Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

DIRETóRIO ACADêMICO > SEXTA-FEIRA, 1/2

ANJ critica ação da Universal contra a Folha

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 02/02/2008 na edição 470

Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008


IMPRENSA NA JUSTIÇA


Folha de S. Paulo


ANJ vê ‘intimidação’ em ações de fiéis da Universal


‘Em nota divulgada ontem, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) classificou como ‘intimidação ao livre exercício de jornalismo’ os processos judiciais movidos por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus contra a Empresa Folha da Manhã S.A., que edita a Folha. Desde a publicação da reportagem ‘Universal chega aos 30 anos com império empresarial’, da jornalista Elvira Lobato, em 15 de dezembro, pelo menos 39 fiéis entraram com ações indenizatórias contra o jornal e contra a repórter.


Apesar de os processos serem independentes, os textos assinados pelos respectivos advogados são praticamente idênticos. Os fiéis sustentam que a reportagem ‘insinuou’ que os membros da igreja são inidôneos e que o dízimo pago por eles é produto de crime.


‘A ANJ qualifica como intimidação ao livre exercício do jornalismo a intenção contida na iniciativa de 35 fiéis [39] da Igreja Universal do Reino de Deus […] de proporem ações de danos morais contra o jornal’, informou a entidade em nota assinada pelo vice-presidente Júlio César Mesquita.


Um dos processos já teve decisão judicial de primeira instância. Em Bataguaçu (MS), o juiz Alessandro Leite Pereira determinou a extinção da ação e condenou o fiel Carlos Alberto Lima à pena de litigância de má-fé por entender que ele não tinha legitimidade para recorrer à Justiça, pois nem é citado na reportagem.


‘O que os autores dessas ações pretendem não é restabelecer sua honra ou a verdade, mas constranger uma empresa jornalística no seu dever de livremente informar a sociedade’, informou a ANJ em nota. Ainda segundo o órgão, trata-se de ‘uma tentativa espúria de usar o Poder Judiciário contra a liberdade de imprensa’. ‘A ANJ saúda a decisão do juiz Alessandro Leite Pereira, chama a atenção da sociedade para essa iniciativa orquestrada e espera que o Poder Judiciário dê um basta a esse evidente e ardiloso artifício.’


Leia abaixo a íntegra da nota.


‘A Associação Nacional de Jornais (ANJ) qualifica como intimidação ao livre exercício do jornalismo a intenção contida na iniciativa de 35 fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, até o momento, em diferentes pontos do país, de proporem ações de danos morais contra o jornal ‘Folha de S.Paulo’. Os autores das ações alegam se sentir ofendidos pela reportagem ‘Universal chega aos 30 anos como império empresarial’, publicada na Folha do dia 15 de dezembro, embora nenhum deles seja citado no texto.


O que os autores dessas ações pretendem não é restabelecer sua honra ou a verdade, mas constranger uma empresa jornalística no seu dever de livremente informar a sociedade. Tanto é assim que o juiz Alessandro Leite Pereira, de Bataguaçu, Mato Grosso do Sul, no julgamento de uma das inúmeras ações propostas contra a Folha, condenou seu próprio autor à pena de ‘litigância de má-fé’. Ou seja, o juiz entendeu que os verdadeiros objetivos da ação estão simulados.


Está claro que todos esses pedidos de indenização, redigidos praticamente nos mesmos termos, partem de uma mesma origem e com um mesmo objetivo. É uma tentativa espúria de usar o Poder Judiciário contra a liberdade de imprensa, ameaçar o livre exercício do jornalismo e privar o cidadão do direito de ser informado.


A ANJ saúda a decisão do juiz Alessandro Leite Pereira, chama a atenção da sociedade para essa iniciativa orquestrada e espera que o Poder Judiciário dê um basta a esse evidente e ardiloso artifício.’’


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


O maior espetáculo


‘Sob o título ‘De novo, o maior espetáculo da Terra’, a ‘Economist’ avisou que o primeiro ato acabou na Flórida, o segundo é a Super-Terça, o terceiro vai até as convenções. ‘E só então começa.’ Ou seja, ‘a peça está longe do final, mas os republicanos devem estar felizes com o espetáculo até agora’. Por John McCain.


Fim do primeiro ato e Karl Rove, o estrategista de Bush, já tirou ‘As novas regras da política’, no ‘Wall Street Journal’. A maior é que ‘a propaganda de TV não tem a importância que teve um dia’. A campanha é ‘intensa, longa e no varejo’, ninguém muda por TV. Ele arrisca que a internet vale mais, agora, e é preciso alimentar seus ‘vários ciclos de notícias num só dia’.


Já o ‘New York Times’ discute se as ‘habilidades políticas’ de Bill Clinton não se tornaram ‘obsoletas’.


‘HERÓI AMERICANO’


Nos canais e sites, o apoio de Arnold Schwarzenegger, da Califórnia, e Rudolph Giuliani, de Nova York, a John McCain, que o célebre ator-governador chamou de ‘herói americano’


A NAMORADA BRASILEIRA


Em seu blog no UOL, Sérgio Dávila conta ‘a verdadeira história da namorada brasileira de John McCain’. Ela não pode ser confundida com uma ‘dançarina de strip-tease’ com quem o então jovem militar se envolveu na Flórida.


A brasileira foi ‘uma modelo’ que McCain conheceu no Morro da Urca, em 1957. ‘Era muito bonita, tinha estilo e graça, atributos comuns em sua família rica’, descreve ele em sua biografia, sem dar o nome. Dávila pede ‘palpites’.


POR HOLLYWOOD


Jornais etc. ainda tratam Hillary Clinton por favorita, mas Barack Obama segue em alta no noticiário. Ontem, foi seu recorde de arrecadação, no ‘WSJ’ e outros, com apoio até do ex-presidente do banco central Paul Volcker. Ontem também, ele ‘fez Hollywood’ com festa para celebridades.


E NO PALCO DO OSCAR


A colunista Maureen Dowd, do ‘NYT’, criticou um gesto de Obama, que virou as costas para Hillary há dias, episódio que chamou de ‘a esnobada’.


Uma atitude que ele evitou ontem, ao surgir no teatro Kodak para o debate da CNN, todo sorrisos com Hillary. Ele até cochichou em seu ouvido.


‘BRASIL INCAPAZ’


No texto de Ray Colitt na Reuters, ‘enquanto Lula e Marina Silva se dividem sobre a gravidade, ambientalistas dizem que o Brasil é incapaz de parar com a destruição’.


Já Johann Hari escreveu no ‘Independent’ que ‘há um jeito de salvar as florestas’. Afirma que é ‘reconfortante’ culpar os próprios países, mas no fundo ‘a destruição é promovida por mim e você, pelas nossas escolhas como consumidores’. Ele defende um novo Plano Marshall, um fundo dos ricos para subvencionar as florestas dos pobres.


CONSULTAR ANTES


Foi destaque nos noticiários locais da Globo, mas não no ‘JN’, o que mais trombeteou a vacinação. Uma jovem teria morrido por ‘febre amarela vacinal’. E a TV alerta agora que ‘o melhor é consultar um médico antes de se vacinar’


SEGURO?


A Globo, que transmite, ressaltou a censura de um carro no desfile do Rio, a origem do samba em São Paulo etc.


Mas na BBC de Gary Duffy, nas agências de Reuters a France Presse, no Google, os enunciados vão por outra direção. Destaques como ‘Crise de polícia no Rio antes do Carnaval’, ‘O Carnaval chama: sexo seguro?’, ‘Crise da polícia lança sombra sobre a segurança do Carnaval’ etc.’


 


TELECOMUNICAÇÕES


Folha de S. Paulo


Governo adia solução jurídica sobre Oi-BrT


‘O governo deixou para depois do Carnaval a decisão sobre a solução jurídica que será adotada para viabilizar a compra da Brasil Telecom pela Oi (antiga Telemar). Três hipóteses foram discutidas ontem em reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o grupo de ministros que analisa as propostas da área técnica.


A Folha apurou que o governo deve definir uma solução somente após as empresas anunciarem que há um acordo para concluir as negociações.


Uma das hipóteses discutidas ontem prevê a assinatura de um decreto presidencial alterando o PGO (Plano Geral de Outorga), a fim de autorizar que uma empresa de telefonia fixa adquira outra do mesmo setor.


A segunda proposta prevê apenas uma resolução da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). E uma terceira consideraria o PGO caduco tecnicamente porque a privatização se realizou há dez anos e já haveria nova realidade no mercado. Essa última hipótese é considerada frágil juridicamente, o que reforça a possibilidade de adoção de uma das outras duas.


A Folha apurou que Lula adotará a solução quer der maior segurança jurídica ao negócio. Se for necessária a edição de um decreto presidencial, ele não hesitará. Se a operação puder ser concluída sem sua chancela direta, auxiliares avaliam que seria politicamente melhor.


A Oi (ex-Telemar) financiou atividade empresarial de um filho de Lula, Fábio Luiz. O presidente fica contrariado quando a imprensa correlaciona a compra da Brasil Telecom pela Oi com o aporte de recursos da antiga Telemar para a companhia do filho. Reservadamente, o presidente diz que quem tiver alguma acusação a respeito das atividades empresariais do filho deve apresentar denúncias à polícia, à Justiça ou ao Congresso. Além disso, determinou que todo o processo tem de ser muito transparente, para evitar que a oposição levante suspeitas sobre ele.’


 


TELEVISÃO


Daniel Castro


Novo ‘Aqui Agora’ se inspira no ‘Pânico’


‘Sucesso do SBT nos anos 90, o telejornal ‘Aqui Agora’ retorna em março, provavelmente no dia 3, às 18h, com o mesmo formato e alguns de seus antigos colaboradores, mas tentará fisgar o telespectador jovem com reportagens inspiradas no ‘Pânico na TV’ (Rede TV!) e no quadro ‘Central da Periferia’, do ‘Fantástico’ (Globo).


Em encontro com futuros colaboradores, o diretor do ‘Aqui Agora’, Albino Castro, tem dito que quer reportagens como uma feita pelo ‘Pânico’ na Espanha, em que as pessoas atiravam tomates umas nas outras. De Regina Casé, Castro quer reportagens sobre bairros pobres, rap e grafite.


Na próxima semana, quando voltar dos EUA, Silvio Santos deve se reunir com Albino Castro para decidir pendências. Conteúdo e contratações são tratados como assuntos sigilosos. Especula-se sobre a contratação de antigos repórteres, como Celso Russomano. O programa terá quatro ou mais apresentadores e dez repórteres em São Paulo. Será apresentado em uma arena. Manterá a linguagem de ‘câmera-nervosa’ e a pouca edição.


Aos futuros colaboradores, Castro também tem dito que o ‘Aqui Agora’ não terá mundo-cão. No lugar, investirá em assuntos de cidades e de comportamento. Tem dito também que seus apresentadores não farão a linha ‘justiceiro demagogo’, como José Luís Datena, do ‘Brasil Urgente’ (Band).


CARREIRA 1 Rede hispânica dos EUA que também atua como distribuidora, a Telemundo fechou acordo com a Band e irá vender no mercado internacional a novela ‘Dance Dance Dance’.


CARREIRA 2 Na feira em que o negócio foi fechado, em Las Vegas, ‘DDD’ foi anunciada como produção de ‘desempenho vencedor’ no Brasil. Não é bem assim. A novela não passa dos três pontos e perde (feio) para a Rede TV!.


BATUQUE Repórter especial do ‘Fantástico’, Renata Ceribelli passou a semana visitando os barracões das escolas de samba de São Paulo. A maratona fez parte da preparação para atuar como âncora das transmissões do Carnaval paulistano pela Globo, hoje e amanhã.


REAÇÃO As redes de TV decidiram reativar um comitê, chamado de ‘grupo de promoção’ e formado por profissionais de suas áreas de comunicação. O grupo, que não se encontrava desde a estréia da TV digital na Grande São Paulo, em dezembro, voltará a se reunir após o Carnaval. O principal motivo da reação das TVs são ‘notícias negativas’ sobre a nova tecnologia, que ainda não emplacou.


PERNA CURTA Wolf Maya evitou dar entrevistas nesta semana, justamente quando estréia ‘Sexo com Amor?’, seu primeiro filme, considerado péssimo pela crítica. A justificativa era que ele estava dando jornada dupla em ‘Duas Caras’, para poder folgar no Carnaval. Cascata. As gravações da novela das oito só param domingo, como sempre.’


 


CINEMA


Inácio Araújo


Sob o domínio do mal


‘Para os Coen, Joel e Ethan, a questão sempre foi estabelecer uma certa distância, como se, à frente da tela, devesse existir uma outra tela. Para tomar um exemplo claro: em ‘Fargo’ (1996), as roupas de neve da policial como que criam uma segunda trama para nossos olhos, que não é mais a trama de crime do roteiro, mas a do frio, de uma temperatura gélida.


Em ‘Onde os Fracos Não Têm Vez’, filme que estréia hoje e concorre a oito Oscars, essa distância vem da narração do velho xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) para uma história acontecida no Texas em 1980. Bell é, portanto, um xerife do Oeste, herdeiro do faroeste e de sua épica. O que ele conta é o confronto com uma situação original, na qual constata uma mudança de época.


Nessa história, Llewelyn Moss (Josh Brolin) descobre uma fortuna no local onde houve um massacre envolvendo traficantes de droga. Apossa-se do dinheiro, sem saber que atrás dele está Anton Chigurh (Javier Bardem), um psicopata para quem matar e tirar cara ou coroa numa moeda é mais ou menos a mesma coisa. Ele anda de baixo para cima com uma engenhoca que mais vale ver do que descrever (ela tem papel semelhante ao dos trajes de inverno em ‘Fargo’).


A narração se dá, a partir de então, em três partes: a de Moss -sua luta para esconder o dinheiro e fugir de Anton-, a perseguição que este move a Moss, com um terrível rastro de mortes, e a atuação do xerife.


O que pode até deixar certa impressão de desequilíbrio é que a primeira e a segunda histórias são, a rigor, apenas uma: narrativas da falência da épica do Oeste, seu espírito e seus valores, e sua substituição pelo terror puro e simples. Entre esses dois momentos de história (o de Bell e o dos duelantes), o que há é o Vietnã.


Moss é um veterano, assim como o mercenário Carson Wells (Woody Harrelson). Não se menciona o passado de Anton, mas que diferença faz? A guerra e as drogas permeiam tudo: o país do velho Bell acabou.


É esse sentimento de distância que marca o filme. Existe nostalgia ali, como se depreende das paisagens texanas, onde antes cavalgavam John Wayne e Gary Cooper. Mas esse sentimento está desconectado do presente, de 1980. A morte agora se dá em escala industrial, não existe uma nação se expandindo (à custa dos índios), nem crença em um destino manifesto, nem confronto moral. Há apenas o mal absoluto e a ganância ilimitada.


Se não raro é possível notar nos irmãos Coen uma espécie de nostalgia cinematográfica, desta vez esse sentimento em relação ao passado se manifesta de maneira mais concreta e madura: pela passagem do faroeste ao terror, por intermédio do filme policial.


Pode-se talvez pensar que Javier Bardem não represente de maneira plena (ou o faça de forma irregular) essa imagem de terror. Mas o horror está menos em sua figura do que nas cabeças arrebentadas, no sangue que jorra dos corpos, nos ossos à mostra: toda uma plástica da dilaceração sob a qual parecem se disfarçar figuras terríveis como Jason ou, pior, Freddy Krueger, invasor de sonhos (vale mencionar: a narração de um sonho fecha o filme).


ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ


Diretores: Joel e Ethan Coen


Produção: EUA, 2007


Com: Josh Brolin, Javier Bardem e Tommy Lee Jones


Onde: a partir de hoje, nos cines Bristol, Eldorado, Jardim Sul e circuito


Avaliação: ótimo’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008


DEMOCRACIA


Guilherme Scarance


Após 20 anos, sociedade segue à margem das decisões


‘Passados 20 anos da promulgação da Constituição de 1988, que instituiu a participação da sociedade civil na discussão de programas para as áreas de saúde, assistência social, política urbana e crianças e adolescentes, o ideário de democracia participativa ainda está por ser consolidado. Uma profunda análise do tema foi publicada recentemente, no livro Controle social de políticas públicas – caminhos, descobertas e desafios, fruto de detalhada pesquisa e análises produzidas em parceria pela Cáritas Brasileira e a Universidade Católica de Pelotas.


A obra, resultado do esforço de uma rede de pesquisadores em 14 municípios de 4 Estados – Santa Catarina, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Minas -, mergulha em uma fatia desse universo de 20 mil conselhos, instrumentos pelos quais a população interage com as políticas públicas. O livro, publicado pela editora católica Paulus, concentra-se em dois setores: assistência social e desenvolvimento rural. As conclusões, apresentadas ao longo de nove artigos, vêm de atas, entrevistas, estudos bibliográficos e da realidade de cada município.


‘Não é só a existência de uma legislação participativa que determina o protagonismo social e a existência do controle público da sociedade sobre o Estado’, destaca o sociólogo Leonardo Avritzer, professor-adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na introdução do trabalho. Na sua avaliação, há um longo trabalho de conquista da cidadania à frente. ‘É preciso que as formas de controle público sejam mais ativas e a sociedade seja capaz de ter uma agenda propositiva de ampliação dos direitos sociais.’


?ARENAS DE LUTA?


Em entrevista ao Estado, a doutora em serviço social pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) Dalila Maria Pedrini, integrante do trio de organizadores do livro, diz que os conselhos são ‘espaços públicos de poder, que se constituem em campos ou arenas de luta’.


‘A participação e o controle social são estratégias fundamentais para a construção das políticas públicas’, diz a especialista no tema. ‘Entretanto, os conselhos, por si só, se não estiverem articulados com fóruns e processos mobilizatórios de lutas mais amplas, podem burocratizar-se e não alcançar as metas para as quais foram criados.’


Professora do curso Movimentos Sociais, Organizações Populares e Democracia Participativa da UFMG e Cáritas Brasileira, Dalila argumenta: ‘A mobilização popular, articulada com o controle social, constitui-se em elemento fundamental para a mudança da pauta nos governos e a conquista das políticas públicas, ou melhoria da sua execução.’ Ela defende uma nova ótica, inclusive orçamentária, ‘onde o social passa a ter lugar prioritário e o econômico está a serviço da vida’.


Para a professora, após duas décadas de experiências, os conselhos tornaram-se ‘patrimônio vivo e potencial da sociedade’. Ela destaca que um número maior de brasileiros exerce atualmente a cidadania ‘de modo mais ativo’, mas admite que o controle social no País ainda ‘é relativamente frágil e pequeno para as urgências da crescente exclusão social’.


Frisa, ainda, que conquistas de igualdade racial, ou políticas para as mulheres e segurança alimentar, entre outras, precisam ser consolidadas.


PRIORIDADES


Para Dalila, falta muito a ser desbravado: ‘A participação ficou mais restrita às políticas sociais, com pequena presença nas políticas econômicas e de desenvolvimento.’ Ela observa: ‘É necessária uma inversão de prioridades na aplicação dos recursos públicos.’


Ao analisar o momento político, Dalila destaca conquistas, mas também as frustrações dos movimentos sociais com o governo do presidente Lula: ‘As ilusões acabaram e retomou-se a consciência de que as mudanças não virão de cima, mas da tarefa cotidiana, do trabalho de organização e mobilização.’


Indagada sobre como a população pode despertar o interesse por fiscalizar as ações públicas e intervir no debate, ela diz que há ‘toda uma política a ser mudada no País, superando marcas históricas e provocando atitudes éticas e republicanas’. Acredita que todos os Poderes, a mídia e demais setores da sociedade precisam se comprometer com essa nova visão. Ela mesma, porém, antevê dificuldades: ‘A maioria destes atores não quer mudanças que firam interesses corporativos.’’


 


PARANÁ
Fausto Macedo


Requião ‘é um notório mentiroso’, acusa Lerner


‘Jaime Lerner, ex-governador do Paraná (1995/2002), afirmou ontem que seu sucessor, Roberto Requião (PMDB), ‘é um notório mentiroso, um fascistóide’. Segundo Lerner, Requião, ‘em sua fúria autoritária intimida, pressiona’. Ele chamou o rival de ‘Pinochaves, uma mistura de Augusto Pinochet e Hugo Chávez’.


Afastado da política desde que deixou o Palácio das Araucárias, Lerner, arquiteto, 70 anos, retornou quarta-feira de uma viagem ao exterior e rebateu o peemedebista que, em entrevista ao Estado, o acusou de ter gasto R$ 1,5 bilhão em publicidade durante sua gestão.


Requião foi proibido judicialmente de usar a Rede TV Educativa (RTVE) para ataques a adversários e promoção pessoal. Ele se considera alvo de ‘pressões e censura’. Afirmou que discute pela TV pública questões que levou à Justiça ‘de desfalques pelo governo anterior, malversação de recursos, precatórios pagos indevidamente, créditos tributários inexistentes, processos pesados’.


‘Acabei com esse negócio de propaganda, reduzi a zero o gasto com publicidade e isso levou ao desespero os veículos de comunicação’, disse Requião.


‘Não é verdade o que Requião diz e nunca usei a Educativa para propaganda pessoal’, rebateu Lerner. ‘Ele usa a rede pública para criticar opositores sem abrir espaço para o contraditório. A TV virou um ?big brother? do governo. Um bilhão e meio em publicidade? Não gastei. Esse valor não existe, nossa propaganda era normal, editais, tudo foi submetido à Assembléia Legislativa e nunca foi contestado.’


Lerner disse que um pool de agências de propaganda calculou que, em cinco anos de governo, Requião teria investido o equivalente a R$ 61 bilhões se tivesse comprado de uma emissora privada de TV todo o horário que ocupou na Educativa.


‘Não existem argumentos contra fatos, o gasto de R$ 1,5 bilhão em propaganda no governo Lerner está registrados nas contas públicas do Paraná’, reagiu Benedito Pires, secretário de Imprensa de Requião. ‘Essa informação tem base em dados que o próprio Lerner enviou à Justiça Eleitoral. Não brincamos com isso. Uma característica do governo Requião é o respeito à verdade, à ética e à transparência. Essa história de R$ 61 bilhões é conta delirante, uma fraude.’’


 


MORTE DE JANGO


Alexandre Rodrigues


‘Queremos esclarecer a verdade histórica’


‘O pedido do ministro da Justiça, Tarso Genro, e do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, para que a Polícia Federal e o Ministério Público do Rio Grande do Sul investiguem a possibilidade de o presidente João Goulart ter sido envenenado no exílio trouxe ao filho dele, João Vicente Goulart, a esperança de finalmente passar a limpo a morte do pai, ocorrida em 1976. Oficialmente, Jango morreu na Argentina de complicações cardíacas. Para João Vicente, o pai, deposto pelo golpe militar de 1964, foi uma das vítimas da cooperação entre os serviços secretos das ditaduras no Cone Sul, materializada na Operação Condor. A principal motivação para sua convicção é o que ouviu de Mario Neira Barreiro, ex-agente do serviço de inteligência uruguaio que sustenta ter monitorado Jango e participado de seu assassinato.


Em 2006, João Vicente esteve na penitenciária de Charqueadas (RS), onde Barreiro está preso por tráfico de armas, a fim de gravar um depoimento para um documentário sobre Jango produzido em parceria com a TV Senado. O preso afirmou que, a mando do governo brasileiro, ele e outros agentes que vigiavam a família Goulart trocaram remédios de Jango, que era cardíaco, por comprimidos com substâncias que provocariam um aparente enfarte.


Ao receber o Estado no apartamento onde vive a mãe, Maria Thereza Goulart, na zona sul do Rio, João Vicente disse que a história faz sentido para a família, apesar da falta de provas. ‘Ele (Barreiro) é uma prova viva.’


Como foi sua conversa com Barreiro?


Ele não sabia quem eu era. Quando disse, ficou perturbado. Aí, resolveu falar. Fui conduzindo a entrevista. Eu e minha mãe ficamos muito surpresos ao ver o DVD depois. Fatos, telefones, pessoas, lugares, tudo ele sabia. Citou uma batida que eu dei com o carro em Montevidéu uma vez, que não teve nem registro de ocorrência. Como ele sabia? Estava monitorando. A monitoração existia e pesadamente sobre nossa família.


Da monitoração vocês não têm dúvida. Mas o senhor acha que ele participou de um plano para envenenar seu pai?


O que a família tomou para si é o que fez: o pedido de investigação. Existe uma prova viva: ele. Dizem que não há prova. Mas todo pedido de investigação, quando existe um indício, é para que as provas venham a acontecer ou não.


O senhor acredita ou não que seu pai tenha sido assassinado?


Eu hoje acredito que sim. Tudo me leva a crer. Houve atentados ao escritório do meu pai em Buenos Aires. O ex-governador Miguel Arraes alertou meu pai de que o nome dele estava na lista da Operação Condor. Então por que eu não vou acreditar? O que mais querem? Que o Barreiro apresente uma declaração oficial do Geisel, assinada, expedindo o mandado de morte? Não existe isso.


O senhor considera verossímil essa parte do depoimento de Barreiro de que o próprio presidente Geisel teria dado ao delegado Sérgio Fleury a ordem para matar Jango?


Não sei. Isso cabe ao Ministério Público investigar. O que coube à família foi levantar esse depoimento. Não queremos a credibilidade do homem Mario Neira Barreiro, até porque ele está preso por contrabando de armas e falsidade ideológica. Não fui a um presídio procurar nele qualidades morais. O que temos de investigar é a veracidade do que ele conta. Fatos e indícios vêm corroborando a história dele, como documentos que recebemos do antigo SNI (Serviço Nacional de Informações). Há registros de agentes que subtraíram cartas do (Salvador) Allende, do (Juan) Perón, do Ulysses Guimarães. Está comprovado que eles tiravam. Isso mostra que estavam lá dentro de casa. Se eles declararam que levaram de forma clandestina documentos, podiam ter trocado o remédio. Se estavam lá dentro, não duvido disso. Como eu vou duvidar se os próprios documentos que nós estamos pesquisando e abrindo estão nos dizendo isso?


Já se pensou na exumação do corpo de Jango. Isso será feito?


Primeiro temos de saber se há a possibilidade de detectar algum tipo de vestígio das substâncias. Se não, seria uma coisa desnecessária.


O ministro da Justiça e o procurador-geral da República pediram que a Polícia Federal e o Ministério Público do Rio Grande do Sul apurem. É o que queria?


Isso muito nos alegra. Era isso o que queríamos. Se houve uma ordem da ditadura brasileira, através do Fleury, com veneno ou sem veneno, para matar meu pai, cabe a eles apurar.


Sua família espera uma indenização ou reparação do governo brasileiro se for comprovado que foi o mandante do assassinato de Jango?


Acho que nem tem mais prazo para isso. O que queremos é o esclarecimento histórico da verdade. O que sempre negaram a Jango. Ele morreu sem ser anistiado, sem ter as honras de chefe de Estado. Não dou legitimidade àquela ditadura que se instaurou. Entendemos que a declaração de vacância da Presidência, em março de 1964, é nula. Então, se houve um atentado contra Jango no exílio, não se tratava de um ex-presidente, mas do presidente legítimo do Brasil.’


 


FRANÇA
O Estado de S. Paulo


Ryanair oferece acordo a Sarkozy


‘A companhia aérea Ryanair ofereceu ontem um acordo ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a sua namorada, Carla Bruni, que processam a empresa por uso indevido da imagem do casal em publicidade. A empresa afirmou estar disposta a pagar 1 para cada um, além de doar 5 mil a uma instituição de caridade da escolha do casal. Carla havia pedido 500 mil e Sarkozy, 1.


O anúncio traz uma foto dos dois. Bruni aparece com a seguinte fala ao seu lado: ‘Com a Ryanair, minha família toda pode vir ao meu casamento.’ A empresa defendeu o anúncio, afirmando que Sarkozy e Carla não evitaram a exposição pública nas últimas semanas. ‘A publicidade foi uma tentativa de refletir com humor essa relação altamente noticiada.’ A decisão da Justiça sai no dia 5.’


 


MÍDIA NOS EUA
O Estado de S. Paulo


The New York Times volta ao lucro


‘O grupo responsável pela edição do The New York Times teve lucro de US$ 208,7 milhões (US$ 1,45 por ação) em 2007, ante as perdas de US$ 543,4 milhões do ano anterior. A receita publicitária, no entanto, caiu 4,9% entre os dois anos, para US$ 2 bilhões, enquanto o faturamento total foi reduzido em 2,9%, atingindo US$ 3,1 bilhões. No quarto trimestre de 2007, a companhia superou os números negativos do mesmo período no ano anterior, com lucro de US$ 52,9 milhões. Na reta final do ano passado, porém, a receita do The New York Times caiu 7,1%, chegando a US$ 865,7 milhões.’


 


IMPRENSA NA JUSTIÇA


O Estado de S. Paulo


Ação contra jornalista do ‘Estado’ é rejeitada


‘A Justiça Federal, em sentença proferida pela juíza Janaína Rodrigues Valle Gomes, da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, rejeitou, pelo mérito, por falta de justa causa, a queixa-crime do ministro das Comunicações, Hélio Costa, contra o jornalista Ethevaldo Siqueira. Por sentir-se ofendido com as críticas feitas pelo jornalista contra a forma com que conduziu a licitação para escolha do padrão de TV digital, em sua coluna do dia 4 de fevereiro de 2007, Hélio Costa moveu o processo. Mesmo tendo utilizado espaço equivalente para resposta, na edição de 11 de fevereiro do ano passado, o ministro entrou na Justiça Federal com queixa-crime. Da sentença ainda cabe recurso.’


 


CINEMA


Luiz Zanin Oricchio


O crepúsculo do Oeste


‘São três os personagens principais de Onde os Fracos Não Têm Vez, de Ethan e Joel Coen: um homem perseguido de maneira implacável e decidido a vender caro a sua pele; outro, que o persegue com a inevitabilidade de um flagelo do Velho Testamento; por fim, um xerife, que observa o caso, medita sobre ele e tenta intervir, na medida de suas limitadas forças.


Digamos de entrada: essa adaptação do romance de Cormac McCarthy (No Country for Old Men; no Brasil Onde os Velhos Não Têm Vez) é nada menos que brilhante. Retoma os Coen dos grandes momentos, de Fargo e de O Homem Que Não Estava Lá. O filme começa com cenas de uma paisagem árida, áspera, selvagem, deserto e estradas sem-fim, enquanto uma narrativa em off introduz o tom e a visão de mundo de um dos personagens. Saberemos depois que se trata do xerife Ed Tom Bell, em magnífica caracterização de Tommy Lee Jones. Bell, com voz melancólica, conta que uma vez enviou um garoto à cadeira elétrica. A defesa tentou alegar privação momentânea de sentidos, mas o acusado, de 19 anos, disse que não havia qualquer paixão no ato. Sempre quisera matar alguém e tornaria a fazê-lo caso fosse solto. Era o Mal, que se anunciava.


Pois esse é o tom de um filme de ressonâncias bíblicas. Bell será o tempo todo a consciência antiga, de uma época cujos valores talvez já não possam ser recuperados e nem tenham razão de ser no mundo moderno. Não por acaso a história se situa no Texas, no Oeste, depositário da mitologia norte-americana sobre a sua fundação como país. Mas pode ser que esse conjunto de idéias e valores tenha se tornado peça de museu, como Monument Valley, onde John Ford filmou seus épicos e virou atração turística. Algo ocorreu, que colocou tudo fora dos trilhos. Agora é um outro tempo, ‘time out of joint’, fora de esquadro, como escreveu Shakespeare em sua época.


Factualmente, sugere-se o que foi que botou tudo de cabeça para baixo: a generalização do tráfico e uso de drogas, a passagem em doses industriais de heroína pela fronteira mexicana, as grandes somas envolvidas, o poder de corrupção do dinheiro fácil. Enfim, as portas abertas do mundo contemporâneo, que são as portas do inferno e nada mais – porque é disso que se trata no filme e não de outra coisa.


Um acerto malsucedido entre traficantes está no início do enredo. Não sabemos o que houve, mas tudo indica que alguma coisa não deu certo para que uma montanha de cadáveres baleados apareça apodrecendo no deserto diante de um caçador solitário. Há uma soma enorme de dinheiro dando sopa e alguém se apodera dele – o opaco soldador, e caçador de cervos nas horas vagas, Llwelyn Moss (Joss Brolin), que vê aí a oportunidade de arrumar a vida. A dele e a da jovem esposa, Carla Jean (Kelly MacDonald).


Mas toda fortuna tem dono e, algumas delas, mais de um proprietário. Em geral, esses donos não são amistosos. Logo, Llwelyn terá em seu encalço a pior das pragas – uma fera dotada de escrúpulos e rígido senso moral sobre sua profissão. Essa encarnação do apocalipse está a cargo do espanhol Javier Bardem, na pele do matador Anton Chigurh.


São esses então os três pólos de movimentação do filme: Llwelyn, perseguido por Chigurh, com o xerife Bell tentando fazer com que as coisas voltem ao normal. Ou seja, tentando fazer que um dinheiro de crime seja apreendido; um marido não particularmente desonesto, apenas aproveitador, volte são e salvo para sua esposa, e um matador implacável seja posto fora de combate.


Há um curioso senso moral e suas implicações que atravessa toda a história. Llwelyn, que poderia ter se apossado da fortuna sem qualquer problema, volta ao lugar do crime por uma questão moral. Chigurh é movido por uma impecável moral da profissão, uma deontologia da morte que o leva a exceder em seus deveres. Bell é representante de uma moral de outros tempos, em que a autoridade da lei era tanta que um xerife nem precisava andar armado, como ele recorda.


Bell sabe que os tempos são outros. Daí a desolação da face devastada de Tommy Lee Jones, ator que vem se especializando em dar face ao fim do sonho americano (basta lembrar de Três Enterros de Melquíades Estrada, O Vale da Morte etc. ). Nesse novo tempo (a história ambienta-se em 1980), talvez seja inútil valer-se dos velhos métodos. Mas ninguém se torna ‘moderno’ quando quer e talvez Bell esteja irremediavelmente ultrapassado, incapaz de enfrentar um novo mundo, a nova ‘ética’, as novas relações entre pessoas. Não deixa de ter graça a conversa dele com outro policial veterano que se diz espantado com o que vê e nunca poderia imaginar, no Texas, jovens de cabelos verdes e pregos (sic) enfiados no rosto. Mas o que choca o xerife Bell é algo muito mais importante do que piercings e cabelos de cores exóticas. É um certo vazio de sentido, que ele pressente e tenta preencher de algum modo.


Esse vazio está inscrito na maneira mesma de apresentar o material fílmico. Nos planos longos das grandes extensões do Texas. Nas falas lacônicas. Na ausência aparente de uma maior emoção dos personagens. Todos agem como se movidos por uma força maior, impossível de ser detida, o que é a marca do destino, e portanto da tragédia. Se às vezes a morte ou a vida são decididas na base do cara ou coroa, é a inevitabilidade do fim que marca a trajetória dessa saga de um Oeste que manteve características formais da época dos pioneiros (botas, chapelões, espírito rústico) mas que perdeu sua alma. O filme fala, talvez, da grande nação americana como um todo e não de um Estado particular da federação.


O curioso é a dinâmica que esse thriller metafísico e trágico assume nas mãos de diretores como os Coen. O tecido narrativo é depurado ao extremo. Apresenta-se seco como três desertos, como dizia Nelson Rodrigues. Não há uma nota de música, a não ser nos créditos finais e, em outra ocasião, quando um estropiado Llwelyn ouve um grupo de mariachis entoar a canção dolente que fala… justamente de erros, arrependimentos e morte. Uma espécie de coro grego, intervindo num ponto particularmente importante da tragédia.


Ao mesmo tempo, essa secura narrativa é irrigada pela presença de elementos humorísticos ou paródicos sempre presentes nos filmes da dupla. Como entender de outra forma a bizarrice do corte de cabelo à la Beatles (da fase romântica) de um personagem tão soturno como Chigurh? Ou a figura da mãe de Carla Jean, proclamando a todos que tem câncer, como se isso fosse uma distinção? Sim, há humor e, com freqüência, trata-se de humor negro. Ele nos distancia um pouco e nos alivia, trabalhando no interesse da dinâmica do filme. Porque há esse detalhe importante – e ele não deve ser omitido: um filme dos Coen, mesmo quando trágico, é um verdadeiro prazer para o espectador. Para seus olhos, ouvidos e inteligência.


Talvez frustre aqueles que esperam finais fechados, roteiros com todas as pontas amarradas e diálogos explicativos. Não. Essa tragédia moral chamada Onde os Fracos Não Têm Vez mantém-se aberta até o final. Nos acompanha após a sessão e permanece conosco. Produzindo ainda efeitos, pedindo compreensão e apaziguamento. Mesmo que saibamos, como o xerife Bell, que os filmes e os sonhos apenas sugerem e são pontos de luz, nunca lições terminadas e definitivas.’


 


TELEVISÃO


Shaonny Takaiama


Globo e moda juntas


‘A Globo decidiu apostar em moda. Em parceria com a Mega Model, a emissora será a divulgadora exclusiva do Dream Fashion Tour, um evento de moda itinerante que passará por 12 cidades e terá cobertura nas afiliadas da rede, a partir de 1º de março.


O canal, que garante que não terá participação em cotas de patrocínio ou venda de ingressos, acredita que o evento se tornará, em breve, um sucesso nacional (tal como o São Paulo Fashion Week) e decidiu garantir desde já a exclusividade. Nos Estados Unidos, desfiles desse tipo se tornaram um show de TV, como o da marca Victoria’s Secret.


O objetivo do Dream Fashion Tour é popularizar o universo da moda e descentralizá-lo do eixo Rio-São Paulo. Os ingressos dos desfiles serão vendidos ao preço de R$ 20 (com meia-entrada a R$ 10). Haverá desfiles de marcas conceituadas e tops famosas.


Os desfiles terão como trilha shows de artistas como Papas da Língua, Pitty e Marcelo D2 e entrevistas comandadas por globais como Mariana Ximenes, Thiago Lacerda, Ricardo Tozzi e Serginho Groisman. O Dream Fashion Tour passará por Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, BH, Brasília, Cuiabá, Salvador e Recife, entre outras cidades.’


 


 


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