Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Compreensão versus apreensão

Por Fernando Sousa Leite em 18/08/2009 na edição 551

O avanço dos meios de comunicação possibilitou a chamada ‘democratização do acesso à informação’. Paralelamente, o meio digital consolidou-se como veículo de notícias característico do mundo contemporâneo.

Atualmente, a expansão crescente da massa de notícias corresponde ao esvaziamento gradual dos seus respectivos sentidos e significados; assumindo-se como absolutos, os eventos desvinculam-se do passado histórico, tornando-se amplamente apreendidos, mas dificilmente compreendidos. A exemplo disso, os atentados terroristas ao World Trade Center em setembro de 2001 foram divulgados pela grande mídia como atos que encerravam em si mesmos suas próprias motivações, ignorando a conjuntura histórica que envolve aspectos sociais, políticos e econômicos e que culminou no ocorrido.

O jornalismo imparcial constitui a utopia da comunicação. Quando se trata de ciências humanas, o próprio observador modifica o objeto observado; como ser humano e falível, carregando visões de mundo, preconceitos e idéias próprias, o jornalista seria incapaz de manter a privilegiada e inquietante posição da imparcialidade vigilante. Conseqüentemente, a crescente disponibilidade de notícias estimula o questionamento da credibilidade dispensada às fontes de informação, assim como o confronto da veracidade dos fatos.

Informação está disponível

A expansão da massa de notícias, a facilidade de acesso à informação e o avanço dos meios de comunicação possibilitam afirmar que o panorama atual configura a Era da Informação, porém não garante a constituição simultânea e imediata da Era dos Informados. Captar o real sentido e significado dos eventos implica tarefa que envolve um pouco mais de trabalho.

Contudo, não é suficiente compartilhar com Stephen Kanitz quando, em seu artigo publicado na revista Veja (3/19/2007), afirma que se vive a ‘Era da Desinformação, de tanto lixo e ruído sem significado que, na maior parte das vezes, nos são transmitidos, todos os dias, eletronicamente, sem que exista o menor cuidado com a precisão e seriedade do que se emite, por parte das fontes que colocam matérias na rede’.

A informação está disponível, alcançá-la hoje é mais fácil quando comparado a outras épocas da história; é inegável e expressar o contrário não seria conveniente.

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Estudante de Relações Internacionais da Universidade de Brasília

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