Quinta-feira, 20 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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‘Estudar’ jornalismo pra quê? 

Por Adam Esteves Debiasi em 30/06/2009 na edição 544

Assisti, por uma TV online, à votação sobre a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalismo e confesso: fiquei mais indignado com os argumentos usados pelos ministros que queriam o fim do diploma do que com o próprio resultado.

Entre as tantas idéias citadas, uma, a mais importante, ficou de fora: a importância pedagógica, didática, para a profissão. Parafraseando a minha professora de Radiojornalismo – não de maneira fidedigna -, a importância dos conceitos e teorias do jornalismo está no fato de que eles surgiram não por mera pretensão de ciência, mas sim porque profissionais da área perceberam, na prática, aspectos importantes sobre o dia-a-dia da profissão e decidiram passar isso para outros jornalistas com o objetivo de garantir mais qualidade à informação.

Alguns dias após a decisão do STF, presenciei a conversa de um estudante de filosofia que, para responder a uma pergunta de prova, usou duas páginas. Pensei, uau… Aí está um jornalista em potencial, pois são comuns matérias jornalísticas de 5000 caracteres.

O texto parece irônico? Mais irônico que isso é justamente a trupe de especialistas do ‘direito’ conversando em uma linguagem rebuscada, parnasiana, sobre a necessidade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, imaginando que grande parte dos telespectadores compreenderiam as suas frases intercaladas, os advérbios e adjetivos usados em demasia. Acho que sim! Acho que as pessoas captaram todas as informações, afinal, para que o conceito de instantaneidade da informação?

Pensando agora nos meus tempos de Ensino Médio, tenho que confessar que adorava quando os professores de História, de Filosofia e de Língua Portuguesa falavam sobre a instantaneidade. Nossa, lead, então, nem se fala! Lembro-me até hoje do lead sobre o descobrimento do Brasil: ‘o português Pedro Álvares Cabral, de 32 anos, descobriu o Brasil neste domingo’. Porém, ficava mais impressionado mesmo, quando, na aula de Biologia, comentava-se sobre o buraco na Rua Frei Vicente, no bairro Pavuna.

Para aqueles que não concordarem e objetarem que um curso técnico resolveria o problema, também esboço resposta: não, os cursos técnicos dispensam conteúdos humanísticos e, portanto, disciplinas como Realidade Socioeconômica e Política Brasileira e Análise de Textos Literários não são bem-vindas em um modelo educacional feito para seres exclusivamente operacionais, não-pensantes.

Por fim, tratemos do argumento mais martelado nessa questão: o de que a exigência do diploma inibe a liberdade de expressão. Sim! Com certeza, nunca vi espaços como Artigo de Opinião, colunas. Ah, entendi! Quer dizer que o espaço opinativo e, portanto, onde há a expressão subjetiva, é aquele destinado às matérias, certo? Bom, isso só no século XIX, início do XX, bem como no mundinho desses ministros parnasianos!

Agora entendo porque o jornalista não precisa passar por um curso universitário! 

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Estudante, Londrina (PR)

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