Terça-feira, 22 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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DIRETóRIO ACADêMICO > IDADE MÍDIA

Especulações em torno do verbo ‘to google

Por Gabriel Perissé em 16/10/2007 na edição 455

O verbo to google nasceu em 1998. Tem quase 10 anos de vida. Significa procurar informações na web através de consultas ao Google.

Em espanhol é ‘googlear‘. Em francês (com resistências), ‘googler‘. Os alemães assumiram oficialmente o seu ‘googeln‘ em 2005. Num site italiano, lê-se: ‘il verbo googlare è diventato di uso comune‘. Já existem em português o ‘googlar’ e o ‘guglar’. Verbo transitivo, inquisitivo, perseguidor, vasculhador. Mas nunca ouvi nenhum brasileiro empregá-lo…

Fatalmente o verbo perderá (já está perdendo) sua referência ao Google. Tal como gilete, em priscas eras, deixou de ser apenas a gilete da Gillette; tal como podemos tirar xerox em qualquer fotocopiadora, mesmo que não seja da Xerox Corporation. Vence a lei da generalização. A força do produto enfraquece a marca original.

Qualquer mecanismo de busca, mesmo que não seja o Google, me permite googlar. Sérgio Dávila já tratava do assunto na Folha de S.Paulo numa matéria em janeiro de 2003. Naquela altura, começava a ser comum a cultura do googlamento. Você vai sair com uma pessoa que ainda não conhece muito bem? Google-o antes e descobrirá talvez que o ilustre-quase-desconhecido formou-se em faculdade de prestígio ou participou de uma festa baixaria.

Ou poderá também ‘orkutar’ essa pessoa, conhecer o seu perfil, as comunidades que freqüenta, os amigos que adicionou. Ou, se tal pessoa tiver um blog, saberá, graças ao blogar da própria pessoa, o que ela andou fazendo no ano passado.

Todos estamos sujeitos à googlagem ou à googlação. Existir, na Idade Mídia, é ser googlável. Você pode estar sendo googlado neste minuto, por um amigo ou por um desafeto. Ou por alguém que buscava outro alguém com nome semelhante ao seu. E todos podemos googlar a nós próprios, fonte de surpresas agradáveis, ou nem sempre.

Procurando no Google pela expressão ‘gosto de googlar’, vejo que poucos gostam: são apenas 3 googles. ‘Vou googlar’ alcança míseros 476 googles. Apesar disso, até Ivan Lessa, mas sempre com aquele ceticismo, aquela ironia, sabe que o caminho é um só: ‘basta googlar’.

Jornalistas googlam o dia inteiro. Na Gazeta de Alagoas, em março de 2003, um bom artigo sobre googlar. É googlando que se aprende, ou se desaprende. O jornalista e pesquisador português Herlander Elias, em 2006, definiu ‘googlar’ como o ‘verbo da década’. Só googlando para encontrar a relevante informação.

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Doutor em Educação pela USP e escritor. Site do autor: www.perisse.com.br

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