Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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DIRETóRIO ACADêMICO > 7º FÓRUM DE PROFESSORES DE JORNALISMO

Entidade quer ser ouvida pelo MEC

Por Pedro Celso Campos em 27/04/2004 na edição 274

‘Os desafios do ensino de Jornalismo na transição tecnológica’ foi o tema do 7º Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, realizado em Florianópolis de 18 a 20 de abril de 2004, promovido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e pelo Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina.

Um dos principais destaques do Fórum foi sua institucionalização, com a aprovação dos estatutos. Agora a entidade vai ser registrada e os professores de Jornalismo terão representação jurídica para solicitar que o MEC consulte a categoria antes de autorizar novos cursos e também quanto aos critérios de avaliação dos cursos em andamento. A nova entidade da categoria elegeu o professor Gerson Martins (UFRN) seu presidente nacional. Também ficou decidido que o 8º Fórum será realizado em Maceió. O tema do próximo encontro será escolhido pela universidade-sede do evento e a direção do Fórum, mas um dos temas preferidos é Avaliação, segundo opiniões colhidas em Florianópolis.

Mais de 100 relatos de experiências e projetos foram apresentados em cinco Grupos de Trabalho: Projetos Pedagógicos, Extensão, Pesquisa e Graduação, Laboratório de Impressos, Laboratório de Eletrônicos. Participaram professores de todo o país, inclusive três do Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp/Bauru: Antonio Francisco Magnoni (chefe do Departamento), Ângelo Sottovia Aranha e Pedro Celso Campos. Também presentes o mestrando da FAAC Silvio Saraiva e o ex-aluno de Jornalismo da Unesp Caio Albuquerque, que dá aulas de Jornalismo em escolas particulares do interior paulista.

Multimídia

A solenidade de abertura do evento, no Hotel Praiatur, Bairro dos Ingleses, contou com a presença do professor português Nelson Traquina, da Universidade Nova Lisboa, que lançou, na ocasião, seu mais novo livro, Teorias do Jornalismo. Segundo ele, o que prejudica o trabalho do jornalista é que as empresas tratam a atividade como negócio e esquecem que o jornalismo deve ser um serviço. Assim, para economizar, as empresas trabalham com poucos jornalistas, daí a falta de tempo para apurar e noticiar melhor.

O professor Traquina acha que as escolas de Jornalismo e os educadores precisam estar em sintonia com o fenômeno da convergência das mídias, capacitando o aluno para atividades multimídia, daí a necessidade de incluir o mundo digital no universo das práticas pedagógicas. Ele reconhece, entretanto, que ainda não existe um método pedagógico específico para ensinar Jornalismo Multimídia: ‘Uso a pedagogia do erro, é fazendo que se aprende’, resumiu.

Também presente na mesa de abertura do Fórum, o professor da UFSC Eduardo Meditsch disse que o cérebro humano é multimídia, por isso os alunos lidam bem com as transformações em curso.

Pesquisa

O presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisadores de Jornalismo (SBPjor), professor Elias Machado (UFBA), recomendou a ampliação da pesquisa em tecnologia para elucidar a dinâmica dos processos produtivos: ‘Até agora, os estudos estão concentrados na crítica ao modelo, mas é preciso avançar para a compreensão do modelo’, afirmou. Na sua opinião, ‘entre as mudanças que merecem atenção, pelos resultados que podem produzir, estão o desenvolvimento da internet, as novas tecnologias de suporte e o uso de bancos de dados como base para a reportagem’.

A necessidade de os cursos de Jornalismo investirem na pesquisa também foi destacada pela professora Beatriz Becker (UFRGS): ‘No momento que a gente vive na universidade, hoje, é impossível dissociar o ensino da pesquisa’. Comentando o equilíbrio entre teoria e prática, ela disse que ‘a técnica não pode ser mais importante do que os princípios jornalísticos’, chamando atenção para a necessária formação moral e ética dos futuros profissionais.

No evento foi destacada a importância da extensão nos cursos de Jornalismo, recomendando-se trabalhos de graduação que envolvam a comunidade. Mas também foi criticada a falta de bolsas e de apoio financeiro.

No GT de Pesquisa foi enfatizada a necessidade de se adotar uma Teoria do Jornalismo, como defendia o professor Adelmo Genro, da UFSC. Também observou-se que o ensino de línguas deve se voltar para o texto jornalístico, e não para a gramática, sendo aconselhável que o estudante aprenda pelo menos duas línguas estrangeiras durante o curso, e que o ensino de Português não seja mera repetição do colegial. Isso exige que os professores de outros departamentos que lecionam para os estudantes de Jornalismo precisam, no mínimo, estar em sintonia com práticas, rotinas e atualidades do jornalismo, pois estão formando jornalistas, e não historiadores, psicólogos ou filólogos.

Experiências

Numerosas experiências bem-sucedidas no ensino do Jornalismo foram relatadas, entre elas a da Agência de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR), projeto que beneficia alunos e comunidades carentes; a Rádio Poste de Vila Velha (ES); a utilização de webblogs para incentivar os alunos a escrever; a Rádio Ponto da UFSC, uma emissora virtual do Curso de Jornalismo; a Rádio Onde Você Mora, que vai ao ar todo domingo, das 18h às 20h, com pautas e matérias produzidas por estudantes de Jornalismo de Passo Fundo (RS), com o prefeito e os secretários assumindo compromissos ao vivo com a população.

No GT de Projetos Pedagógicos defendi o incentivo ao livro-reportagem como forma de estimular os jornalistas a ocuparem um mercado de trabalho alternativo que vem sendo muito valorizado na Europa e nos EUA, onde já são comuns os chamados flash-books, que tratam um fato real de grande relevância com as técnicas da narrativa literária – o que a Universidade de Harvard chama de ‘jornalismo narrativo’, evitando confusões com os cânones literários. Como exemplo de aplicação do livro-reportagem, o caso da educação ambiental não só no âmbito da escola pública, mas do cidadão em geral.

Avaliação

Lembrando a publicação, no dia 15, no Diário Oficial da União, da lei federal que cria o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes), a professora Valci Zucoloto, diretora de Educação da Fenaj, disse que a avaliação dos cursos de Jornalismo precisa ser permanente, não focada apenas numa prova para quem está saindo do curso. Segundo ela, as boas escolas já fazem essa avaliação permanente, tratando-se apenas de aperfeiçoar o processo e levá-lo às demais escolas.

Os organizadores do Fórum contaram com a simpatia e a boa vontade dos alunos de Jornalismo da Federal de Santa Catarina, que ajudaram a secretariar o evento e atender aos congressistas.

Informação

A íntegra dos textos apresentados e o estatuto aprovado estão no site da entidade (www.professoresjornalismo.jor.br)

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Jornalista, mestre em Comunicação e professor da Unesp/Bauru

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