Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

DIRETóRIO ACADêMICO > IRÃ

Imprensa vê com cautela momento de liberdade

13/06/2007 na edição 437

O currículo do jornalista Mohammad Quchani não é nada invejável: ele trabalhou em 11 jornais que foram fechados por autoridades iranianas. Por esta razão, Quchani não tem tantas esperanças de que o diário Ham Miham, lançado no mês passado e do qual ele é editor, sobreviva. ‘Depende da política e de como o jornal se comporta’, especula o jornalista.


Em setembro do ano passado, o Sharq, último diário reformista onde Quchani trabalhou, foi fechado por acusação de ofensa, insulto a autoridades e blasfêmia. O governo chegou a exigir que o chefe de redação, Mahdi Rahmanian, fosse substituído. Na ocasião, alguns jornalistas chegaram a alegar que a atitude fazia parte de uma campanha governamental para silenciar a oposição – o que as autoridades negam, afirmando que críticas são bem-vindas no país.


Desafios


Após a censura, os jornalistas do Sharq abriram um novo jornal, mantendo a mesma equipe e linha editorial – prática comum no Irã a partir do final dos anos 90. O governo, entretanto, percebeu rapidamente que o novo jornal era uma versão ‘disfarçada’ do antigo. O caso foi para o tribunal e o Sharq venceu na justiça, voltando a ser publicado em maio.


Segundo Rahmanian, será feito o possível para que o novo Sharq não ultrapasse os ‘limites’ e não seja fechado novamente. De acordo com o chefe de redação, alguns assuntos são bastante sensíveis e requerem uma cobertura mais cuidadosa, como a disputa nuclear do Irã com o Ocidente, ou ainda notícias jurídicas e militares. ‘O problema é que algumas vezes não sabemos quais são as áreas proibidas’, explica ele.


Além dos cuidados para não irritar o governo, os jornais no Irã também têm que lutar duro para conquistar os leitores. O Hamshahri, diário de maior circulação do país, vende 400 mil cópias; o Sharq vende 70 mil – isso em um país de 70 milhões de habitantes. Há ainda anunciantes temerosos em vincular seu produto ou serviço a determinados jornais, por causa de possíveis represálias do governo.


Pé atrás


Alguns críticos vêem a republicação do Sharq e o lançamento do Ham Mihan como uma volta ‘modesta’ dos diários que são favoráveis a reformas políticas. Já os céticos alegam que esta aparente ‘liberdade’ momentânea pode ser explicada pelo fato das autoridades quererem melhorar a imagem do país, particularmente por causa das eleições parlamentares marcadas para o próximo ano. O Irã está sob sanções da ONU por não interromper a fabricação de armas atômicas.


Há quem diga que estes dois diários ainda não foram fechados apenas porque não tratam diretamente de assuntos sensíveis ao governo. De fato, a administração do presidente Mahmoud Ahmadinejad não têm mostrado lá muita tolerância com a liberdade de expressão. Na semana passada, foi anunciada uma medida que obriga todos os blogueiros do país a se registrarem em um sítio criado pelo Ministério da Cultura; caso contrário o acesso a seus blogs será bloqueado. Apenas mais um exemplo de censura, pura e simples. Com informações de Edmund Blair e Sean Magoei [Reuters, 11/6/07].


 

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