Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Futuros jornalistas não gostam de ler

Por Aldrin Willy em 04/07/2005 na edição 336

Levantamento realizado por alunos do curso de Jornalismo da Faculdade de Ciências Humanas, Exatas e Letras de Rondônia junto à biblioteca ‘Senador Rubens Moreira Mendes’, da mesma faculdade, comparando o número de alunos ao de pedidos de empréstimo de livros, revela que os cursos com maior número de alunos – do ramo da Comunicação – são os que menos pedem livros emprestados.

A pesquisa consultou o número de alunos que emprestaram algum livro ao longo do primeiro semestre de 2005 e os comparou proporcionalmente, atendo-se aos três cursos que compõem o curso de Comunicação Social – Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas.

Uma das surpresas ficou por conta do curso de Relações Públicas. Apenas 13 alunos estão matriculados. No entanto, o curso tem proporcionalmente o maior índice de interesse em leitura: 23,07%. Isto é, dos 13 alunos, três deles emprestaram algum livro durante o ano.

Em segundo aparece o curso de Publicidade e Propaganda. Dos 82 alunos matriculados, 10 deles, ou 12,19%, fizeram algum empréstimo na biblioteca no decorrer do primeiro semestre.

Acervo pequeno

A outra surpresa, no extremo oposto, veio do curso de Jornalismo. Apenas 10 dos 127 alunos emprestaram algum livro da biblioteca do início do ano até agora. Em termos percentuais, isso representa pífios 7,89%.

Proporcionalmente, os alunos do curso de Jornalismo são, a julgar pelo índice de empréstimos de livros, os que menos lêem. Os índices levantados permitem, em tese, ter-se uma idéia do interesse dos estudantes de cada curso pela leitura. Num curso com apenas 13 alunos matriculados (RP), o índice de empréstimos (23,07%) é quase três vezes maior que o índice de Jornalismo (7,89%) e duas vezes o de Publicidade (12,19%).

Os baixos índices de interesse talvez reflitam o volume reduzido de livros sobre comunicação de que dispõe a biblioteca da Faro. Pelo menos, é a opinião da diretora, Eliane Silva. A Faro tem, ao todo, 121 títulos (dos quais há 344 exemplares) sobre temas dos cursos de Comunicação. Segundo Eliane, outro fator que pode estar contribuindo para o irrisório índice de empréstimos dos alunos é a pouca divulgação de livros recém-chegados à biblioteca.

Fotocópia

Para a professora de Língua Portuguesa da Faro Jacinta Castelo Branco, chefe do Programa de Iniciação Científica da Universidade Federal de Rondônia, não se deve tomar ao pé da letra os baixos índices de empréstimos de livros, deduzindo, a partir deles, que os acadêmicos não têm interesse na leitura. Jacinta disse que há de se levar em consideração outras variáveis: ‘Aqui em Rondônia as pessoas costumam ter sua própria biblioteca, então acaba cada um comprando seu próprio material em vez de usar o da Faro’.

Além disso, diz Jacinta, ‘é preciso verificar se há um exemplar para cada título e também a quantidade de exemplares que podem sair [da biblioteca]: quando o livro só tem um exemplar, ele não pode sair’. A professora lembra outro fator que pode influir no índice de empréstimos: ‘Entre esses 127 alunos [do curso de Jornalismo] tem muita gente que já é profissional e já tem uma bibliografia considerável em casa’.

Há por fim a questão, de acordo com Jacinta, do ‘uso demasiado do recurso chamado fotocópia’. Segundo ela, alguns alunos preferem xerocopiar parte dos livros em vez de emprestá-los da biblioteca.

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Jornalista e estudante dos cursos de Comunicação Social (Jornalismo) da Faro e Informática da Universidade Federal de Rondônia

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