Quarta-feira, 24 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1010
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Gestão da qualidade da informação

Por José Osvaldo De Sordi em 23/09/2008 na edição 504

O artigo ‘Gestão da qualidade da informação no contexto das organizações:
percepções a partir do experimento de análise da confiabilidade dos jornais
eletrônicos’, publicado recentemente pela revista Perspectivas em Ciência da
Informação
(da Escola de Ciência da Informação da UFMG), trata de uma das
importantes dimensões da qualidade da informação: a credibilidade da fonte. O
tema é discutido a partir da análise da credibilidade dos jornais eletrônicos
pertencentes às mídias jornalísticas impressas brasileiras, propriedade dos dez
maiores jornais brasileiros em termos de circulação média diária, segundo
apurado pela Associação Nacional de Jornais.


Os critérios utilizados para apuração do nível de credibilidade da fonte
jornalista foram os mesmos empregados pelo International Center for Media and
the Public Agenda (ICMPA), da Universidade de Maryland (EUA), que analisou o
nível de transparência de 25 importantes sítios (web sites) de notícias,
pertencentes a importantes empresas de mídia dos Estados Unidos, Inglaterra e
Oriente Médio. Dessa forma, a pesquisa pautou-se em cinco atributos diretamente
associados à transparência das entidades jornalísticas junto aos leitores:
correção de erros; propriedade; política de emprego; política editorial e
interatividade. Para cada um dos cinco atributos relacionados à transparência,
definiram-se características a serem analisadas e classificadas, descritas no
Quadro 1.



















































QUADRO 1

Atributos e seus aspectos considerados para
análise de
confiabilidade das mídias de notícias brasileiras


Atributo: Correção de
erros

Pergunta de referência: Existe disposição da mídia em reconhecer
e retificar publicamente seus erros?

Aspectos considerados para classificação:
Transparência inexistente (0): não há publicação de textos
referentes a tratamento de erros;
Pouca transparência (1): textos de correções são encontrados,
porém de forma parcial, seja apenas para uma ou algumas sessões específicas de
temas ou assuntos tratados pela mídia, ou apenas para um período de tempo, para
publicações mais antigas; ou seja, há indícios de que não se trata de uma
prática vigente e organizacional;
Média transparência (2): textos de correções existem, porém
encontram-se fragmentados e distribuídos nas próprias páginas onde ocorreram os
erros;
Boa transparência (3): correções e esclarecimentos sobre
publicações atuais são facilmente encontrados, centralizados na página de
erratas, essas estão associadas ao texto original onde ocorreu o erro por
intermédio de um link, porém não possuem fácil acesso, requerem mais de
dois cliques de mouse a partir da página principal da mídia;
Transparência total (4): correções e esclarecimentos sobre
publicações atuais são facilmente encontrados (até dois cliques a partir da
página central), centralizados em página de errata e vinculados ao texto
original onde ocorreu o erro por intermédio de link.

Atributo: Propriedade

Pergunta de referência: A mídia informa quem são seus
proprietários?

Aspectos considerados para classificação:
Transparência inexistente (0): informação sobre os proprietários
da mídia não disponível;
Pouca transparência (1): informação disponível, porém de difícil
acesso (requer mais de dois cliques de mouse a partir da tela principal do
jornal eletrônico) e pouco informativa ou significativa; por exemplo, descreve
imbróglio societário;
Média transparência (2): informação facilmente encontrada
(acessada com até dois cliques de mouse a partir da tela principal do jornal
eletrônico), porém pouco informativa ou significativa; por exemplo, descreve
imbróglio societário;
Boa transparência (3): informação apresentada de forma clara,
porém de difícil acesso (requer mais de dois cliques de mouse a partir da tela
principal do jornal eletrônico);
Transparência total (4): informação apresentada de forma clara e
facilmente encontrada (acessada com até dois cliques de mouse a partir da tela
principal do jornal eletrônico).

Atributo: Política de
emprego

Pergunta de referência: Os leitores são informados sobre como a
empresa direciona seus colaboradores no tratamento de conflitos de
interesses?

Aspectos considerados para classificação:
Transparência inexistente (0): não há publicação de textos ou
documentos referentes ao Código de Ética e Conflitos de Interesses a serem
seguidos pelos colaboradores;
Pouca transparência (1): há um Código de Ética, porém esse é
vago, desatualizado e não faz menção aos possíveis conflitos de
interesse;
Média transparência (2): há um Código de Ética disponível, porém
não há menção aos possíveis conflitos de interesse;
Boa transparência (3): há um Código de Ética disponível, porém o
tratamento dado à política de conflito de interesse é vaga;
Transparência total (4): os documentos Código de Ética e
conflitos de interesse são claros, objetivos e facilmente encontrados pelos
leitores (acessados com até dois cliques de mouse a partir da tela principal do
jornal eletrônico).

Atributo: Política editorial

Pergunta de referência: Os leitores são informados sobre os
valores organizacionais que orientam o trabalho dos seus
colaboradores?

Aspectos considerados para classificação:
Transparência inexistente (0): não há publicação de textos
referentes à política editorial;
Pouca transparência (1): há política editorial, seus textos
estão subdivididos em partes localizadas em diferentes páginas do jornal
eletrônico, sendo sua redação vaga;
Média transparência (2): a política editorial encontra-se
centralizada, porém a sua redação é vaga;
Boa transparência (3): os textos são claros, objetivos, porém de
difícil acesso; encontram-se, por exemplo, subdivididos em partes localizadas em
diferentes páginas do jornal;
Transparência total (4): os textos referentes à política
editorial estão centralizados em uma página, são claros, objetivos e de fácil
acesso aos leitores.

Atributo: Interatividade

Pergunta de referência: Os leitores são incentivados a
expressarem seus comentários e críticas a respeito das publicações da
mídia?

Aspectos considerados para classificação:
Transparência inexistente (0): não provê facilidades para
interação dos leitores;
Pouca transparência (1): provê apenas a facilidade de carta ao
editor;
Média transparência (2): apresenta diversas facilidades para
interação de seus leitores (seção carta ao editor, blogs, divulgação de
e-mail dos colaboradores, entre outras), porém disponíveis apenas aos
leitores assinantes;
Boa transparência (3): apresenta diversas facilidades para
interação de todos seus leitores (seção carta ao editor, comente a notícia,
dando visibilidade da opinião de outros leitores; blogs; divulgação de
e-mail dos colaboradores, entre outras), sejam eles assinantes ou
não;
Transparência total (4): similar ao item anterior, porém
acrescido de forte estímulo à interação dos usuários como, por exemplo, o
fornecimento grátis de serviços (alertas sobre notícias de interesse, resumo de
notícias por e-mail) ou sorteio de prêmios entre os que interagem
(descontos na assinatura do
jornal).
Fonte: De Sordi, Meireles e Grijó (2008)

A partir da análise do ambiente eletrônico das mídias analisadas, perante os

aspectos definidos para cada um dos cinco atributos, obteve-se o nível de
credibilidade das fontes. Esse foi definido em uma escala de cinco níveis:
transparência inexistente (0), pouca transparência (1), média transparência (2),
boa transparência (3), e transparência total (4). A Tabela 1 apresenta os
resultados apurados.


O resultado das análises das mídias brasileiras, apresentado no Quadro 1, é
coerente com os resultados obtidos na pesquisa em âmbito global realizado pelo
ICMPA. A mídia brasileira mais bem avaliada, Folha de S.Paulo, dentro do
contexto global de transparência gerado pelo ICMPA, estaria na décima posição
com a mesma pontuação que o Washington Post, ambos com avaliação igual a
2,4 (dois inteiros e quatro décimos), ou seja, ‘média transparência’. As
avaliações obtidas pelas duas mídias nos cinco atributos são muito próximas.
Comparando as duas pesquisas, observam-se os mesmos padrões de classificação dos
atributos relacionados à confiabilidade; ou seja, as dificuldades dos principais
jornais brasileiros com respeito à transparência são as mesmas das dos grandes
jornais internacionais. Na pesquisa do ICMPA, apenas 13 (treze) dos 25 (vinte e
cinco) jornais analisados receberam avaliação maior ou igual a 2 (dois), ou
seja, compreendidos como mídias de ‘média transparência’.






























































































TABELA 1
Nível de transparência dos jornais eletrônicos
analisados

Jornal

Correção

de Erros

Propriedade

Politica

de Emprego

Politica
Editorial

Interatividade


Nível
de

Transparência*

Folha de S.Paulo

4

3

0

2

3

2,4

O Globo

2

4

0

0

3

1,8

O Estado de S. Paulo


2

3

0

1

3

1,8

Extra

0

4

0

0

1

1,0

Zero Hora

0

2

0

0

1

0,6
Diário Gaúcho
0

2

0

0

1

0,6

Correio do Povo

0

0

0

0

1

0,2
Super Notícia
0

0

0

0

1

0,2

O Dia

0

0

0

0

0

0
* Nível de transparência: 0 = inexistente 1 = pouca 2 =
média 3 = boa 4 = total
Fonte: De Sordi, Meireles e Grijó (2008)

Nas 28 páginas do artigo estão descritos os detalhes das análises realizadas
para cada uma das dez mídias analisadas. O artigo na íntegra está disponível aqui.

******

Pesquisador e professor do mestrado em Administração da Universidade Municipal de São Caetano do Sul

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