Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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DIRETóRIO ACADêMICO > 25° PRÊMIO ORTEGA Y GASSET

Ausente, blogueira cubana
brilha na premiação do El País

Por Alberto Dines em 09/05/2008 na edição 484

A grande festa do jornalismo espanhol transcorreu na noite de quarta-feira (7/5). Ontem, El País, um dos melhores jornais do mundo, deu uma bonita chamada na sua capa e dedicou sete páginas à entrega do 25º Prêmio Ortega y Gasset dedicado como sempre à valorização da imprensa livre, valente e comprometida. O grande destaque da noite foi a cadeira vazia da blogueira cubana e filóloga Yoani Sanchez, que não foi autorizada a deixar seu país para receber o galardão referente ao jornalismo digital.


O blog de Yoani Sánchez, Geração Y, é um dos maiores fenômenos da internet. Está no ar apenas desde março do ano passado e há poucos dias a sua autora foi incluída pela revista Time entre as 100 personalidades mais influentes do mundo. Na entrevista que concedeu a El País Yoani Sánchez diz que está surpresa com a repercussão mundial das suas ‘vinhetas desencantadas’ sobre a realidade cubana. ‘O fato de que repararam numa pessoa tão simples com eu me surpreende gratamente. Estamos acostumados em ver sempre os famosos recolhendo os louros.’


Como é do seu feitio, Yoani não fez um comício, apenas remarcou a sua passagem para Junho. E declarou a El País: ‘As mudanças chegarão a Cuba. Mas não através do script do governo’.


No Brasil, nenhuma linha


A grande imprensa brasileira passou ao largo do evento. Nenhuma linha a respeito. Os porteiros das redações estão ocupados com questões mais relevantes e sensacionais. As idéias da quieta e determinada filóloga de Havana aqui não encontram eco. O problema não é dela, é nosso. ‘Há em Cuba uma vontade de fazer crer que o país vive um novo momento. Mas à minha vida ainda não chegaram as evidencias deste novo momento. Creio que há uma nova atitude da parte dos cidadãos, uma atitude mais crítica… A intolerância política, no entanto, cedeu pouco.’


‘As transformações deverão ser lentas, isto está claro, mas duvido que elas venham do sistema. Não se pode transformar e melhorar o que está enfermo na sua essência. Este sistema provou sua incapacidade de prover seus cidadãos de bem-estar material. Um dos grandes argumentos que se utiliza para defender a revolução cubana é que conseguimos fazer um socialismo sui generis. Então porque não podemos fazer um capitalismo sui generis? Este país necessita de uma injeção de criatividade e liberdade para produzir…’


José Ortega y Gasset (1883-1955) é um dos grandes pensadores da primeira metade do século 20. Cercado de jornalismo por todos os lados. A família da sua mãe era proprietária de um grande jornal, El Imparcial, onde trabalhava o seu pai, jornalista profissional. Um de seus descendentes ajudou a fundar El País. Defendeu os republicanos espanhóis contra todas as ações do fascismo franquista. Em 1936 quando começou a Guerra Civil exilou-se na Argentina onde durante 10 anos manteve o mais absoluto silêncio.


É de Ortega y Gasset o conceito ‘eu sou eu, mais as minhas circunstâncias’ (Meditaciones del Quijote). O jornalismo é apenas a busca dessas circunstâncias.

Todos os comentários

  1. Comentou em 10/05/2008 Marco Antônio Leite

    Essa bloqueira cubana esta encantada e equivocada com as maravilhas que o mundo capitalista oferece somente aos poucos privilegiados de sempre. Esse prêmio dado a essa criatura é uma das muitas enganações que esse sistema esdrúxulo dá para diferenciar alguns da maioria da população. Cuba não sofrerá nenhuma transformação capitalista canibal, o sistema socialista já esta fazendo suas transformações necessárias a todos os cidadãos de boa vontade. O socialismo oferece saúde de primeira, educação e cultura de nível excelente a todo seu povo, alimento, lazer, habitação para todos e outras necessidades básicas que o povo tem necessidade. O capitalismo oferece boa vida a uma pequena burguesia, bem como aquela classe média decadente que imagina que ter um carrinho, um empreguinho de bajulador do sistema e uma casinha nas periferias da vida imagina que faz parte desse sistema.

  2. Comentou em 10/05/2008 wladimir marcuse

    Cuba tem um sistema econômico ineficiente por escolha própria, não por culpa dos EUA. Veja que Raul Castro tem liberado certas aspectos da economia que Fidel mantinha amarrados por pura teimosia. José de Castro, se o socialismo-potência que era a URSS caiu de podre e faliu por ineficiência, como o país sustentado, o país cliente, que era Cuba, poderia ser eficiente? Cana de açucar e tabaco não rendem grandes recursos e até hoje é isto que sustenta a maior parte da economia cubana (qual foi o papel de Cuba na divisão socialista do trabalho: a URSS dava tudo e Cuba exportava o mito?)

  3. Comentou em 10/05/2008 wladimir marcuse

    Cuba tem um sistema econômico ineficiente por escolha própria, não por culpa dos EUA. Veja que Raul Castro tem liberado certas aspectos da economia que Fidel mantinha amarrados por pura teimosia. José de Castro, se o socialismo-potência que era a URSS caiu de podre e faliu por ineficiência, como o país sustentado, o país cliente, que era Cuba, poderia ser eficiente? Cana de açucar e tabaco não rendem grandes recursos e até hoje é isto que sustenta a maior parte da economia cubana (qual foi o papel de Cuba na divisão socialista do trabalho: a URSS dava tudo e Cuba exportava o mito?)

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