Sábado, 23 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1025
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Fotomontagem de chanceler alemã gera polêmica

28/06/2007 na edição 439

A revista polonesa Wprost desta semana não agradou em nada aos alemães. Na capa, sob o título ‘A Madrasta da Europa’, uma fotomontagem mostrava a chanceler alemã Angela Merkel com os seios de fora, amamentando o presidente e o primeiro-ministro da Polônia – os gêmeos ultraconservadores Lech e Jaroslaw Kaczynski –, com um deles fazendo sinal de vitória com a mão.


Diante das críticas de desrespeito com a figura política, as declarações do editor-chefe, Stanislaw Janecki, cutucaram ainda mais a ferida. ‘Poderia ter sido pior. Pelo menos usamos uma modelo de 21 anos’, ironizou, referindo-se aos seios utilizados na fotomontagem. ‘Seis décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial, os alemães ainda não são capazes de tratar os poloneses como parceiros. A mensagem principal da capa é mostrar que a Alemanha e, em especial, Angela, estão tentando tratar os poloneses e seus líderes como criançinhas completamente incapazes de agir por conta própria’, alfinetou.


O objetivo da capa era satirizar a tentativa de Angela, atual presidente da União Européia, em convencer os países-membros a aprovarem o tratado constitucional do bloco, na cúpula em Bruxelas. Esperava-se unanimidade sobre o tratado e apenas o governo polonês havia se mostrado contrário ao projeto. O primeiro-ministro Kaczynski havia dito que a Polônia não assinaria o novo tratado da UE porque daria a grandes países, como a Alemanha, muito poder de decisão no bloco. Segundo ele, se a Polônia não tivesse sofrido tantas perdas na guerra, sua população atual seria equivalente a do Reino Unido e a da França, dois pesos pesados na UE.


Mau gosto


A mídia alemã criticou a sátira. Muitos jornais, incluindo o Kölner Stadt-Anzeiger, afirmaram que a chanceler foi ‘ridicularizada’. O tablóide Bild reproduziu citações de políticos furiosos alegando se tratar de uma imagem de mau gosto. Janecki afirmou que não foi crítico apenas à chanceler alemã, mas também aos gêmeos Kaczynski, ‘porque a relação entre todos eles se tornou anormal […] e claramente não está funcionando’. Para suavizar o tom depois das alfinetadas, o editor-chefe acrescentou que o relacionamento entre os cidadãos dos dois países é positivo; Angela é bem-vista entre os poloneses e a Alemanha é admirada por ajudar a Polônia a se tornar membro da UE.


Embora o ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, também tenha criticado a capa, ele tentou colocar panos quentes na disputa. ‘Não temos interesse em exagerar nesta questão, pois não queremos prejudicar a relação entre os dois países’, afirmou. Já Eckart Von Klaeden, porta-voz de assuntos exteriores do partido de Angela, o conservador Democratas Cristãos, afirmou que, se um país acredita na liberdade da mídia, ele deve ser livre para permitir tais imagens, mesmo sendo elas de mau gosto. A própria chanceler não quis colocar mais lenha na fogueira. ‘Tenho muitos amigos na Polônia e sei que a atmosfera lá é diferente da mostrada na imprensa’, declarou.


Após a cúpula, a Polônia declarou-se satisfeita com um acordo para o bloco, por ter convencido Angela a inserir uma cláusula que adia a introdução do sistema de votação até 2014, restringindo, pelo menos por agora, o poder da Alemanha.


Mais um capítulo


Esta não foi a primeira vez que a revista irritou os alemães. O episódio mais ofensivo se deu em 2003, com uma capa que mostrava a política e ativista Erika Steinbach, presidente de uma organização que representa os alemães deportados da Polônia após a Segunda Guerra Mundial, em uniforme nazista, montada no então chanceler Gerhard Schröder. Informações de Charles Hawley [Der Spiegel, 26/6/07] e Guy Jackson [AFP, 27/6/07].

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