Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

DIRETóRIO ACADêMICO > CÓDIGO ABERTO

Agora só paga quem quer

Por Clovis Geyer em 18/12/2007 na edição 464

No dia 3 de dezembro de 2007 chegou ao curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a edição temática do jornal laboratório Zero, com a pauta totalmente direcionada para programas open source, causando grande euforia entre os usuários de programas livres, em especial da plataforma Linux.

Segundo Sady Jacques, coordenador-geral da Associação SoftwareLivre.Org, ‘o Projeto Software Livre Brasil existe desde 1999 e parece incrível que só agora se tenha uma notícia destas. De qualquer forma, antes tarde do que nunca!’ Também Cláudio Filho, criador da revista BrOffice, comenta o pioneirismo de ‘saber que as ferramentas livres estão entrando no meio acadêmico, mudando o paradigma atual sobre qualidade’. Também cobra a integração dos universitários das áreas de Comunicação e Jornalismo aos movimentos de softwares livres, citando que alguns cursos, como Letras e Computação (e afins), já estão integrados com algumas comunidades do país, ‘mas não vejo os cursos de Jornalismo e Comunicação, que podem dar uma contribuição igualmente grande para esta verdadeira revolução sócio-tecno-econômico-cultural no país’.

O curso de Jornalismo da UFSC começou ainda no segundo semestre deste ano um laboratório para pesquisa e utilização de programas open source como ferramentas de trabalho para jornalistas; e a edição do jornal Zero era uma forma de colocar na prática as suas aplicações, assim como o NEPHIjor – Núcleo de Estudo e Produção em Hipermídia aplicado ao jornalismo, formado pelos professores e supervisores Maria José Baldessar, Mauro César Silveira e Raquel Longhi, junto comigo, como professor-colaborador, todos do Departamento de Jornalismo.

Faltou o Linux

Acompanhando a evolução da qualidade dos programas, chega-se à conclusão de que não é mais necessário usar softwares proprietários em laboratórios governamentais – no caso, a Universidade Federal de Santa Catarina – mesmo que alguns não tenham o desempenho necessário, comparativamente aos ‘proprietários’. Não cabe a um curso de Jornalismo ensinar um software, e sim, os conceitos de diagramação, cores, tipologia, ou seja, todo e qualquer elemento de texto e edição que faça parte da elaboração de um produto gráfico impresso – e os programas livres superaram a expectativa.

A disciplina do jornal laboratório Zero é composta por duas turmas, num total de 30 alunos, coordenadas por um professor, neste semestre, Lúcio Baggio. A idéia é reproduzir uma redação com repórteres, redatores, editores, fotógrafos e paginadores (editoração eletrônica) e um deadline para cada edição. Neste semestre, foram criados quatro jornais Zero e um Zero Revista. A única coisa que faltou foi terem trabalhado na plataforma Linux, pois como os laboratórios são utilizados por outras disciplinas, ainda utilizam o windows; no próximo semestre, entretanto, isso já será corrigido, pois hoje apenas dois micros têm o Linux instalado, o que seria insuficiente para a elaboração do jornal.

Programas da liberdade

A primeira coisa seria onde conseguir os programas necessários. Como já tinha todos eles comigo, passei os seguintes endereços aos alunos:

** Editor de texto – O BrOffice é um editor de texto muito completo e tem, em relação ao Word tradicional, a vantagem de ser BrOffice Draw, onde é possível editorar páginas e produzir gráficos. Muito eficiente e com dicionários em português.

** Paginador eletrônico – Antes de instalar o Scribus, é importante instalar o Ghostscript, pois é ele que vai permitir que o Scribus gere o PDF.

O Scribus é o programa em que foi editorado o jornal Zero. É um pouco difícil de se adaptar com as ferramentas de texto, mas assim que se ‘pega a lógica’, fica fácil. O restante é muito simples em relação às páginas mestras. Há a possibilidade de trabalhar textos em curvas, uma ferramenta de desenho à mão livre. Em relação ao extinto Pagemaker, é bem melhor.

** Tratamento e edição de fotos – Página oficial do instalador do GIMP para Windows. O Gimp é um similar ao Photoshop, provavelmente dos programas gráficos mais antigos e, por isso, muito bom e aperfeiçoado. Quem tem o Gimp não sente falta do Photoshop. As fotos do jornal foram tratadas e editadas pelo Gimp.

** Arte e infográficos – Página de download do Inkscape (desenho vetorial). Este programa gráfico é muito bom, com uma ferramenta de desenho muito interessante. Substitui o Corel.

Finalmente um completo tutorial do Scribus. Todos os itens para a elaboração de uma publicação são abordados neste tutorial.

E, para quem quiser saber mais, a wiki do Scribus brasileiro.

Esta é uma boa notícia não apenas para cursos de Comunicação e Jornalismo, mas também para os profissionais que quiserem se estabelecer como empresas de comunicação, seja em jornais de bairro ou jornalismo institucional, poderem trabalhar com ‘as portas abertas’ e se verem livres de incômodos programas proprietários onde se tem de pagar para a utilização de qualquer máquina a mais, livrar-se do tal de ‘licenciamento’, enfim, uma boa dose de liberdade.

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Professor do curso de Jornalismo da UFSC, mestre pela Engenharia de Produção; www.clovisgeyer.com.br

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