Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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DIRETóRIO ACADêMICO > INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS

As mídias convergem, se adaptam e sobrevivem

Por Bianca Alighieri em 11/03/2008 na edição 476

Quando a TV surgiu no Brasil, na década de 1950, anunciaram a provável morte do rádio e do cinema; com a chegada da internet, anunciou-se o possível fim dos jornais impressos. Ao final de tudo, todos sobreviveram. Por conta da televisão, o rádio abriu mão da radionovela e das notícias como foco principal; voltou-se para a música e sobreviveu. Nos dias atuais, ele retoma as notícias, com emissoras voltadas exclusivamente para isto, servindo de grande valia para os milhares de motoristas que estão parados no trânsito das grandes metrópoles, um nicho que não existia na década de 1950. A evolução mostra que há espaço para todos desde que cada um se adapte às mudanças que acompanham uma sociedade.

Cada veículo com sua linguagem, ajustando-se do seu jeito ao novo mundo que surge, cativa um público novo ou atrai de volta um público que havia se distanciado. Sobre o assunto, Marília Scalzo (2006) escreve: ‘Daí a importância de observar os fenômenos sob uma perspectiva histórica e, no caso, perceber qual a verdadeira vocação de cada meio de comunicação… Cada meio encontrou seu próprio caminho.’

Quando os jornais diários passaram a oferecer aos seus leitores muito mais que textos factuais e incluíram entre suas páginas os suplementos especializados, esta atitude foi logo taxada de ‘revistalização’, fortalecendo, assim, a principal característica do veículo revista: a segmentação. No Brasil, a ‘revistalização’ surge em 1964 com ‘as primeiras coberturas especializadas, como a de economia, do Jornal do Brasil, e os primeiros exemplares do conhecido, hoje, como suplemento de ‘Turismo’ no jornal Folha de S.Paulo‘ (CARVALHO, 2007).

Mundo interativo

O que os jornais fizeram foi adaptar-se utilizando características, até então exclusivas, de um veículo que dobrou, na virada do século, o número de exemplares vendidos anualmente. Se deu certo com as revistas, por que não daria com os diários? A absorção ainda inclui a linguagem e a estética visual, o que concedeu à informação ‘um aspecto mais profundo e mais permanente’, conforme observa Alberto Dines (apud Carvalho, 2007).

O diário, então, perde um pouco da sua característica efêmera com os suplementos e se torna mais atemporal. O que se observa a partir deste fenômeno é que nos dias atuais é difícil afirmar que determinada característica é exclusiva de um veículo. Se os jornais diários tiveram seu tempo de vida estendido para depois das 24 horas habituais, como acontece com as revistas, em pouco tempo os telejornais sairão das salas de nossas casas e nos acompanharão nos celulares, palmtops… Levar a informação para onde quiser já não é mais um privilégio de um veículo específico, é característica comum.

Cada meio, devido ao seu formato possui suas características específicas, mas nada os impede de agregar as idéias um do outro. A televisão, por exemplo, nasceu com o entretenimento e absorveu a notícia do rádio. E mais, nos dias de hoje, os blocos de notícias rápidas no meio da programação televisiva diária são atividades comuns na mídia radiofônica, que tem por hábito colocar informações rápidas entre a programação musical – a TV não morreu por ter absorvido isso.

Rasgue a primeira folha da revista que não tiver um website que complemente os assuntos abordados na versão impressa ou uma rádio que transmita ao vivo também da internet. A evolução e acesso à tecnologia e o aumento da informação da população fez da convergência de veículos um caminho normal da adaptação da comunicação. O mundo hoje é interativo e o que é exclusivo de um pode, através do processo evolutivo, se tornar comum para outro.

Referências Bibliográficas

CARVALHO, Carmem. Segmentação do jornal, a história do suplemento como estratégia de mercado. Trabalho apresentado ao GT de Mídia Impressa, do V Congresso Nacional de História da Mídia, Facasper e Ciee, São Paulo, 2007.

SCALZO, Marília. Jornalismo de Revista, Editora Contexto, São Paulo, 2006

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Jornalista, pós-graduada em Jornalismo Contemporâneo, Porto Alegre, RS

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