Sábado, 25 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
Menu

DIRETóRIO ACADêMICO >

Diretrizes serão debatidas em consulta pública

Por Heitor Reis em 10/03/2009 na edição 528

Em atendimento ao convite disponibilizado neste link, enviei o texto a seguir para a comissão que analisará as propostas relativas às competências do curso de Jornalismo, criada no Ministério da Educação:

 

Maior que a competência técnica de obtenção e apresentação da informação, o problema de qualquer profissional, inclusive do jornalista, é seu caráter. Qualquer pessoa altamente capacidade intelectualmente (ou não) tem livre-arbítrio para se decidir sobre como irá utilizar esta habilidade. Para o bem ou para o mal. Para o interesse público, democrático e social ou para um propósito particular, autoritário, privilegiando, assim, uma classe social minoritária.

Apesar da Fenaj dogmatizar que o diploma garante a ética e qualidade mínimas da informação para a sociedade, isto não é verdade.

Perseu Abramo considera a grande mídia como inimiga do povo brasileiro. E o jornalista é o soldado deste exército que combate contra os interesses nacionais.

O que é e o que não é uma democracia

Por este motivo, durante o curso, o estudante deve ser preparado para escolher se vai trabalhar para um empresário da comunicação, cujo objetivo é o lucro e o poder político decorrente da atividade, vendendo sua consciência para submeter-se aos valores do patrão ou não. Ser um instrumento da manipulação e engano de seu próprio povo ou não. Um mercenário a soldo de quem lhe pagar melhor para fazer o que for mandado, independente de qualquer princípio ou não.

É importante que se discuta durante o curso uma solução para este impasse, característico de qualquer trabalhador, mas que, no caso do jornalista se torna altamente relevante, por ser ele quem manipula a informação para enganar a sociedade brasileira, sob o comando de seu empregador.

Também é fundamental ensinar ao estudante o que é e o que não é uma democracia, uma ditadura do poder econômico, plutocracia, cleptocracia e corporocracia, de tal forma que ele possa identificá-las em seu trabalho profissional e não reproduzir o engano do sistema, sobre a forma de governo que sempre tivemos.

Malignidade intrínseca

Uma matéria que analise as questões mais profundas do setor e que lhe mostre quem são os donos da mídia, como a utilizam para agir como um partido político, bem como o que é um oligopólio e a legislação existente sobre comunicação. A prática da censura econômica na mídia. Um estudo sobre análise crítica da mídia, usando exemplos clássicos como a edição do debate Collor x Lula em 1989 pela TV Globo.

Segue minha definição para esta atividade profissional, como sugestão base para debate nesta comissão e na audiência pública.

O verdadeiro jornalismo, o jornalista de fato e a mídia realmente livre e pública divulgam, com a freqüência e ênfases adequadas, idéias, fatos, pessoas e organizações que os poderosos se esforçam para esconder, minimizar ou criminalizar. O resto é assessoria de imprensa, omissão, manipulação, mercenarismo, entretenimento, mero diletantismo filosófico ou crime de lesa pátria.

Chamo a atenção para dois textos que procuram analisar a malignidade intrínseca do jornalista e da mídia, comum a todos nós, como seres humanos imperfeitos, que desfrutamos também de uma bondade intrínseca, dificilmente estimulada quando há interesses comerciais e políticos em jogo. O negócio é dar a impressão de que a comunicação é pública e confiável, quando ela visa exatamente ao contrário!

Ver ‘A capacidade que o jornalista tem de fazer o mal é devastadora‘ (em espanhol) – aqui, uma tradução); e ‘A malignidade intrínseca da mídia‘.  

Mas não se trata de condenar apenas o profissional que se vende na banca do mercado!… Certamente, um dia, quem sabe, talvez, a sociedade terá interesse em receber informação verdadeiramente dentro de um mínimo de ética e qualidade como defende a Fenaj. E, quando mais cedo melhor. Aí, então, ela criará mecanismos para blindar o profissional de comunicação para deixar de ser um mero escravo de que o remunera, como qualquer outro profissional. Ele deve ser considerado um funcionário público e ter todas as garantias de estabilidade, plano de carreira, somente ser demitido em caso de uma falta grave etc., etc., etc.

Não podemos ser ingênuos e imaginar que isto ocorrerá nesta geração, tendo em vista estarmos num país com 74% de analfabetos e semi-analfabetos, repercutindo a vontade política de nossos governantes em manter concentrar a riqueza nacional nas mãos de quem lhes financia a campanha e manter a população na ignorância para melhor legitimar o que se ensina em todos os níveis de nosso sistema educacional como sendo uma ‘democracia’.

Certamente a democratização da comunicação e a Conferência Nacional de Comunicação não podem fugir de focalizar este problema, de tamanha magnitude, capaz, por exemplo, de um golpe de Estado, como ocorreu no debate Lula x Collor, em 1989, imediatamente antes das eleições, realizado por nossa maior rede de TV e por jornalistas prenstituídos.

Mais detalhes em:

** Diploma impede o empresário de dominar sobre a consciência do jornalista

** Liberdade de imprensa para quem?

 

** Trabalhar na Globo é crime

** Rádios ‘piratas’: o que a Band esconde?

** Prenstituição

** O Ditador das Gerais

** Liberdade, essa palavra

** Gagged in Brazil – Censura na imprensa

** Midiatrix

** Análise dos Tipos de Poder

** O que é e o que não é, realmente, uma democracia?

** Sem conceituação não há revolução!

** Dissonância intelectiva dos mestres

** A estupidez conceitual da esquerda

******

Engenheiro Civil, militante do movimento das rádios comunitárias e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC); membro do Conselho Consultivo da CMQV–- Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida NOTAS

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem