Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

DIRETóRIO ACADêMICO > A TROCA

Filme sobre uma história abjeta

Por Norma Couri em 13/01/2009 na edição 520

Ninguém mencionou o poder da imprensa no filme de Clint Eastwood que pode levar o Oscar este ano, A Troca. É um caso real escavado por um jornalista que cobria Polícia depois que o dossiê meio apagado de um caso ocorrido entre 1928 e 1930 lhe caiu nas mãos.


Rendeu um livro que agora virou filme com Angelina Jolie no papel da mãe que vive momentos surrealistas diante da polícia corrupta de Los Angeles. Seu filho desaparece. Cinco meses de desespero e notícias negativas depois, a polícia lhe entrega um suposto Walter, que se diz Walter, mas que não é Walter.


A polícia havia chamado a imprensa em peso para presenciar o momento da entrega do menino e não fica claro se algum jornalista chegou o suficiente perto da mãe para ver sua expressão de decepção quando diz, baixinho, ao policial: ‘Este não é meu filho’. Logo é convencida, também baixinho, por ele que aquele é seu filho, que ela está apenas abalada pela situação.


Força da mídia


Sorrisos para as câmeras, foto estampada nos jornais e Christine Collins tem de conviver com o filho que não é seu até descobrir que este garoto, ao contrário do seu, é circuncidado e mede 7 centímetros e tanto a menos que o verdadeiro Walter. A polícia interna a Sra. Collins num manicômio momentos depois que ela, cansada da farsa, decide convocar a imprensa para denunciar a troca. A imprensa atrapalhava todos os planos dos policiais.


Mais uma vez Christine é salva pela imprensa: um pastor, vivido por John Malkovitch, usa a rádio de sua igreja para denunciar a polícia corrupta e brutal. Consegue libertar Christine, desmascarar a polícia que queria empurrar um Walter falso para ganhar primeira página, e ainda acabar com o ‘Código 12’, que permitia a internação indiscriminada de mulheres que contestavam policiais.


Esse tempo todo foi perdido na busca do verdadeiro Walter, mas se não fosse a imprensa e a confiança de Christine na força dos jornais e das rádios, ela seria a louca da vez, o falso Walter um pobre menino rejeitado pela mãe, a polícia corrupta de Los Angeles estaria no mesmo lugar até hoje e o filme de Eastwood não existiria.

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Jornalista

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