qual uma família de milionários, os Richs, não sobrevive. Dali em diante, os Malloys irão assumir sua identidade e trocarão o trailer onde vivem pela mansão que a família estava prestes a ocupar, em um condomínio de luxo no qual ninguém conhecia os verdadeiros Richs -daí o trocadilho com ‘riches’ (riqueza), que dá nome ao programa. É neste cenário que se de- senrola a série, com um argumento que permite tanto o humor quanto o drama. Pelo papel da mãe, Dahlia, a atriz Minnie Driver foi indicada ao Emmy, no ano passado, e ao Globo de Ouro, neste ano, de melhor atriz dramática.


(BB)


THE RICHES


Quando: estréia hoje, às 21h


Onde: na Fox


Classificação indicativa: não recomendado para menores de 16 anos’


 


Cristina Fibe


‘Série só acaba se ninguém mais fizer coisas estúpidas’


‘Em seis anos, eles já colocaram à prova cerca de 550 mitos, em mais de 120 horas de programa, com cerca de 250 explosões. Amanhã, no Brasil, vai ao ar o centésimo episódio de ‘Os Caçadores de Mitos’, que testa soluções que MacGyver inventou na série dos anos 80 e inaugura a sexta temporada, pelo Discovery Channel. A Folha visitou os estúdios dos ‘caçadores’, em San Francisco, Califórnia, onde a equipe guarda tudo o que já foi usado no programa, desde 2003, quando estreou. No Brasil, a série, hoje restrita à TV paga, ganhou popularidade em 2006, ao ser transmitida como um quadro do ‘Fantástico’. Em meio a esqueletos, rabos de tubarão, bancos de avião, comida de rato, extintores de incêndio e manequins avariados, os apresentadores conversaram com jornalistas sobre os riscos e a graça da proposta da série -testar ‘lendas urbanas’ e dizer se são fato ou mentira. Mais de cem episódios concluídos, o programa já precisa apelar a ‘mitos’ do cinema ou a vídeos espalhados pelo YouTube. Os mitos estão se esgotando? A equipe, treinada, tem um discurso uniforme: ‘A série só acaba quando as pessoas pararem de fazer coisas estúpidas’. Com óculos escuros, jeans, camiseta preta, sardas gritantes e unhas sujas, o ruivo da dupla principal de apresentadores, Adam Savage, 41, pede um café preto duplo, joga montes de açúcar e começa a contar seu novo mito preferido -o que testou se os elefantes têm mesmo medo de ratos. ‘Foi a coisa mais divertida que já fizemos’, diz, antes de contar a experiência em detalhes (veja no quadro ao lado). ‘O show faz sucesso porque mostra o processo de descoberta. Não estamos num laboratório. [A série] É para satisfazer a minha curiosidade. Estamos genuinamente interessados no resultado.’


Segurança


Na segunda xícara de café, Adam cita entre seus mitos preferidos ‘os mais difíceis’. Sobre os que não deram certo ou terminaram em acidente, responde, com mistério: ‘Há incidentes sobre os quais não falamos’. ‘Tivemos alguns chamados de alerta que ajudaram a nos manter em segurança. Pode ser amedrontador’, diz ele, sério. ‘É bem mais divertido assistir aos experimentos do que fazê-los.’ Jamie Hyneman, 51, o mais sério da dupla ‘protagonista’ da série, conhecida pelas explosões ou incêndios comuns a quase todos os episódios, chega para completar: ‘Você está vivo ou morto. Não há meio-termo. Às vezes as decisões são de vida ou morte, experimentamos os limites dos materiais. Quanto mais fazemos, mais medo temos -precisamos ter’. Apesar da atmosfera de perigo, a gravação a que a reportagem assiste testa se uma cebola pode ser ‘eletrizada’ por uma bebida energética e, assim, servir de carregador para um iPod. Uma das polêmicas que os cercam, aliás, é o grau de precisão científica dos experimentos. Para muitos cientistas, é zero. Adam e Jamie -que, aliás, parecem se dar muito bem, ao contrário do que propagandeiam- têm resposta padrão para a questão: não são especialistas, mas, com sua ‘ampla gama de conhecimentos’ e a experiência em efeitos especiais, ‘acham soluções que um expert não encontraria’.


A repórter CRISTINA FIBE viajou a convite do Discovery Channel.’


 


 


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Brasileiro trabalha nos bastidores do programa


‘Em ‘Os Caçadores de Mitos’, os complexos mecanismos para colocar à prova lendas -que vão de construir aviões a reproduzir um crânio- parecem sempre resolvidos milagrosamente pelos cinco apresentadores, na frente das câmeras. Mito; é claro que a série conta com uma equipe de pesquisa, que ajuda a ter idéias para serem testadas, e outra de produção, que contribui para que Adam, Jamie, Tory, Kari e Grant dêem menos vexame na hora de criar os seus mirabolantes experimentos. O mineiro Cristiano Rocha, 33, é um dos especialistas que fica por trás das lentes. A Folha conheceu o brasileiro na produtora de Jamie Hyneman, a M5 Industries, que é especializada em efeitos especiais e aluga suas dependências para as gravações do programa. Há 15 anos, Rocha deixou Belo Horizonte para estudar design gráfico e computação gráfica nos Estados Unidos; há seis, começou a trabalhar com Hyneman na produtora -que já fez trabalhos para filmes como ‘Star Wars’, ‘Top Gun’ e ‘Matrix’ e mais de 800 comerciais- e entrou para a equipe da série logo no início. Hoje, é assistente de câmera e o expert em computação gráfica de ‘Os Caçadores de Mitos’.


(CF)


OS CAÇADORES DE MITOS


Quando: amanhã, às 19h


Onde: no Discovery Channel


Classificação indicativa: não informada’


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 11 de agosto de 2008


 GUERRA NA GEÓRGIA
O Estado de S. Paulo


Internet vira arma na guerra de informação


‘A crise no Cáucaso ganhou um novo front: o ciberespaço. Segundo Nato Chikovani, porta-voz do governo da Geórgia, hackers baseados em cidades russas, como São Petersburgo e Moscou, ‘inundaram e bloquearam’ sites do governo georgiano – entre eles o do Ministério das Relações Exteriores, o da Presidência e um dos maiores portais de notícias da Geórgia. Para driblar o ataque, o governo continuou a divulgar as notícias em um blog (http://georgiamfa.blogspot.com), que permanece no ar, e passou a hospedar os sites oficiais em servidores localizados dentro dos EUA. Moscou, no entanto, nega as acusações de Tbilisi e diz estar também sob forte ataque no espaço virtual. ‘Diversas páginas na internet pertencentes à mídia russa e a organizações oficiais foram tiradas do ar, vítimas das ações de hackers’, afirmou ontem um porta-voz do Kremlin.’


 


 


TV PAGA
Renato Cruz


Telefônica testa TV em três dimensões


‘A Telefônica planeja testar em São Paulo, ainda este ano, um sistema de TV em três dimensões (3D), que não precisa de óculos especiais. ‘Com sorte, começaremos os testes no Brasil antes da Espanha’, disse Raúl Ortega del Río, diretor da Telefónica Investigación y Desarrollo, empresa de pesquisa da operadora. Em parceria com a TVA, de quem é acionista, a operadora vai oferecer o serviço via IPTV (vídeo via internet direto no televisor) para os clientes da região dos Jardins, em São Paulo, que possuem conexão de fibras ópticas. Na Espanha, onde também haverá um piloto, o IPTV da empresa se chama Imagenio.


A Telefônica demonstrou a TV 3D durante o evento ABTA 2008, em São Paulo, com um aparelho da Philips. Para assistir os programas tridimensionais, o espectador precisa de um televisor especial. O modelo de 42’ da Philips sai por 18 mil no Brasil, incluindo impostos e frete. ‘Hoje, a tecnologia é mais voltada para aplicações corporativas’, disse Renato Secco, gerente da Philips. ‘Em três ou quatro anos, deve se tornar mais acessível ao consumidor.’


Apesar de o aparelho estar disponível comercialmente há pouco mais de um ano, ainda não existe no mundo serviço de TV em três dimensões voltado ao cliente residencial. A Deutsche Telekom fez demonstrações em Hannover, na Alemanha, no ano passado. A Philips aposta, por enquanto, no uso do televisor 3D para exibir propaganda em lugares públicos, como shopping centers e hotéis, e em aplicações para setores como educação e farmacêutico.


O aparelho acaba com a necessidade dos velhos óculos de lentes verde e vermelha. A tela projeta imagens um pouco diferentes para o olho esquerdo e o olho direito, para criar a ilusão da tridimensionalidade. A TV usa pequenas lentes sobre os pontos vermelhos, verdes ou azuis, que formam a imagem. Essas lentes fazem com que sejam mostradas imagens tridimensionais para nove ângulos diferentes de visão. Quando o espectador fica entre dois ângulos, ele acaba vendo imagens duplicadas, como os ‘fantasmas’ que aparecem na televisão analógica. Resolver o problema é fácil: é só se mover um pouco para o lado, para receber as imagens certas para o efeito 3D.


A tecnologia funciona com filmes produzidos em 3D e jogos de computador. Os vídeos bidimensionais podem ser adaptados com um sistema chamado Bluebox. A Philips tem televisores 3D de 20 e 42 polegadas, além de um telão de 132 polegadas. Até o fim do ano, serão lançados mais dois modelos: de 22 e 52 polegadas. Não existe padrão de mercado para a TV 3D. Ou seja, um serviço que tem como base o televisor da Philips não funcionaria com equipamentos de outros fabricantes.


O conteúdo 3D se tornou uma grande aposta da indústria. Segundo a rede de cinemas Cinemark, os filmes em 3D permanecem mais tempo em cartaz. Neste ano, foram exibidos três títulos em 3D – A Lenda de Beowulf, Hannah Montana e Viagem ao Centro da Terra – e mais dois devem entrar em cartaz. Para 2009, estão previstos nove títulos.


A televisão 3D serve de argumento para a TVA e a Telefônica de que a entrada das concessionárias locais no mercado de TV por assinatura traz inovações e serviços diferenciados para os usuários, na briga com a Net e a Embratel. ‘A Telefônica e seus parceiros já têm mais de 600 mil clientes de TV por assinatura’, disse Leila Loria, diretora-geral da TVA. A Telefônica planeja investir R$ 123 milhões este ano para ampliar sua rede de fibras ópticas e atender clientes residenciais em bairros de São Paulo e no interior.’


 


INTERNET
Cesar Bianconi


Google estuda como ganhar dinheiro com o Orkut


‘Ao mesmo tempo em que trabalha na transferência da gestão do Orkut da Califórnia para o Brasil, o Google busca formas de gerar receita com a rede social. O recém-indicado presidente do Google para América Latina, Alexandre Hohagen, afirma que os problemas no serviço relacionados a conteúdo ilícito estão equacionados.


‘Queremos monetizar o Orkut, mas a contextualização de anúncios nas redes sociais ainda precisa melhorar’, afirmou ontem, em visita ao Grupo Estado. ‘As comunidades no Orkut são uma grande oportunidade, assim como os perfis dos usuários.’ Como exemplo, mencionou uma comunidade online de amantes por carros, com potencial interesse publicitário por parte das montadoras.


Segundo o executivo, outras redes sociais como Facebook e MySpace já obtêm receita por meio de anúncios sob a forma de banners. ‘O grande ovo de Colombo é deixar de relacionar a publicidade a um público e relacioná-la a uma intenção.’


Depois de problemas enfrentados na Justiça por causa do uso da rede por pedófilos, Hohagen disse que será ‘cada vez mais difícil se encontrar páginas de conteúdo ilícito’ no Orkut, graças ao trabalho que vem sendo feito junto com as autoridades.


Quase a totalidade da receita global do Google vem de links patrocinados, ou seja, empresas que pagam para que seus anúncios sejam vistos pelos internautas de acordo com a palavra que digitam no mecanismo de pesquisa online.


Em entrevista à Rádio Eldorado, Hohagen disse que a operação brasileira deve crescer três dígitos em 2008, como ocorre desde a abertura do escritório no País, há três anos. Ele disse que ainda há muitas oportunidades a serem exploradas porque de 20% a 30% das 5 milhões de empresas brasileiras estão inseridas no mundo digital.’


 


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Record veta quadro João Kléber não fará Teste de Fidelidade


‘Com estréia já agendada na Record Internacional, João Kléber teve de abandonar o seu Teste de Fidelidade para conseguir uma vaga na emissora. Segundo fontes ligadas à direção da rede, essa foi uma das imposições do canal para ter o apresentador em seu cast internacional.


Gravado em Lisboa, o João Kléber Total, que estréia na segunda quinzena de setembro, irá ao ar na Europa e na África, pela Record Internacional.


João Kléber desmente a imposição da emissora, e diz que já queria abandonar o Teste Fidelidade quando ainda estava fazendo programas no Brasil, na RedeTV!.


Vale lembrar que o famigerado quadro gerou alguns processos e problemas com o Ministério da Justiça à emissora. Depois de cinco anos na RedeTV!, João Kléber ficou mais três anos na portuguesa TVI, liderando a audiência com o famoso teste, é claro.


‘Meu novo programa será para a família, terá esquetes de humor, fofocas sobre personalidades e pegadinhas’, conta o apresentador, que foi, meses atrás, procurar a Record. Na emissora, é certo que o João Kléber Total não virá para o Brasil.


Minissérie em família


Apresentado à imprensa na semana passada, o elenco da minissérie Maysa, que vai ao ar na Globo em janeiro, é praticamente todo formado por atores de teatro. Entre as exceções estão os netos da cantora, Jayme (de branco) e André Matarazzo, filhos do diretor Jayme Monjardim, que farão o próprio pai na ficção.


Entre-linhas


O clima esquentou para valer no primeiro dia do congresso da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), em São Paulo. Em debate, farpas foram trocadas entre a superintendente da TVA/Telefônica, Leila Loria, e o presidente da Net Serviços, José Felix. Na pauta, legislação que atinge diretamente a TV paga no País.


A sétima temporada de 24 Horas estréia em janeiro na Fox, nos EUA. Por aqui, Jack Bauer chega só em abril.


Já o filme baseado na série, feito pela Fox, estréia este semestre no canal.


A Record Internacional avaliou como positivo o saldo da transmissão do Rodeio de Jaguariúna e vai reprisar a dose no Rodeio de Goiânia. A emissora já acertou os direitos sobre a transmissão do evento no exterior.


Ao ver as primeiras fotos com imagens de Donatella (Cláudia Raia) na prisão em A Favorita, impossível não lembrar do cômico Tonhão, vivido pela atriz em TV Pirata.


Ana Maria Braga até que e tenta pegar carona no espírito olímpico, mas força um pouco. Entregou ontem, no programa, uma ‘medalha de honra’ do Mais Você para a jogadora da vôlei Juliana, que teve de desistir da competição em Pequim de última hora, por conta de uma lesão.


Problemas de áudio continuam atrapalhando a transmissão da Olimpíada na Band. O que é lamentável, pois a emissora está mandando bem.’


 


 


CRÔNICA
Arnaldo Jabor


Todas as bombas desejam explodir


‘Cumpro hoje a tradição de todo ano escrever sobre Hiroshima e Nagasaki, destruídas há seis dias atrás, em 1945. Ninguém fala nisso. Os jornais esqueceram. Por isso, todo ano me repito, não para condenar abstratamente um dos maiores crimes da humanidade. Não. Mas para me lembrar e os que fazem o favor de me ler que o impensável pode acontecer sempre. O horror se aperfeiçoa, se camufla, mas não acabará nunca.


Agora estamos de novo diante do perigo nuclear. Não da guerra fria, como foi em 62, a crise que extinguiria o planeta; mas diante de guerras possíveis, táticas, quentes, lá no deserto, com o Paquistão, a Índia, Israel e brevemente o Irã. Sem falar na Coréia do Norte e na inveja letal que o grande progresso da China poderá provocar no Ocidente americano. Escrevo isso porque vivemos a era inaugurada por Hiroshima: um tempo em que a morte, ou melhor, o suicídio da humanidade virou uma escolha político-militar. Os computadores do Pentágono oscilam nessa possibilidade estratégica: valerá ou não a pena continuarmos atômicos? Querem sim. Tanto é que estão recauchutando 10 mil bombas ‘velhas’, para que rejuvenesçam e durem mais. Podem destruir o mundo 40 vezes, o que desestimula qualquer esperança de Razão, projeto, cultura. Há 63 anos, em Hiroshima, inaugurou-se a ‘guerra preventina’ de hoje. Vivemos dois campos de batalha sem chão; de um lado a máquina americana comandada pela lógica de um turbo capitalismo que raspará qualquer obstáculo a seu desejo. Do outro lado, temos os homens-bomba multiplicados por mil, também graças à América do Bush. E eles amam a morte e não temem destruição.


Enquanto o Holocausto dos judeus na 2ª Guerra fecha o século 20, dando conta de contradições ainda do século 19, o espetáculo de Hiroshima marca o início da guerra do século 21, com sua resposta invertida na destruição do WTC em 2001. Auschwitz e Treblinka ainda eram ‘fornos’ da Revolução Industrial, mas Hiroshima inventou a guerra tecnológica, virtual, asséptica. A extinção em massa dos japoneses no furacão de fogo fez em um minuto o trabalho de meses e meses do nazismo. O que mais impressiona em Hiroshima é a eficiência, sem trens de gado humano, a morte ‘on delivery’, ‘fast’, ‘clean’, anglo-saxônica. A bomba americana foi uma ‘vitória da ciência’. Hiroshima e Nagasaki dão início à guerra ‘limpa’, do alto, prefigurando Guerra do Golfo, Afeganistão e Iraque 2.


Os nazista eram loucos, matavam em nome do ideal psicótico e ‘estético’ de ‘reformar’ a humanidade para o milênio ariano. As bombas americanas foram lançadas em nome da ‘Razão’.


Na luta pela democracia, rasparam da face da Terra os ‘japorongas’, seres oblíquos que, como dizia Truman em seu diário: ‘São animais cruéis, obstinados, traidores.’


Seres inferiores de olhinho puxado podiam ser fritos como ‘shitakes’.


Enquanto os burocratas alemães contavam os dentes de ouro e óculos que sobraram nos campos, a bomba A agiu como um detergente, um mata-baratas.


Ainda hoje é fascinante ver as racionalizações que a América militar inventou para justificar seu crime nuclear. Truman escreveu: ‘Eu queria nossos garotos de volta (‘our kids’) e ordenei o ataque para acelerar essa volta.’ Diziam também que Hitler estava perto de conseguir a bomba, o que é mentira.


A destruição de Hiroshima foi ‘desnecessária’ militarmente. O Japão estava de joelhos, querendo preservar apenas o imperador Hirohito e a monarquia. Uma das razões reais era que o presidente e os falcões da época queriam testar o brinquedo novo. Truman fala dele como um garoto: ‘Uau! É o mais fantástico aparelho de destruição jamais inventado! Uau! No teste, fez uma torre de aço de 60 metros virar um sorvete quente!…’


Além disso, os americanos queriam vingar Pearl Harbour, pela surpresa de fogo, exatamente como o ataque japonês anos antes. Queriam intimidar a União Soviética, pois começava a Guerra Fria, além, claro, de exibir para o mundo um show ‘maravilhoso’ de potência, som e luz, uma superprodução em cores enfeitando a era do novo Império.


O Holocausto sujou o nome da Alemanha, mas Hiroshima soa quase como um desastre ‘natural’. Na época, a bomba explodiu como um alívio e a opinião pública celebrou tontamente. Nesses dias, longe da Ásia e Europa, só havia os papéis brancos caindo como pombas da paz na Quinta Avenida, sobre os beijos de amor e vitória. Era o início de uma era de prosperidade na América, dos musicais de Hollywood, pois o Eixo do mal estava derretido. Naquele ambiente mundial não havia conceitos disponíveis para condenar esse crime hediondo. A época estava morta para palavras, na vala comum dos detritos humanistas.


A euforia americana avança até 1949, quando a bomba H soviética acaba com a festa, instilando a paranóia nacional que vai crescer muito em 1957, quando sobe o ‘Sputnik’ – eu estava lá: parecia um 11 de Setembro.


Incrivelmente, o Holocausto ainda tinha o desejo sinistro de produzir um ‘sentido’ para a matança, um futuro milênio ariano.


Hoje, não há mais objetivos ideológicos ou ‘humanos’ no comando. No lado Ocidental, quem mandam são as Coisas: a lógica do petróleo, do poder de controle, a paranóia antiterror manipulada pela política.


Mesmo sem um projeto humano no comando supremo, as bombas desejam explodir. A loucura americana – encarnada pelo embaixador das Coisas, o Bush – está mais exposta. O avião que largou a bomba A em Hiroshima tinha o nome da mãe do piloto na fuselagem – ‘Enola Gay’ -, esse gesto de carinho batizou de fogo 150 mil pessoas. Essa foi a mãe de todas as bombas, parindo um feto do Demônio que exterminou 40 mil crianças em 15 segundos.


Estamos assim: de um lado, a Coisa. Do outro, Alá. A pulsão de morte e o desejo de mercado se encontraram finalmente. Quem vai controlar?’


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