Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Em defesa do óbvio

Por Ana Caroline Naves em 29/08/2011 na edição 657

Desde a decisão do STF a respeito da não obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista que o curso de habilitação na área vêm diminuindo seu número de adeptos na universidade. Pode parecer estranho, depois de tanto tempo, ocorrer mais uma manifestação a respeito da queda do diploma. A justificativa é simples: só hoje, depois do início da minha graduação, me vejo preparada a defender a importância da universidade porque só agora consigo visualizar a relevância dessa instituição na minha vida pessoal e profissional.

O livre poder de expressão na área jornalística vai muito além do simples pronunciar de palavras ou da liberdade de se expressar da forma que melhor entender. Jornalistas têm função social, têm um compromisso com a isenção de opiniões pessoais e a veracidade dos fatos, são formadores de opiniões. Portanto, tal função não pode ser exercida por qualquer pessoa.

Essa decisão me trouxe questionamentos. Contudo, meu sonho por fazer jornalismo nunca diminuiu e atualmente vejo o quanto cresci e aprendi com apenas seis meses de universidade – fica cada vez mais evidente a necessidade de uma formação acadêmica. Entretanto, esse não é o pensamento da maioria. Para alguns, a academia tem como objetivoa simples entrega de um diploma. E para os que veem a universidade dessa forma, o curso de Jornalismo perdeu o seu peso e fundamento.

O que se torna mais importante para os profissionais é o aprendizado, porém nada substitui a presença e acompanhamento de um professor. O cotidiano dos bancos acadêmicos traz muito mais do que o conhecimento propriamente dito. Traz a experiência de profissionais mais antigos, resgata histórias e nos mostra a responsabilidade no exercício da profissão.

Desmerecimento do curso acarreta na qualidade do jornalismo

Qual a função do diploma? As discussões em torno da obrigatoriedade do diploma são bastante distintas. Alguns acreditam que o investimento em uma universidade não é válido; outros, que a pratica e a experiência valem mais que uma formação acadêmica; e outros ainda acreditam que a academia é o início de uma caminhada em busca do sucesso.

O tema em discussão não se resume ao fazer ou não a faculdade, e sim, se os atuais e futuros jornalistas não diplomados conhecem os princípios de ética da profissão e têm noção da responsabilidade ao estarem sendo formadores de opinião. Este texto não tem por objetivo menosprezar os profissionais não diplomados, e sim, mostrar que a experiência acadêmica, o contato com os professores, as dificuldades e fundamentos apreendidos não podem ser ensinados na rua ou na redação de um jornal. Esse aprendizado só é proporcionado em uma faculdade.

Não é difícil enumerar a quantidade de profissionais não diplomados que exercem funções na comunicação e têm resultados muito melhores que profissionais que fizeram o curso de Jornalismo. O sucesso profissional não se faz presente somente na universidade ou no curso em que você se graduou. É a união de estudo, talento e muito trabalho.

O desmerecimento do curso acarreta na qualidade do atual jornalismo, pois cada vez mais os profissionais são lançados ao mercado de trabalho sem ao menos saberem quais são suas funções. Porém, até quando as pessoas vão achar que basta saber escrever e comunicar-se bem para estarem trabalhando em um veiculo de comunicação? E em meio a tantos questionamentos e mudanças, qual será o futuro do jornalismo?

***

[Ana Caroline Naves é estudante de Jornalismo, Uberaba, MG]

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