Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Ética e credibilidade estão ameaçadas

Por Andrea Godoy em 02/09/2008 na edição 501

Paralelas às publicações de maior circulação no país e no mundo, como os jornais Le Monde, O Globo, Washington Post e The Independent, entre outros com menor destaque mas de igual credibilidade, proliferam as publicações da conhecida imprensa marrom. Jornais sensacionalistas, que exibem cadáveres sem nenhum pudor e ainda recebem dinheiro para elogiar este ou aquele político, destruindo a imagem dos adversários, são pragas que parecem ter vindo para ficar.

Ao abrir um jornal da imprensa marrom, o leitor logo perceberá a linguagem típica desta publicação: texto carregado de adjetivos, fontes imprecisas e duvidosas, idéias subjetivas e doutrinárias, factóides e parcialidade óbvia são algumas das características. Em jornal sensacionalista, até ‘Chupa Cabras’ vira manchete! A elegância das palavras converte-se em linguagem chula e vulgar.

Na TV, alguns programas também revelam este lado trash do jornalismo. Em um programa sério, os dois lados são ouvidos, os cadáveres são totalmente cobertos por um efeito (como o mosaico, por exemplo) e fontes com credibilidade são buscadas. Do contrário, a notícia ganha um caráter sensacionalista, sem se preocupar com a verdade objetiva dos fatos, que são banalizados ou superestimados, conforme os interesses editoriais.

Onda de derrubar diplomas

A razão deste tipo de imprensa estar proliferando encontra-se na qualidade dos profissionais. No caso da imprensa marrom, aventureiros que resolveram ‘virar’ jornalistas, mas não fizeram faculdade para isso, encontraram um prato cheio para se esbaldar. Pessoas que trabalham com o registro precário sentem-se no direito de usar o jornalismo como moeda de troca, principalmente no meio policial e político. A principal vítima desta realidade é o leitor/telespectador, que fica refém de um noticiário distorcido, corrompido e antiético.

O pior é que este jornalismo de má qualidade agora está ganhando a chancela da Justiça para continuar sua ação nefasta na sociedade. O Ministério Público Federal apresentou um recurso extraordinário que questiona a regulamentação profissional dos jornalistas. A matéria ganhou parecer favorável do relator ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF) e pode ser votada a qualquer momento, sem direito a recurso, derrubando por terra o diploma para o exercício da profissão.

No dia 15 de agosto, entre 9h e 15h, o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, professores e alunos de faculdades de Jornalismo foram à Praça Alencastro, em Cuiabá, para protestar contra a derrubada do diploma pelo STF. Todos aqueles que defendem um jornalismo ético e de qualidade poderão participar de um abaixo-assinado que será enviado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Convocamos toda a sociedade a participar deste apelo popular. Ainda mais que se essa onda de derrubar diplomas começar, como será se advogados práticos começarem a ganhar o mercado? E os dentistas sem formação, que abrem consultórios para arrancar os dentes? E se os práticos da educação física tomarem as academias aplicando exercícios errados? Uma categoria sem diploma, sem preparação, é uma classe desvalorizada, com salários rebaixados e que oferece o pior à sociedade.

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Jornalista, Cuiabá, MT

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