Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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DIRETóRIO ACADêMICO >

As dificuldades da democracia

Por J.M. Nobre-Correia em 29/06/2010 na edição 596

A França encontra-se ainda em fase de libertação do jugo nazi, quando o Governo provisório de Charles de Gaulle promulga quatro ordenanças sobre a ‘organização da imprensa’. Trata-se de preservá-la das derrapagens que a caracterizaram antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

Essas ordenanças prevêem, nomeadamente, que as publicações editadas sob a ocupação e o controlo alemão sejam encerradas. Que a prioridade seja dada às publicações editadas na clandestinidade e às equipas de redacção apadrinhadas pela Resistência. Que as acções do capital das empresas sejam nominativas. Que nenhuma concentração vertical ou horizontal seja autorizada.

Garantir o pluralismo e a transparência das ‘publicações de informação geral e política’ tem a prazo consequências negativas: ruptura da relação do leitor com o seu jornal habitual (encerrado); tratamento da informação marcado por preocupações político-partidárias; impossibilidade de criar grupos de imprensa sólidos. Vêm acrescentar-se garantias reconhecidas ao ‘sindicato do livro’ e às publicações com tiragem diminuta no sistema de distribuição. Pelo que a modernização da produção e da comercialização é sempre difícil e tardia. Enquanto que, contrariamente aos países limítrofes, os grupos de imprensa diária não existem até aos anos 1970-80.

A preocupação de independência leva também os redactores de Le Monde a entrar no capital do jornal em 1951, passando a deter a minoria de bloqueio, antes de chegar à maioria do capital. Ser proprietários, assumir a gestão e eleger o director constitui belo exemplo de independência. Só que a gestão democrática de uma empresa não é exercício fácil. Le Monde paga há anos as consequências disso. E os redactores e demais pessoal vão agora perder o seu controlo. Ao mesmo tempo que La Tribune, Le Parisien e Aujourd´hui procuram novos accionistas. Porque os belos princípios democráticos da Libertação nunca permitiram que os diários deixassem de ser financeiramente frágeis…

El País nomeia nova responsável

O diário madrileno nomeia a ex-chefe de redacção da informação sobre a região da capital como responsável dos meios sociais. Em contacto com redactores, correspondentes, enviados e chefes das secções, Ana Alfageme procurará difundir histórias e notícias em tempo real, e estabelecer relação permanente com os internautas.

Emprego nos iPhone e iPod

A rubrica de anúncios de emprego do diário milanês Corriere della Sera (Trovolavoro) passa a estar disponível a partir de agora também nos aparelhos iPhone e iPod Touch, os quais permitirão fazer uma pesquisa por palavra-chave ou localidade, por empresa ou mesmo por sector de actividade.

Os números do Evening Standard

Depois da aquisição do vespertino de Londres em 12 de Outubro, o novo proprietário passou-o a gratuito. Tiragens do jornal a pagamento e gratuito em 2009: respectivamente 300 mil e 610 mil exemplares. Leitores: 556 mil e 1,35 milhão. Receitas das vendas: 12 milhões de libras e 0. Publicidade: 18 milhões e 28 milhões de libras.

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Professor na Université Libre de Bruxelles (ULB)

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