Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Carlos Eduardo Lins da Silva

02/06/2009 na edição 540

‘Dengue e febra amarela na mídia’, copyright Folha de S. Paulo, São Paulo (SP), 31/5/09.

‘A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) lança amanhã em Brasília seu mais recente estudo sobre o comportamento dos meios de comunicação social brasileiros na cobertura de situações de risco.

Trata-se do livro indicado ao pé deste texto, por enquanto disponível apenas eletronicamente, sobre os casos de dengue e febre amarela ocorridos no Brasil em 2008.

A importância desse tipo de trabalho é fundamental para a compreensão exata do que faz o jornalismo. Quando a sociedade parece ingressar na era ‘pós-factual’, em que só existem opiniões, independentemente da realidade, é fundamental haver quem lance âncoras de objetividade possível, com a compilação sistemática, segundo métodos reconhecidos, de dados verificáveis para que os cidadãos cheguem a conclusões seguras sobre o que os cerca.

É o que faz esse livro. A pesquisa apura como seis jornais impressos (entre eles a Folha) e quatro telejornais de redes nacionais cobriram a ocorrência de casos de febre amarela no Centro-Oeste e a epidemia de dengue no Rio de Janeiro, nos quatro primeiros meses de 2008. Depois de estabelecer a consensual importância da mídia nessas situações e demonstrar a necessidade de estabelecer um ‘triângulo da confiança’ (entre governo, academia e meios de comunicação), o texto mostra como houve problemas, especialmente no caso da febre amarela, na interlocução entre esses três atores fundamentais.

O livro registra intensos ataques feitos contra o comportamento da imprensa no caso da febre amarela, mas conclui que ‘embora identifiquem equívocos importantes nessa cobertura, os números não corroboram integralmente as críticas negativas dispensadas ao noticiário relativo às duas enfermidades’.

Por exemplo, ‘contrariando a percepção de alguns dos entrevistados para o presente estudo, os números revelam certa precaução dos veículos de mídia em intitular a ocorrência de febre amarela como uma epidemia. Enquanto em 53,7% dos textos publicados nos diários analisados a dengue é tratada claramente como epidemia, quando a febre amarela está em foco o índice é de menos de 14%’.

A análise do material veiculado pelos diários demonstra que 70% dos textos sobre febre amarela traziam como fonte um membro de uma das três esferas do Poder Executivo. Ou seja, não mais que 30% do material pesquisado tem como fonte primária todos os outros atores possíveis.

A maior deficiência detectada na cobertura foi ela ter desprezado aspectos para prevenir as crises em 2007, com informações sobre a proximidade de uma possível nova temporada de dengue, e situações similares no futuro, ignorando políticas de saneamento básico, o Programa Saúde da Família, o PAC da Saúde e as discussões do Orçamento.’

***

‘Nunca antes na história’, copyright Folha de S. Paulo, 31/5/09.

‘É obrigação jornalística dedicar muito mais atenção aos acontecimentos da atualidade e do passado recente do que aos mais remotos no tempo.

É apenas natural, portanto, que quem esteja no poder receba escrutínio mais detalhado dos meios de comunicação do que seus antecessores.

Mas a perspectiva histórica quase sempre coloca o que é atual em contexto mais apropriado.

Dois exemplos ajudam a desenvolver o argumento. Na terça, reportagem revelou que 1/5 dos cargos de confiança na administração pública federal estão ocupados por filiados ao PT. Não seria interessante saber qual era a porcentagem de tucanos no meio do sétimo ano da era FHC?

Na quinta, outro texto mostrou que o PT recebeu 55% das doações de campanha feitas por empresas ligadas à Petrobras nas eleições de 2006 e 2008. Não seria útil conhecer que partidos receberam mais contribuições das empresas em 1998 e 2000?’

***

‘Para ler’, copyright Folha de S. Paulo, 31/5/09.

‘Uma Análise do Tratamento Editorial Dedicado pela Imprensa Brasileira à Dengue e à Febre Amarela’

da Andi (download gratuito em www.andi.org.br)

PARA VER

‘A Epidemia’, de Olivier Langlois, com Richard Bohringer e Martins Forsstrom (a partir de R$ 12,90)’

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