Domingo, 24 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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DIRETóRIO ACADêMICO > MÍDIA CATARINENSE

Candidatos tiveram mesma visibilidade no 2º turno

Por Monitor de Mídia em 07/11/2006 na edição 406

Recursos visuais, como as fotos, auxiliam os leitores no contexto das matérias. Mas em tempo de eleições, imagens são poderosas armas dos candidatos, espelhos através dos quais projetam suas posturas públicas, seus compromissos e suas plataformas eleitorais. No segundo turno, o confronto entre os aspirantes se intensifica, e qualquer veículo de comunicação que dê maior visibilidade a um deles pode ser acusado de tendencioso.

Este Monitor de Mídia fez um levantamento da visibilidade dos candidatos ao governo do estado – Esperidião Amin e Luiz Henrique da Silveira – por meio das fotos publicadas nos principais jornais catarinenses. A contabilidade das aparições considerou todo o segundo turno da disputa, de 2 a 28 de outubro, na tentativa de se perceber se havia equilíbrio dos espaços destinados. O resultado confirma uma divisão eqüitativa da vitrine dos jornais.

Visibilidade e Parcialidade

O levantamento foi feito de maneira muito simples: foram contadas as fotografias em que os candidatos apareciam nas páginas dos jornais. Tabelas foram montadas para uma identificação mais fácil da presença de cada candidato. Por fim, os números foram comparados.

É claro que uma pesquisa como essa não afere se houve um jornal foi imparcial em sua cobertura eleitoral. Longe disso. Para determinar isso, seria necessário analisar não apenas a quantidade das fotos por concorrente, mas também as conotações dessas imagens, os textos informativos e os opinativos, sempre com a tentativa de se ‘medir’ a aparição do político na mídia como positiva ou negativa.

Mesmo com essas limitações, um estudo como este é importante porque trabalha sob o conceito de visibilidade do político na vitrine midiática. Assim, uma análise da parcialidade ou não de um veículo poderia ter sua fase mais superficial nessa observação da visibilidade, da aparição, da freqüência do candidato. Se se percebesse um tratamento desproporcional, poder-se-ia já lançar suspeita sobre a cobertura, abrindo espaço para acusar o favorecimento de um candidato em detrimento de outro.

Este levantamento funciona como uma fotografia aérea de uma cidade: evidencia o aparente sem determinar condições mais específicas. Neste sentido, como o estudo mostra que as quantidades das fotos de Amin e Luiz Henrique são praticamente as mesmas, pode-se dizer que tiveram o mesmo espaço nos jornais, mas não o mesmo tratamento. Isso já é outra conversa.

Poucas fotos no Santa

De maneira geral, pode-se afirmar que o Jornal de Santa Catarina divulgou imagens dos candidatos Luiz Henrique e Esperidião Amin de maneira equilibrada. Do total de fotos, 49% são do candidato do PMDB enquanto 51% são do progressista.

Nas edições dos dias 10 e 19/10, somente imagens de Amin foram publicadas; já nas edições dos dias 07 e 08/10 (final de semana), 17/10 e 21 e 22/10 (também final de semana), somente fotos de LHS foram divulgadas. Considerando que as publicações de sábado e domingo são mais ‘evidenciadas’, e até mesmo mais lidas, poder-se-ia notar uma maior alusão à imagem do peemedebista. O número máximo de imagens em uma só edição foi 4, no dia 24/10.

Nenhuma foto ou imagem foi publicada nos exemplares dos dias 02, 03, 14 e 15 (final de semana) e 18/10. Pode-se dizer que é um fato curioso, afinal, estava-se em pleno segundo turno. Dos três jornais analisados, o Jornal de Santa Catarina foi o que menos fotos publicou dos candidatos no período.

Pequena diferença iguala presença

Se no jornal de Blumenau, Amin havia aparecido com uma minúscula vantagem sobre Luiz Henrique – duas fotos -, o governador que tenta a reeleição aplicou a mesma diferença em seu oponente no Diário Catarinense: 54 aparições contra 52, no período. Por ser pequena, a distância entre os aspirantes ao Palácio da Agronômica não chega a configurar a preferência do jornal por alguém em específico. Na verdade, temendo a pecha de tendencioso, o DC levou à risca a divisão equânime dos espaços e, em grande parte do período, chegou a ‘lotear’ as páginas, dando a mesma quantidade de linhas de matérias para cada um dos candidatos.

Puxa daqui, puxa dali

Em A Notícia, a preocupação com a divisão dos espaços e das fotos entre os concorrentes políticos também se materializou no desenho de páginas quase que espelhadas. Assim, o leitor encontrava material na mesma proporção dos dois políticos. Entre as fotos, um fenômeno curioso: o monitoramento identificou 15 dias em que os candidatos não apareceram na mesma quantidade. Desta forma, um dia, Amin aparecia com uma foto de vantagem, no outro, era LHS, e por aí foi. O inusitado foi perceber que na contabilidade geral do período, os candidatos tiveram praticamente a mesma visibilidade, com 63 fotos de Amin e 62 de Luiz Henrique. No estica dali e puxa de lá, o jornal estampou os candidatos na mesma faixa. Não se pode dize que houve favorecimento.

Resumo da ópera

Em 27 dias de circulação, os três maiores jornais do estado trouxeram 287 fotos com os candidatos ao governo catarinense: 144 de Esperidião Amin e 143 de Luiz Henrique da Silveira. O notável equilíbrio evidencia uma autêntica preocupação dos meios em assegurar uma cobertura que não seja parcial. A idêntica exposição dos candidatos nas fotos não garante isso, mas já é um ponto positivo.

Onde está o Wally?

Um fato curioso aconteceu na edição de 13/10 de A Notícia. No caderno ‘Anexo’, acompanhando a matéria ‘A memória que não se apaga’, uma foto da procissão de Nosso Senhor Jesus dos Passos continha um componente ilustre, além da imagem do santo. O texto não citou em nenhum momento o comparecimento de algum do candidato na procissão. Mas Esperidião Amin estava discretamente presente na foto.

Fora da vitrine

O segundo turno das eleições 2006 terminou nos jornais com os candidatos ao governo do estado fora das primeiras páginas. Tanto A Notícia quanto Diário Catarinense trouxeram em suas capas fotos de Lula e Alckmin no último debate televisivo da campanha. O Jornal de Santa Catarina optou por outro caminho: deu cartaz à nova rainha da Oktoberfest, Roberta Carolina Felsky.

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