Faturamento dos jornais cresce em outubro, apesar da crise global | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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DIRETóRIO ACADêMICO > SEXTA-FEIRA, 19/12

Faturamento dos jornais cresce
em outubro, apesar da crise global

Por Luiz Antonio Magalhães (seleção de textos) em 22/12/2008 na edição 516


Leia abaixo os textos de sexta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 19 de dezembro de 2008


IMPRESSOS EM ALTA


Folha de S. Paulo


Faturamento dos jornais registra alta em outubro


‘O faturamento dos jornais brasileiros com publicidade manteve a tendência de alta em outubro, mesmo com o recrudescimento da crise financeira internacional. Naquele mês, as empresas jornalísticas faturaram R$ 304,6 milhões com anúncios, valor 4,04% superior a outubro de 2007, segundo o projeto Inter-Meios, relatório de investimentos em mídia da editora Meio & Mensagem.


O crescimento é significativo porque a base de comparação, outubro do ano anterior, foi o melhor mês do ano passado em valores absolutos de receita. Em outubro de 2007, os jornais já tinham aumentado seu faturamento em 28,7% em relação ao mesmo mês de 2006.


De janeiro a outubro de 2008, a receita publicitária dos jornais do país somou R$ 2,8 bilhões, com alta de 14,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Nos primeiros dez meses de 2007, as empresas do setor tinham faturado R$ 2,4 bilhões.


No acumulado do ano, jornais de todas as regiões do país registraram alta de faturamento. O crescimento dos jornais de São Paulo, que respondem por 47% de toda a receita com publicidade do segmento no país, foi de 8,71%.


O crescimento de receita dos jornais foi bastante similar ao do mercado de comunicação como um todo, cuja receita aumentou 15% em 2008 em relação aos mesmos meses do ano passado. Todas as empresas de comunicação faturaram R$ 17,4 bilhões de janeiro a outubro deste ano.


Internet


Apesar de a restrição ao crédito ter aumentado em outubro, os anunciantes continuaram aumentando os investimentos em suas marcas e produtos no mês de outubro.


Quase todos os setores da comunicação registraram aumento de receita no mês, comparado a outubro de 2007. O maior aumento de faturamento foi percebido pelas empresas de internet, cuja receita subiu 45% em outubro e 47% nos primeiros dez meses do ano, comparados a períodos semelhantes do ano anterior, alcançando R$ 596 milhões.


A única área cuja receita com publicidade foi menor no mês foi a de guias e listas, que teve queda de 7,33% em outubro, comparado ao mesmo mês de 2007. No ano, a área teve queda na receita de 10%. Já a TV aberta, com quase 70% dos investimentos feitos em mídia no país, teve alta de 8,8% em outubro em relação a outubro de 2007.


O Projeto Inter-Meios é um relatório de investimento em mídia no país, tabulado pela empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers. O trabalho mede, mês a mês, os investimentos feitos por anunciantes na mídia brasileira e abrange estimados 90% do total das verbas que circulam no setor.’


 


 


TELECOMUNICAÇÕES


Humberto Medina


Anatel aprova a compra da BrT pela Oi


‘A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou na noite de ontem a compra da Brasil Telecom pela Oi. A anuência prévia à operação foi concedida com algumas condicionantes. O negócio envolve aproximadamente R$ 13 bilhões, a maior parte em financiamento público, com recursos do BNDES e do Banco do Brasil. A decisão foi tomada a tempo de evitar que a Oi tivesse que pagar R$ 490 milhões de multa para a Brasil Telecom.


A maioria das condicionantes (veja quadro nesta página) já havia sido previamente negociada pela área técnica da agência com a Oi e anunciada pela própria empresa na terça-feira. Entre elas, está a de manter os empregos até abril de 2011 e uma meta para universalizar o acesso à banda larga.


Nenhuma das condicionantes confere mais poder aos fundos de pensão ou ao BNDES para vetar eventual operação de venda da empresa a estrangeiros. A Folha revelou na segunda-feira que não haviam sido adotados impedimentos legais para esse tipo de negociação.


A decisão da Anatel não foi unânime. O conselheiro Plínio de Aguiar Júnior, da cota do PT na agência, votou contra. Os demais conselheiros -Emília Ribeiro (PMDB), Antônio Bedran (ex-procurador da agência, apoiado pelo ministro Hélio Costa, do PMDB) e Ronaldo Sardenberg (indicação do Palácio do Planalto e presidente da agência)- votaram a favor.


Para Sardenberg, o consumidor sairá ganhando, mas não imediatamente. ‘Haverá ganhos de escala e de gestão. Levará o devido tempo para ter reflexo na redução de preços.’


Apoio oficial


Desde o início, a operação contou com total apoio do governo, que usou a bandeira da importância da criação de uma grande empresa nacional para concorrer com os grupos multinacionais Telefônica (espanhol, que atua em São Paulo na telefonia fixa e em todo o país na celular, com a Vivo) e Telmex (mexicano, presente na Net, na Claro e na Embratel).


Para que a operação acontecesse, o governo teve que modificar a legislação do setor e pressionar o TCU (Tribunal de Contas da União). A pedido das empresas e com recomendação da Anatel, o governo modificou o PGO (Plano Geral de Outorgas), decreto que divide o país em áreas de atuação para as empresas. Em fevereiro, atendendo a pedido feito pelas concessionárias de telefonia fixa, o Ministério das Comunicações recomendou que a Anatel sugerisse uma mudança no PGO. O texto que vigorava impedia que uma concessionária comprasse outra que atuasse em região diferente. Ou seja, com o texto antigo, a operação de compra da Brasil Telecom pela Oi não poderia acontecer.


O ministério pediu que esse entrave fosse retirado do texto, e a agência reguladora atendeu. Em outubro, enviou ao governo sugestão de um novo PGO, sem a restrição. No final de novembro, um decreto ratificou a mudança, tornando legal a operação Oi-BrT. A Oi, então, entrou com pedido de anuência prévia para a operação na Anatel.


A agência marcou a votação do pedido para anteontem, mas ação cautelar do TCU impediu a análise. O tribunal argumentava que não havia informações suficientes sobre o efeito da operação e que existia risco de ‘grave lesão aos usuários’.


Novamente, o governo interveio. O ministro Hélio Costa (Comunicações) foi pessoalmente ao gabinete do ministro Raimundo Carreiro, do TCU, tentar convencê-lo a liberar a análise da Anatel. No fim da tarde de ontem, o ministro acabou aceitando argumentação da Procuradoria da Anatel e permitiu que a agência deliberasse sobre o assunto.


Controle


Apesar de a principal bandeira política do governo para defender a operação tenha sido a criação de uma grande empresa nacional, nada na legislação e no acordo de acionistas impede que o controle da empresa venha a ser passado a uma multinacional. Conforme revelou a Folha, caso haja uma oferta de compra das ações em controle dos sócios privados da Oi-BrT, os fundos de pensão estatais e o BNDES têm 45 dias para exercer um direito de preferência e cobrir a oferta. Se isso não for feito, a empresa é vendida.


De acordo com o conselheiro Antônio Bedran, o tema foi discutido na agência, com a participação do banco estatal. ‘O BNDES esclareceu que os 45 dias são a praxe do mercado.’


Na prática, a nova empresa passa a existir a partir da publicação da decisão da Anatel no ‘Diário Oficial’, que deve sair na segunda-feira. O negócio já obteve autorização prévia do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que ainda precisa analisar a operação de forma definitiva.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Lula vs. Obama


‘A revista ‘Economist’ fecha o ano com balanço da política externa brasileira a partir da cúpula na Bahia. Avalia que ‘o Brasil pode ser a potência em ascensão nas Américas, mas está descobrindo que a ambição diplomática pode causar ressentimento’. Da cúpula em que ‘pela primeira vez todos os países da América Latina e do Caribe se encontraram sem a presença dos Estados Unidos ou de europeus’, evidenciou-se ‘a mensagem: agora é o Brasil, com economia em crescimento e um presidente popular em Lula, e não os EUA a potência líder na região’.


Mas o ressentimento ressurgiu na ‘substância’ do encontro, sem acordo sobre tarifas no Mercosul ou sobre o secretário-geral da Unasul. Por fim, avisou a revista, a estrela da Cúpula das Américas em abril será Barack Obama, também ele ‘um líder popular’. Quer dizer, ‘o Brasil se tornou de fato muito mais influente na região. Mas não é o único jogo na área’.


UM GESTO DE RAÚL


Na manchete on-line do espanhol ‘El País’, tanto na home page Nacional como na Global, ‘Raúl Castro propõe troca de presos para falar com Obama’. Nas palavras do dirigente cubano, ‘troquemos gestos’. Ele já estava em Brasília, em meio a enunciados pelo mundo como ‘Na Bahia, os latino-americanos demandam o fim do embargo contra Cuba’, do ‘Le Monde’.


À ESPERA DE OBAMA


Não é só em Brasília ou Havana que o silêncio do presidente eleito causa suspense. Em coluna ontem no ‘Miami Herald’, Marifeli Perez-Stable, da organização Inter-American Dialogue, também se diz ‘Esperando a nova política sobre Cuba’. Lembra que o embargo perdeu apoio majoritário nos EUA -e sugere dois gestos: permitir viagens e remessas para Cuba.


DIREITO?


No ‘Granma’ de papel e no site, nem palavra sobre trocar prisioneiros com Obama. ‘Lula recebeu o presidente Raúl Castro’ era a manchete on-line, com as ‘honras militares’ em Brasília. No jornal (dir.), a ‘declaração final’ da cúpula, transcrita quase integralmente, com destaque à ‘defesa do direito de todo Estado de construir seu próprio sistema político’. No caso, a ditadura.


URIBE & CHÁVEZ


O privado ‘El Tiempo’ da Colômbia e a estatal Agência Bolivariana da Venezuela destacaram o coincidente avanço legislativo das propostas de terceiro mandato aos respectivos Alvaro Uribe e Hugo Chávez. Sem citar seu projeto, o colombiano disse que é para manter a ‘segurança democrática’. O venezuelano usou abaixo-assinado e terceiros para dizer que é a ‘vontade popular’.


DEMOCRACIA…


O ‘NYT’ vem produzindo reportagens sobre a relação de Obama com a mídia. Para a edição de hoje, ‘A comunicação direta’, detalhando a estratégia do futuro governo de não depender da cobertura para levar suas mensagens aos americanos.


DIRETA


E na revista de domingo, mas também com texto já adiantado ontem pelo site, a maneira como a campanha democrata pôs de lado a cobertura de sites como Politico -e evitou até a tradicional visita à comissão editorial do ‘Washington Post’.


QUEM PAGA BILL


Nas manchetes on-line de ‘New York Times’, ‘Washington Post’ e demais, os doadores da fundação de Bill Clinton. O primeiro sublinhou serem ‘magnatas’ como Bill Gates e ‘países árabes’. O ‘WP’, falando em ‘países estrangeiros’, destacou que as doações ‘representam conflitos potenciais de interesse que Hillary Clinton tem que evitar’ como secretária de Estado.


A FARRA…


Nem deu tempo de confirmar se ainda existe indignação aparente no país -e, nas manchetes de Globo Online, Folha Online e outros sites, ‘Câmara enfrenta o Senado e se nega a promulgar a farra dos vereadores’.


O Senado de Garibaldi Alves recorreu ao Supremo de Gilmar Mendes.


E A FARRA


Mas na corrida das manchetes de fim de ano de Brasília, a maioria foi para a economia. Na estatal Agência Brasil, ‘Congresso aprova orçamento com cortes’. Na Reuters Brasil, ‘Banco Central reforça sinal de corte de juro’.


Por fim, para fechar o ano, no UOL, ‘Aprovada compra da BrT pela Oi’.’


 


 


VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS


Folha de S. Paulo


Seguranças da Câmara agridem jornalista


‘Sérgio Gobetti, do jornal ‘O Estado de S. Paulo’, tentava entrar no plenário da Câmara, durante a votação do Orçamento, quando teve início uma confusão por causa do crachá de identificação do repórter, que, segundo os seguranças, não estava visível. O jornalista o apresentou, mas mesmo assim a briga continuou e um segurança chegou a apertar o pescoço do repórter. As imagens foram registradas por um cinegrafista. A Polícia Legislativa da Câmara informou que iniciará um processo de apuração do caso.’


 


 


ABI RACHADA


Folha de S. Paulo


Braço paulista da ABI alega divergências e deixa entidade


‘A representação paulista da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) apresentou ontem, em São Paulo, o pedido de renúncia coletiva de seus cargos na entidade.


O desligamento do Conselho Consultivo do Estado ocorreu em apoio ao vice-presidente nacional da ABI e presidente da seção São Paulo, o jornalista Audálio Dantas, que alega ‘profundas divergências’ com a direção da entidade comandada por Maurício Azêdo e localizada desde a sua fundação, em abril de 1908, no Rio.


Dantas apresentou sua renúncia, dos dois cargos, anteontem. ‘Se em São Paulo não fizemos mais, foi porque o autoritarismo e a burocracia impediram’, afirmou.


Segundo ele, os principais pontos de divergência foram a eleição, neste ano, de parte do Conselho Deliberativo e as comemorações pelo centenário da entidade, que tiveram início em novembro de 2007, em São Paulo, com o 1º Salão do Jornalista Escritor.


‘Contas de serviços do salão não foram pagas, além de, neste ano, a única comemoração do centenário ter acontecido no Rio’, disse.


A Folha tentou falar ontem com Azêdo na sede da ABI e por meio de seu telefone celular. Mas, segundo sua assessoria, ele só iria se pronunciar hoje porque não havia sido informado oficialmente das renúncias. Anteontem, segundo o site Portal Imprensa, ele disse que Dantas passara a dirigir a revista ‘Negócios da Comunicação’ e, por isso, ‘ficou mais complicado [para ele] manter as duas funções’. Dantas nega. A direção da ABI tem mandato até 2010.


Ontem, em um restaurante no centro de São Paulo, Dantas recebeu o apoio de 4 dos 11 membros do Conselho Consultivo paulista, Carlos Marchi, José Marques de Melo, Manuel Carlos Chaparro e Eduardo Ribeiro. Ricardo Kotscho, ex-secretário de Imprensa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, membro licenciado da ABI, também compareceu.’ 


 


 


ECOS DA DITADURA


Carlos Heitor Cony


Duas ou três coisas sobre o AI-5


‘NA ALTURA da quinta ou sexta pergunta, a repórter me confessou que tinha apenas 28 anos, nascera depois daqueles tempos que ela considerava heróicos, quando a juventude e a sociedade em geral lutavam contra a tirania de um regime ditatorial.


Nas novas gerações, é comum este sentimento que beira a nostalgia por um tempo glorioso em que os bons e os maus estavam separados, os maus torturando os bons, os bons combatendo o bom combate da justiça e da liberdade.


A lembrança dos 40 anos da decretação do AI-5 provocou uma enxurrada de reportagens, documentários, mesas-redondas e quadradas, análises profundas e rasas daquela sexta-feira, 13, de um ano que realmente acabou.


Acontece que a história é um processo praticamente sem começo nem fim, os momentos se sucedem interligados, sem que se possa atribuir a uma data ou a um acontecimento a responsabilidade de gerar uma era na crônica da humanidade.


Para facilitar as coisas, sobretudo na mídia, destaca-se um ou outro episódio representativo de um tempo: os idos de março, a tomada da Bastilha, a batalha de Waterloo, a invasão da Normandia. Isto no plano da grande história. Na pequena história, os eventos são mais modestos, mesmo assim criam um painel que serve de referência para as gerações mais próximas.


Para quem viveu o período chamado de ‘anos de chumbo’, a realidade não tem nada de heróica e muito menos de definitiva em termos históricos. Foi, como disse, um momento em que os desafios ideológicos, sociais e econômicos ganharam contornos explícitos. Em linhas gerais, a sociedade aprovou a ruptura da legalidade em 1964, embora sobrassem resíduos do Estado de direito que não foram aproveitados: habeas corpus, congresso aberto, liberdade de imprensa para aqueles que quisessem se manifestar.


Quatro anos mais tarde, a situação era diferente. Um largo escalão dos ‘revolucionários’ de 64, jornais de peso e tradição liberal, políticos afoitos como Carlos Lacerda (que se considerava o delfim do movimento anterior), sofreu a decepção do segundo ato institucional que prorrogou o mandato de Castelo Branco e cancelou o calendário eleitoral do ano seguinte.


Aproveitando as brechas da legalidade que o primeiro ato não suprimiu, grandes parcelas da população se organizaram em movimentos de protesto contra as arbitrariedades do regime, o congresso estava aberto, habeas corpus eram concedidos, críticas e denúncias apareciam na mídia e nas ruas.


Veio então o AI-5. Em menor escala, repetiu-se o apoio da sociedade à medida de força, mas a reação foi engrossada por aqueles que esperavam maravilhas da quartelada de 64 e morreram na praia. O grau da repressão foi aumentado, nem por isso a sociedade deixou de dormir tranqüila. A luta contra a tirania não foi apoteótica como hoje se pensa. Os mártires tombados foram chorados postumamente, o ‘milagre brasileiro’ enganava a realidade com estatísticas forjadas, o Brasil era o limite, ‘ame-o ou deixe-o’, o último que apagasse as luzes do aeroporto.


O grande teste foi em 1970, na campanha pelo tricampeonato de futebol no México. Os que combatiam o regime queriam que o povo não tomasse conhecimento da seleção nacional. Seria uma traição à causa, um apoio afetivo e efetivo ao governo ditatorial que vivia então sua fase mais truculenta. Não deu pé. Tivemos uma festa verde-amarela, cores oficiais do regime.


Com o aumento da violência, mais chagas foram abertas na carne dos que se revoltavam contra o arbítrio. Mas nenhuma ditadura sobrevive tanto tempo sem o apoio tácito ou operacional da sociedade. Hoje, devido às numerosas celebrações daqueles anos, as novas gerações acreditam que tudo foi heróico e belo na luta contra a ditadura. A nostalgia se justifica. Como herança maldita daqueles tempos, o divisor de águas não é mais a justiça social e a liberdade. A repórter que me entrevistava, apesar de nostálgica pelo clima exaltado daquela época, me perguntou qual a banda que eu mais apreciava, o que achava do Marcelo Camelo e se eu já tinha comprado o ingresso para o show de Madonna.’


 


 


TELEVISÃO


Folha de S. Paulo


‘Provocações’ recebe Marçal Aquino


‘O escritor Marçal Aquino, de livros como ‘Cabeça a Prêmio’ e ‘O Invasor’, não toma conhecimento do tom inquisidor de Antonio Abujamra no ‘Provocações’ que vai ao ar hoje, às 22h10, na Cultura.


À pergunta-isca ‘você se considera um autor consagrado?’, retruca: ‘Não, sequer me considero um escritor. Sagrada é a literatura’. Segue-se nova investida do apresentador: ‘Essa humildade não é uma forma de vaidade?’. E Aquino novamente desvia-se da armadilha.


Para ele, no Brasil atual, ‘os leitores formam uma seita menos numerosa do que muita igreja que se vê por aí’. O escritor diz trabalhar de forma caótica, não sabendo de antemão os rumos de suas histórias. ‘Se tiver consciência do caminho que quero seguir, não há por que contar a história.’


O Aquino que vê na vida algo de sublime, ‘ainda que o amor por vezes não seja’, caracteriza a escrita como ‘a hora do calor’. É então o anti-João Cabral de Melo Neto?, atiça Abujamra.


‘Graças a Deus. Sou drummondiano’, rebate o entrevistado. Não tente seduzi-lo com cadeiras -e chás, vá lá- da Academia Brasileira de Letras. ‘Deixa para lá’, desconversa, preferindo desfiar sua admiração por Rubem Fonseca e Graciliano Ramos: ‘Releio [o romance] ‘São Bernardo’ e acho incrível sua pós-modernidade’.


PROVOCAÇÕES: MARÇAL AQUINO


Quando: hoje, às 22h10


Onde: na TV Cultura


Classificação: não informada’


 


 


Luiz Fernando Vianna


‘Som Brasil’ celebra Dorival Caymmi


‘Desde a morte dos pais, em agosto passado, Nana Caymmi tem evitado cantar. Preferiu aplicar silêncio nas feridas abertas pela perda quase simultânea de Dorival e Stella.


No último ‘Som Brasil’ do ano -chamado de ‘especial’ pela Globo, que até tirou o programa da madrugada erma em que é escondido- Nana aparece no começo com ‘Só Louco’, rouba qualquer cena que possa surgir depois e vai embora se proteger das guitarras e baterias de que os jovens convidados revestiram a obra do pai.


Não consta que Caymmi, apreciador da juventude, fosse um purista radical. Dizia, sim, que ninguém cantava suas músicas melhor do que ele próprio. Mas aí são os fatos. Implicava, no entanto, com liberdades exageradas, como a infelizmente inesquecível versão pop de Gilberto Gil para ‘Marina’.


E não é que Zeca Baleiro termina sua ‘Marina’ em levada que lembra aquela desgraceira?


Baleiro começa suas três participações no programa (‘Dora’, ‘Marina’ e ‘Rosa Morena’) em andamento lento, pisando manso no terreno. Mas os arranjos crescem. Carregam bons momentos, como o groove conduzido pelo baixo em ‘Dora’, ou maus, como a guitarra e os sopros no final de ‘Marina’.


‘Para cima’


O grupo Moinho optou só por músicas ‘para cima’, juntando seis em três aparições. A forte guitarra de Toni Costa causa estranheza em ‘Samba da Minha Terra’. Mas é pior a bateria forte no pot-pourri ‘Você Já Foi à Bahia?’/ ‘O que É que a Baiana Tem?’/ ‘Vatapá’. A voz e o charme de Emanuelle Araújo são os destaques das interpretações, que não manchariam a identidade do grupo se fossem mais suaves.


Margareth Menezes joga ‘Morena do Mar’ mais para cima do que a profundidade da música indica. Vira ijexá, assim como ‘Canoeiro’ vira samba-reggae. É tudo baiano e, logo, de alguma forma derivado de Caymmi. Mas ele é mais bem homenageado no trecho da ‘Suíte dos Pescadores’, em que a cantora imprime seu estilo sem mexer na estrutura- seria quase impossível, diga-se.


A idéia do ‘Som Brasil’ é essa mesma: misturar alguém mais experiente -às vezes é o próprio homenageado- com uma turma nova livre para experimentar. Não há como não aplaudir, ainda mais num tempo em que é tão ruim e tão repetitivo o que se toca na TV.


Mas, até por uma questão de afinidade natural, o homenageado costuma tratar melhor a própria música do que os convidados. No caso de Caymmi, o ‘João Valentão’ final na voz de Dori e o ‘Só Louco’ inicial com Nana acompanhada do violão de Dori e da flauta de Danilo são os melhores momentos.


Danilo ainda canta ‘Sábado em Copacabana’ com sua filha Alice, que sola ‘Nem Eu’ -ela tem o timbre da família, mas, aos 18, inevitável pouca experiência. Talvez o melhor de tudo mesmo seja ouvir, com os créditos passando, o próprio autor cantar um trecho de ‘O Vento’. Fica claro que todas as homenagens são válidas, mas que nunca ninguém cantará Dorival como Dorival cantou.


SOM BRASIL – DORIVAL CAYMMI Quando: hoje, às 23h20 Onde: na Globo Classificação: não informada’


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 19 de dezembro de 2008


VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS


O Estado de S. Paulo


Seguranças da Câmara agridem repórter do ‘Estado’


‘O repórter Sérgio Gobetti, do Estado, foi agredido na manhã de ontem por seguranças da Câmara, quando tentava entrar no plenário para acompanhar a votação do Orçamento de 2009. Apesar de levar o crachá de identificação no pescoço, um dos agentes foi truculento ao exigir que o repórter mostrasse a credencial que é emitida pela própria Câmara.


Num golpe agressivo para imobilizar o jornalista, o agente Graciliano Ferreira Filho chegou a esganar Gobetti, apertando o pescoço do repórter com as duas mãos. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), mandou afastar Graciliano do serviço de segurança enquanto durar a sindicância aberta para apurar a agressão.


Outros dois seguranças encostaram o jornalista entre a parede e a porta de vidro que separa o plenário do Salão Verde e forçaram a exibição de um crachá que estava no peito desde que ele entrou no Congresso. Os seguranças foram contidos pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). Eles alegaram que o crachá não estava visível.


Diante dos protestos do parlamentar e de jornalistas, os seguranças soltaram o repórter, mas ainda tentaram impedi-lo de entrar no plenário, mesmo depois de Gobetti mostrar que usava o crachá obrigatório.


Chinaglia ligou para a sucursal do Estado e pediu desculpa ao jornal e ao repórter e informou da abertura da sindicância.


Graciliano prestou esclarecimentos na Diretoria de Polícia Legislativa. ‘Vamos ouvir os seguranças envolvidos e apurar o que aconteceu’, disse o diretor substituto, Mauri Rosa da Silva.’


 


 


 


TELECOMUNICAÇÕES


Gerusa Marques


Anatel aprova criação da supertele, com a compra da BrT pela Oi


‘Depois de quase um ano de divergências e pressões políticas, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou ontem a compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi, considerado o maior negócio do setor dos últimos dez anos, depois da privatização do Sistema Telebrás. A supertele, fruto da fusão entre Oi e BrT, nasce com receita bruta anual de R$ 41 bilhões, concentra 22 milhões de telefones fixos e quase 30 milhões de celulares. Terá posição dominante em todos os Estados brasileiros, à exceção de São Paulo.


O negócio foi cercado de polêmicas desde o início. Contando com o aval do governo, a transação envolveu mudança de legislação e um grande aporte de dinheiro público. No total, os bancos entraram com um financiamento de R$ 6,8 bilhões, em um negócio estimado em R$ 12,5 bilhões. Foram R$ 2,5 bilhões do BNDES e outros R$ 4,3 bilhões do Banco do Brasil. Além disso, há também o investimento dos fundos de pensão de estatais (Previ, Petros e Funcef), que, segundo estimativas, chega a R$ 3 bilhões.


Apesar de todo o dinheiro público envolvido, os detentores da maior parte das ações da nova empresa são grupo privados: a Andrade Gutierrez, de Sérgio Andrade, e a La Fonte, de Carlos Jereissati.


O governo apoiou abertamente o negócio, com o argumento de que seria bom para o Brasil ter uma grande empresa de telecomunicações para concorrer com os grupos privados que atuam no País (Telefônica, espanhola, e Telmex, mexicana). Mas, para que a transação fosse fechada, era necessário mudar a legislação. O Plano Geral de Outorgas (PGO), que regulamenta o setor, impedia que duas empresas que operassem em áreas de concessões diferentes se juntassem. Mas isso foi mudado.


O negócio criou polêmica também pelos atores envolvidos. Em 2005, a Oi, então chamada Telemar, investiu R$ 5 milhões na empresa Gamecorp, que tem entre seus sócios Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente Lula. Além disso, a Andrade Gutierrez, uma das controladoras da Oi, foi a maior doadora da campanha do Partido dos Trabalhadores em 2006.


A decisão tomada ontem pela Anatel foi precedida, nos últimos dias, de uma intensa mobilização do governo e da agência para derrubar uma medida cautelar do Tribunal de Contas da União (TCU), que havia impedido a Anatel de votar o processo na quarta-feira. Ontem, a medida foi derrubada, permitindo a aprovação do negócio.


Apesar da vitória obtida ontem, o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, admitiu que ‘o processo ainda não terminou’. Ele não descarta contestações futuras , pois ‘as pessoas têm o direito democrático de questionar o que acham que deve ser questionado’. ‘Mas acho que é sabida a importância da criação de uma grande empresa de telecomunicações brasileira para o País.’


Com a aprovação na Anatel, o processo de fusão entre as duas empresas terá de passar agora pelo crivo do Cade. Mas Oi e BrT já fecharam um acordo com o órgão se comprometendo a não tomarem nenhuma medida que não possa ser revertida enquanto o processo não tiver uma decisão final. COLABOROU DANIELE CARVALHO’


 


 


Renato Cruz


Concorrentes devem contestar decisão


‘A diretoria da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp), que reúne concorrentes da Oi e da Brasil Telecom, vai se reunir hoje para decidir uma reação à anuência prévia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) à fusão das duas empresas. Segundo Luis Cuza, presidente da TelComp, as possibilidades incluem desde dar entrada em uma medida cautelar na Anatel e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a uma medida judicial.


‘A compra da BrT pela Oi vai ser danosa ao consumidor e vai afastar novos investimentos no setor de telecomunicações no Brasil’, disse Cuza. O executivo destacou que o investidor precisa de transparência e consistência na política setorial, para que tenha segurança para colocar dinheiro no País.


Na visão do presidente da TelComp, os dois itens não estiveram presentes na decisão da Anatel. A operação foi aprovada em tempo recorde, de 27 dias, o que seria um problema de consistência. Além disso, Cuza afirmou que a Anatel não apresentou estudos sobre o impacto no mercado, o que significaria falta de transparência.’ 


 


 


MÍDIA & PROPAGANDA


O Estado de S. Paulo


Petrobrás reduz verba publicitária em 26%


‘A verba destinada a anúncios e ações promocionais da Petrobrás para 2009 ficará em R$ 200 milhões, um corte de 26% em relação aos R$ 270 milhões deste ano. Nesse montante, não estão contabilizados os gastos com patrocínios e comunicação. A conta publicitária do grupo é dividida entre três agências – F/Nazca Saatchi & Saatchi, Heads Propaganda e Quê Comunicação. Essa última já anunciou o corte de 11 pessoas da equipe, em função da crise.’


 


 


 


TELEVISÃO


Etienne Jacintho


Quem paga para ver


‘A Globosat divulgou a pesquisa Hábitos & Consumo de 2008, que mapeia os assinantes dos canais do grupo e faz uma análise do crescimento da TV por assinatura no mercado brasileiro, que fecha o ano com presença em 5,4 milhões de domicílios no País.


Mesmo entre esses assinantes de TV paga, o hábito de sintonizar um canal aberto ainda é forte. Em 2001, de cada 100 pagantes de TV, 76% assistiram a canais abertos e 24%, a canais fechados, das 19 à 1 hora. Em 2008, a TV por assinatura registrou uma alta de 2 pontos porcentuais e a divisão ficou em 74% para a TV aberta e 26% para a TV por assinatura.


O crescimento da audiência total, durante todo o dia, também foi de 2 pontos porcentuais. Em 2001, a TV aberta contava com 73% de sintonia, ante 27% da TV paga. Em 2008, essas fatias mudaram para 71% e 29%. Os dados são do Ibope, que analisa números da Grande São Paulo e do Rio e compara o 1º semestre de 2001 com o 1º sementre deste ano.


Entre os consumidores dos principais canais Globosat – Multishow, GNT, GloboNews e SporTV -, um dado interessante é que 52% deles são solteiros.


Tom Zé experimental


O documentário Fabricando Tom Zé, que levou o prêmio de melhor filme pelo júri popular na 30.ª Mostra de São Paulo, entra em cartaz amahã, às 20h30, na SescTV – canal 3 da Sky e 137 da NET. A trajetória de Tom Zé é contada por meio das lembranças do próprio, de seus amigos e parceiros musicais. A emissora vai exibir ainda o show Beba-me, de Elza Soares, dia 24, às 23 horas; e o Gilberto Gil Espacial, dia 31, no mesmo horário.


Entre-linhas


A Record reage sobre o empate nacional com o SBT, notícia de ontem neste espaço, com dados do Ibope: os índices da 1ª quinzena de dezembro lhe devolvem vantagem, com placar de 7 a 6,4 pontos das 7h à 0h, e com 10 a 7,5 pontos entre 18h e 0h, a faixa nobre, quando os intervalos comerciais são mais caros.


Enquanto SBT e Record se batem pelo 2.º lugar, a Globo se mantém líder com folga: soma 18,4 pontos entre 7h e 0h e 28,4 pontos das 18h à 0h, segundo o Painel Nacional de TV do Ibope da 1.ª quinzena de dezembro.


A final do Ídolos, da Record, rendeu 13 pontos de média no Ibope. O saldo total do reality bateu nos 11 pontos – exatamente o mesmo da 1.ª temporada exibida pelo SBT, em 2006.


Hebe Camargo recebeu anteontem a Medalha ao Mérito Pedro Ernesto, no Copacabana Palace, e lamentou não poder agradecer no ar por estar em férias, com programas já gravados.


‘Não sei se vocês já viram aquele Chaves, mas ele está pegando a programação inteira. Por isso, não sei até quando ficarei de férias’, completou Hebe.


E talvez por obra dessa gracinha no Copa, voltaram a circular rumores sobre a possível troca de canal de Hebe, dessa vez para a RedeTV!


Mais de R$ 5 milhões captados pela Lei do Audiovisual este ano foram usados na produção de 16 atrações nacionais nos canais pagos internacionais. A série Alice, da HBO, foi uma delas.’


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