Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

DIRETóRIO ACADêMICO > CHINA

Às vésperas de Congresso, PC moraliza televisão

11/10/2007 na edição 454

Com a proximidade do maior evento político chinês em cinco anos, o Partido Comunista deu início a uma campanha de pureza dos valores comunistas nos meios de comunicação. O público chinês, já acostumado a acompanhar a mídia obedecendo às ordens do governo para promover uma ‘sociedade estável e harmoniosa’, viu nas últimas semanas o Departamento de Propaganda exagerar na dose para manter um controle absoluto das mensagens passadas a ele. Tudo pelo esperado Congresso Nacional do Partido Comunista, que começa no início da próxima semana.


Reality shows populares que proliferaram no país depois do sucesso de American Idol, em que cantores disputam a vaga de ídolo do público, têm operado sob um novo pacote de restrições. ‘As emissoras de TV devem selecionar candidatos qualificados em aparência, maturidade, confiança e saúde’, dizem as novas regras para quem aparece nos programas. Estão proibidos ‘aqueles com cabelo comprido, ou que vestem roupas e fazem comentários que não correspondem aos valores públicos’. Também não pode haver votação ao vivo pela internet ou telefone.


Entra e sai


Por outro lado, o poderoso setor de propaganda do Partido Comunista encaixou no horário nobre da grade televisiva, há algumas semanas, um novo programa intitulado Modelos Nacionais de Virtude. O programa mostra 53 pessoas selecionadas pelo voto do público por sua superioridade em cinco categorias: altruísmo, bravura para causas justas, honestidade e confiança, trabalho duro e compaixão.


Já programas considerados inaceitáveis foram tirados do ar. Uma das vítimas foi a novela Interrogação Vermelha, exibida desde 2002. A trama abordava questões sociais, como jovens delinqüentes, prostitutas e traficantes de drogas, e era encenada por amadores, em vez de atores profissionais.


Anúncios publicitários também viraram alvo do escrutínio governamental. Cerca de dois mil anúncios ‘sexualmente sugestivos’, como os de lingerie, foram tirados da TV este mês. Na internet, blogueiros têm, de modo direto, culpado a Administração Estatal para Rádio, Filme e Televisão pela dura onda de censura no país.


Operação abafa


O Partido Comunista sempre tenta enfatizar os ‘valores puritanos’ antes de eventos políticos ou em momentos difíceis para o governo. A tentativa de controlar a informação e o entretenimento que chega aos chineses, entretanto, pode sair pela culatra. Para muitos, quanto mais o Partido tenta camuflar os problemas sociais da China, mais cínicas as pessoas tendem a se tornar em uma sociedade pontuada pela corrupção e cada vez mais guiada pelo dinheiro. ‘Para mim, estes métodos parecem errados. Eles não resolvem a atual crise de moral ou são bem vindos pelas pessoas’, resume o professor universitário, escritor e crítico literário Zhu Dake. Informações de Francois Bougon [AFP, 11/10/07].


 

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