Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

DIRETóRIO ACADêMICO > CANUDO

Exigência afeta qualidade, não liberdade

Por Luiz Garcia em 18/07/2010 na edição 598

No ano passado, o Supremo Tribunal Federal acabou com a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. A base da decisão foi o princípio de que nada pode restringir a liberdade de expressão. Pouco tempo depois, começou a tramitar na Câmara dos Deputados uma proposta de emenda constitucional restabelecendo a necessidade do diploma.


Há uma terceira posição na briga: essa bendita liberdade não é maior nem menor com ou sem jornalistas formados em jornalismo nas redações. O que interessa à sociedade é a qualidade da informação que recebe da mídia. As opiniões dos órgãos de informação e de quem neles trabalha são, na verdade, secundárias. O serviço que prestam à sociedade é o que importa: basicamente, o que aconteceu, e que importância tem. Não são editoriais nem artigos — como este, por exemplo — que representam a contribuição essencial da mídia.


Tudo que a mídia leva ao cidadão de realmente importante depende principalmente de dois fatores: a imparcialidade na produção de notícias e a intimidade com as múltiplas áreas do conhecimento associadas aos fatos. Uma equipe de jornalistas que inclui profissionais com formação em diferentes áreas do conhecimento certamente está apta a informar melhor do que aquela treinada apenas, ou principalmente, em comunicação social.


Questão errada


Não é a liberdade de imprensa que está em questão, como acreditam ministros do STF. É a qualidade da informação.


Nenhuma empresa jornalística cometeria o suicídio de menosprezar o bom profissional com formação em comunicação social. Mas é absurdo negar à mídia o direito de incluir em suas equipes cidadãos com outro tipo de bagagem: na medicina e na economia, por exemplo. Ou mesmo, em casos raros, mas que existem, aqueles que não têm diploma algum.


Além disso, deveria ser levado em conta o fato de que a mídia tradicional vive um momento de crise no mundo inteiro, face à concorrência da mídia informal na internet. A exigência do diploma, como dizem os que a defendem, não é restrição à liberdade de expressão.


Mas é um obstáculo ao direito de aperfeiçoar a qualidade de informação.


E tem outra consequência negativa, que não deveria ser esquecida: contribui para a proliferação de escolas de jornalismo de baixo nível.

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/07/2010 Joaquim Santos

    Caro Ibsen, o sr. pratica a mesma confusão que quase todos praticam. Confunde exercício da profissão com liberdade de expressão (perdão, mas o que seria ‘liberdade de impressão’ ?). O diploma nunca foi responsável pela castração a esse direito – a liberdade de EXPRESSÃO. Do contrário, ao longo dos anos em que esteve em vigência, nenhum cidadão poderia publicar suas idéias e opiniões sob forma de artigos, etc, se não fosse formado. Os países estrangeiros são outro contexto, outra realidade, e é por não possuírem oligopólios acentuados como os nossos, que historicamente o acesso à profissão se dá de outras formas, portanto, não se iluda. O jornalismo fora do país possui outros filtros que igualmente podem ou não garantir qualidade. Até porque, meu caro, qualidade é garantida por uma série de elementos, que vão desde a qualificação de quem produz até a orientação ideológica de um proprietário e a conjuntura concentradora que se tem. O objetivo da formação em qualquer área, bem como sua exigência, é propiciar uma preparação mínima para que os profissionais possam ajudar na busca por essa qualidade e assim tentar oferecer um melhor serviço à sociedade. E não jogue na mesma vala o diploma e a concentração midiática! Os responsáveis pela queda do diploma são os mesmos que defendem os oligopólios de mídia. Pensa um pouco.

  2. Comentou em 19/07/2010 Douglas Oliveira

    Ter diploma afeta a qualidade da informação??? Então, quer dizer que ter um curso superior não é necessário para nada, não é? Afinal, nosso país já tem uma cultura elevadíssima. Debates altamente importantes com pessoas altamente qualificadas. Certo então é termo uma miss apresentando jornais diários. Qualquer zé mané tem direito de ter um programa de tv, um espaço em jornais e etc. Com pensamentos como os do redator do texto é que percebemos o nível do bom senso e da capacidade cognitiva do nosso povo. O problema da profissão são pessoas como você. O problema da profissão são os aproveitadores, os vaidosos, os exploradores, os nepotistas que contratam parentes para ficaram nas redações. São também os que já estão com os bolso cheios de dinheiro e achando que são os donos da verdade cotidiana. Tenho meu diploma e investi pesado. Sou melhor do que qualquer um por aí, que se julga superior apenas por estar na chefia de redação. VocÊ deve ser um desses. Deve ter total qualidade. Grande decepção este portal permitir um texto como este, que apenas desqualifica a importância de um curso superior em um país tão pobre culturalmente quanto o nosso. Ou vocês acham que futebol e samba são nossas únicas produções culturais?

  3. Comentou em 18/07/2010 Clayton Sales

    Se a busca é pela qualidade, porque não invertemos o foco e propomos o incentivo por parte das empresas para que os FORMADOS EM JORNALISMO façam especializações nas áreas de saúde, economia, por exemplo? Seria um nobre investimento naqueles que são designados a cobrir determinadas áreas. Conheço profissionais que atuam no setor rural, que receberam estímulo para fazer até mestrado na área de gestão agroindustrial e fazem excelentes trabalhos, até ganhando prêmios. Agora, estamos falando de cobertura jornalística ou o exercício da análise e opinião? Se for o segundo caso, uma leitura mais atenta às PECs e mesmo à regulamentação do jornalismo apontará que esse espaço é garantido (sempre foi, só o STF e a grande mídia se fingiram de cegas), logo, nunca houve e nem se propõe a exigência da formação em Jornalismo para tal atribuição. Quanto à internet, é um avanço que já provoca transformações sensíveis ao jornalismo, mas um valor não pode sucumbir: a credibilidade. É o que diferenciará a informação de qualidade daquelas disseminadas com tanta frequência na rede. Outro erro é associar a exigência do diploma à proliferação dos cursos de má qualidade. O diploma de jornaismo não é culpado por uma provável falta de agilidade do MEC em coibir as más escolas. Senão, o problema da baixa qualidade do ensino superior no país estaria resolvido: que diploma nenhum seja mais obrigatório.

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem