Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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Contribuições para o campo da comunicação

Por Thalita Maria Mancoso Mantovani e Souza em 08/02/2011 na edição 628

No século 21 e na atual sociedade da informação caracterizada por Castells (1999) – onde a geração, o processamento e a transmissão da informação são fontes de produtividade e poder –, a comunicação e a pesquisa tornam-se necessárias para a evolução dos indivíduos desta sociedade, bem como para o desenvolvimento de processos, produtos e aprimoramento de tecnologia.

De um lado, a comunicação (em seus estudos iniciais e em termos gerais) visa tornar comum uma mensagem de um emissor para um receptor, através de um meio/canal. Espera-se que esta mensagem chegue sem um ruído e que o receptor promova o feedback ao emissor. De outro lado, a pesquisa constitui-se no ato de questionamento e aprofundamento consciente na tentativa de se alcançar uma resposta significativa a uma dúvida ou problema (BARROS; LEHFELD, 1986, p. 87).

A comunicação e a pesquisa caminham juntas. Ambas contribuem para discussões acerca das transformações, modificações e ressignificados de teorias, de paradigmas, das múltiplas interfaces do conhecimento, entre outros. Nesta linha de raciocínio, a sociedade contemporânea sentiu a necessidade de se pensar e estudar a pesquisa em comunicação. Foi assim que nasceu a obra ‘Comunicação e pesquisa: projetos para mestrado e doutorado’, de autoria de Maria Lucia Santaella Braga, publicada por Hacker Editores, em São Paulo, no ano de 2001 e integrante da coleção ‘Comunicação &’.

Capacidade para gerar e consumir mensagens

Ao longo de 216 páginas, Santaella se propõe a resgatar a historicidade da comunicação e aborda questões relevantes sobre pesquisa e a elaboração de um projeto de pesquisa. Sua obra está dividida em nota de apresentação, introdução, quatro capítulos, roteiro de leituras, bibliografia a sobre a autora. Na nota de apresentação, a autora escreve que buscou complementar os estudos de Lopes (1990) sobre pesquisa e projetos de pesquisa em comunicação.

Já na introdução, a autora discorre sobre a publicação do livro, iniciada com o convite formulado por Hacker Editores. Aqui também são incluídas algumas definições de comunicação, como as de Fiske (1990), Baylon e Mignot (1999), Nöth (1990), Shannon e Weaver (1949) e do crescimento e desenvolvimento da área da comunicação.

Para a autora (2001, p. 22), comunicação é:

‘[…] a transmissão de qualquer influência de uma parte de um sistema vivo ou maquinal para uma outra parte, de modo a produzir mudança. O que é transmitido para produzir influência são mensagens, de modo que a comunicação está basicamente na capacidade para gerar e consumir mensagens.’

‘Mapeamento da área e campos da comunicação’

Santella finaliza a introdução abordando uma espécie de linha do tempo, ainda que brevemente, das formas, meios e processos de comunicação.

No capítulo 1 denominado ‘Histórico das teorias, modelos e âmbitos de pesquisa na comunicação’, Santaella expressa cristalinamente, a diferença existente entre teoria e modelo, contribuindo para o entendimento do resgate histórico e para compreender a evolução ocorrida desde o início do estudo da comunicação, com destaque para Wolf (1987), A. e M. Mattelard (1999), entre outros, que ela apresenta na sequência de seu raciocínio.

A meu ver, as teorias, modelos e âmbitos da pesquisa em comunicação se agrupam em quatro grandes tradições: (1) a mass communication research e seus desdobramentos, (2) as teorias críticas, (3) os modelos do processo comunicativo e (4) as correntes culturológicas e midiáticas (SANTAELLA, 2001, p. 31).

Cumpre consignar a relevância que possuem os capítulos 2, 3 e 4, uma vez que são norteadores para que os pesquisadores, docentes, alunos e interessados desenvolvam seus projetos e suas pesquisas.

O capítulo 2 contempla o que a autora denominou de ‘mapeamento da área e dos campos da comunicação’, o qual permitiu chegar através de um caminho sólido às pesquisas em comunicação com maior integridade sobre o objeto de estudo, respeitando a área do conhecimento envolvida.

Os grupos do mapeamento

A autora condensou estes conteúdos em três grupos:

– Os territórios da comunicação

– O território da mensagem e os códigos

– O território dos meios e modos de produção das mensagens

– O território do contexto comunicacional das mensagens

– O território do emissor ou fonte da comunicação

– O território do destino ou recepção da mensagem

– As interfaces dos territórios da comunicação

– As mensagens e suas marcas

– Interfaces das mensagens com seu modo de produção

– Interfaces das mensagens com o contexto

– Interfaces dos meios com o contexto

– Interfaces das mensagens com o sujeito produtor

– Interfaces dos meios com o sujeito produtor

– Interfaces do contexto com o sujeito produtor

– Interfaces da mensagem com sua recepção

– Interfaces dos meios com a recepção das mensagens

– Interfaces do contexto com a recepção

– Interfaces do sujeito produtor com a recepção

– Inserção das teorias e ciências da comunicação no mapa

– Teorias da mensagem, códigos e suas interfaces

– Teorias dos meios e suas interfaces

– Teorias do contexto e suas interfaces

– Teorias do sujeito e suas interfaces

– Teorias da recepção e suas interfaces

Realizar este mapeamento não é tarefa fácil, em razão da comunicação possuir um caráter híbrido, tanto do lado do fenômeno em si quanto da sua interdisciplinaridade enquanto objeto de estudo acadêmico.

As etapas do projeto

Por outro lado, o capítulo 3, elucida de forma ampla, inúmeros conceitos envolvendo ciência, conhecimento, lógica, raciocínio, metodologia, tipos, técnicas e procedimentos de pesquisa, os quais são necessários à formação de um pesquisador.

A autora (2001, p. 104) apresenta, primeiramente, uma definição de ciência, fundamentada em Peirce, em que destaca que está sempre em desenvolvimento, para após conceituar os demais itens apontados no parágrafo acima:

‘Porque se concretiza através da busca de conhecimento realizada por pesquisadores vivos, a ciência, ela mesma, é coisa viva, não se referindo àquilo que já se sabe, mas àquilo que se está lutando por obter através da pesquisa em ato. Isso não significa que a sistematização do conhecimento não faça parte da ciência e não tenha nela importância. Significa, isto sim, que o mais relevante está naquilo que ainda não se conhece e se está lutando por descobrir.’

No capítulo 4, Santaella se preocupa em oferecer subsídios sobre as etapas do projeto de pesquisa, com peculiaridades que perpassam desde a escolha e delimitação do tema ou assunto, até alcançar as referências. São elas:

– os antecedentes;

– a definição do problema;

– o estado da questão;

– a apresentação das justificativas;

– a explicitação dos objetivos;

– a formulação das hipóteses;

– o quadro teórico de referência;

– a seleção do método;

– a equipe de pesquisa;

– o cronograma;

– os recursos necessários;

– a bibliografia.

Novas descobertas e desafios

Um projeto de pesquisa é necessário para definir e planejar o caminho que o pesquisador seguirá, na ordem lógica de raciocínio quanto temporal (organização de tempo, cumprimento de prazos etc.). Contudo, há uma nítida e importante consideração sobre as ‘minúcias e capacidade de olhar de frente para as dúvidas, sem subterfúgios, sem esquivas’ (2001, p. 189), tudo com o propósito de permitir:

‘[…] que a jornada deverá chegar com êxito ao seu destino, a compensação mais gratificante se encontra naqueles momentos em que a pesquisa começa a adquirir força e determinações próprias, exigências internas tão eloquentes como se viessem de um corpo vivo’ (2001, p. 189).

A contribuição da autora em seu ‘Roteiro de leituras’ fortalece a identificação de novas referências, propiciando um aprofundamento inteligente no estudo a ser realizado. Neste sentido, a obra consultada torna-se fundamental para todos em seus primeiros ensaios, com uma leitura indispensável e instigante ao almejar uma trajetória em pesquisa e comunicação, com o compromisso de observar continuamente a humildade intelectual, na busca de novas descobertas e no enfrentamento de novos de desafios.

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Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Televisão Digital: Informação e Conhecimento da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp (FAAC/Unesp)

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