Domingo, 21 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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Cobertura de jornalão sobre magnata gera troca de farpas

28/06/2007 na edição 439

A possível venda do grupo de mídia Dow Jones para o magnata Rupert Murdoch tem agitado a indústria jornalística em todo o mundo. Esta semana, a News Corporation, de propriedade de Murdoch, atacou o jornalão New York Times por sua tentativa de retratá-lo como barão da mídia internacional – ele tem negócios no Reino Unido, EUA, Austrália e China – focado nos lucros.


O diário nova-iorquino produziu uma série de matérias com especulações e análises sobre como ficaria a independência editorial das publicações da Dow Jones caso Murdoch assuma o controle delas. ‘A motivação para estas matérias parte obviamente de interesse comercial do New York Times, em uma tentativa de prejudicar um concorrente direto que tem chances de se tornar ainda mais competitivo com esta compra’, afirmava declaração do vice-presidente executivo de comunicação da News Corporation, Gary Ginsberg.


Trechos da declaração foram reproduzidos pelo Times. Murdoch está em acertos finais com a família Bancroft, proprietária da Dow Jones, pela compra do grupo. Grande parte dos impasses nas negociações é referente à independência editorial do Wall Street Journal, carro-chefe da Dow Jones, que críticos consideram ameaçada caso o controle passe para o empresário.


Cobertura ampla


O Times vem cobrindo de maneira intensiva as negociações, desde o anúncio de que Murdoch estaria interessado no grupo Dow Jones, no início de maio. Diariamente, são publicadas matérias nas seções de economia e em colunas. Um editorial também tratou do assunto.


Em resposta à declaração da News Corporation, o editor-executivo do Times, Bill Keller, contra-atacou. ‘Vocês estão falando sério? O que nos levaria a ter um olhar jornalístico e atento sobre uma figura controversa que está para comprar uma das jóias raras do jornalismo americano? Este é o nosso trabalho. As matérias foram bem apuradas, justas e fascinantes’.


Catherine Mathis, porta-voz do jornalão, também defendeu o diário, alegando que ele sempre mantém uma separação entre jornalismo e interesses econômicos. A questão principal – como ficará a independência editorial se Murdoch comprar a Dow Jones – permaneceu, no entanto, sem conclusão nas matérias do Times.


Trabalho de equipe


A série investigativa sobre a possível compra do grupo pelo magnata surgiu de uma proposta de Keller. O projeto envolveu o trabalho de repórteres nos EUA e correspondentes no Reino Unido, e foi coordenado pela chefe de redação em Washington, Jill Abramson. Os textos tiveram tom incisivo. ‘A venda dará a Murdoch o controle da autoridade jornalística nos países nos quais ele é um participante agressivo. O que preocupa os críticos é a possibilidade de ele usar o Journal, que já ganhou muitos Pulitzers e é reconhecido por sua integridade, como mais uma ferramenta para manipular seus interesses políticos e econômicos’, disparou o Times em um dos artigos.


O problema na série de artigos sobre o tema foi que, ao publicar este tipo de acusação, o Times também agiu em prol de seus interesses, opina Michael Calderone [The New York Observer, 26/6/07]. ‘Ironicamente, o Times, ao usar suas páginas de notícias para tratar do assunto, teve a mesma atitude da qual nos acusa, sem nenhuma evidência para tal’, afirmava trecho da declaração da News Corporation.


 

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