Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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Futuro é coisa do passado

Por Cleyton Carlos Torres em 30/06/2009 na edição 544

Se o futuro que nos aguarda estará na ‘grande nuvem’, o que acontecerá quando estivermos nas nuvens? Entre num avião para ouvir da comissária de bordo a habitual mensagem: desligue os celulares, palms e a rede sem fio dos laptops. Se tudo estiver na nuvem, como os futurólogos proclamam, seu notebook se transformará em uma peça morta em muitos casos, e nada mais do que isso.

Teorias à parte, a internet se consagrou como meio de informação massiva no dia 11 de setembro de 2001, nos atentados às Torres Gêmeas, quando centenas de milhares de pessoas acessaram a rede mundial de computadores atrás de notícias sobre o ocorrido. O congestionamento foi simultâneo e mundial, acarretando lentidão de tráfego e paralisação de sistemas dos sites noticiosos. A rede americana CNN, por exemplo, ficou fora do ar por muito tempo.

O fato se tornou um divisor de águas para o mundo das comunicações, no qual ficou estabelecido, oficialmente, que a internet viera para suprir as necessidades informacionais do homem. A trágico interrupção dos sistemas seria apenas uma consequência, um mal que geraria bons frutos futuros.

Ocorre que em junho deste ano, pudemos observar duas vertentes que a comunicação digital proporcionou. Uma já conhecida, e a outra extremamente inovadora. Nos dois extremos do planeta, um mesmo canal de postagem eletrônica trouxe pensamentos esperançosos e afoitos. Vamos aos dois.

Fora do ar

Assim como os ataques terroristas nos Estados Unidos, as eleições no Irã projetaram uma nova forma de utilização e de manifestação noticiosa. Com o recente cerco à imprensa e aos manifestantes, a oposição que contesta a vitória do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad viu-se limitada na maneira de como iria mostrar ao mundo o que realmente acontecia. Celulares, máquinas fotográficas e filmadoras são bens físicos e, portanto, facilmente confiscados. A saída foi a internet, mas precisamente o site de relacionamentos Twitter, que possibilitou aos manifestantes expor idéias e pensamentos em tempo real, de diversas partes do país, utilizando protocolos estrangeiros. A internet não é um bem físico, portanto dificilmente será confiscada. Estava criada uma nova visão na utilização dos meios digitais contra um governo ditatorial.

A outra vertente, já conhecida, se deu na última semana. Michael Jackson morreu, deixando histórias, costumes, fãs e uma nova crise na rede mundial de computadores. O site TMZ ficou fora do ar por horas e o Twitter contabilizou um tráfego quatro vezes acima do comum, ficando desestabilizado por quase seis horas. Suas habituais 186 mensagens por segundo se viram em uma via de mais de 500 posts a cada segundo, travando o sistema, colocando seus criadores a par de que são possíveis novos desastres em seus bancos de dados e, principalmente, saboreando as previsões de muitos analistas: a internet já travou uma, duas vezes, em proporções planetárias, e poderá travar centenas de outras – o que significa que não estamos prontos para nos nutrir, suprir e viver à base de uma grande nuvem mundial de informações.

Devemos ficar atentos ao que se pode utilizar aqui e agora, e não apenas esperar por soluções colossais que mudariam o planeta. O Twitter já estava aqui quando decidiram usá-lo para mandar mensagens ao mundo. A tecnologia do MP3 já estava aqui quando resolveram disseminá-la, desestabilizando toda a indústria fonográfica mundial. A questão é que ainda não estamos prontos para depositar tudo na internet. O homem está mais apto devido ao consumo de informações, é verdade, mas isso em uma escala mínima. Projetando esse apetite por milhões de usuários conectados simultaneamente só obteremos, pelo menos nos dias atuais, uma única informação: estamos fora do ar.

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Jornalista e blogueiro, pós-graduado em assessoria, marketing e gestão da comunicação; Pindamonhangaba, SP

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